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Agência Diap, 28 de novembro de 2006
Imposto de Renda
Centrais propõem reajuste na tabela do IR da pessoa física
Em reunião na sede nacional da Central Única dos Trabalhadores,
CUT, CGTB, CGT, CAT, SDS, Força e Nova Central aprovaram nesta
segunda-feira, 27/11, em São Paulo, que além do reajuste
emergencial de 7,7% na tabela do Imposto de Renda – zerando a
defasagem do Governo Luiz Inácio Lula da Silva – vão
lutar para que seja ampliado de três para cinco o número
de alíquotas.
Atualmente há uma faixa de isentos – os trabalhadores
com renda líquida até R$ 1.257,12 – e outras duas,
com alíquotas de 15% (entre R$ 1.257,13 a R$ 2.512,08) e 27,5%
(acima de R$ 2.512,08). Com o reajuste de 7,7%, os valores sobre os
quais incidiriam as diferentes alíquotas seriam respectivamente
de R$ 1.354,80 e R$ 2.707,27, desonerando um importante contingente
de trabalhadores.
Posteriormente, as centrais propõem a adoção
de alíquotas variáveis para os vencimentos acima de R$
1.354,80: de 10%, até R$ 2.258; 20%, até R$ 4.516; 25%,
até R$ 6.774 e de 27,5% acima deste valor.
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Agência Diap, 28 de
novembro de 2006
FGTS
Fundo completa 40 anos e homenageia
trabalhadores
O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) homenageará nesta
terça-feira, 28/11, um trabalhador e seu empregador, de cada região
do país, com o maior tempo de vínculo empregatício e idade.
O ato é parte das comemorações dos 40 anos do FGTS, completados
no dia 13 de setembro.
A solenidade acontecerá durante
a 95ª reunião ordinária, marcada para as 16h30 desta
terça, na Confederação Nacional do Comércio
(CNC), em Brasília. Também serão homenageados, com
Medalha do Mérito do Trabalho, os conselheiros titulares e suplentes
do Conselho Curador. A Caixa Econômica Federal apresentará um
vídeo institucional com a história dos 40 anos do Fundo.
História
Criado pela Lei nº 5.107, de 13 de
setembro de 1966, como uma poupança do trabalhador, o FGTS se
consolidou como uma importante fonte de aplicação de recursos
em programas sociais destinados às camadas mais carentes da sociedade,
beneficiadas com moradia, água tratada e esgotamento sanitário.
No período de 2000 a 2006, foram
destinados R$ 44,5 bilhões de recursos para habitação,
saneamento e infra-estrutura urbana. Somente nos primeiros sete meses
de 2006, cerca de dois milhões de empregadores recolheram contribuições
para mais de 21 milhões de trabalhadores.
Patrimônio
O Patrimônio Líquido Ajustado
do Fundo deve atingir, este ano, o patamar de R$ 21 bilhões. Em
janeiro de 2003, esse patrimônio era de R$ 10,38 bilhões.
O Fundo aplica 60% do seu orçamento anual em financiamento de
moradia a pessoas físicas com renda até R$ 1.750. O restante é dividido
em saneamento básico (30%), Infra-estrutura urbana (5%) e Habitação,
nas chamadas operações especiais (5%)
Mantido pelo empregador (empresa), que
deposita, mensalmente, o equivalente a 8% do salário de cada empregado,
o FGTS é gerido por um Conselho Curador, colegiado tripartite,
composto por representantes dos trabalhadores, dos empregadores e do
governo federal, presidido pelo Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE).
O FGTS administra, atualmente, um cadastro
de mais de 10 milhões de empresas e outro de mais de 447 milhões
de contas vinculadas dos trabalhadores, sendo 50,6 milhões em
contas ativas. Com informações do Ministério do
Trabalho.
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Agência Diap, 28 de
novembro de 2006
Dirigente Sindical
Comissão de Trabalho agenda
apreciação de projeto que protege sindicalista
A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados agendou reunião
para esta quarta-feira, 29/11, a partir das 10h, destinada a apreciar uma pauta
de 23 proposições. Destacamos na pauta, entre outras proposições,
o PL 5.710/01, do deputado Fernando Ferro (PT/PE), que acrescenta dispositivo à CLT
a fim de dispor sobre a indenização em caso de rescisão
do contrato de empregado eleito para cargo de dirigente sindical ou suplente.
O projeto tem parecer favorável do relator, deputado Arnaldo Faria de
Sá (PTB/SP).
Outras proposições importantes
para os trabalhadores são: PL 3.035/04, que altera a Lei 10.779,
de 25/11/03, para dispor sobre a habilitação do pescador
artesanal ao benefício do seguro desemprego durante o período
de defeso. A relatora, deputada Dra. Clair (PT/PR), emitiu parecer favorável à matéria;
PL 6.126/05, dos deputados Roberto Gouveia (PT/SP) e Dra. Clair (PT/PR),
que regulamenta a negociação coletiva de trabalho no setor
público. A proposição conta com parecer favorável
do deputado Cláudio Magrão (PPS/SP).
Isonomia
Também está na pauta o PL
6.259/05, dos deputados comunistas Inácio Arruda (CE) e Daniel
Almeida (BA), que dispõe sobre a isonomia salarial, benefícios
e vantagens dos empregados do Banco do Brasil S/A, da Caixa Econômica
Federal, Banco do Nordeste S/A e Banco da Amazônia S/A, ingressos
a partir da Resolução nº 9, de 30 de maio de 1995,
e nº 10, de 08 de outubro de 1996, do Conselho de Coordenação
e Controle das Estatais - CCE/DEST. O relator, deputado Luciano Castro
(PL/RR), emitiu substitutivo a favor da aprovação da matéria.
Interiorização da Justiça
De autoria do Superior Tribunal de Justiça
foi incluída na pauta a apreciação do PL 5.829/05,
que dispõe sobre a criação de 400 varas federais
destinadas precipuamente à interiorização da Justiça
Federal de primeiro grau e à implantação dos juizados
especiais federais no país. O relator é o deputado Henrique
Eduardo Alves (PMDB/RN), que emitiu parecer favorável ao projeto.
Telefonia Social
Destacamos ainda a inclusão na
pauta do PL 5.055/01, de autoria do ex-deputado e atual prefeito de São
Paulo Gilberto Kassab (PFL), que institui a tarifa social de telefonia
para consumidores residenciais de baixa renda. O projeto também
tem como relator o deputado Henrique Eduardo Alves, que emitiu parecer
pela aprovação da matéria nos termos do substitutivo
adotado pela Comissão de Ciência e Tecnologia.
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Agência Diap, 28 de
novembro de 2006
Desafios e perspectivas do segundo
governo Lula
Nunca houve uma eleição com tanta coincidência de diagnóstico
e de agenda entre os principais candidatos como a que reelegeu o presidente
Lula. Temas como estabilidade de preços, crescimento econômico,
ampliação dos programas sociais, controle do gasto público
e redução da carga tributária foram defendidos unanimemente
pelos candidatos do PT e do PSDB. Mas, apesar do consenso sobre os enunciados,
os desafios de formulação, aprovação e implementação
irão exigir muita perícia, paciência e negociação
política.
De fato, poucos presidentes, no período
democrático, contaram com tantos fatores favoráveis, como
o crescimento econômico em nível mundial, ausência
de crise externa com reflexo sobre a economia, equilíbrio e disposição
para o diálogo dos governadores de oposição, especialmente
dos dois principais estados (São Paulo e Minas Gerais), além
de um Congresso com perfil liberal no plano econômico e conservador
na área social.
Além disso, o presidente está mais
experiente, saiu da defensiva e assumiu a liderança do processo
político, tendo adotado uma agenda positiva, de retomada do crescimento
econômico, e busca formar uma coalizão para aprovar sua
agenda de reformas, que, em grande medida, coincide com a da oposição.
Apesar das condições favoráveis,
os desafios são enormes, tanto do ponto de vista político
quanto administrativo. Há pendências para o atual mandato
e muitos desafios para o próximo, que se iniciará somente
após a eleição das Mesas Diretoras da Câmara
e do Senado, em fevereiro de 2007. Até lá, entretanto,
o governo deve atuar preparando o terreno ou criando as condições
para viabilizar sua agenda de reformas.
No atual mandato, o primeiro desafio é gerenciar
a crise política, especialmente a CPI dos Sanguessugas, para evitar
que ela contamine o ambiente político favorável. O segundo é montar
a coalizão de apoio e assegurar a eleição de aliados
para as presidências do PMDB e PT. O terceiro é concluir
a agenda legislativa remanescente, como o Fundeb, a Lei do Saneamento,
a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Orçamento
da União para 2007.
No próximo governo, os principais
desafios são: i) eleger os presidentes da Câmara e do Senado,
ii) formar o novo ministério, iii) definir a agenda de reformas,
e iv) fazer o país crescer acima da média mundial.
A eleição dos presidentes
das duas Casas do Congresso é fundamental para o bom desempenho
do governo no Legislativo. A eventual eleição de um parlamentar
de oposição poderá criar toda sorte de dificuldades
ao governo. Para evitar surpresas negativas, como a ocorrida na atual
legislatura com a eleição de Severino Cavalcante, pessoas
e partidos serão sacrificados, apesar de reunirem todas as condições
para presidir com dignidade a Câmara ou o Senado.
O novo ministério, que aproveitará muito
do atual, deverá ter três características: a) ser
tecnicamente preparado, b) politicamente respaldado, e c) eticamente
inatacável. Muito provavelmente, haverá uma redução
da participação de São Paulo e do PT no novo mandato,
caminhando para um governo com perfil mais técnico. Ou seja, os
quadros serão recrutados nos partidos, na academia, no meio empresarial
e sindical, mas o principal critério será a habilitação
para o desempenho da função.
A agenda de reformas, pelo menos as defendidas
nas urnas, inclui:
a) reforma política,
b) tributária e fiscal, e
c) sindical.
Eventualmente, por pressão do mercado,
poderá entrar na pauta a reforma da Previdência do setor
privado e a reforma trabalhista.
De todas elas, a mais difícil será a
tributária, que tem por finalidade federalizar os tributos estaduais
e renovar a CPMF e a Desvinculação das Receitas da União
(DRU). Para a aprovação desse pacote, o governo dependerá,
em grande medida, do apoio dos governadores, que irão exigir como
contrapartida uma das seguintes exigências: i) criação
de uma DRE (Desvinculação de Recursos do Estado), ii) aumento
do repasse da Lei Kandir; iii) aumento do Fundo de Participação
dos Estados (FPE), iv) aumento da participação na Contribuição
de Intervenção no Domínio Econômico (Cide),
ou v) renegociação das dívidas.
A reforma política, apesar da prioridade retórica, dificilmente
será tão ampla como pretendem os grandes partidos e o presidente
da República. Há acordo sobre a necessidade de fazê-la,
mas nenhum consenso sobre seu conteúdo. Emenda à Constituição,
por exemplo, dificilmente será aprovada sobre essa matéria. Ela
provavelmente ficará limitada ao financiamento público de campanha, à lista
fechada de candidatos por partido, à fidelidade e à proibição
de coligação nas eleições proporcionais, sem avançar
no voto distrital nem na coincidência de mandatos.
A reforma sindical, igualmente, tende
a ser limitada. Deverá ficar restrita ao reconhecimento das centrais
sindicais, à criação do Conselho Nacional de Relações
do Trabalho e às mudanças nas fontes de custeio das entidades.
Será muito difícil aprovar emenda à Constituição
modificando a atual estrutura, com a adoção, por exemplo,
da liberdade plena de organização, pelas divisões
naturais que isso provoca no meio sindical.
O capital político do presidente
Lula é grande, mas será consumido rapidamente. Assim,
ou ele aproveita o ambiente favorável e promove as reformas
no primeiro ano de mandato, ou a sucessão presidencial poderá atropelar
seu segundo mandato. Tudo dependerá do êxito no enfrentamento
dos primeiros desafios, especialmente, a organização
da base de apoio (coalizão), a eleição dos presidentes
da Câmara e do Senado e a definição de uma agenda
de reformas negociada. Antônio Augusto de Queiroz é jornalista,
analista político e diretor de Documentação do
Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
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Diário
Vermelho, 27 de novembro de 2006
Previdência: a macaquice de Malan
e Palocci
O que acontece na Europa deve ser acompanhado
com atenção pelos trabalhadores brasileiros. O Brasil está amarrado
pelos nós trançados durante as gestões conservadoras
dos ex-ministros da Fazenda Pedro Malan e Antônio Pallocci. Eles
macaquearam o modelo do Tratado de Maastricht para enquadrar o país
em condições fiscais ainda mais restritivas.
Por Osvaldo Bertolino
Em 2006, a primeira leva de trabalhadores
nascidos após a Segunda Guerra Mundial (conhecidos como a geração
do baby boom) chegou à idade de se aposentar na Europa. Com
o fraco crescimento das finanças públicas, decorrente
de uma pequena expansão do Produto Interno Bruto (PIB) da região,
a pressão sobre a previdência pública, de agora
em diante, poderá fazer com que em muitos países estourem
grandes manifestações de trabalhadores contra o limite
de déficit fiscal imposto aos membros da União Européia
(UE). O dilema decorre de uma pergunta que a humanidade terá de
responder brevemente: envelhecer é uma coisa boa ou ruim? Em
sua essência, trata-se evidentemente de uma coisa boa. Afinal,
a maioria das pessoas prefere viver mais a viver menos.
Vida mais longa é um dos resultados positivos mais evidentes do fantástico
crescimento econômico e do avanço tecnológico ocorrido
no século 20. Trata-se de uma conquista da humanidade. Mas é preciso
definir uma forma de lidar com a nova situação. Proporcionalmente,
há cada vez mais pessoas fora das cadeias de produção
em comparação com as que estão na ativa. Um número
menor de trabalhadores poderia ser um problema econômico muito grave
se implicasse um obstáculo à produção, mas o risco
não é esse. No longo prazo, o verdadeiro crescimento é causado
essencialmente por novas tecnologias e por mais eficiência, e não
necessariamente por mais braços. É o fenômeno da produtividade,
tão comentada pelos economistas e brilhantemente dissecada por Karl
Marx, principalmente em O Capital.
A causa da investida conservadora
Mas há problemas indiretos muito graves — que dizem respeito ao
papel do Estado na economia. A maior parte dos países europeus sofre
uma enorme pressão para acabar com os sistemas previdenciários
por repartição simples e adotar sistemas “modernos”,
pelos quais cada pessoa cuida de sua própria aposentadoria. É isso
que a maioria dos países europeus está discutindo atualmente.
E a resistência ao modelo liberal de previdência cresce à medida
que o desempenho econômico dos países europeus — a rigor,
com as exceções de praxe, de todo o mundo — apresenta dados
cada vez mais medíocres. Os motivos para a mobilização
dos trabalhadores ficam mais evidentes porque grande parte dos governos desses
países insiste na pregação contra as leis do Estado de
bem-estar social.
A causa fundamental dessa investida
conservadora é o Tratado de Maastricht, que estabeleceu os critérios
do “Pacto de Estabilidade e Crescimento” e as condições
gerais para os países integrarem o bloco econômico da
UE. Seus membros devem apresentar déficit fiscal de, no máximo,
3% do PIB. Um relatório do banco francês BNP Paribas,
contudo, avalia que as condições desfavoráveis
farão com que a UE apresente um déficit fiscal médio
de 3,1% em 2006. O banco assinala que o bloco já está perigosamente
fora do limite de Maastricht: em 2005, o déficit médio
bateu em 2,9%. A Comissão Européia, o órgão
executivo do bloco, projeta um déficit de 2,7% para 2006. ''A
aposentadoria do primeiro grupo da geração do baby boom é um
fato que trará considerável pressão sobre os orçamentos
da seguridade social'', afirma o BNP Paribas.
Compromisso com a recessão
A notícia é péssima para os trabalhadores. Isso quer dizer
que a pressão sobre os direitos sociais devem aumentar consideravelmente.
Quando um país supera o limite de déficit fiscal do bloco, é enquadrado
num regime de exceção, o ''Excessive Deficit Procedure'' (EDP),
que estabelece uma série de medidas e prazos para que o rombo nas contas
públicas volte aos níveis determinados. Os casos mais graves
do bloco são a Grécia, Itália e Portugal, cujos déficits
superaram os 4% do PIB em 2005 — segundo o BNP Paribas. “A procura
fundamentalista e obsessiva do cumprimento do ‘Pacto de Estabilidade
e Crescimento’, que sempre esquece a vertente ‘Crescimento’ na
prática, (...) passou a ser (...) o pretexto e fundamento de um vasto
programa de contra-reformas que na cartilha neoliberal se anunciam como ‘reformas-estruturantes’”,
diz o secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerônimo
de Souza.
O Tratado de Maastricht, no campo econômico, é um compromisso
com a recessão. A UE já está pagando caro por ter deixado
sua política macroeconômica na mão de burocratas monitorados
por banqueiros. A economia regional está se arrastando, e o desemprego
se mantém em níveis intoleráveis. O único ponto
forte da economia do euro é a supervalorização da moeda,
que só interessa à especulação financeira. Prejudica
as exportações, contrai a produção, estimula importações
e elimina empregos. A razão disto é justamente a política
fiscal contracionista que os países europeus se impuseram. Na realidade,
essas metas são um fetiche. Não houve nenhuma explicação
razoável para os tetos do déficit e da dívida. Foram fixados
em 3% e 60%, mas poderiam ser metade disso, ou um terço mais, que dava
no mesmo.
A Constituição européia
está morta
Não existe nas teorias econômicas, mesmo as de matriz liberal,
nada que justifique uma meta fixa para déficit e para dívida.
As metas de Maastricht são arbitrárias e, em última instância,
ideológicas. O objetivo é atender a uma entidade mágica
chamada ''mercado''. Como os títulos públicos europeus rendem,
em média, uns 5%, os juros de uma dívida de 60% do PIB correspondem
a 3% dele. Isso significa que o Estado pode ter déficit (3%) apenas
para pagar juros, e não para fazer investimentos ou custear o setor
público. Trata-se de uma regra de caráter ideológico,
anti-Estado, no interesse sobretudo dos segmentos financeiros especulativos.
Impede a retomada do crescimento e, sobretudo, mantém o desemprego,
da ordem de 9 a 10% na região.
A Constituição européia, um tratado de 320 páginas
e 448 artigos, está morta. Em primeiro lugar porque foi sempre uma construção
conservadora e nunca um anseio dos trabalhadores — o que gerou em alguns
países a curiosa situação de ser apoiada pela maioria
dos parlamentares e receber um maciço ''não'' da população.
Em segundo lugar, a Constituição morreu porque muitos governos
eram francamente a favor e o povo aproveitou a oportunidade do plebiscito para
demonstrar que anda cheio com as propostas conservadoras. Enfim, e mais importante
que tudo, não haverá Constituição européia
porque as esquerdas estão conseguindo juntar forças para enterrá-la.
Um bom exemplo para as esquerdas brasileiras. Volto ao assunto no próximo
artigo.
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STJ, 28 de novembro de 2006
DECISÃO
Empresa terá que responder por
atos ilícitos praticado por empregado
Empresa é responsável por furto realizado em decorrência
de informações obtidas pelo empregado no horário de serviço.
Esse é o entendimento da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça
(STJ), que determinou o pagamento de indenização ao dono da residência
que foi furtada.
O dono da residência contratou a
empresa para realizar serviço de dedetização. O
empregado da dedetizadora Marco Almeida confessou ter se aproveitado
da situação para conhecer os locais de acesso à residência
e, no dia seguinte, invadiu-a, furtando duas televisões, dois
videocassetes, um aparelho de som portátil, um forno de microondas,
jóias e algumas roupas.
Diante disso, o proprietário do
imóvel propôs ação de indenização
por danos morais e materiais contra a empresa. O pedido foi julgado improcedente.
No entanto a segunda instância reformulou a sentença e determinou
o pagamento de cinco salários mínimos por dano moral, além
da condenação ao ressarcimento do valor dos bens que foram
declarados e confessados pelo empregado, excluindo as jóias e
roupas cuja quantidade, espécie e qualidade não foram comprovadas.
No STJ, a empresa sustenta que o furto
praticado pelo empregado ocorreu fora do expediente e do exercício
da função. Alega, ainda, que não haveria como, mesmo
utilizando-se de todo cuidado, evitar os atos ilícitos praticados
após o horário normal de serviço.
O relator do processo, ministro Humberto
Gomes de Barros, sustentou que o ato foi praticado por ocasião
dos serviços prestados pelo empregado da dedetizadora e que, em
casos particulares, não é exigível que a prática
do ilícito pelo empregado tenha ocorrido no local de trabalho
ou durante a jornada de trabalho. Afirmou, ainda, haver relação
causal entre a função exercida e os danos causados. Deve
o empregador, portanto, responder pelos atos do empregado.
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Folha
de São
Paulo, 28 de novembro de 2006
Dívida recua para 49,5% do PIB, menor nível
desde 2001
Aperto fiscal até outubro praticamente garante meta de superávit
primário do ano
Gasto com juros também recua em proporção do PIB;
para analista, dívida pública está estável,
mas ainda num patamar muito alto
NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar do recente aumento nos gastos públicos, o aperto fiscal
feito entre janeiro e outubro já ultrapassou a meta fixada para
todo o ano de 2006 e ajudou a reduzir o endividamento do governo para
o nível mais baixo em mais de cinco anos. Segundo dados do Banco
Central, o setor público como um todo (governo federal, Estados,
municípios e estatais) economizou R$ 90,992 bilhões nos
primeiros dez meses do ano para o pagamento de juros. No último
bimestre do ano, o governo federal sempre tem déficit.
O governo tem como objetivo obter um superávit primário
equivalente a 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto). O valor do PIB de
2006 só será conhecido em 2007, mas estima-se que a meta
fiscal deste ano vá ficar próxima de R$ 88 bilhões.
Só no mês passado, o superávit primário ficou
em R$ 10,466 bilhões, o maior para um mês de outubro. Ainda
assim, a economia não foi suficiente para pagar os R$ 13,258 bilhões
de juros que incidiram sobre a dívida pública no período.
Os R$ 2,792 bilhões restantes -o chamado déficit nominal-
tiveram que ser refinanciados. Com isso, o valor do endividamento, em
reais, subiu para R$ 1,043 trilhão. Como no mês passado
a dívida cresceu menos que o PIB, a relação entre
os dois caiu de 49,9% para 49,5%, o menor nível desde fevereiro
de 2001.
"O resultado primário positivo, combinado a uma carga de
juros menor, levou a uma redução da relação
dívida/PIB", diz o chefe do Departamento Econômico
do BC, Altamir Lopes. Entre janeiro e outubro, os gastos públicos
com juros somaram R$ 134,911 bilhões, ou 7,89% do PIB -no mesmo
período de 2005, essa proporção foi de 8,42%.
Nos últimos 12 meses, o superávit primário do setor
público correspondeu a 4,34% do PIB, num sinal de que a meta de
4,25% deve ser cumprida. "O resultado confirma as hipóteses
que a gente levanta e desmente aqueles que duvidavam da nossa capacidade
de gerir responsavelmente as nossas contas públicas", disse
o ministro Guido Mantega (Fazenda).
O economista Francisco Lopreato, professor da Unicamp,
diz que o elevado nível de endividamento do governo ainda é uma fonte de
preocupação. "Estamos hoje numa situação
estabilizada, mas não confortável. A dívida ainda é alta."
A relação entre dívida e PIB é um dos indicadores
da capacidade do governo em continuar pagando seus compromissos. Em tese,
quanto menor o indicador, maior é a facilidade que o setor público
tem para arrecadar o dinheiro necessário para manter suas contas
em dia.

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Folha
de São Paulo, 28 de novembro de 2006
União pode alongar alíquota
extra do FGTS
Adicional pago por empresários para cobrir
perdas do fundo com plano econômico seria estendido para subsidiar
casa popular | Medida apresentada a Lula prolonga validade de alíquota
que acabaria em dezembro e renderia R$ 1,4 bi ao ano ao governo
HEILA D'AMORIM, VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O empresariado poderá ser um
dos financiadores do fundo que o governo pretende criar com recursos
do FGTS para subsidiar a construção de habitação
para população de baixa renda. Uma proposta em estudo
na área técnica prevê a utilização
de cerca de R$ 1,4 bilhão que é arrecadado anualmente
com uma alíquota adicional, instituída em 2001, para
cobrir perdas decorrentes dos planos Verão e Collor 1. A medida
foi apresentada durante reunião ministerial com o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada e ainda enfrenta
resistência por questões jurídicas.
Pela lei complementar 110, de junho
de 2001, as empresas que demitem empregados sem justa causa devem pagar
uma multa extra de 10% para o FGTS, fora os 40% que vão para
o trabalhador demitido. A medida serviu para gerar recursos para cobrir
o ressarcimento dos empregados que tinham recursos depositados no fundo
e tiveram perda de correção monetária em razão
de planos econômicos implementados entre dezembro de 1988 e maio
de 1990. Na prática, ela entrou em vigor em janeiro de 2002,
juntamente com a alíquota também adicional de 0,5% sobre
os 8% que a empresa recolhe mensalmente ao FGTS com base no salário
de cada empregado. As duas contribuições geram anualmente
uma receita de cerca de R$ 2,8 bilhões.
O problema é que a contribuição
adicional de 0,5% foi criada com prazo determinado para encerrar: dezembro
deste ano. Já os 10% que são cobrados juntamente com
a multa pela demissão sem justa causa não têm a
extinção prevista na lei. Como, por outro lado, em janeiro
de 2007, o governo quitará a última parcela do ressarcimento
devido aos trabalhadores que fizeram acordo para receber a correção
atrasada, avalia que poderá manter a cobrança do dinheiro
e destiná-lo para outro fim.
Batalha jurídica
Nesse caso, só poderá contar
com o valor adicional da multa do FGTS, o que rende aos cofres do fundo
cerca de R$ 1,4 bilhão por ano. A medida, no entanto, ainda
enfrenta resistências entre os técnicos que estão
discutindo o assunto. Eles prevêem que as empresas deverão
recorrer à Justiça questionando a manutenção
da cobrança da alíquota extra. Segundo interlocutores
do governo, como o pagamento extra ao fundo foi criado com uma destinação
específica e isso está claro na lei, o empresariado tem
grande chance de sair vitorioso numa batalha judicial.
Com o fim dos pagamentos dos atrasados,
a medida terá atingido seu objetivo. Além disso, alegam,
esse é o tipo de contribuição que aumenta o custo
Brasil. O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou na semana passada
a utilização de recursos do FGTS para financiar a habitação
popular, mas não deu detalhes sobre o mecanismo da operação.
A idéia do governo é aumentar
os recursos de um programa já operado pelo Ministério
das Cidades em que a União arca com cerca de dois terços
da prestação do financiamento habitacional de famílias
com renda de até cinco salários mínimos. O orçamento
atual disponível para esse programa é de pouco mais
de R$ 1 bilhão. A medida, argumentam os defensores dela, ajudaria
a reforçar o caixa sem ameaçar o equilíbrio
das contas públicas.
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Folha de São Paulo,
28 de novembro de 2006
Construção quer maior
investimento
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A indústria da construção
civil quer que o governo amplie a desoneração para o setor
e invista R$ 206 bilhões em projetos de habitação,
saneamento, transporte e energia nos próximos quatros anos. Ontem,
a União Nacional da Construção Civil entregou ao
ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, estudo segundo o qual
a aplicação dos recursos produziria alta de 1,3% no PIB
(Produto Interno Bruto) e geraria 877 mil vagas ao ano. No dia 13, o
setor vai reforçar os pedidos ao presidente. O setor quer que
o governo amplie a desoneração para metais, como dobradiças
e fechaduras.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
28 de novembro de 2006 | Economia
Declaração de isento
do Imposto de Renda deve ser enviada até quinta
BRASÍLIA - O prazo para a entrega
da declaração de isento do Imposto de Renda Pessoa Física
termina na quinta-feira, dia 30. Dos 63 milhões de declarações
previstas, 49 milhões foram recebidas. A preferência dos
contribuintes para declarar tem sido a Internet (61%), seguida pelas
lotéricas, com 32%.
Ela pode ser feita nas casas lotéricas,
no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. Nesses locais,
uma taxa de R$ 1 é cobrada. O documento também pode ser
entregue nos Correios, ao custo de R$ 2,40, ou pela página da
Receita, de graça.
Quem recebeu até R$ 13.968
em 2005 é obrigado a apresentar a declaração.
Os que tiveram o número do Cadastro de Pessoas Físicas
(CPF) incluído em alguma declaração do Imposto
de Renda 2005, na condição de cônjuge ou dependente,
não precisam prestar contas. (Com Agência Brasil)
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 28 de novembro de 2006 | Economia
Medidas de estímulo à construção
revitalizaram o setor
Segundo estudo realizado pelo Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
medidas geraram ambiente favorável ao investimento
Renata Veríssimo
BRASÍLIA - O conjunto de medidas
de estímulo à construção civil, adotado pelo
governo este ano, gerou um ambiente favorável ao investimento
e revitalizou o setor. A avaliação é resultado de
um estudo realizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior e obtido pela Agência Estado. O documento
mostra que o setor está com o maior nível de emprego desde
agosto de 1995, deve registrar o maior crescimento dos últimos
anos e exercerá a menor pressão inflacionária dos últimos
quatro anos.
Os números do levantamento serão
divulgados nesta segunda-feira pelo Ministro Luiz Fernando Furlan durante
reunião do Fórum de Competitividade da Construção
Civil, formado por representantes de toda a cadeia produtiva. O estudo,
além de avaliar o impacto das medidas já adotadas, servirá de
subsídio para as novas propostas em estudo de redução
tributária. Nos últimos dias, o governo definiu a construção
civil como um dos pilares para alavancar um crescimento da economia na
ordem de 5% ao ano.
O Ministério do Desenvolvimento
sempre defendeu a necessidade de desonerar o investimento produtivo,
mas para derrubar as resistências da Receita Federal, precisa mostrar
os resultados positivos. Em uma das últimas reuniões do
Fórum, Furlan chegou a pedir ao setor que trouxesse números
comprovando que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) para 45 produtos da construção civil foi repassada
para o preço ao consumidor final. Segundo o Ministério
do Desenvolvimento, a venda dos produtos desonerados teve um crescimento
real de 4,51% nos dez primeiros meses deste ano na comparação
com igual período do ano passado. Somente em outubro, o aumento
foi de 6,1% em relação a outubro de 2005. Os números
foram repassados pela Associação Brasileira da Indústria
de Materiais de Construção (Abramat).
O estudo destaca também que a indústria
de materiais de construção é a que exibe os prognósticos
mais otimistas de faturamento, emprego, investimentos e situação
de negócios para 2007. Segundo dados da Fundação
Getúlio Vargas, 83% das empresas acreditam que vão ampliar
as vendas em 2007 e nenhuma delas aposta em queda. "É um
processo, mas certamente que o caminho está certo porque têm
apresentado respostas. A construção civil é central
para o aumento dos investimentos no Brasil", afirmou à AE
o secretário de Desenvolvimento Industrial, Antonio Sergio Mello.
O segmento habitacional responde por cerca
de um quarto dos investimentos computados no Produto Interno Bruto (PIB)
brasileiro, de acordo com levantamento do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), além de ser um setor intensivo
em mão de obra. Para o secretário, a desoneração
do material de construção e as medidas de crédito
anunciadas pelo governo são responsáveis pela formação
de um ambiente favorável ao investimento no setor. "O setor
empresarial tem respondido à política que o governo estabeleceu",
avalia Mello.
Os dados do Ministério do Desenvolvimento
mostram ainda que o apetite dos bancos privados pelo mercado imobiliário
cresceu. Segundo o estudo, o Bradesco, por exemplo, emprestou R$ 1,6
bilhão de janeiro a setembro deste ano, mais que o dobro dos R$
700 milhões liberados em 2005. O Santander Banespa, por sua vez,
deve fechar 2006 com uma carteira de financiamentos habitacionais em
R$ 2 bilhões, contra R$ 640 milhões no ano passado. "A
questão do crédito é muito importante para a construção
civil. Sem financiamentos compatíveis, o setor não movimenta",
disse Mello.
O documento também destaca a entrada
de empresas do setor no Novo Mercado da Bovespa, que tem regras mais
rígidas de proteção aos acionistas minoritários.
O estudo destaca que 77% da oferta de ações foram colocadas
entre os investidores estrangeiros, demonstrando a confiança no
crescimento da construção civil brasileira. A capitalização
via mercado de capitais representa uma fonte mais barata de financiamento.
Ainda durante a reunião desta
segunda-feira do Fórum de Competitividade da Construção
Civil, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(CBIC) vai apresentar uma proposta de criação de um regime
especial de tributação para habitação de
interesse social. O vice-presidente da CBIC, José Carlos Martins,
disse que a sugestão é reduzir a alíquota de 7%
sobre o valor do faturamento das empresas com venda de imóvel.
O benefício seria concedido para habitações sociais,
a serem classificadas pelo Ministério das Cidades. Martins argumenta
que a medida aumentaria a arrecadação do governo federal,
porque esse tipo de habitação é construída
hoje, na maioria dos casos, pelas próprias pessoas.
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JC ONLINE / BRASÍLIA,
28 de novembro de 2006 | Economia
Aposentadoria
Lula não quer mudar regras
da Previdência Social
O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva não fará uma reforma da Previdência Social
para mudar as regras de aposentadoria do funcionalismo e setor privado.
O plano em estudo no Palácio do Planalto prevê o que auxiliares
de Lula chamam de “esforço concentrado de gestão” na
Previdência, com medidas estruturais para combater a fraude e economizar
cerca de R$ 50 bilhões ao longo de quatro anos.
A avaliação do governo é de
que não será possível aprovar três reformas
constitucionais ao mesmo tempo no Congresso: a política a tributária
e a previdenciária.
As prioridades de Lula para 2007 são
as mudanças no sistema eleitoral e partidário e na área
de tributos. O presidente quer a ajuda dos governadores para esse objetivo,
mas também pretende conversar com eles sobre as dificuldades enfrentadas
pela União e pelos Estados para pagar as aposentadorias.
A necessidade da reforma na Previdência é um
tema que divide os governadores.
Lula ficou impressionado com o plano elaborado
pelo consultor Vicente Falconi, com métodos drásticos de
gestão para permitir equilíbrio nas contas da Previdência. “Se
elas são eficazes, será a descoberta da América”,
chegou a dizer o ministro da Fazenda, Guido Mantega, no último
dia 20, não sem certa ironia.
As propostas de Falconi, que contribuiu
com a reforma da previdência estadual de Minas Gerais, foram apresentadas
ao governo pelo empresário Jorge Gerdau Johannpeter, cotado para
assumir um ministério da área econômica no segundo
mandato do governo Lula.
Mantega afirmou que o objetivo do novo
modelo de gestão das contas da Previdência é o de
dar sustentabilidade às despesas, “para garantir que o aposentado
possa receber sua aposentadoria no futuro”.
Pesquisas encomendadas pelo Planalto indicam
que a sociedade não entenderia uma reforma da Previdência
que mexesse na idade mínima porque o governo não conseguiu
tapar os ralos e combater distorções. Em todas as conversas
com auxiliares, Lula pede eficiência gerencial. Está obcecado
por destravar o País e por medidas que estimulem o investimento,
principalmente na área de infra-estrutura, e eliminem as fraudes.
Um ministro disse ao jornal O Estado de
S.Paulo que o presidente quer prioridade para atualização
do cadastro e fiscalização da Previdência. “Decisão
sobre isso o governo já tem, mas há como avançar
bastante nesse terreno”, disse o auxiliar de Lula. “Ele está ouvindo
todos os setores.
Ao abrir no último sábado
(25) a reunião do Diretório Nacional do PT o presidente
afirmou que a situação da Previdência é “delicada”. “Nós
sabemos que o rombo não pode continuar do jeito que está”,
comentou.
Nos próximos dias, 90 entidades
empresariais e de trabalhadores devem propor outro modelo de Previdência
para Lula. A reforma seria válida apenas para quem ingressasse
no mercado de trabalho após sua promulgação. As
entidades vão sugerir a unificação de regras para
funcionários públicos e privados. No governo, a proposta,
a ser apresentada pelas entidades, de desvincular as aposentadorias do
salário mínimo é vista como “muito complicada” e
de difícil aplicação.
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AGÊNCIA BRASIL, 28
de novembro de 2006
Relator do orçamento diz que
vai garantir mínimo de R$ 375
A proposta orçamentária
para 2007 em análise no Congresso Nacional manterá o reajuste
do salário mínimo de R$ 350 para R$ 375, mesmo com a reavaliação
de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da meta de inflação.
A informação é do relator da proposta de orçamento,
senador Valdir Raupp (PMDB/RO).
Segundo os ministros Guido Mantega, da
Fazenda, e Paulo Bernardo, do Planejamento, os novos cálculos
garantiriam um reajuste do salário mínimo para R$ 367.
Em agosto, o governo trabalhava com um crescimento do PIB de 4% e uma
inflação de 3,5% a 4% para 2006. Há alguns dias,
a área econômica apresentou a reestimativa que prevê um
crescimento do PIB entre 2,9% e 3% e uma inflação de 3,9%
a 3,95% para o ano.
"O governo já mandou para
a Comissão Mista de Orçamento uma reestimativa de redução
destes parâmetros de R$ 375 para R$ 367, o que significa R$ 8 a
menos do que estava previsto em agosto. Nós vamos manter os R$
375", afirmou Valdir Raupp.
O relator disse que tanto Mantega quanto
Paulo Bernardo "deixaram o Congresso Nacional à vontade" desde
que encontrassem fontes de custeio para garantir os R$ 8 de diferença.
Raupp acrescentou que a comissão já tem os recursos necessários
para manter o salário mínimo em R$ 375, que passaria a
vigorar a partir de 1º de maio de 2007.
Amanhã, o Comitê de Receita
da Comissão Mista de Orçamento reúne-se para fechar
as contas de despesas e receitas para 2007. Só para a Lei Kandir
(compensações do governo federal a estados que perdem recursos
com a isenção de impostos na exportação),
a comissão precisa encontrar receitas da ordem de R$ 1,3 bilhão
para garantir o repasse em 2007, acordado com os governadores em R$ 5,2
bilhões. Quanto a correção da tabela do imposto
de renda, faltam ainda R$ 700 milhões. A proposta de Raupp é corrigir
a tabela, nos próximos dois anos em 10%.
Na área de saúde também
será necessária uma reestimativa de receita. Os deputados
e senadores da comissão tem de garantir R$ 500 milhões
para os atendimentos de média e alta periculosidade na rede pública.
A expectativa do relator é adequar
estes recursos para votar o Orçamento da União para 2007
entre os dias 21 e 22 de dezembro.
Amanhã os relatores setoriais
entregarão seus relatórios à comissão para
que sejam apreciados e votados.
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SÓ NOTÍCIAS
/ MATO GROSSO, 28 de novembro de 2006
Geral
Sindicato considera positiva reunião
com trabalhadores da construção civil em Sinop
Apesar da pouca participação
dos trabalhadores da construção civil na reunião
com representantes do Ministério do Trabalho e o Siticom (Sindicato
dos Trabalhadores na Indústria, Construção e Mobiliário
do Norte), na sexta-feira, em Sinop, os resultados foram avaliados como
positivos, conforme o presidente Vilmar Galvão. Dentre as discussões
estavam as normatizações do exercício da profissão,
que hoje ainda apresenta alto número de profissionais sem registros
na carteira.
“A reunião foi satisfatória.
Tínhamos uma proposta de fazer uma reunião técnica
e conseguimos orientar os trabalhadores e outros profissionais do segmento.
Infelizmente o público foi pequeno, mas o sindicato saiu com a
sensação do dever cumprido. A nossa parte fizemos e, agora,
vamos cobrar do Ministério do Trabalho e até do Ministério
Público que fiscalizem as condições de trabalho
do setor”, destacou.
Durante o encontro, conforme Só Notícias
já informou, um auditor fiscal da Delegacia Regional do Trabalho
(DRT) de Cuiabá, acompanhou as discussões. A meta, ainda
segundo Galvão, é que novos debates possam ser marcados
no ano que vem.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
28 de novembro de 2006
Governo do DF é condenado a
pagar R$ 193 milhões por dano moral coletivo
O governo do Distrito Federal, o Detran-DF
(Departamento de Trânsito do Distrito Federal), o ICS (Instituto
Candango de Solidariedade) e a Fundação Pólo Ecológico
foram condenados, solidariamente, a pagar cerca de R$ 193,8 milhões
por dano moral coletivo pela contratação irregular de 10
mil funcionários pelo governo.
A sentença, do juiz Oswaldo Neme
da 1ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 10ª Região
(DF e Tocantins), é resultado de ação civil pública
movida pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) contra
a intermediação pelo ICS da contratação dos
funcionários para atividades de servidor público nas Secretarias
de Educação e de Solidariedade do DF.
O valor fixado na sentença corresponde
a 10% do montante já repassado pelo governo do DF ao ICS nos últimos
cinco anos —no total, mais de R$ 1,9 bilhão. O magistrado
determinou que a quantia seja repassada ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).
“A Justiça do Trabalho acolheu
o pedido do Ministério Público do Trabalho e declarou a
nulidade das contratações de funcionários efetuadas
pelo ICS, que não mais poderá fornecer mão-de-obra
ao GDF [governo do Distrito Federal]”, diz o procurador Maurício
Correia de Mello, chefe da Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região.
As contratações só podem
ser efetivadas mediante realização de concurso público,
exceto nos casos previstos em lei, como a terceirização
das funções de vigilante, telefonista e pessoal de limpeza.
Segundo o procurador, o prazo para a substituição
dos terceirizados deverá ser definido na execução
da sentença. O pedido do MPT, atendido na sentença em primeira
instância, foi reformado em parte pela 1ª Turma do TRT-10.
O MPT calcula que 240 dias sejam suficientes para realizar concurso e
nomear novos servidores para os postos ocupados atualmente pelos terceirizados. “Não
interessa ao MPT a descontinuidade dos serviços prestados pelos órgãos
do GDF”, diz Maurício Correia de Mello.
Com a nulidade dos contratos, os funcionários
terceirizados só terão direito a receber as verbas estritamente
salariais, diz o procurador-chefe. Isso porque as contratações
foram consideradas irregularidades trabalhistas que contrariam o disposto
no artigo 37, da Constituição Federal de 1988, segundo
o qual as contratações na administração pública
só podem ocorrer mediante a realização de concurso
público, ressalvados os cargos em comissão.
Atualmente, existem na Procuradoria
Regional do Trabalho 33 procedimentos envolvendo o ICS e outros 15
nos quais figuram ICS e Codeplan, destinados a investigar irregularidades
na contratação de mão-de-obra para órgãos
do GDF.
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CONSULTOR JURÍDICO,
28 de novembro de 2006
Desconto indevido
Cobrança previdenciária
de 5% é inconstitucional
por Gláucia Milicio
É inconstitucional a Lei Complementar
943/03, que institui a contribuição previdenciária
correspondente a 5% sobre os vencimentos ou salários, vantagens
pessoais e outras de qualquer natureza de todos os servidores públicos
para custeio de aposentadoria e de reforma dos militares do estado de
São Paulo. O entendimento é da juíza Alexandra Fuchs
de Araújo, da 7ª Vara da Fazenda Pública.
Agora, o estado deve ressarcir os policiais
estaduais que ajuizaram a ação com os valores descontados
indevidamente de contribuição previdenciária, desde
2003, além da suspensão dos descontos em definitivo da
alíquota de 5%. Cabe recurso.
No processo, os policiais alegaram que
a cobrança é inconstitucional. Segundo eles, a contribuição
social é uma espécie tributária que não se
confunde com imposto ou taxa e com arrecadação vinculada à determinada
contraprestação do estado, no caso a seguridade social.
A seguridade social, por sua vez, pressupõe
ausência de lucro e pluralidade de receitas. Os policiais argumentaram,
também, violação ao princípio da irredutibilidade
de vencimentos, com expropriação dos vencimentos, através
da cobrança indevida.
A Fazenda, em sua defesa, alegou que a
contribuição previdenciária é uma espécie
tributária prevista pela Constituição Federal. Por
esse motivo, deve estar inserida em um sistema de seguridade social.
A juíza não acolheu o argumento.
Ela destacou que o percentual estabelecido
não tem fundamento em nenhum estudo técnico orçamentário.
Para a juíza, a lei é inconstitucional porque é um
imposto vinculado e não contribuição previdenciária.
Ela ressaltou que a medida está suportada em um sistema previdenciário
criado por lei.
O estado também deverá pagar
aos policiais estaduais os valores descontados em razão da edição
da lei. Deverá incidir sobre as parcelas vencidas correção
monetária, desde a data em que cada uma delas não deveria
ter sido descontada, e juros de mora de 6% ao ano, contados da data da
citação da Fazenda.
Os policiais foram representados pelo
advogado Fernando Fabiani Capano, sócio do escritório Gregori,
Capano Advogados Associados.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 28 de
novembro de 2006 | Brasil
CONGRESSO-Reunião da presidente
do STF, Ellen Gracie, com líderes dos partidos é suspensa
Câmara tira de votação
reajuste de salários do Poder Judiciário
Valter Campanato/ABr
Ellen Gracie iria hoje ao Congresso, mas encontro com deputados foi cancelado.
Brasília – O presidente da
Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), retirou da pauta de votações
da Casa projetos que, se aprovados, aumentariam em R$ 134,465 milhões
os gastos do Poder Judiciário da União em 2007.
Os projetos – entre eles dois que
reajustam os salários de magistrados e integrantes do CNJ (Conselho
Nacional de Justiça) –, haviam entrado na previsão
de votações divulgada sexta-feira, a pedido da assessoria
da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie. Dificilmente,
os reajustes serão votados ainda neste ano.
Aldo e Ellen teriam conversado no final de semana. Depois disso, os projetos
saíram da pauta e foi cancelada uma reunião de líderes
partidários que contaria com a presença da ministra. Ellen Gracie
iria pessoalmente à Câmara para defender e pedir agilidade na
votação de temas de interesse do Judiciário. A reunião
estava marcada para hoje.
Por meio de sua assessoria, a ministra
disse que a reunião foi suspensa por iniciativa de Aldo.
Alguns deputados resistem em votar um
aumento ao Judiciário agora por avaliarem que acabariam arcando
com parte da repercussão negativa: a Câmara discute um aumento
nos próprios vencimentos, tema polêmico, que deve ser aprovado
até o fim do ano. Na pauta que a ministra tenta aprovar na Câmara
constam quatro itens processuais e quatro itens econômicos. Os
processuais permanecem na pauta e poderão ser votados esta semana.
Os outros caíram.
Entre os financeiros, o projeto de maior
impacto reajusta em 5% o salário de ministro do STF, elevando-o
de R$ 24.500 para R$ 25.725. Ele tem efeito cascata sobre a remuneração
de 5.500 juízes, com gasto de R$ 92,904 milhões.
Além disso, eleva automaticamente
a gratificação paga a juízes eleitorais, de R$ 5.880
para R$ 6.174, ao custo de R$ 12,516 milhões. O mais polêmico
deles institui o jetom de 12% para conselheiros do CNJ, por presença
em sessão, até o máximo de 24% ao mês, e prevê pagamento
retroativo a junho de 2005, quando o órgão foi instalado,
o que implicará despesa de cerca de pelo menos R$ 1 milhão.
Outros dois criam 262 cargos de servidor
do STF, com impacto de R$ 18,614 milhões, e 88 cargos de servidor
do CNJ, além de 38 funções comissionadas no conselho,
com gasto extra de R$ 9,431 milhões.
Os outros quatro projetos que permanecem
na pauta não têm repercussão financeira. Um permite
que o processo judicial seja totalmente virtual, sem utilização
de papel. Outro define normas para a tramitação de mandado
de segurança coletivo. Os dois últimos reduzem o volume
de processos do STF. Um regulamenta a súmula vinculante, criada
pela reforma do Judiciário, e o outro institui a repercussão
geral, mecanismo pelo qual o tribunal ficará desobrigado de
julgar recursos que só tenham relevância para as partes
envolvidas.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
28/11/2006
Cooperativa fraudulenta é multada
por atrasar verbas rescisórias
O reconhecimento em juízo do vínculo
de emprego não impede, por si só, a aplicação
da multa prevista no artigo 477 da CLT, referente à não-quitação
das parcelas rescisórias no prazo estabelecido por lei. É necessário
que haja dúvida razoável quanto à existência
ou não do vínculo, o que não se verifica quando é constatada
a fraude na contratação de empregado mediante cooperativa.
O tema mereceu amplo debate na Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho que, por maioria,
acompanhou o voto do ministro João Batista Brito Pereira.
A ação foi proposta por
um ex-empregado contratado em setembro de 1998 pela Pro-A Engenharia
Ltda para prestar serviços como encanador na reforma da central
da Ecovia dos Imigrantes, concessionária responsável pela
operação e manutenção do sistema rodoviário
Anchieta-Imigrantes. A contratação ocorreu por meio da
Multicooper - Cooperativa de Trabalhos Múltiplos de Cubatão
(SP).
Demitido imotivadamente em janeiro de
1999, ele ajuizou reclamação trabalhista pleiteando, dentre
outros, o reconhecimento de vínculo de emprego e o pagamento das
verbas decorrentes da relação empregatícia. A Vara
do Trabalho de Cubatão reconheceu o vínculo de emprego
ante a constatação de fraude no contrato por meio de cooperativa.
Tal cooperativa foi fundada por advogados, engenheiros, comerciantes,
aposentados, administradores, casqueiros, auxiliares de laboratórios,
motorista, professores, auxiliares administrativos, escriturários
e auxiliares de enfermagem para locação de mão-de-obra
em geral.
Ao contatar a fraude, o juiz condenou
as empresas, solidariamente, a pagar ao empregado as verbas relativas
ao vínculo empregatício, inclusive a multa do artigo 477
da CLT. A empresa recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 2a Região
(São Paulo), que manteve o entendimento quanto à existência
de fraude, mas reformou a sentença no tocante à multa do
artigo 477. Segundo o acórdão do TRT/SP, a relação
de emprego somente foi reconhecida em juízo, portanto, seria descabida
a multa.
O empregado recorreu ao TST. A Primeira
Turma negou provimento ao recurso com base na mesma tese adotada pelo
TRT/SP. Foram interpostos embargos à SDI-1, que deu razão
ao empregado. O relator do processo, ministro João Batista Brito
Pereira, disse em seu voto que, na hipótese de reconhecimento
do vínculo judicialmente, somente não incide a multa se
houver dúvida razoável acerca da existência ou não
do vínculo, o que não se verifica quando é constatada
a fraude na contratação de empregado mediante cooperativa.
“O reconhecimento da fraude é elemento
bastante para afastar qualquer dúvida sobre o vínculo,
não se podendo beneficiar o empregador fraudulento com a não
aplicação da multa pelo atraso no pagamento das verbas
rescisórias”, destacou o relator. (E-RR 542405/2002-900-02-00.6)

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