 |
Agência Senado,
30 de novembro de 2006
Subcomissão de Trabalho e Previdência
discute a contribuição assistencial
“O Movimento sindical lutará para
que o projeto do senador Paulo Paim seja aprovado na íntegra,
sem as alterações do relator, e conclama a presença
dos dirigentes sindicais no próximo dia 06/12. Na ocasião
foi aprovada ainda, uma moção de repúdio contra
as demissões de dirigentes sindicais”. Comentado por
FETRACONSPAR.
Representantes de entidades sindicais,
do Ministério do Trabalho e do Ministério Público
do Trabalho lotaram nesta quinta-feira (30) as dependências
da Subcomissão Permanente do Trabalho e Previdência,
que funciona no âmbito da Comissão de Assuntos Sociais
(CAS), para debater o projeto de lei de autoria do senador Paulo
Paim (PT-RS) que regulamentaa chamada contribuição
assistencial. Essa contribuição é destinada
ao financiamento da negociação coletiva e de outras
atividades sindicais, como assistência médica, odontológica
e jurídica. Enquanto os dirigentes sindicais são
a favor da proposta, o Ministério do Trabalho alerta que
será criada nova contribuição para os trabalhadores.
O projeto de Paulo Paim (PLS 248/06),
que deverá entrar na pauta da CAS na próxima quarta-feira
(6), onde receberá decisão terminativa, acrescenta
capítulo à Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT). Com a aprovação da proposta
- sustentam os sindicalistas - será colocado um ponto
final nas constantes interferências do Ministério
Público do Trabalho, que tem colocado em dúvida,
segundo os sindicalistas, a legalidade de cobrança da
contribuição, já que ela não está regulamentada
em lei.
O projeto determina que o desconto da contribuição assistencial
será compulsório e não poderá ultrapassar o percentual
de 1%da remuneração bruta anual do trabalhador em atividade.
O percentual da contribuição e a forma de rateio serão
fixados por assembléia geral dos trabalhadores.
A proposta ainda pune o empregador que não efetuar o desconto em folha
de pagamento, inclusive com a proibição de participar de concorrências
públicas.
Desrespeito
Para Paulo Paim, as entidades
sindicais vêm enfrentando o que chamou de verdadeira maratona
para obter das empresas o desconto em folha de pagamento das
contribuições assistenciais, mesmo quando fixadas
em assembléia da categoria ou convenção
coletiva, o que considera um absurdo. No entender do senador,
tal comportamento representa um total desrespeito ao princípio
da autonomia e da liberdade sindical.
Já a representante do Ministério
do Trabalho, Shakti Prates Borela, apesar de reconhecer que não
existe organização sindical forte sem recursos,
deixou claro que o projeto, na prática, cria uma nova
contribuição para os trabalhadores. Segundo ela,
qualquer contribuição tem de estar condicionada à negociação
coletiva. Criticou também outro artigo da proposta que
inclui os servidores públicos como contribuintes. Para
Shakti Borela, a questão dos servidores deve ser tratada
em separado, já que eles não realizam acordos coletivos
em nível nacional. Mas disse que o Ministério do
Trabalho está aberto à negociação.
Sobrevivência
Mas para os representantes dos
trabalhadores, como Gladir Antonio Basso, vice-presidente para
a região sul da Confederação Geral dos Trabalhadores
(CGT), e de Quintino Marques Severo, secretário-geral
da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a contribuição
assistencial "é vital para a própria sobrevivência
do movimento sindical". Gladir Basso chegou a estranhar
que o Ministério Público do Trabalho não
questione a contribuição que a Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB) sempre cobrou e nem a cobrada anualmente das
empresas do Sistema S.
O procurador do Ministério
Público do Trabalho, Maurício Correia de Mello,
disse que lutará para que seja encontrado um consenso
para a questão. O senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB)
aproveitou a audiência pública, que reuniu vários
representantes sindicais, para pedir melhor remuneração
dos recursos dos trabalhadores aplicados no Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS). Cláudio
Bernardo / Repórter da Agência Senado
O Movimento sindical lutará para que a proposta seja aprovado na íntegra,
sem as alterações do relator. Na ocasião foi aprovada,
uma moção de repúdio contra as demissões de dirigentes
sindicais.
|
|
Agência Senado, 30 de novembro
de 2006
Orçamento
Confirmada correção da tabela do IR em 3%; salário
mínimo fica em R$ 375

O governo concordou em reajustar a tabela de Imposto de Renda de pessoas
físicas em 3% no dia 1º de janeiro próximo e outros
3% em 2008. A informação foi dada pelo relator-geral
do Orçamento de 2007, senador Valdir Raupp (PMDB-RO). Ele esteve
reunido pela segunda vez com a equipe econômica no final desta
quarta-feira (29), quando recebeu a informação.
Raupp vinha pressionando o Executivo a conceder
o reajuste desde a semana passada, juntamente com o presidente da
Comissão Mista
de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização,
deputado Gilmar Machado (PT-MG). A proposta inicial de Raupp previa
dois reajustes, de 5% cada. O governo fez a contraproposta de 3%, índice
próximo da inflação deste ano.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard
Appy, e o Secretário da Receita Federal,Jorge Rachid, ponderaram
que o governo não tem dinheiro para uma correção
mais elevada. Além disso, fica difícil corrigir a tabela
do IR acima da inflação em um ano em que o salário
mínimo terá apenas a inflação mais o crescimento
do PIB per capita.
Salário mínimo
O deputado Gilmar Machado afirmou que
o governo aceitou manter o salário
mínimo em R$ 375, como havia previsto no projeto de orçamento
enviado ao Congresso. Há menos de dez dias, o ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, afirmou que, para cumprir a lei, o salário mínimo
deveria ficar menor - R$ 367. O relator-geral do orçamento insistiu
nos R$ 375, agora confirmados pelo governo. Valdir Raupp reservou dinheiro
no Orçamento de 2007 para bancar a perda de arrecadação
proveniente da correção da tabela do Imposto de Renda
- cerca de R$ 437 milhões.
|
Agência Diap, 30 de
novembro de 2006
Negociação Coletiva
Comissão aprova negociação
coletiva de trabalho no setor público
A Comissão de Trabalho e Administração do Serviço
Público (CTASP), aprovou nesta quarta-feira, 29/11, o Projeto de Lei
(PL 6.126/05) de autoria conjunta dos deputados petistas Dr. Clair (PR) e Roberto
Gouveia (SP). A proposição regulamenta a negociação
coletiva de trabalho no serviço público. O relator, deputado
Cláudio Magrão (PPS/SP), emitiu parecer pela a provação
do projeto, sendo adotado por unanimidade o colegiado.
Seguro-desemprego
A comissão também aprovou
o projeto que dispõe sobre a habilitação do pescador
artesanal ao benefício do seguro-desemprego durante o período
defeso, ou seja, quando os peixes estão em fase de reprodução.
A proposta é de autoria do deputado Adelor Vieira (PMDB/SC).
O projeto foi relatado pela deputada Dr. Clair (PT/PR) e garante ao pescador
filiado a um sindicato de pescadores de sua região, desde que comprove
a atividade pesqueira, o recebimento do seguro-desemprego no período
de defeso. O projeto segue agora para a análise da constitucionalidade
e juridicidade na Comissão de Constituição de Justiça
e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados.
Semelhança
No senado, matéria semelhante foi
aprovada em plenário. Trata-se do substitutivo ao PLC 04/01 (Na
Câmara, PL 3.049/00), que dispõe sobre o mesmo tema, benefício
do seguro-desemprego a pescadores artesanais durante o período
de defeso. A matéria segue para a apreciação da
Câmara dos Deputados, que dará a posição final,
antes de ir à sanção presidencial.
|
Agência Diap, 30 de
novembro de 2006
Supersimples
Aplicação da Lei-Geral
da Micro e Pequena Empresa é antecipada
A secretaria da Receita a Federal e o Sebrae (Serviço Brasileiro de
Apoio às Micro e Pequenas), em acordo, vão antecipar a implementação
da Lei Geral da Microempresa em todo o país. A lei foi aprovada no Congresso
Nacional e aguarda sanção do Presidente Luiz Inácio Lula
da Silva.
Em cerimônia ocorrida na tarde desta
terça-feira, 28/11, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio, foi assinado o documento que confirmou a parceria.
Com a presença do ministro da pasta, Fernando Furlan, do presidente
do Sebrae, Paulo Okamotto, e do Secretário da Receita, Jorge Rachid,
foi assumido o compromisso de prover ações para o desenvolvimento
do estatuto nacional da microempresa.
De acordo com o convênio, o Sebrae
fica responsável em financiar os gastos com a implementação
do novo sistema necessário para a lei aprovada. Com a certificação
digital, o contribuinte poderá cumprir com suas obrigações
fiscais pela internet.
O novo sistema será desenvolvido
pelo Serpro, empresa de processamento de dados vinculada ao ministério
da Fazenda. Com o novo sistema em funcionamento, a expectativa é de
que os recolhimentos de tributos das microempresas estejam em funcionamento
em 1° de julho de 2007.
Movimento Sindical
O movimento sindical também está a
postos em relação ao Supersimples. A luta agora é para
que o presidente Lula vete os dispositivos do PLP 123/2004 que prejudicam
os assalariados e representam o primeiro passo rumo à flexibilização
trabalhista.
O projeto teve sua votação
concluída no Congresso no último dia 22 de novembro e o
presidente tem 15 dias úteis para sancionar, com ou sem vetos,
ou vetar totalmente, a criação do Supersimples, que desonera
e facilita a vida das micro e pequenas empresas, mas apresenta em seu
corpo mudanças estruturais na legislação trabalhista
e previdenciária.
As entidades sindicais elaboraram um modelo
de carta pedindo o veto dos dispositivos que prejudicam os trabalhadores.
O documento está sendo enviada ao Presidente da República
e aos ministro Luis Dulci, secretário-geral da Presidência,
e Dilma Roussef, da Casa Civil.
|
Diário
Vermelho, 30 de novembro de 2006
Copom reduz taxa de juros para 13,25%
na última reunião
de 2006
O Banco Central reduziu o juro básico brasileiro nesta quarta-feira
pela 12a vez seguida. Sem unanimidade, a taxa foi cortada em 0,50 ponto
percentual e, assim, fecha o ano em 13,25 por cento.O placar foi de 5 votos
a 3, sendo que os vencidos queriam redução de 0,25 ponto
percentual.
Acabou sem surpresas a última reunião do ano do Copom
(Comitê de Política Monetária) do Banco Central.
O comitê anunciou nesta noite uma redução de 0,5
ponto percentual na Selic, de 13,75% para 13,25% ao ano, conforme o esperado
pelo mercado. Pela primeira vez, desde março deste ano, a decisão
do comitê não foi unânime, já que cinco integrantes
do Copom votaram a favor de um corte de 0,5 ponto percentual na Selic
e três pela redução de apenas 0,25 ponto percentual
na taxa.
"
Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para
a inflação, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para
13,25% ao ano, sem viés, por cinco votos a favor e três
votos pela redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual",
diz a nota divulgada pelo Banco Central após a reunião.
Pesquisa da Reuters na semana passada mostrou que 21 de 27 analistas
projetavam redução de 0,50 ponto percentual. Seis apostavam
em corte de 0,25 ponto. Esta foi a última reunião do
Copom neste ano. A primeira reunião de 2007 está agendada
para os dias 23 e 24 de janeiro.
|
Diário
Vermelho, 30 de novembro de 2006
Reforma da Previdência: as ruas
enfrentam os palácios
Os trabalhadores franceses são um exemplo
de como as manifestações populares podem frear as reformas
neoliberais. Já em 1988 um primeiro-ministro francês vaticinou
que a reforma da previdência poderia derrubar vários governos.
E derrubou.
Por Osvaldo Bertolino
Em todo o planeta há uma percepção, cada vez mais forte,
de que o padrão de vida dos trabalhadores está sendo ameaçado
pelo imenso poder concedido aos grandes grupos privados pela “globalização” neoliberal.
Ou seja: as privatizações e a busca agressiva da produtividade
por meio da pressão sobre os países para a liberalização
de suas economias — principalmente a chamada “flexibilização” das
leis de proteção social e trabalhista — representam uma
barreira que o capital tenta erguer contra o trabalho. Aumento da produtividade
quer dizer, sucintamente, mais valor agregado à produção
por cada hora trabalhada. A apropriação deste valor é a
grande questão posta em debate, para o movimento sindical, pelo modelo
capitalista contemporâneo. Não é possível imaginar
o capitalismo sem classes e luta entre elas.
Atualmente, além do desemprego
gigantesco existem muito fatores que indicam um acirramento dessa luta.
Baixos salários, regimes de superexploração, trabalho
escravo de presos e infantil e restrições à liberdade
sindical são cada vez mais freqüentes no mundo. As empresas
dos países industrializados mudam a base de suas operações
para tirar vantagem da mão-de-obra barata nas regiões
pobres do planeta. Há algum tempo, a CUT recebeu, como denúncia,
folhetos de propaganda sobre o potencial lucrativo de alguns países.
A República Dominicana oferecia mão-de-obra a um custo,
''incluindo benefícios'', de 1 dólar por hora. Bangladesh
garantia mão-de-obra ''produtiva e barata'', com a vantagem
de que ''a lei proíbe a formação de sindicatos
e as greves são ilegais''. As ameaças a aposentadorias,
férias e adicionais de remuneração, de restrições
na assistência médica, no seguro-desemprego e em outros
benefícios também estão presentes nos países
desenvolvidos.
O “estatismo” francês e alemão
Para os liberais, o assunto “globalização” não
deve ser julgado em termos de ''contra'' e ''a favor'' — como se ela
fosse um programa partidário ou um sistema de idéias, em relação
aos quais houvesse a opção de aderir ou rejeitar. Como eles se
imaginam os donos do mundo, acham que podem impor seu pensamento único
como um conjunto de realidades que passaram a fazer parte da vida econômica
mundial. Eles vêem a resistência dos povos à “globalização” confusamente,
alguma coisa tramada por “esquerdistas”, não se sabe bem
como, e promovida mundo afora pelos sindicatos e Ongs. E disso vem, de um jeito
ou de outro, a responsabilidade pela maioria das coisas erradas que existem
por aí, a começar pelo desemprego.
Recentemente, para a ideologia liberal
outro perigo veio juntar-se à resistência: a defesa popular — ou
populista — do “estatismo” francês e alemão,
com suas gigantescas máquinas públicas, custos sociais
elevados, que vai na direção oposta da “liberdade
de iniciativa” do modelo anglo-saxão — a política
econômica conservadora já há muitos anos vigente
na Inglaterra e nos Estados Unidos. É difícil para os
arautos da “globalização” sustentar seus
pontos de vista diante das mazelas sociais mesmo das economias desenvolvidas,
sobretudo a dos Estados Unidos. A todo momento fica demonstrado que
os trabalhadores norte-americanos estão entre os que pagam mais
caro pelos efeitos das políticas conservadoras — a General
Motors, por exemplo, pretende demitir 25 mil funcionários até 2008.
A queda Alain Juppé
Na Europa, o Estado de bem-estar social foi concebido para injetar compaixão
no capitalismo. Por toda parte, governos social-democratas criaram benefícios
para os idosos, os desempregados e os pobres. Foram estabelecidas regras para
aumentar os salários, garantir empregos e melhorar as condições
de trabalho. Afirmar que não dá mais para bancar todos esses
benefícios, mesmo com os elevados ganhos de produtividade da segunda
metade do século 20, é faltar com os mais elementares princípios
da verdade. Por isso, os esforços para cortar benefícios afundam
em meio à resistência popular — como as sucessivas greves
na França atestam. A questão real é que a sobrevivência
do Estado de bem-estar social é a condição para evitar
a volta do capitalismo sem freios do século 19.
O ponto central dessa polêmica é a previdência social. Em
1988, Michel Rocard, então primeiro-ministro do governo socialista de
François Mitterrand, já antecipava as dificuldades à frente
das tentativas reformistas. ''A reforma das aposentadorias tem poder para derrubar
vários primeiros-ministros'', afirmou. Seu vaticínio se confirmou
em 1995, quando o premiê de direita Alain Juppé decidiu encarar
o problema. O chefe de governo não resistiu no cargo depois de um inesquecível
dezembro de greves e intensas manifestações populares, as maiores
realizadas no país desde maio de 1968. Com a queda de Juppé,
a questão foi para a geladeira — e lá ficou até que
o presidente Jacques Chirac foi reeleito.
A queda de Jean-Pierre Raffarin
A reforma da previdência,
já encaminhada pela maioria dos vizinhos europeus na década
de 90, virou a grande prioridade de seu governo. Chirac quis aproveitar
a maioria parlamentar para mexer num vespeiro capaz de fazer o termômetro
social atingir as mais elevadas temperaturas. Foi exatamente o que
se viu: milhões de trabalhadores protestaram em mais de uma
centena de cidades francesas, e numerosas paralisações
foram decretadas, principalmente nos serviços de transporte
público (trens, ônibus e metrô) e da educação,
superando todas as expectativas iniciais. A insistência do
governo, aliada a um amplo trabalho de propaganda enganosa, não
arrefeceu a resistência. ''As ruas não governam o país'',
reagiu o primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin. Governavam: Raffarin,
atingido pela derrota do governo no referendo sobre a Constituição
da União Européia em maio de 2005, foi substituído
por Dominique de Villepin e a reforma da previdência voltou
para a gaveta.
O sistema de bem-estar social teve seu apogeu na Guerra Fria. Com a derrocada
do bloco soviético, o caráter ideológico da discussão
entre as vantagens do capitalismo “menos desumano” sobre o capitalismo
selvagem se acentuou. Os governos dos países europeus começaram
a fazer contas e, do nada, “descobriram” que o chamado welfare
state havia se tornado caro e pesado demais para ser mantido. A Inglaterra
iniciou o processo em 1979 pelas mãos liberalizantes da dama de ferro,
Margaret Thatcher. O atual governo britânico publicou uma lei que prevê um
aumento progressivo da idade da aposentadoria, até chegar a 68 anos.
Além disso, a pensão não será mais indexada na
inflação, como atualmente, mas no aumento dos rendimentos. Na
Alemanha, o governo de ''grande coalizão'' de Angela Merkel anuncia
que fixará o aumento da idade legal de aposentadoria para 67 anos até 2029.
A Itália deve abrir em janeiro negociações para uma nova
reforma, que pode aumentar a idade da aposentadoria. A Comissão Européia
pediu em fevereiro que os países da União Européia (UE)
''intensifiquem seus esforços de reforma diante do rápido envelhecimento
das populações''.
Economia dinâmica
Os liberais perdem a razão quando se constata, entre outros dados, que
por trás dos sistemas de aposentadoria existe uma indústria trabalhando
a todo o vapor. Dos medicamentos e serviços de saúde aos automóveis,
dos alimentos ao setor financeiro, não há área de negócios
que escape da influência das mudanças demográficas em curso.
Nos próximos três anos, de acordo com um levantamento da ONU,
a quantidade de sexagenários no mundo já será maior do
que a de crianças abaixo de 14 anos. Em 2025, o Brasil passará da
16ª posição à sexta na lista dos países com
o maior número de idosos. Serão 33 milhões de pessoas
com mais de 60 anos — o equivalente a duas vezes a população
do Estado de Minas Gerais.
Um levantamento do grupo francês Sodexho avalia em 25 bilhões
de dólares o potencial de mercado dos idosos em 11 países. Devido
ao envelhecimento da população, a Sodexho estima que até 2025
seus negócios — que vão desde serviços de alimentação,
limpeza e lavanderia até o acompanhamento de idosos e os cuidados com
eles — cresçam 27% na Espanha, 13% no Reino Unido e 3% na França
e na Itália. ''No Brasil, a expectativa é que esse mercado aumente
10% ao ano'', diz Plínio de Oliveira, diretor-geral da subsidiária
brasileira da Sodexho. Não é possível imaginar uma economia
dinâmica e em desenvolvimento sem levar em conta a necessidade de um
sistema de aposentadoria minimamente decente. O próximo artigo analisará o
papel da Previdência Social na economia brasileira.
|
Folha de São Paulo,
30 de novembro de 2006
Fundo para habitação
com FGTS causa mal-estar no governo
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A criação do novo fundo
com recursos do FGTS para financiar habitação para famílias
com renda de até cinco salários mínimos (R$ 1.750)
criou um mal-estar dentro do governo. A avaliação de interlocutores
do presidente Lula é que o ministro Guido Mantega (Fazenda) se
precipitou ao anunciar, na semana passada, a proposta de instituir o
fundo com R$ 15 bilhões para esse segmento.
Segundo a Folha apurou, o ministro do
Trabalho Luiz Marinho ficou irritado com Mantega porque o anúncio
inicial não representava a idéia que havia sido discutida
e tinha maior consenso no governo. Na terça-feira, ao confirmar
que a origem dos recursos para capitalizar o novo fundo seria a multa
adicional de 10% paga pelas empresas quando demitem sem justa causa,
Marinho chegou a dizer que Mantega havia apresentado "outra proposta".
A sugestão de Marinho é transferir anualmente a arrecadação
da multa para reforçar o orçamento anual de um programa
já existente.
Fontes envolvidas nas negociações
informaram à Folha que, para chegar aos R$ 15 bilhões,
Mantega estava contando com a antecipação do valor que
seria arrecadado com a prorrogação da multa extra nos próximos
dez anos. Para isso, o FGTS teria que adiantar para o novo fundo dez
anos dessa contribuição, cerca de R$ 1,4 bilhão
por ano. Nesse caso, seria necessário usar parte dos R$ 21 bilhões
de patrimônio líquido do FGTS ou parte das receitas com
aplicações em títulos públicos federais.
Em vigor desde 2002, a multa adicional
de 10% foi criada para pagar perdas com correção monetária
em função dos planos econômicos Verão e Collor
I e deveria terminar neste ano. Mas a lei que a criou não determinou
prazo para o fim e o governo quer prorrogá-la.
|
Folha
de São Paulo, 30 de novembro de 2006
Indústria cultural emprega 4,5%
dos trabalhadores
De 3,7 milhões de pessoas, só 1,4
milhão tem carteira assinada, afirma IBGE
Média do rendimento, incluindo os não-formais,
foi de R$ 705, praticamente a mesma do conjunto de todos os trabalhadores
DA SUCURSAL DO RIO
O setor cultural ocupa, no Brasil, 3,7
milhões de pessoas, ou 4,5% do total de trabalhadores. Sua receita
líquida em 2003 foi de R$ 156 bilhões, o que representa
7,9% do total da receita de todos os setores. O IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística) estimou a participação
da cultura na economia a partir de indicadores de várias de
suas pesquisas. Uma delas mostra que as empresas do setor foram responsáveis
em 2003 por 6% do valor adicionado na economia brasileira. Esse valor é calculado
a partir da comparação do custo de produção
e do preço final. Se o custo de produção de um
CD é de R$ 5 e ele é vendido por R$ 20, isso significa
que o valor adicionado foi de R$ 15.
O número de empresas formais
trabalhando direta ou indiretamente na área foi de 269 mil,
ou 5,2% do total. Elas empregam 1,4 milhão de pessoas. O analista
do IBGE Luiz Fernando de Melo, que trabalhou na pesquisa, explica que
essa diferença no total de empregados nas empresas (1,4 milhão)
com o total na população (3,7 milhões) acontece
por causa do peso dos informais no setor.
"Muitos trabalhadores do setor
cultural não têm carteira assinada. Podem ser free-lancers
que trabalham só no período do Natal ou outros profissionais
que não contribuem para a Previdência Social", afirma
Melo. Considerando todos os trabalhadores (de empresas formais ou não),
a média do rendimento deles foi de R$ 705, praticamente a mesma
verificada no conjunto de todos os trabalhadores.
Mais estudo
Mesmo ganhando o mesmo, o levantamento
mostra que o trabalhador na área de cultura tem mais escolaridade
que os demais. Para o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, os
dados sugerem que é preciso valorizar mais o trabalho dos que
estão ocupados no setor. O ministro da Cultura, Gilberto Gil,
diz que esses dados podem ajudar o ministério a lutar por mais
verbas.
"Trata-se de um primeiro passo.
Um passo, no entanto, importantíssimo. Desde a sua criação,
há 20 anos, o ministério tem ocupado os últimos
lugares no ranking do Orçamento do país, cambaleando
entre 0,2% e 0,6% dos recursos do governo federal, como ocorreu nos últimos
quatro anos. Percebendo o peso das atividades culturais, poderemos
ter uma positiva conseqüência nas definições
de orçamento e investimento", disse o ministro.
Fonte
Gráfico:
Gazeta do Povo, 30 de novembro de 2006
|
ESTADÃO.COM, 30 de
novembro de 2006 | Economia
Construção residencial
terá investimento de R$ 470 bilhões
Estimativa feita pelo BNDES leva em conta os
investimentos entre 2007 e 2010
Adriana Chiarini
RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) divulgou nesta quarta-feira um estudo
que diz que o setor de construção residencial no Brasil
vai investir R$ 470 bilhões entre 2007 e 2010 ante R$ 316,7 bilhões
entre 2002 a 2005. Como o BNDES não trabalha com esse setor, utilizou
informações de crédito da Caixa Econômica
Federal e da Associação Brasileira das Entidades de Crédito
Imobiliário e Poupança (Abecip) e projeção
da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal)
para chegar à cifra.
Os autores do estudo, Ernani Teixeira
Torres Filho e Fernando Puga Pimentel somaram este valor com os resultantes
de trabalhos anteriores da dupla publicados este mês pela instituição,
que indicam para os próximos quatro anos investimentos de R$ 379,6
bilhões em nove setores da indústrias (petróleo
e gás, extrativa mineral, siderurgia, papel e celulose, petroquímica,
automóveis, eletroeletrônica, fármacos e setor sucroalcooleiro)
e de R$ 197,9 bilhões em cinco setores de infra-estrutura (energia
elétrica, comunicações, ferrovias, portos e saneamento).
Concluíram que os investimentos projetados para os próximos
quatro anos nesses 15 setores e mais o de software, com R$ 2,6 bilhões,
podem ser de R$ 1,050 trilhão no período.
Torres Filho explicou que partes desses
investimentos "são muito firmes", como os R$ 58,8 bilhões
esperados para o setor de comunicações, mas em outros há "incertezas",
como os de energia elétrica, com R$ 88,2 bilhões na conta,
que incluem as hidrelétricas do Rio Madeira, que ainda não
tem licença ambiental. Para o setor de saneamento, o BNDES considerou
as necessidades de investimento segundo o Ministério das Cidades.
Para a maior parte dos setores industriais e de infra-estrutura os números
saíram de conversas com as empresas e consideram os investimentos
em análise, não necessariamente decididos.
Se todos os R$ 1,050 trilhão forem
de fato aplicados no período por esses 16 setores, os economistas
do BNDES consideram que a taxa de investimento (no conceito de formação
bruta de capital fixo, formada por investimento em construção
civil e bens de capital) passará dos atuais 20% do Produto Interno
Bruto para 23,2%.
|
JORNAL O TEMPO
/ MINAS GERAIS, 30 de novembro de 2006
Sindicatos manifestam-se por mínimo
de R$ 420 na capital paulista
SÃO PAULO - Centrais sindicais fazem, na manhã de hoje, no
centro de São Paulo, uma manifestação pelo aumento
do salário mínimo (atualmente em R$ 350) e a correção
da tabela do Imposto de Renda. A informação é da Rede
Globo. A Polícia Militar informou que 550 pessoas participam do
protesto. A Central Única dos Trabalhadores, uma das seis que participam
do evento, além do Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi),
fala em 2.000 manifestantes. Eles pedem o aumento do salário mínimo
para R$ 420, o aumento real para os aposentados que ganham acima do salário
mínimo, a antecipação da primeira parcela do 13º para
junho e a correção da tabela do imposto de renda em 7,77%.
|
GAZETA WEB, 30 de novembro
de 2006
INSS realiza seminário sobre
a saúde do trabalhador
A Gerência Executiva do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS), em parceria com o Centro de Referência
em Saúde do Trabalhador (Cerest), está realizando, nesta
quarta-feira, o seminário “Saúde do trabalhador e
reabilitação profissional”. O evento acontece no
auditório do INSS, localizado na Rua da Praia, 149, Centro de
Maceió.
O seminário tem como objetivo mobilizar
a classe empresarial quanto a importância da adoção
de medidas de proteção à saúde do trabalhador,
visando a redução dos riscos inerentes ao trabalho. E também
facilitar o intercâmbio entre o Programa de Reabilitação
Profissional da Previdência Social e a empresa, para garantir a
reinserção do reabilitando ao mercado de trabalho.
O Programa de Reabilitação
Profissional foi criado para aquelas pessoas que se afastam do trabalho
por incapacidade laborativa temporária. Após passar pela
reabilitação, o trabalhador recebe alta e pode voltar a
exercer sua função de origem ou ser adaptado a outra atividade
profissional.
A programação do evento
conta com a participação de técnicos do INSS,
do Ministério Público do Trabalho, o coordenador do Cerest
e auditores fiscais do trabalho. Os temas a serem discutidos são
reabilitação ontem e hoje, reinserção do
trabalhador no mercado de trabalho e sua obrigatoriedade legal, nexo
epidemiológico, proteção social ao trabalhador,
a atuação do Ministério Público em defesa
da dignidade da pessoa com deficiência, a política da
saúde do trabalhador no Sistema Único de Saúde
(SUS) e a atuação da fiscalização do Ministério
do Trabalho. (AgPrev)
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
30 de novembro de 2006
Sociedades de economia mista também
têm que respeitar teto salarial, diz TST
A 4ª Turma do TST (Tribunal Superior
do Trabalho) acolheu, por unanimidade, o recurso da Cedae (Companhia
Estadual de Águas e Esgotos) e determinou que a remuneração
paga pela empresa a um aposentado não pode exceder o teto previsto
pela Constituição. Da decisão cabe recurso ao STF
(Supremo Tribunal Federal).
Segundo a assessoria do TST, o ex-empregado
da companhia ingressou na Justiça requerendo o pagamento da diferença
entre o valor de sua aposentadoria e o que efetivamente recebia. Por
exceder o teto previsto pelo artigo inciso XI do artigo 37, o ex-trabalhador
mensalmente deixava de receber o um determinado valor. Na primeira instância,
a empresa foi condenada a pagar a diferença, que deveriam ser
paga desde maio de 1995.
A Cedae recorreu ao TRT (Tribunal Regional
do Trabalho) da 1ª Região, no Rio de Janeiro, que decidiu
pela manutenção da sentença, sob a alegação
de que o dispositivo constitucional que dispõe sobre o teto não
alcançaria os empregados das sociedades de economia mista.
Em novo recurso (recurso de revista),
agora ao TST, a companhia alegou que o direito à irredutibilidade
salarial não poderia se sobrepor ao limite constitucional, extensível às
empresas públicas e sociedades de economia mista. A empresa afirmou
que deveria ser observado limite da remuneração dos servidores
do Executivo estadual aos valores recebidos pelos secretários
de Estado.
Para os ministros do TST, que acolheram
o recurso da empresa, o teto previsto no texto constitucional para a
remuneração no setor público também é aplicável
aos órgãos da administração pública
indireta, como é o caso Cedae — sociedades de economia mista.
“A empresa integra os entes da administração
pública indireta para os quais, sem exceção, foi
instituído o teto de remuneração, calcado nos princípios
da legalidade e moralidade administrativas, não se admitindo a
distinção feita pelo TRT-1, de acordo com o conhecido preceito
de hermenêutica jurídica, segundo o qual é vedado
ao intérprete (magistrado) distinguir onde a lei não distinguiu”,
afirmaram os ministros.
“Não pairam dúvidas
de que a Cedae, como sociedade de economia mista, está sujeita
ao regime jurídico próprio das empresas privadas, conforme
determina o artigo 173, parágrafo 1º, da Constituição
Federal. Mesmo assim não se pode negar que se encontre regida
pelo mandamento constitucional do artigo 37, inciso XI, que estabeleceu
limitação remuneratória para os seus empregados”,
concluiu o relator do processo, ministro Barros Levenhagen em seu voto,
acompanhado pelos demais membros da turma.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 30 de
novembro de 2006 | Economia
TERCEIRO TRIMESTRE
Mantega insiste em crescimento
São Paulo – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou que
o crescimento da economia no terceiro trimestre foi satisfatório para
o governo. Ele disse conhecer os dados que serão divulgados hoje. “Eu
fico numa situação constrangedora porque já vi os dados.
O que eu posso dizer é que o investimento cresceu muito no trimestre." O
IBGE passa ao governo, 48 horas antes da divulgação oficial,
os índices do PIB.
Analistas acreditam que o crescimento
do PIB brasileiro ficou entre 0,2% e 0,65% no terceiro trimestre deste
ano em relação ao anterior. Na comparação
com igual período de 2005, as previsões variam de 2,2%
a 3,6%. No segundo trimestre, a economia brasileira cresceu 0,5% em
relação aos três primeiros meses deste ano. Embora
o governo diga que busca crescimento anual de 5% para a economia, o
país não tem condições de ter uma expansão
dessa ordem a partir de 2007, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada, ligado ao Planejamento.
|
JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
30 de novembro de 2006
Centrais sindicais pedem salário
mínimo de R$ 420
Joyce Carvalho
Foto: Lucimar do Carmo/O Estado

Ato público foi o lançamento para a mobilização
em Brasília.
Centrais sindicais que atuam no Paraná realizaram ontem um ato público
a favor do reajuste do salário mínimo para R$ 420. As entidades
também pediram a correção da tabela do Imposto de Renda
e a diminuição da jornada de trabalho. A manifestação
foi classificada como o lançamento estadual de uma grande mobilização
que vai acontecer no dia 6 de dezembro, em Brasília, que vai reunir
centrais sindicais de todo o País.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná,
Roni Anderson Barbosa, explica que o movimento pretende lutar por uma política
permanente de valorização do salário mínimo. As
centrais sindicais propõem o valor de R$ 420 já para o ano que
vem. Em Brasília, no mês que vem, o assunto será debatido
durante a III Marcha Nacional do Salário Mínimo, que vai reunir
as entidades de todos os estados brasileiros. Elas querem fazer pressão
para que o novo valor seja acrescentado no Orçamento de 2007, a ser
votado pelo Congresso Nacional em dezembro.
Sobre o piso salarial regional, que atualmente varia entre R$ 427 e R$ 437,
Barbosa afirma que já houve conversas com o governo estadual sobre o
reajuste para o ano que vem. As centrais sindicais ainda não determinaram
o valor a ser reivindicado. “Queremos discutir o reajuste para manter
o poder de compra do trabalhador. No início de 2007, devemos fechar
o valor”, comenta.
Além do reajuste do salário mínimo, também houve
pedidos para a correção da tabela do Imposto de Renda em 7,77%
e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais,
sem qualquer alteração no salário. “A redução
da jornada de trabalho visa aumentar o tempo que o trabalhador pode se dedicar à qualificação,
aos estudos e à família. A redução também
favorece a geração de milhares de empregos. É uma medida
muito importante”, avalia Barbosa.
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
30 de novembro de 2006
Prioridade para infra-estrutura
Setor é fundamental para o êxito
das metas de desenvolvimento
São Paulo - O governo federal ainda não concluiu o conjunto de
medidas que pretende adotar para estimular os investimentos em infra-estrutura.
Mas esse setor, segundo anunciou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
será fundamental para o êxito das metas de desenvolvimento econômico
neste segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mantega salientou que, para continuar
crescendo, o país precisará aumentar a capacidade dos portos,
de oferta de energia e de outros investimentos em infra-estrutura. E
destacou a aprovação da desoneração fiscal
sobre os fundos de investimentos para o setor, anunciada durante reunião
com dezenas de empresários, executivos e representantes dos fundos
de pensão, na sede da Associação Brasileira da Infra-Estrutura
e Indústrias de Base (Abdib).
De acordo com o ministro, para estimular
as aplicações e permitir que haja uma migração
para obras em infra-estrutura, o governo decidiu abrir mão da
cobrança do Imposto de Renda e, no caso das pessoas jurídicas
(empresas), da incidência da Contribuição Social
Sobre o Lucro Líquido (CSSL). É necessário ainda
o envio de Projeto de Lei ao Congresso Nacional, para que essa isenção
entre em vigor.
De acordo com o presidente da Abdib,
Paulo Godoy, a soma das cotas existentes em todos os fundos do gênero,
incluindo o de investimentos em infra-estrutura, chega a cerca de R$
6 bilhões. Ele disse que a isenção anunciada ontem é uma
gota diante das necessidades de investimentos, estimadas em R$ 87,7
bilhões ao ano. E calculou que a desoneração deverá propiciar
aumento em torno de 20% na rentabilidade dos fundos, embora a expectativa
maior recaia sobre as demais medidas, que passam por mudanças
na lei de licitações e na legislação ambiental,
e extensão da desoneração fiscal.
Agência Brasil
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
30/11/2006
Ato cometido durante paralisação
não caracteriza justa causa
A Justiça do Trabalho julgou improcedente
a abertura de inquérito judicial para apuração de
suposta falta grave cometida por um motorista de transporte de valores
que, durante uma paralisação dos empregados da Confederal
Vigilância e Transporte de Valores, em Brasília (DF), bloqueou
com um carro-forte a saída do estacionamento, impedindo a circulação
dos demais carros.
A decisão, do Tribunal Regional
do Trabalho da 10ª Região (Distrito Federal e Tocantins)
foi mantida pela Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao
negar provimento a recurso da empresa. O entendimento da relatora do
processo no TST, juíza convocada Maria do Perpétuo Socorro
Wanderley de Castro, foi o de que o TRT, ao analisar depoimentos e provas,
entendeu que o ato do trabalhador, ocorrendo durante paralisação,
não constituía indisciplina ou insubordinação.
Para adotar outro entendimento, seria necessário o reexame de
fatos e provas, procedimento incabível nesse grau de recurso,
de acordo jurisprudência do TST.
O trabalhador foi admitido em julho de
1999 como vigilante, e mais tarde foi promovido a motorista de transporte
de valores. Em novembro de 2004, foi suspenso por 30 dias porque teria,
segundo a empresa, “propositalmente, de forma desrespeitosa, insubordinada
e indisciplinada, colocado um carro-forte na saída do Departamento
de Operações, com a intenção de bloquear
a saída das demais viaturas de transporte de valores e vigilância
patrimonial, ocasionando paralisação de uma hora, causando
graves transtornos à empresa no cumprimento de suas obrigações
contratuais”.
Como o motorista tinha estabilidade por
estar nos 12 meses posteriores ao cumprimento de mandato de membro da
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA),
não pôde ser demitido. A Confederal ajuizou então
na 19ª Vara do Trabalho de Brasília o pedido de inquérito
judicial para apuração de falta grave contra o empregado,
visando obter autorização para a rescisão contratual
por justa causa de empregado estável (artigo 853 da CLT).
O motorista contestou as alegações
da empresa afirmando que, naquela data (18/11/2004), todos os vigilantes
de carro-forte participaram de paralisação de uma hora,
em face da violação dos contratos de trabalho por parte
da empresa.
A sentença da Vara do Trabalho
que “o fato de o trabalhador estar ou não participando da
paralisação em nada interfere no processo, já que
a conduta alegada pela empresa é a de falta grave, por causar
transtornos à empresa, além de constituir ato de indisciplina.” De
acordo com a juíza, as testemunhas ouvidas confirmaram que o carro
conduzido pelo motorista ficou estacionado em frente ao portão
do estacionamento de veículos, caracterizando a indisciplina e
a prática de falta grave. A decisão autorizou a justa causa,
afastando a estabilidade provisória.
O TRT, porém, no julgamento do
recurso ordinário do motorista, modificou a decisão e julgou
improcedente o pedido de abertura de inquérito judicial por entender
que “a paralisação ilegal e que surpreende o empregador,
embora seja evidentemente abusiva, não constitui, segundo a jurisprudência,
falta grave nem gera justa causa, porque somente atos de violência
desencadeados por força dessa paralisação conduzem
ao reconhecimento da justa causa”.
Analisando os depoimentos, o TRT afirmou
que o ato cometido pelo empregado não foi um comportamento isolado
de insubordinação ou indisciplina. “Tratava-se de
paralisação parcial de empregados, com adesão de
vários funcionários e participação de membros
do sindicato, com o intuito de buscar solução de questões
relativas à relação de emprego. Ainda que o movimento
não tenha sido legitimado pela totalidade da categoria envolvida,
não há dúvidas de que houve adesão parcial
e de que o bloqueio da saída da empresa foi uma forma de pressão
utilizada pelos empregados. Desse modo, a falta cometida deve ser analisada
dentro desse contexto”, registrou o acórdão regional.
O Regional admitiu a possibilidade de
aplicação de pena ao empregado – no caso, a suspensão,
que já havia sido aplicada – maior do que aos demais empregados,
por ter sido ele o responsável pelo bloqueio da saída dos
veículos. “Mas atribuir-lhe a pena máxima, considerando-se
as circunstâncias em que se deram os fatos, extrapola os limites
da razoabilidade”, registrou a decisão, ressaltando que
o Supremo Tribunal Federal tem posicionamento no sentido de afastar a
aplicação de justa causa em razão da participação
em movimento grevista. O Regional, assim, determinou a volta do empregado
ao trabalho e o pagamento dos salários vencidos e demais benefícios.
A juíza Perpétua Wanderley,
ao julgar o agravo de instrumento da Confederal contra a decisão
do TRT, observou que não houve cerceamento de defesa nem violação
legal alegados pela empresa. “A existência de decisão
em contrário ao interesse da parte, ou a análise da prova
segundo entendimento que não prestigia suas alegações,
não constitui ofensa às garantias processuais”,
concluiu, ao negar provimento ao agravo. (AIRR 1219/2004-019-10-40.2)
|
30/11/2006
TST esclarece interpretação
de requisito para ação rescisória
A violação literal do que
está disposto na legislação é requisito imprescindível
para o acolhimento de ação rescisória proposta com
base no inciso V do artigo 485 do Código de Processo Civil (CPC).
Com esse esclarecimento do ministro Emmanoel Pereira (relator), a Seção
Especializada em Dissídios Individuais – 2 (SDI-2) do Tribunal
Superior do Trabalho negou recurso ordinário em ação
rescisória interposto por uma empresa gaúcha a fim de desconstituir
sentença que a condenou ao pagamento de verbas rescisórias,
típicas de uma relação de emprego, a um lavador
de carros.
O dispositivo da legislação
processual foi invocado pela Campina Revenda de Óleos Ltda. sob
a alegação de que a 1ª Vara do Trabalho de São
Leopoldo (RS) teria incorrido em julgamento extra petita (decisão
fora do pedido da ação). Sustentou que houve a concessão
de diversas verbas trabalhistas sem que o trabalhador pretendesse o reconhecimento
da relação de emprego. Durante a tramitação
do processo, foi declarada a revelia diante da ausência do representante
da empresa na audiência inaugural.
Apesar de a revelia ter levado à veracidade
dos fatos alegados pelo trabalhador, a empresa sustentou que a sentença
violou os artigos 128 e 460 do CPC. Os dispositivos estabelecem que o
juiz decidirá a causa nos limites em que foi proposta, sendo-lhe
vedado conhecer de questões não suscitadas, a cujo respeito
a lei exige a iniciativa da parte, assim como condenar o réu em
quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.
Com o objetivo de alterar o pronunciamento
da Vara de São Leopoldo, a empresa ajuizou ação
rescisória no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(Rio Grande do Sul). O pedido foi julgado parcialmente procedente e,
insatisfeita, a empresa decidiu ingressar no TST com um recurso ordinário
em ação rescisória.
A argumentação patronal
foi afastada pelo TST diante dos fatos ocorridos no processo. O relator
do recurso frisou que o lavador de carros reivindicou verbas rescisórias,
adicional de insalubridade, horas extras, adicional noturno, depósitos
do FGTS e multa de 40%, além da emissão das guias do seguro-desemprego. “O
fato de não existir nos autos a contestação da empresa
sobre a inexistência do contrato de trabalho tornou a relação
de emprego incontroversa”, disse Emmanoel Pereira.
“Na realidade, não havendo
discussão acerca da natureza jurídica da relação
entre as partes, desnecessário seria o requerimento, no texto
da ação, da declaração de existência
da relação de emprego, conforme alegou a empresa”,
acrescentou o relator.
A constatação dessa circunstância,
segundo Emmanoel Pereira, impediu que a pretensão patronal fosse
deferida pela SDI-2. “Não se pode falar em julgamento extra
petita, pois só se acolhe o pedido fundamentado no inciso V do
artigo 485 do CPC quando há violação literal de
lei e não quando o dispositivo apontado como violado apenas recebeu
interpretação razoável pela decisão que se
pretende rescindir”, concluiu.
(ROAR 1388/2003-000-04-00.5)

|