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Depacom, 24
de novembro de 2006
Confraternização esportiva no Siticom São José do
Rio Preto
Recebemos o último informativo do Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias da Construção e do Mobiliário de
São José do Rio Preto, onde destacamos o editorial do
presidente, companheiro Nelson Ioca.
Confira o
editorial
Melhores informações, acesse o site do sindicato:
www.siticomriopreto.com
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AGÊNCIA ESTADUAL
DE NOTÍCIAS, 24 de novembro de 2006
Governo do Estado realiza pesquisa
sobre segurança do trabalho na construção civil
O secretário estadual do Trabalho,
Emprego e Promoção Social, Emerson Nerone anunciou, um
acordo de pesquisa entre a Secretaria e o Sindicato da Indústria
da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR)
para analisar a situação de segurança e saúde
do trabalhador na construção civil. “A pesquisa
será realizada em Londrina e tem como objetivo identificar as
situações de risco da atividade, como forma de prevenir
futuros acidentes de trabalho”, explica Nerone.
Segundo Ildo Ioris, gerente administrativo
do Sinduscon-PR na região Norte do Estado, não há dados
oficiais sobre a segurança do trabalho na construção
civil na cidade. “Com a pesquisa, vamos verificar em que etapa
da construção, e em que setor da obra há mais
riscos de acidentes. Também vamos aproveitar o perfil do trabalhador
na construção civil feito pela Fundacentro-PR” diz
ele.
A Fundacentro é uma entidade
ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego, que tem como função
produzir e difundir conhecimentos que promovam a saúde e a segurança
do trabalhador. Entre suas ações está a formação
das primeiras turmas de técnicos em segurança do trabalho
do Brasil.
Como presidente do Comitê Permanente
Regional (CPR) do Paraná – entidade formada por empregados,
empregadores e governo, responsável pela observação
das normas de segurança do trabalho na construção
civil – Ioris pretende levar o projeto para outras cidades-pólo
do Estado. “Nossa intenção é desmistificar
a atividade como principal causadora de acidentes de trabalho”,
afirma ele. A pesquisa, custeada pela Secretaria de Estado do Trabalho,
Emprego e Promoção Social, deve ser entregue no fim de
fevereiro de 2007.
Boletim – O Boletim n.º 4
do Comitê Estadual de Investigação de Óbitos
e Amputações Relacionados ao Trabalho no Paraná (Ceioart),
que será impresso ainda este ano, traz orientações
sobre previdência social, notificação de acidentes
de trabalho, entre outros assuntos, e será distribuída
em sindicatos, empresas e órgãos governamentais para
divulgar as ações do Comitê. Como integrante do
Comitê, a Secretaria está patrocinando a impressão
de 10 mil exemplares da publicação, que terá o
nome “Investigação”.
Entre os integrantes do Ceioart estão
as secretarias estadual e municipal de Saúde, o Hospital do
Trabalhador, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério
Público do Estado do Paraná, o Instituto de Seguridade
Social (INSS), a Delegacia Regional do Trabalho (DRT), a Fundacentro-PR,
o Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde
da Polícia Civil (Nucrisa), a Central Única dos Trabalhadores
(CUT), a Força Sindical, a Federação dos
Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do
Mobiliário no Paraná, a Associação
de Defesa da Saúde do Trabalhador, o Sindicato dos Técnicos
de Segurança do Trabalho do Estado do Paraná e a Universidade
Federal do Paraná (UFPR).
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Agência Câmara,
24 de novembro de 2006
Câmara aprova financiamento
imobiliário sem uso da TR
O Plenário aprovou na quarta-feira (22) a Medida Provisória 321/06,
que permite a celebração de contratos de financiamento imobiliário
por meio do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e do Sistema
Financeiro do Saneamento (SFS) sem o uso da Taxa Referencial (TR) como índice
de atualização.
O texto aprovado é o do projeto
de lei de conversão do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que
acrescentou um artigo anteriormente incluído pelo Senado na MP
303/06, cuja validade acabou no dia 27 de outubro. Esse artigo trata
da antecipação de pagamentos de débitos de empresas
inscritas no Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou
no Parcelamento Especial (Paes).
De acordo com o texto, o débito
para pagamento deverá ser calculado com base na projeção
das parcelas a vencer descontadas da taxa de juros dos contratos regidos
pela Taxa Selic. O prazo total a ser considerado para o cálculo
do valor final de pagamento não poderá exceder 35 anos.
A liquidação do débito
apurado poderá ser feita com o uso, total ou parcial, de compensação
de créditos próprios relativos a tributos e contribuições
administrados pela Secretaria da Receita Federal e pelo Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS).
Taxa Referencial
De 2005 a 2006, houve um aumento de 100%
no volume de dinheiro liberado pelo sistema financeiro como crédito
imobiliário; os recursos devem chegar neste ano a R$ 8,7 bilhões,
no âmbito do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo
(SBPE).
Desde 1991, a Lei 8177/91, que regula
os financiamentos do SFH, determina a obrigatoriedade de uso da TR nos
contratos imobiliários realizados com recursos de depósitos
em caderneta de poupança. Na época, a inflação
era alta e a medida servia para resguardar o equilíbrio dos contratos
em relação às fontes de recursos - no caso, o dinheiro
depositado na poupança.
O Poder Executivo argumenta que, atualmente,
essa obrigatoriedade é desnecessária, pois os bancos dispõem
de outros mecanismos de proteção. Por casa da estabilidade
econômica e da baixa inflação, também tem
crescido a demanda por empréstimos com taxas pré-fixadas,
situação em que fica mais fácil diminuir os riscos
de falta de pagamento com a contratação de seguro.
Contratos com TR
Os contratos celebrados a partir de 13
de setembro de 2006 poderão continuar a ser atualizados pela TR,
vedados outros indexadores. Aos contratos feitos sem atualização
pela TR, com taxa pré-fixada não superior a 12% ao ano,
poderá ser acrescida a variação da TR segundo critérios
a serem definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). As cadernetas
de poupança continuam a ser remuneradas pela TR acrescida de 0,5%
ao mês.
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Agência Diap, 24 de novembro
de 2006
Supersimples
Câmara conclui votação;
projeto que flexibiliza direitos trabalhistas segue para sanção
A Câmara dos Deputados conclui nesta quarta-feira, 22/11, a votação
do Supersimples. Ao ratificar as emendas aprovadas no Senado, os deputados
encerraram o exame do Projeto de Lei Complementar n° 123/04. O projeto
irá à sanção presidencial.
O Supersimples é um regime diferenciado
de tributação para as micro e pequenas empresas em relação
aos tributos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos
municípios. Além dos benefícios tributários,
o projeto prevê ainda a adoção de facilidades de
acesso ao crédito, diminuição da burocracia e preferências
nas licitações públicas. Esse tratamento diferenciado
abrange também obrigações previdenciárias
a cargo do empregador.
Poderão recolher o tributo único
as microempresas com receita bruta anual igual ou inferior a R$ 240 mil,
assim como as empresas de pequeno porte com receita bruta anual superior
a R$ 240 mil e igual ou inferior a R$ 2,4 milhões. Entre as emendas
aprovadas está a que estabelece o início da vigência
do novo sistema em 1º de julho de 2007 e não mais em 1º de
janeiro do próximo ano.
Flexibilização Trabalhista
É preocupante o fato de o projeto
ter sido aprovado sem modificações nos artigos que representam
o primeiro passo rumo à flexibilização de direitos
trabalhistas. Depois da aprovação no Senado, a Agência
DIAP repercutiu com o senador Paulo Paim (PT/RS) o significado da proposição
para os trabalhadores e a Previdência Social.
Para Paim, a idéia de fortalecer
a micro e pequena empresa é boa em razão da perspectiva
na geração de empregos. No entanto, o projeto é falho
ao isentar contribuições previdenciárias e flexibilizar
direitos trabalhistas.
A previsão de Paim de que a Câmara
não modificaria o projeto foi confirmada. A razão para
tanto, segundo o senador, foi o acordo firmado no Senado, que fez com
que o projeto fosse aprovado na Casa por acordo de líderes, sem,
portanto, registro de voto nominal dos senadores. “Sinceramente
não acredito que o texto vai ser alterado na Câmara. Só há uma
chance de reverter o retrocesso nas relações trabalhistas
e previdenciárias – o presidente Lula vetar os dispositivos
que flexibilizam os direitos dos trabalhadores”, havia dito Paim.
Paim reforçou a necessidade de
o movimento social e sindical se mobilizar, ser ativo e pressionar o
governo para vetar os artigos do Supersimples que prejudicam os trabalhadores
e representam o primeiro passo rumo à flexibilização
de direitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
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Agência Diap, 24 de
novembro de 2006
Emprego
MTE aponta mais de um milhão
de empregos com carteira assinada em 2006
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, em 2003 foram criados 645.433
empregos com carteira assinada; em 2004, o número de postos celetistas
chegou a 1.523.276 e, em 2005, foram registrados 1.253.981 de empregos formais.
Nos nove primeiros meses de 2006, o país criou 1.383.805 postos de trabalho.
Os dados fazem parte do Caged, criado
pela Lei nº 4.923/65, registro administrativo que acompanha e fiscaliza
o processo de admissão e dispensa (demissão, aposentadoria,
morte) de trabalhadores regidos pela CLT, em todo o país. As empresas
encaminham os dados mensalmente, pela internet, ao Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE). As informações se referem
aos municípios e às atividades econômicas e servem
de suporte a várias políticas de emprego.
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Folha
de São Paulo, 24 de novembro de 2006
Lula pede que governadores só façam
oposição em 2010
Petista diz que conversará com "quem
for civilizado", mas respeitará "silêncio dos outros" |
Presidente diz que espera se reunir logo com todos os governadores e elogia
Serra e Aécio, com os quais afirma ter uma "relação
histórica"
PEDRO DIAS LEITE, SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em encontro com governadores e representantes
de 18 Estados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou
que vai conversar com todo mundo que for "civilizado" e pediu
a quem quiser fazer oposição que espere até 2010,
quando ele não será mais candidato. "Só não
vai conversar quem não quiser conversar. Quem for civilizado e
quiser fazer política civilizada vai ter espaço para uma
boa conversa. Quem não quiser, nós temos de respeitar o
direito de silêncio dos outros", disse Lula na entrada do
encontro que teve com governadores, no hotel Blue Tree, em Brasília.
O presidente elogiou publicamente os dois
principais governadores tucanos, José Serra (SP) e Aécio
Neves (MG), com s quais disse manter uma "relação
histórica de 30 anos", e disse que ainda espera reunir todos
num encontro em breve. "A próxima reunião quem sabe
seja do Oiapoque ao Chuí, com todos os governadores, porque, se
alguém quiser fazer oposição a mim, que faça
na eleição de 2010, quando não serei candidato.
E, se eu tiver de fazer oposição a algum governador, eu
deixo para fazer em 2010", discursou o presidente no almoço
com os aliados.
No início do mês, Aécio
já havia deixado claro que é contra uma reunião
de todos os governadores com Lula neste ano. O governador de Minas teme
que o governo consiga impor sua agenda, mas deixe a dos Estados em segundo
plano. "Não vejo sentido numa reunião que, neste ano,
será mais para tirar uma foto", disse, no dia 8.
Museu
O governador eleito da Bahia, Jaques Wagner
(PT), um dos principais conselheiros de Lula, traduziu em termos práticos
a divisão do presidente entre "civilizados" e "não-civilizados": "Quem
tiver futuro vai conversar. Quem não tem, que vá pro museu
ler pergaminhos". Lula já chamou para conversar o senador
Arthur Virgílio (PSDB-AM), que chegou a ameaçar "dar
uma surra" no presidente, mas não falará de jeito
nenhum com o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), por exemplo.
Lula também anunciou que vai chamar
o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, que fez duros ataques
ao petista nas eleições. O ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso é a principal liderança do PSDB contrária
a uma conversa com o governo federal. No início do primeiro mandato,
Lula chamou todos os governadores para uma conversa, mas a agenda conjunta
parou no Congresso. Passados quatro anos, a reforma tributária,
motivo primordial do encontro, teve poucos avanços.
Lula reconheceu os problemas do primeiro
mandato, disse que "não há mais governo de oposição
nem governo de situação" e que a relação
será "profissional". "A relação de
amizade é para coisas íntimas de cada pessoa humana. A
nossa relação tem de ser profissional."
Lula ressaltou que a "disputa político-ideológica terminou
no dia da apuração" e disse que a escolha do povo já foi
feita. Certo ou errado, nós estamos aqui, eleitos. E eu espero que esteja
certo."
O presidente acenou aos governadores com
uma cooperação que, se de fato ocorrer, será bem
diferente da tônica do primeiro mandato. "Quando vocês
tiverem festas, não precisam me convidar. Mas, quando tiverem
crises, por favor, eu serei parceiro para tentar ajudar a resolver esses
problemas." Lula deu um sinal de que efetivamente o novo ministério
pode não sair neste ano. "Estou há mais de 15 dias
determinado a não discutir montagem de governo, não discutir
nomes", disse, para depois ironizar os jornalistas: "Eu sei
que setores da imprensa já tiraram uns 30 ministros, já colocaram
uns 50, e eu, que deveria tirar, não tirei nem coloquei nenhum".
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Folha de São Paulo,
24 de novembro de 2006
Serra condena reunião tucana
para debater relação com Lula
CATIA SEABRA, ROGÉRIO PAGNAN
DA REPORTAGEM LOCAL
O governador eleito de São Paulo,
José Serra, condenou a idéia da cúpula do PSDB de
realizar uma reunião restrita para debater a relação
do partido com o governo federal depois do assédio do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro, também convocado
para discutir a dívida da campanha presidencial, aconteceu ontem
na casa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas Serra -que recebia
em casa o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PSB)- não
participou. "Fui [convidado], mas eu tinha um compromisso com o
governador já marcado há muitos dias", disse.
Na reunião, foi discutida, segundo
os dois, a união dos quatro governadores do Sudeste (SP, ES, MG
e RJ). Na madrugada de ontem, durante conversa com aliados na casa do
deputado federal Sebastião Madeira (PSDB-MA), Serra disse discordar
da convocação de quatro pessoas para a discussão.
Além de FHC e do ex-governador Geraldo Alckmin, o governador de
Minas, Aécio Neves, e o presidente do partido, Tasso Jereissati
(CE), participaram da reunião.
Na conversa da véspera, com parlamentares,
Serra disse que não fazia a menor diferença se um tucano
viesse ou não a conversar com Lula. Para ele, o presidente tem é que
governar o país. Questionado se os assuntos internos do PSDB não
lhe interessavam mais porque pretende se desligar da legenda, Serra reagiu: "Não é que
antes me interessava e agora não interessa ou deixou de interessar.
Não tem nada a ver". Segundo Tasso, a reunião foi
convocada para se discutir a modernização do partido. Ele
negou que a possibilidade de audiência com Lula estivesse na pauta
porque "é óbvio". "Vamos continuar fazendo
uma oposição firme e enérgica, mas nunca nos negaremos
a conversar quando o assunto for de interesse nacional", afirmou
ele, falando em "oposição dentro do contexto de civilidade".
Em resposta a Lula -que admitiu ter errado
por governar com muitos amigos- Tasso sugeriu que o presidente aplique
a lição, porque o governo ainda tem muitos "amigos
incompetentes e desonestos". De acordo com tucanos, a reunião
também serviria para traçar uma estratégia de captação
de recursos para reduzir, até o fim deste mês, a dívida
de campanha de Alckmin, de cerca de R$ 15 milhões. Os tucanos
negaram. "Dívida? Que dívida?", brincou Aécio,
na saída da reunião de ontem.
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Folha de São Paulo,
24 de novembro de 2006
Pacote desonera empresa e subsidia
moradia
Medida prevê desoneração
de até R$ 12 bi em 2007 para estimular expansão da
economia; FGTS subsidiará habitação popular
A equipe econômica vai abrir mão
de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões em impostos no ano que
vem para financiar um pacote de desoneração tributária
com o qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acredita ser
possível estimular o prometido crescimento de 5% ao ano da economia
em seu segundo mandato.
Além da redução
impostos para investimentos, o governo também elevará o
prazo para o pagamento de tributos, medidas que deixam dinheiro no
caixa das empresas e reduzem a necessidade de capital de giro. O governo
anunciou ainda a criação de um fundo de R$ 10 bilhões
a R$ 15 bilhões com recursos do FGTS para subsidiar habitação
de baixa renda. O pacote deve ser anunciado na próxima semana
por Lula. Incluirá ainda aumento nos investimentos na área
de infra-estrutura.
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Folha
de São Paulo, 24 de novembro de 2006
Até R$ 15 bi do FGTS servirão
para subsidiar casa popular
Recursos pagarão até 2/3 da prestação
de famílias com renda até 5 mínimos | Programa já é operado
pelo Ministério das Cidades, mas com recursos de R$ 1 bi; ministro
dos Transportes leva propostas a Lula
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Ao antecipar ontem parte das medidas
de desoneração, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
anunciou a criação de um fundo de R$ 10 bilhões
a R$ 15 bilhões com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço) para subsidiar a habitação de baixa
renda. A idéia é que o governo pague cerca de dois terços
da prestação do financiamento habitacional de famílias
com renda de até cinco salários mínimos. Esse
programa já é operado pelo Ministério das Cidades,
mas tem um orçamento de pouco mais de R$ 1 bilhão.
A idéia do governo é aplicar
em títulos públicos o dinheiro do fundo a ser criado
e usar o rendimento para subsidiar a prestação da casa
própria. "Estamos tentando fazer um programa ousado. Mas
não podemos ser ousados ao ponto de ameaçar o equilíbrio
das contas públicas. Será ousadia com responsabilidade.
Não adianta ousar e arrebentar com o que foi conquistado nos últimos
quatro anos", disse Mantega. Na semana passada, Lula pediu mais
ousadia ao ministro.
As bondades tributárias preparadas
pela área econômica não significam, no entanto,
que o governo reduzirá a arrecadação. Das oito
medidas anunciadas ontem por Mantega, só duas terão impacto
no caixa da União, embora num valor ainda não divulgado.
Mantega falou em R$ 4 bilhões de desonerações,
mas elas se referem ao que a Receita Federal deixará de arrecadar
em novos investimentos. Além disso, as contas oficiais também
incluem R$ 2,7 bilhões de desonerações, em 2007,
garantidas na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, aprovada nesta
semana no Congresso, e que já faziam parte das projeções
oficiais antes do pacote do crescimento pedido por Lula.
Entre as medidas anunciadas ontem, a
grande novidade é a mudança no prazo de pagamento da
contribuição ao INSS e do PIS/Cofins. Hoje as empresas
têm que pagar 20% do valor de sua folha à Previdência
no dia 15 de cada mês. O PIS/ Cofins tem uma alíquota
de 9,25% e é cobrado sobre o valor agregado pela companhia a
seus produtos todo dia 2. Mantega não quis revelar de quanto
será a ampliação do prazo de pagamento. Com a
medida, as empresas conseguirão ficar com dinheiro em caixa
mais tempo, reduzindo a necessidade de financiamento.
Uma outra medida importante para as empresas é a desoneração
da folha de pagamentos. Segundo o ministro, o governo pretende criar um sistema
em que as empresas cuja despesa com salário ultrapassem um percentual
ainda não definido do faturamento tenham direito a compensar o gasto
com o INSS em outros impostos federais.
Além de aliviar as necessidades
de caixa das empresas, a equipe econômica também propôs
desonerar novos investimentos. Para isso, vai reduzir o prazo que as
empresas têm para abater de tributos devidos os créditos
que acumularam no recolhimento do PIS/Cofins. Essa mudança valerá para
duas operações. Quando as empresas adquirirem material
para construir ou ampliar instalações de uma fábrica
ou fizerem um novo galpão para uma linha de produção
poderão abater o PIS/Cofins que é pago na compra desses
materiais num prazo que vai variar de um ano e meio a dois anos. A
regra atual estabelece que essa compensação seja feita
entre 20 e 25 anos. Quando comprarem máquinas e equipamentos,
também poderão usar o crédito do PIS/Cofins em
18 meses, em vez dos atuais 24 meses.
As mudanças são para novos
investimentos. A lista dos bens de capital (máquinas e equipamentos)
que não pagam IPI também será ampliada em 50 produtos,
subindo para cerca de 850. Por último, Mantega anunciou que
colocará em prática um programa para apressar a cobrança
das dívidas do governo federal. Segundo ele, o prazo médio
de recebimento é de 16 anos, e a proposta em análise
reduz isso pela metade.
Infra-estrutura
Segundo o ministro dos Transportes,
Paulo Sérgio Passos, foi apresentada a Lula ontem uma carteira
preliminar de investimentos que devem ser feitos no setor, mas ele
não revelou os valores envolvidos na proposta do ministério.
Lula pediu estudo para explicar por que as tarifas ferroviárias são
relativamente elevadas em relação ao transporte rodoviário.
Segundo Passos, a reclamação é feita pelos plantadores
de soja, entre outros setores. Indagado se o assunto tinha sido levado ao presidente
pelo governador reeleito de Mato Grosso, Blairo Maggi (sem partido), disse
não saber. Lula esteve com Maggi nesta semana.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 24 de novembro de 2006 | Economia
Maior parte das greves no 1º semestre
foi na área publica
No total, foram realizadas 193 greves. Dessas,
113 foram realizadas na esfera pública, pelo funcionalismo
estadual, municipal e federal e nas empresas estatais
Flavio Leonel
SÃO PAULO - Os trabalhadores brasileiros
realizaram 193 greves no primeiro semestre de 2006, que totalizaram uma
interrupção das atividades produtivas superior a 15 mil
horas, de acordo com estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A maior parte destas paralisações, 113 ou 59% do total,
foi realizada na esfera pública, pelo funcionalismo estadual,
municipal e federal e nas empresas estatais, enquanto 79 greves (41%)
foram promovidas no setor privado e apenas uma (0,5%) em ambas as esferas.
No balanço que levou em conta as
horas paradas, o setor público foi responsável por uma
proporção ainda maior: 87%. Na esfera privada, as horas
não trabalhadas representaram 13% do total.
Nas mobilizações ocorridas
na esfera pública, quase um quarto do total (24%) foi protagonizado
por servidores públicos estaduais. Os trabalhadores municipais
responderam por 17% dos movimentos e os funcionários do governo
federal, por 12%. Outros 5% dos casos corresponderam a trabalhadores
de empresas estatais.
Entre as greves do setor privado, o estudo
verificou que 35 (6%) foram realizadas pelos trabalhadores da Indústria
e 43 (6,3%) pelo Setor de Serviços. O setor rural teve uma paralisação
e não foi constatada no levantamento greve no Comércio.
Tendência mantida
De acordo com o Dieese, as greves do primeiro
semestre deste ano alcançaram o mesmo número do primeiro
semestre de 2005 e mantiveram uma tendência já verificada
desde 2004: a maioria dos movimentos (72%) teve "caráter
propositivo", pois os trabalhadores lutavam por avanços nas
condições de trabalho e/ou remuneração. Em
48% das paralisações houve motivação defensiva,
para defender direitos já negociados anteriormente (31%) ou garantidos
pela legislação trabalhista (25%). As motivações
de protesto, por sua vez, estiveram presentes em 16% das paralisações.
No ranking de reivindicações,
60,1% das greves tiveram como objetivo o reajuste salarial; 30,1%, a
maioria no setor público, defenderam planos de cargos, carreiras
e salários; 21,2% pleitearam auxílio-alimentação;
13,5% exigiram cumprimento de acordo; e 13% defenderam melhoria nas condições
de trabalho; entre outras exigências.
O atraso no pagamento de salários,
que ao longo da década de 90, foi justificativa para a maior
parte dos movimentos de paralisação, perdeu espaço
no ranking e motivou apenas 8% das greves. Em 2005, este tema esteve
presente em 12% das greves analisadas, sendo o quinto item mais freqüente
das reivindicações no ano. Em 2004, o atraso de salários
motivou 19% das greves observadas e apareceu como a terceira principal
razão das paralisações.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 24 de novembro de 2006 | Economia
Marinho confirma estudo para desonerar
folha de salário
Segundo o ministro do Trabalho, o assunto é "consenso
dentro do governo"
Isabel Sobral
BRASÍLIA - O ministro do Trabalho,
Luiz Marinho, confirmou nesta quinta-feira os estudos do governo para
desoneração da folha de salário. Segundo o ministro,
o assunto é "consenso dentro do governo". Ele ressaltou,
porém, que existem resistências de setores da economia e,
por isso, a decisão pode demorar um pouco mais. "As empresas
que têm alto valor agregado certamente terão encarecimento
de custos, por isso uma parte gosta e outra não gosta (da idéia),
mas é preciso pensar no que é bom para o conjunto do País",
comentou o ministro.
Depois de reunir-se na manhã desta
quinta-feira, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro
da Fazenda, Guido Mantega, confirmou que o governo estuda de fato desonerar
a folha de pagamento de empresas que são intensivas em mão-de-obra.
Ele não citou nenhum setor específico, mas a indústria
da construção civil é um exemplo que se encaixa
nessa definição. O ministro não detalhou como vai
se dar a desoneração e, segundo ele, foi apresentado um
desenho pela área técnica da equipe econômica, mas
que ainda não foi considerado bom o suficiente.
A idéia é retirar da folha
de salário as alíquotas de contribuição para
o Sistema "S" (Sesi, Senai, Senac, Sesc, entre outros) que
variam hoje entre 1,5% e 2,5% e parte da contribuição patronal
para a Previdência Social (20%). Com a transferência para
valores agregados (faturamento ou receita) das empresas, haveria um alívio
de custos sobre a folha. Os setores da economia que empregam maior mão
de obra seriam beneficiados e aqueles que têm reduzido seus empregados
e elevado seu faturamento por força dos avanços tecnológicos
pagariam mais tributos.
Marinho, que anunciou nesta quinta
os resultados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),
afirmou que é favorável a essa desoneração. "Sou
da opinião de que aquilo que não é vinculado diretamente
ao salário do trabalhador pode passar para o valor agregado.
Penso que isso seria melhor para a sociedade brasileira e defendo isso
historicamente", afirmou. Ele disse que o assunto está sendo
discutido, mas disse que é cedo para confirmar se será realmente
anunciado dentro do pacote de medidas que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva quer adotar para incentivar o crescimento econômico
do País. "Isso pode exigir uma negociação
mais longa, mas o tema está colocado na mesa", afirmou.
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CIDADE VERDE.COM / PIAUÍ,
24 de novembro de 2006
PI: Trabalhadores da construção
participam na próxima semana de nova rodada de negociação
Numa cidade que a cada dia cresce, em
qualquer ponto é possível encontrar um canteiro de obras.
São pelo menos 150 em toda Teresina. Com essa expansão
imobiliária, a indústria da construção civil
parece não encontrar nenhum crise, mas os trabalhadores do setor
não pensam assim.
Na capital, há cerca de 19 mil
operários aptos a trabalhar. Mas apenas metade está empregada
e com carteira assinada. Apesar disso, a última greve geral aconteceu
em 1988. Agora, 18 anos depois os operários voltaram a demonstrar
insatisfação com as condições de trabalho
e com os salários.
Eles querem mais segurança. Só neste
ano, aconteceram 18 acidentes com afastamento de operários. 3
trabalhadores morreram. E para enfrentar os riscos com a profissão,
a categoria também quer aumento de salário. Um profissional,
correspondente a pedreiro ou carpinteiro ganha hoje R$ 450 e o servente
recebe um salário mínimo.
O reajuste almejado era de 25%. Mas trabalhadores
e patrões não conseguiram chegar a um consenso. Sem acordo,
o jeito foi baixar a proposta para 15%. Os patrões ofereceram
6%. Insatisfeitos, os trabalhadores querem greve.
Para evitar a paralisação,
o presidente do Sindicato da Construção Civil, José Gomes,
foi a Delegacia Regional do Trabalho pedir a participação
de uma mediadora do Ministério do Trabalho nas negociações. “A
categoria está insatisfeita e demonstrou isso ontem. Não
recebemos uma proposta convincente. Vamos fazer essa tentativa com
o Ministério do Trabalho e esperar até a próxima
semana para tomar alguma providencia”, comentou.
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JORNAL PEQUENO / MARANHÃO,
24 de novembro de 2006
Maranhão: Déficit habitacional
O encontro do presidente da Assembléia
Legislativa do Maranhão, deputado João Evangelista, com
empresários da construção civil chama a atenção
para um dos graves problemas brasileiros: o déficit habitacional
do país.
O presidente do Sindicato das Indústrias
da Construção Civil, João Alberto Mota, disse, inclusive,
que a construção civil pode entrar em colapso. E quando
informa que o esgotamento sanitário de São Luís
está impedindo a realização de projetos no Bairro
Renascença, deixa à mostra um verdadeiro vácuo na
administração pública. Conforme o sindicato, a Caema
(Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão) tem barrado
as construções na área por não ter sistema
de esgoto ou abastecimento d’água para comportá-las.
Em suma: o Maranhão está sendo derrotado em um dos setores
que mais gera empregos no país.
Indicadores mostram que em termos absolutos
a falta de moradia assume uma maior dimensão em São Paulo,
mas em termos relativos, ou seja, comparando o número total de
domicílios, os maiores problemas estão no Amazonas, Maranhão
e Pará.
Essa constatação mostra
que é delicada a situação maranhense, posto que
nos últimos 10 anos o déficit habitacional do país
havia crescido de 6,247 milhões para 7,280 milhões de residências;
ou seja, 16,5%. Em 2006 este déficit foi reduzido a 14,8%, mas
não existem dados concretos sobre a situação no
Estado.
Para entender a importância deste
setor na economia é preciso saber que ele é referência
quando se trata de aferir o desenvolvimento e/ou crescimento do Brasil.
Em outras palavras, se o setor da construção civil vai
bem, o país vai bem e vice-versa. De qualquer modo, o déficit
habitacional do país ainda na casa de quatro milhões de
residências, o mesmo número de brasileiros que moram em
favelas, palafitas ou não tem onde morar.
As estatísticas mais difíceis
de encarar no Brasil estão diretamente conectadas com a construção
civil. Se entendemos que neste país 82 milhões de pessoas
não têm esgoto sanitário, 43 milhões não
dispõem de água potável e 55% por cento das estradas
federais e estaduais estão em situação crítica,
chegaremos ao dilema da construção civil.
Parece até improvável que
a crise da construção civil no Maranhão tenha chegado
ao ponto de que 16 pequenos empreendimentos, envolvendo recursos da ordem
de 130 milhões de reais, estejam sendo barrados por falta de água
e esgoto, em plena capital do Estado. Ou que o Ministério Público
esteja criando dificuldades para liberar a construção de
1.500 apartamentos no Tirirical, obras que gerariam cerca de 10 mil empregos,
segundo cálculos do Sinduscon.
A Assembléia deve agir com impaciência
nestes casos. Deve ter pressa. A geração de empregos está no
centro de todos os planos de Governos deste país. E a construção
civil ficou importante demais neste momento para ficar na dependência
de esgotos sanitários e entraves burocráticos.
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FOLHA WEB / RORAIMA, 24 de
novembro de 2006
INSS: Trabalhador não precisa
deixar emprego para se aposentar
Da Redação
Até julho de 1991, o desligamento
da atividade era exigido de quem fosse solicitar aposentadoria por tempo
de contribuição, por idade ou especial. A exigência,
porém, deixou de existir a partir de 24 de julho de 1991, com
a entrada em vigor da Lei 8.213, que trata dos Planos de Benefícios
da Previdência Social. A única aposentadoria que exige que
o empregado se afaste do emprego é a por invalidez, uma vez que
a incapacidade é fator determinante para concessão desse
benefício.
Veja abaixo os quatro tipos de aposentadoria
concedidos pela Previdência:
Por tempo de contribuição – Para
ter direito a esse benefício, integral, o trabalhador deve comprovar
35 anos de contribuição, no caso dos homens, e 30 anos,
se mulher, sem que tenha que comprovar idade mínima. Caso o trabalhador
queria a aposentadoria proporcional, deve comprovar idade de, no mínimo,
53 anos de idade para os homens e 48 para as mulheres, além do
tempo de contribuição de 30 anos para os homens e 25 anos
para as mulheres.
Por idade – Para
a concessão desse benefício, a legislação
previdenciária exige que o interessado tenha no mínimo
65 anos de idade (homens) e 60 anos (mulheres). Além da idade, é necessário
um tempo mínimo de contribuição que varia de 12
a 15 anos, dependendo da data de filiação do contribuinte à Previdência.
Especial – Além
de um tempo mínimo de serviço (15, 20 ou 25 anos), o interessado
nessa aposentadoria deve comprovar que trabalhou exposto a agentes químicos,
físicos ou biológicos nocivos à saúde. Essa
comprovação é feita por meio de um documento chamado
Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), emitido pela
empresa e baseado no Laudo Técnico de Condições
Ambientais de Trabalho.
Por Invalidez - Essa
aposentadoria é concedida ao trabalhador que, por motivo de doença
ou acidente, for considerado pela perícia médica do INSS
incapaz para o trabalho. Para fazer jus a esse benefício, o trabalhador
deve ter contribuido para a Previdência por no mínimo 12
meses, no caso de doença. Em se tratando de acidente não é necessária
a carência, mas o segurado tem de estar inscrito na Previdência
Social.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 24 de
novembro de 2006 | Paraná
OPERAÇÃO PHARMAKO-Segundo a polícia,
rede embolsava R$ 30 milhões por ano
ONGs eram usadas para desviar
dinheiro recolhido com doações
A Polícia Civil do Paraná comandou ontem uma operação
que resultou na prisão de 16 acusados de integrar uma rede especializada
no desvio de dinheiro de organizações não-governamentais
(ONGs) em sete estados e no Distrito Federal. Nove pessoas foram presas no
Paraná, quatro em São Paulo, duas no Rio Grande do Sul e uma
em Santa Catarina.
Duas ONGs de apoio a portadores de câncer,
criadas em 2002, com sede em São Paulo, recebiam o dinheiro de
doações recolhidas por cerca de 50 filiais espalhadas por
todo o país. A quadrilha teria desviado cerca de R$ 30 milhões
por ano – dinheiro de doadores, obtido geralmente por meio dos
serviços de telemarketing e motoboy.
O esquema, que seria gerenciado na matriz da cidade de São Paulo pelo
jornalista Arnaldo Braz, de 60 anos, e contabilizado em São José dos
Campos (SP), começou a ruir em Curitiba. Uma denúncia chegou à polícia
por meio de funcionários da filial curitibana, indignados com a forma
escancarada com que o dinheiro era desviado. Parte das doações
em dinheiro nem era contabilizada, indo direto para o bolso ou para a conta
bancária de diretores das ONGs ligadas ao Grupo de Apoio a Pessoas com
Câncer (GAPC) e à Associação Brasileira de Assistência
a Pessoas com Câncer (Abrapec).
Parte do patrimônio desviado foi
recuperada pela Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (Dedec).
Além das prisões, a Operação Pharmako cumpriu
31 mandados de busca e apreensão em Curitiba, Londrina, Maringá,
Ponta Grossa e Foz do Iguaçu (PR), São Paulo e São
José dos Campos (SP), Porto Alegre e São Leopoldo (RS)
e Joinvile (SC). Até ontem haviam sido apreendidos R$ 600 mil
em dinheiro, R$ 200 mil em cheques e cerca de 20 automóveis, entre
eles Mercedes-Benz, Vectra, Mégane, Marea, S-10, Focus, todos
com um ano de uso, em média. A polícia suspeita que todos
possam ter sido comprados com dinheiro arrecadado pelas ONGs.
Na casa de Braz, a polícia de São
Paulo apreendeu uma caminhonete Ford Ranger e um Honda Fit. O mais importante,
no entanto, foi encontrar em todos os lugares uma farta documentação
que comprovaria as fraudes. São provas documentais e testemunhais,
segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná.
Os acusados serão indiciados por crime de peculato, formação
de quadrilha e enriquecimento ilícito. O delegado da Dedec, Marcus
Vinícius Michelotto, explica que o crime de peculato se aplica
porque de certa forma eles são considerados funcionários
públicos, “pois exercem uma função que seria
do estado, em troca de isenção de impostos”.
Suspeita
A Abrapec e o GAPC declaram à Receita
Federal uma receita anual de R$ 17 milhões, o que levou a polícia
paranaense a suspeitar que esse montante chega a, no máximo, um
terço do total realmente arrecadado pelas ONGs. Os dois terços
restantes, ou seja pouco mais de R$ 30 milhões, seriam desviados.
Conforme pôde ser constatado pela documentação já disponível,
este dinheiro vinha de doações feitas por cidadãos
do Rio Grande do Norte, do Espírito Santo, Rio Grande do Sul,
Paraíba, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Distrito
Federal. Nestes estados foram identificadas pelo menos 50 filiais das
duas principais ONGs do esquema.
Para Michelotto, novas descobertas dependem
agora das polícias dos demais estados tentarem descobrir até onde
vão os tentáculos da organização comandada
pelo jornalista Arnaldo Braz. Ele diz que estas ONGs são dissidências
da Legião da Boa Vontade (LBV) e suas filiais passaram a ser criadas
a partir de 2002, mas sem a documentação necessária.
Muitas foram declaradas de utilidade pública por meio de leis
municipais, mesmo repletas de ilegalidades. A filial do GAPC em Curitiba
recebeu esse privilégio em 2002, o que lhe garantiu isenção
de impostos. A maioria dos funcionários não tem carteira
assinada, nem qualquer garantia trabalhista.
Waldemar Braz é um dos administradores
das ONGs. Ele controlava as contadoras Cristiane Mafra Araújo,
em Maringá, e Neuza Pereira de Paula, em São Paulo, que
tinham poder para contratar, demitir e maquiar os dados de toda a organização.
Segundo a polícia, Cristiane já teria dois mandados de
prisão em São Paulo por “esquentar” documentos
de outras empresas. O braço direito de Waldemar em Curitiba seria
João César Chiquetto, acusado de financiar um carro importado
com dinheiro destas ONGs.
A polícia constatou que do
total arrecadado pelas ONGs, 10% eram destinados para a compra e doações
de cestas básicas e para cobrir algumas despesas, para justificar
a existência destas ONGs. Outros 20% eram para despesas operacionais
com funcionários, conta de água e de luz, e o restante
ficava para os gerentes e dirigentes.
Mauri König
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JORNAL GAZETA DO POVO, 24 de novembro de 2006
| Paraná
OPERAÇÃO PHARMAKO-Doadores
e pessoas que recebiam ajuda nem desconfiavam de irregularidades
nas ONGS
Doações eram
acertadas por telefone
Rogério Teodorovy/Gazeta
do Povo

Tereza da Luz Silva recebeu medicamentos grátis na sede da entidade
no Cajuru: atuação acima de qualquer suspeita.
A principal fonte de arrecadação
do Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer (GAPC), uma das entidades
que teriam sido usadas para o desvio de pelo menos R$ 30 milhões
somente no ano passado, vinha dos pedidos feitos por telefone. Segundo
o delegado Marcus Vinícius Michelotto, da Delegacia de Estelionato
e Desvio de Cargas, a quadrilha chegou a abrir uma empresa de telemarketing
chamada Rinedi, coordenada por um diretor de outra entidade, a Associação
Brasileira de Assistência a Pessoas com Câncer (Abrapec),
em Joinville (SC).
A advogada Renata Célia Souza Lopes
ainda guarda os recibos da entidade. Ela contribuiu com R$ 10 mensais,
entre maio e novembro do ano passado. “Eles iam buscar de moto.
Uma tarde esqueci de deixar o dinheiro e eles ligaram cobrando. No outro
dia, perguntaram se eu não podia contribuir todo mês”,
revelou. “Quando chegou novembro, telefonaram para perguntar se
eu não podia contribuir com mais, pelo fato de estar perto do
Natal. Eles disseram que havia muitas crianças que precisavam
de leite em pó e de um remédio importado.” Depois
disso, a advogada pediu para que tirassem seu nome da lista. “Mas
ligaram novamente, em junho deste ano”, disse.
A professora aposentada Terezinha Oliveira
Erthal, 63 anos, disse que até janeiro deste ano recebia ligações
semanais do GAPC. “Perguntavam se eu não podia contribuir
para comprar remédios para pessoas com câncer”, lembra. “Isso
sensibiliza. Mas eu já contribuía com outras entidades
e disse que iria até a sede deles para ver como era o trabalho.”
Vazio
O GAPC tem três sedes em Curitiba.
Todas estavam fechadas ontem à tarde. A sede central fica no número
585 da Rua Antônio Meirelles Sobrinho, no bairro Cajuru. As outras
duas ficam nas ruas Senador Salgado Filho e José Carvalho de Oliveira,
no Uberaba. Na sede da Salgado Filho, no número 2.886, um pequeno
prédio de escritórios, vizinhos informaram que o imóvel é utilizado
apenas pelas atendentes de telemarketing. As duas salas da entidade estavam
trancadas e uma delas tinha a fechadura danificada. “Ficavam o
dia inteiro trancados aí dentro, era um entra e sai”, comentou
um vizinho.
A duas quadras dali, em uma casa no número
421 da Rua José Carvalho de Oliveira, havia apenas uma faixa com
a inscrição “Templo Espiritual Maria Santíssima”,
que anunciava a realização de bazares beneficentes às
terças e sextas-feiras. Ao ver a reportagem, um homem chaveou
o portão, disse que não poderia comentar o assunto e fechou
as janelas da casa. Vizinhos informaram que há cerca de um mês
o local estava vazio.
Já na sede principal, uma
casa com muros altos na Rua Antônio Meirelles Sobrinho, uma pessoa
aguardava do lado de fora. A dona de casa Tereza da Luz Silva, 64 anos,
disse que recebeu ajuda da entidade quando descobriu que sofria de
um tumor não maligno. “Quatro vezes eles me deram remédio”,
revelou. “Dão cestas básicas e toda quarta-feira
dão uma cesta com verduras. No fim do mês, distribuem
caixas de leite. Até roupa para os necessitados eles dão
aqui”, disse. Dona Tereza ficou surpresa ao saber que os principais
responsáveis pelo GPAC estavam presos. “Tem até fisioterapeuta
que ajuda quem está doente. Venho aqui há quase um ano
e nunca vi nada de mal”, lamentou.
José Marcos Lopes
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JORNAL GAZETA DO POVO, 24 de
novembro de 2006 | Brasil
APOSENTADORIA
CNBB reúne 4 mil contra
a reforma da Previdência
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Federação
dos Aposentados de São Paulo reuniram ontem, em Catanduva, no interior
do estado, 4 mil inativos de todo o país numa manifestação
de protesto contra as alterações previstas no sistema de aposentadoria
com a reforma da Previdência. O governo pretende enviar o projeto ao
Congresso em 2007. Entre as mudanças que deverão ser propostas
está o fim do 13.º salário para aposentado, o aumento da
idade mínima de aposentadoria e a desvinculação dos reajustes
do benefício pelo salário mínimo.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 24 de
novembro de 2006 | Brasil
ACORDO BINACIONAL
Paraguai quer receber mais
por energia de Itaipu
Assunção, Paraguai – O Paraguai exige do Brasil um aumento
de US$ 100 milhões no pagamento anual para compensar a parte paraguaia
da energia gerada na hidrelétrica binacional de Itaipu que é consumida
no território brasileiro. Segundo a Folha de S.Paulo apurou, o governo
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já concordou em pagar
mais – ainda não bateu o martelo sobre a cifra, mas a tendência é aceitar,
de forma gradual, o valor pedido.
A conta, mesmo diluída e com impacto
considerado pequeno nas tarifas, deve ser paga pelo consumidor brasileiro,
já que os reajustes costumam ser repassados pela Eletrobrás.
O último aumento, de US$ 21 milhões, foi acordado em dezembro
e está sendo concedido ao longo deste ano. Em 2006, o valor pago
pelo Brasil pela cessão da energia paraguaia será de US$
201 milhões.
A contrapartida do novo reajuste, que precisa ser negociada politicamente,
seria que o Paraguai não mais se queixasse do que considera “dupla
indexação” da dívida da Itaipu com o Tesouro Nacional
e a Eletrobrás, que se refere à construção da própria
hidrelétrica.
Pressão
O assunto foi discutido ontem na visita
do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a Assunção,
sob forte pressão da imprensa local. O chanceler brasileiro se
reuniu com o colega paraguaio Rubén Ramírez e com o presidente
Nicanor Duarte, mas não houve grandes avanços.
“O governo do Brasil avalia
que há uma certa justiça no anseio paraguaio de obter
melhor remuneração (pela energia)”, afirmou Amorim. “O
que não queremos nem vamos fazer é mexer no tratado (de
Itaipu, de 1973). Não importa se foi feito na ditadura militar,
no Império, o que seja. Mas podemos compensar de outra maneira.”
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
24/11/2006
Recurso protocolado com dois minutos de
atraso é intempestivo
O ônus da prática de atos
processuais inclui a rigorosa observância dos prazos e limites,
inclusive horários, fixados em lei e nas normas de organização
judiciária. A não observância dos horários
estipulados acarreta a intempestividade do recurso, ainda que o atraso
na interposição seja de apenas dois minutos.
Assim decidiu a Segunda Turma do Tribunal
Superior do Trabalho que, acompanhando o voto do juiz convocado Luiz
Carlos Gomes Godoi, não conheceu do recurso de revista da Petróleo
Brasileiro S/A – Petrobrás, por intempestividade.
Em ação trabalhista proposta
por ex-empregados da Petrobrás, a empresa, sucumbente, pretendeu
recorrer da decisão, utilizando para tal o último dia do
prazo recursal. Protocolado após o horário de expediente,
o recurso teve seu processamento negado pelo juiz do Tribunal Regional
do Trabalho da 20ª Região (SE), por intempestivo.
Inconformada, a Petrobrás recorreu
ao TST. Alegou que o atraso no protocolo da petição, de
apenas dois minutos, era “ínfimo e desprezível”,
devendo ser desconsiderado, privilegiando-se o acesso à justiça
e à ampla defesa, garantido pelo artigo 5º, inciso LV, da
Constituição. Disse, ainda, que o artigo 770 da CLT estabelece
que os atos processuais podem ser praticados até às 20,
concluindo que não é intempestivo o apelo protocolizado às
18h17m.
O relator do processo no TST reafirmou
a intempestividade do recurso com base no artigo 172 do Código
Civil, com aplicação subsidiária no processo do
trabalho. O referido artigo estabelece que o ato a ser praticado em determinado
prazo, por meio de petição, impõe que esta seja
apresentada no protocolo dentro do horário de expediente, nos
termos da lei de organização judiciária local. No
TRT/SE existe uma portaria determinando que o expediente externo é das
12h às 18h15, de segunda a quinta-feira, e das 8h às 13h, às
sextas-feiras.
Segundo o juiz Luiz Carlos Godoi,
a lei não prevê qualquer possibilidade de elastecimento
do prazo, sendo irrelevante o tempo em que se deu o atraso. “Note-se
que não faltou à Recorrente tempo para manifestar o seu
apelo: teve oito dias, de que se valeu à saciedade. Não
há, pois, razão para deferir-lhe mais do que estipula
a lei. Ainda que sejam dois minutos”, concluiu. (RR-759/2004-001-20-40.6).
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24/11/2006
Existência do sindicato depende de
registro em órgão oficial
A Seção Especializada em
Dissídios Individuais – 1 (SDI-1) do Tribunal Superior do
Trabalho confirmou seu entendimento sobre o requisito necessário à existência
jurídica das entidades sindicais: o registro no Ministério
do Trabalho. A obrigatoriedade dessa condição foi afirmada
conforme voto do ministro João Batista Brito Pereira, relator
de embargos em recurso de revista negados a um sindicalista brasiliense.
A decisão da SDI-1 resultou em manutenção de acórdão
da Quarta Turma do TST.
Desde as instâncias iniciais (Vara
do Trabalho e Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região – Distrito
Federal e Tocantins), o trabalhador pretendia obter reconhecido seu direito à estabilidade
provisória como integrante do corpo diretivo do Sindicato dos
Trabalhadores em Serviços Registrais e Notariais (Sintsern). A
prerrogativa, contudo, foi negada em cada um dos órgãos
judiciais que examinou a causa.
Na SDI-1, foi negada a alegação
de violação ao artigo 8º, inciso I, da Constituição
Federal. O dispositivo estabelece que “a lei não poderá exigir
autorização do Estado para a fundação de
sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas
ao Poder Público a interferência e a intervenção
na organização sindical”.
Também foi sustentado que a regra
prevista no inciso VIII do mesmo dispositivo constitucional não
foi observada. “É vedada a dispensa do empregado sindicalizado
a partir do registro da candidatura a cargo de direção
ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente,
até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta
grave nos termos da lei”, prevê o texto da Constituição.
Argumentou, ainda, que não teria
ocorrido qualquer problema com o registro sindical, pois teria ocorrido
apenas uma alteração no nome da entidade. A denominação
anterior era a de Sindicato dos Trabalhadores Celetistas em Cartórios
Extrajudiciais (DF), alternada para Sindicato dos Trabalhadores em Serviços
Registrais e Notariais.
Com base nos autos, o ministro Brito Pereira
verificou que o Cadastro Nacional de Entidades Sindicais – órgão
competente para efetuar o registro de associação profissional
como o sindicato – informou a inexistência de registro sindical
para o Sintsern – DF.
“Verifica-se, portanto, que, a despeito
da argumentação do trabalhador, de que ocorrera apenas
alteração na nomenclatura do sindicato, o Tribunal Regional
concluiu que o Sintsern não está registrado no órgão
competente”, observou o relator dos embargos. “Essa decisão
antes de violar o artigo 8º, inciso I, da Constituição
da República atendeu aos seus ditames, porquanto esse dispositivo
prevê, para a fundação de sindicato, exatamente a
exigência de seu registro no órgão competente”,
acrescentou.
O exame da outra alegação
do trabalhador – violação à regra constitucional
da estabilidade provisória – foi considerada prejudicada,
pois o ato constitutivo do sindicato foi considerado irregular. (ERR
823/2002-101-10-00.5)

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