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Agência
Diap, 01 de dezembro de 2006
Contribuição Assistencial
Entidades sindicais debatem regulamentação da matéria
no Senado
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal realizou
hoje, dia 30/11, audiência pública para debater o PLS 248/06,
do senador Paulo Paim (PT/RS), que regulamenta o desconto das contribuições
assistenciais destinadas ao financiamento das negociações
coletivas das entidades sindicais. Apesar do feriado distrital do Dia do
Evangélico, a audiência foi acompanhada por cerca de 200 dirigentes
sindicais de todo o País. Representantes do Ministério do
Trabalho e do Ministério Público do Trabalho também
participaram do debate. A audiência foi transmitida pela TV Senado.
Projeto
O senador Paim apresentou o projeto para atender reivindicação
do conjunto do movimento sindical. Há um permanente conflito entre
trabalhadores, patrões, Ministério do Trabalho e Ministério
Público do Trabalho sobre a forma do desconto. “A regulamentação
pretende acabar com as divergências existentes hoje”, argumenta
Paim. O desconto, de acordo com o projeto, não poderá ultrapassar
1% da remuneração bruta anual do trabalhador em atividade.
A proposição tramita na CAS, onde foi distribuída
ao relator Valdir Raupp (PMDB/RO), que não estava presente na
audiência, mas receberá documento com a consolidação
de todas as recomendações oferecidas pelos participantes
do debate. Aprovada na CAS, onde a apreciação é terminativa,
a matéria seguirá direto para a Câmara, caso não
seja apresentado recurso para que seja votada no plenário do Senado.
Sugestões ao relator
Mais de 30 representantes do movimento sindical tiveram oportunidade
de manifestar opiniões e sugestões ao projeto. Entretanto,
a deliberação final foi de que o projeto seja aprovado
sem emendas, no formato original. No encerramento da audiência,
Paulo Paim informou que o presidente da CAS, senador Antônio Carlos
Valadares (PSB/SE), irá colocar o PL 248 na pauta da próxima
reunião do colegiado, marcada para as 10h do dia 06/12, quarta-feira.
Paim disse também que já conversou com vários deputados
sobre o assunto, assegurando apoio no sentido de que a matéria
seja votada ainda este ano na Câmara.
3ª Marcha do Salário Mínimo
Como o projeto poderá ser votado na próxima semana, é importante
que o movimento sindical se mobilize para acompanhar a votação
e pressione para que a comissão aprove a matéria. Aliás, é preciso
lembrar que nesse dia também haverá a 3ª Marcha em
defesa de um salário mínimo de R$ 420, convocada pelas
centrais sindicais. Assim, esta é mais uma razão para o
conjunto do movimento sindical comparecer em peso a Brasília para
reforçar a posição dos trabalhadores nestes dois
debates.
Moção de Repúdio
O senador Paulo Paim aproveitou também o momento para aprovar
uma moção de repúdio contra uma série de
demissões de dirigentes sindicais que estão ocorrendo em
todo o país. Segundo Paim, seu gabinete recebe todos os dias inúmeras
denúncias de demissão de sindicalistas, em total desrespeito
a CLT.
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Agência
Senado, 01 de dezembro de 2006
Plenário
Ideli Salvatti quer discussão no Congresso sobre déficit
da Previdência

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) defendeu a abertura de discussão
no Congresso Nacional sobre o déficit da Previdência Social,
estimado em R$ 42 bilhões. Nesta quarta-feira (29), a questão
foi abordada pelo ministro da Previdência, Nelson Machado, em reunião
de quase três horas com a bancada do PT no Senado. A pauta do encontro
também incluiu o projeto de lei do Executivo que cria a Super Receita
(PLC 20/06) e o que muda o cálculo do auxílio-doença
(PLS 261/05), apresentado pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP).
Na conta do déficit previdenciário, observou a líder
do PT, costuma-se incluir valores relativos à renúncia
fiscal concedida a entidades filantrópicas nas áreas de
saúde e educação e a micro e pequenas empresas cobertas
pela Lei do Supersimples, além da aposentadoria rural não-contributiva,
custo que acabaria sendo assumido pelos contribuintes do sistema previdenciário.
- Se o benefício fiscal é importante para o país,
o país tem que pagar por isso, e não aqueles que contribuem
para a Previdência - afirmou, em Plenário, nesta quinta-feira
(30).
Ideli acredita que a definição do perfil desse débito
não pode prescindir da identificação e distinção
entre os benefícios de caráter previdenciário e
assistencial. A forma de contabilizar cada tipo de benefício pode
concorrer para aumentar ou reduzir o déficit, acrescentou em seguida.
Em relação à realização de uma nova
Reforma da Previdência, a petista a considera desnecessária
no momento, lembrando que muitos pontos da última reforma ainda
não foram regulamentados.
Auxílio-doença
O aumento expressivo na concessão de auxílio-doença,
que saltou de 569 mil benefícios em 2000 para 1,618 milhão
em 2005, também levou a líder do PT no Senado a defender
mudanças em sua forma de cálculo. Para reforçar
essa necessidade, Ideli revelou que esses gastos previdenciários
pularam, entre 2000 e 2005, de R$ 4 bilhões para R$ 13 bilhões.
Além da terceirização do serviço de perícia
médica, teria contribuído para onerar essa despesa o fato
de o benefício ser calculado pela média salarial do trabalhador
em toda a sua vida profissional. Isso fez com que mais de 50% dos benefícios
superassem o valor do próprio salário do trabalhador, tornando-se,
assim, um incentivo para fraudes.
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Agência
Senado, 01 de dezembro de 2006
Osmar Dias alerta para processo de desindustrialização

O senador Osmar Dias (PDT-PR) alertou, em discurso nesta quinta-feira (30),
que o país passa por um processo de desindustrialização.
O parlamentar considerou o crescimento de apenas 0,5% do Produto Interno
Bruto (PIB) no último trimestre como "uma luz vermelha que
se acende, principalmente na indústria".
Osmar Dias afirmou ainda discordar da declaração do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, com quem manteve encontro na última
terça-feira (28), de que o governo teria sido "pego de calças
curtas", referindo-se à crise na agricultura. Para o parlamentar,
tal crise teria contaminado os demais setores da economia.
- Alertei aqui várias vezes: a agricultura seria, sem nenhuma
dúvida, fator de contaminação dos outros setores
da economia - recordou o parlamentar
Por outro lado, o senador destacou que a agricultura cresceu acima da
média no trimestre (1,1%), o que indica o começo de uma
recuperação, "mas muito mais por fatores externos
do que por políticas internas". Osmar Dias destacou também
relatório internacional, segundo o qual sem a definição
de um marco regulatório e a realização das reformas
estruturais prometidas e não cumpridas, por este e por outros
governos, o Brasil só conseguirá "índices anêmicos" de
crescimento.
O representante paranaense criticou a desaceleração industrial
ocorrida seu estado, o Paraná, em virtude do que considera decisões
equivocadas do atual governador, Roberto Requião, que teriam levado
a uma queda de 3% na indústria do estado no último trimestre.
O parlamentar pelo Paraná lembrou ainda advertência recente
feita pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de
que o governo deveria transformar programas emergenciais, como o Bolsa-Família,
em políticas públicas permanentes, uma vez que esse tipo
de programa, de acordo com a entidade, tende a "viciar" seus
beneficiários. Em aparte, o senador Delcídio Amaral (PT-MS)
afirmou ser necessário corrigir os rumos da economia, a exemplo
do estabelecimento de marcos regulatórios, investimento em infra-estrutura,
seguro-agrícola, combate à febre aftosa em conjunto com
países vizinhos, entre outras medidas.
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CUT, 01 de dezembro
de 2006
OIT revela epidemia de HIV custa mais de
1 milhão de novos empregos
por ano
Por: OIT
Amanhã (1º de dezembro) é o Dia Mundial de Luta contra
a AIDS. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), o avanço do HIV/AIDS está reduzindo a economia dos
países afetados pela epidemia, atrapalhando seus esforços
para reduzir a pobreza, criar novos empregos, especialmente para a juventude,
e combater o trabalho infantil. A publicação “HIV/AIDS
e trabalho: estimativas globais, impacto nas crianças e nos jovens,
e respostas ao problema - 2006” indica que cerca 36,3 milhões
de pessoas em idade de trabalho vivem hoje com HIV/AIDS - a vasta maioria
na África subsaariana.
Além disso, o relatório aponta que a epidemia está causando
uma redução no crescimento do emprego que resulta em 1 milhão
a menos de empregos por ano nos países mais atingidos, comparado
com o que poderia ser criado na ausência do HIV/Aids. O relatório
apresenta um modelo pelo qual é capturado o impacto da epidemia
de HIV/Aids no crescimento econômico e do emprego em 43 países
com mais de 1% de prevalência de HIV/Aids, nos casos em que havia
dados disponíveis. Isso tornou possível se chegar à estimativa
do custo anual para a economia global em termos de encurtamento de crescimento
no mercado de trabalho.
O relatório conclui que:
- Entre as pessoas em idade de trabalho, além dos 24,6 milhões
de participantes da força de trabalho vivendo com HIV/Aids, mais
11,7 milhões de pessoas que estão envolvidas em alguma forma
de atividade produtiva, frequentemente mulheres em casa, agora estão
vivendo com o vírus.
- Quarenta e três países muito afetados pelo HIV/Aids perderam
em média 0,5 pontos percentuais ao ano em sua taxa de crescimento
econômico entre 1992 e 2004 por causa da epidemia, e como resultado
tiveram uma redução de 0,3 pontos percentuais no crescimento
do emprego. Entre eles, 31 países na África subsaariana perderam
0,7 pontos percentuais de sua taxa média anual de crescimento econômico
com perda de 0,5 pontos no crescimento do emprego. Isso produziu uma redução
no emprego global de 1,3 milhões de novos empregos a cada ano, onde
1,1 milhão foram perdidos anualmente somente na África subsaariana.
- O impacto da epidemia foi particularmente severo para crianças
e jovens cujas vidas, esperanças e futuro foram diretamente ou indiretamente
afetados pelo HIV/Aids. Em todo o mundo, perto de 2,3 milhões de
crianças vivem com Aids e há uma estimativa de 15 milhões
de órfãos da Aids. Quando as crianças nos países
mais afetados alcançam a idade de trabalho enfrentam uma severa
redução de oportunidades legítimas de emprego.
- O desemprego para as pessoas jovens consideradas em idade de trabalho é 2
a 3 vezes maior do que dos adultos. Isso coloca os jovens em risco no que
se refere à pobreza mas o relatório também destaca
o risco aumentado de exposição ao HIV de grande número
de jovens desempregados com falta de recursos. Consequentemente, os jovens
somam metade de todas as novas infecções. Cerca de 5 a 6
mil pessoas entre 15 e 24 anos adquirem Aids a cada dia.
- Em 2005, mais de 3 milhões de participantes da força de
trabalho em todo o mundo estavam parcial ou completamente impedidos de
trabalhar por doenças decorrentes da Aids, e ¾ deles viviam
na África subsaariana.
- Globalmente 41% dos participantes da força de trabalho que vivem
com HIV são mulheres, e na África subsaariana essa proporção é ainda
maior, chegando a 43%.
O foco do relatório em crianças e adolescentes reflete o
forte impacto que a epidemia está tendo no futuro da força
de trabalho mundial. Freqüentemente a epidemia empurra as crianças
para o trabalho muito cedo por que seus parentes estão doentes ou
morreram e uma fonte de renda é necessária. O trabalho infantil
coloca a criança em risco, tira delas o acesso a educação
e pode levá-las a um trabalho que as coloque em maior vulnerabilidade
de adquirir o vírus. Isso ocorre, apesar de um conjunto de instrumentos
legais baseados nos direitos terem sido amplamente ratificados para eliminar
as piores formas de trabalho infantil se vigorosamente aplicados, e para
limitar o acesso ao trabalho para crianças abaixo da idade e mantê-las
na educação compulsória.
Um estudo de diagnóstico rápido feito pela OIT na Zâmbia
em 2002 estimou que o HIV/Aids aumentou a força de trabalho infantil
entre 23 e 30%. Uma pesquisa em Uganda, em 2004, descobriu que mais de
95% das crianças que viviam em domicílios afetados pela Aids
estavam engajadas em alguma forma de trabalho. E 16% das crianças
trabalhadoras - na maioria meninas - trabalhavam dia e noite. Além
do que, as garotas mais do que os rapazes ficavam em casa para cuidar de
parentes doentes ou crianças menores, abandonando assim a escola.
O novo estudo da OIT também descobriu que as garotas enfrentam maiores
riscos do que os meninos de serem abusadas sexualmente e adquirirem HIV
no local de trabalho, particularmente por meio da prostituição
e outras explorações sexuais.
A falta de oportunidade para o trabalho decente pode compelir jovens mulheres
e homens para o trabalho em condições precárias e
não reguladas. Eles estão em risco crescente de contrair
o HIV quando essas condições os expõem ao vírus.
Os estudos frequentemente mostram que a maioria dos homens e mulheres que
usam a indústria do sexo para sobreviver começam o trabalho
sexual em sua adolescência ou em torno dos 20 anos.
Esses fatores interagem com o resultado que indica, de acordo com os dados
mais recentes, que os jovens respondem por metade das novas infecções.
E que a maioria dos jovens que vivem com HIV não sabem que carregam
o vírus, especialmente nos locais mais pobres.
"
As perdas por mortalidade da força de trabalho, doenças e
falta de acesso ao tratamento antiretroviral (ARVs) estão desafiando
a capacidade dos países mais afetados de sair da pobreza",
diz o relatório, adicionando que o futuro da força de trabalho é colocado
em perigo pelo forte impacto da epidemia nas crianças, já que
pode forçá-las ao trabalho infantil e depois reduzir as chances
de encontrar trabalho produtivo quando atingem a idade legal de trabalho.
Destacando que houve progresso recente, "desafortunadamente atrasado",
do acesso ao tratamento ARV, o relatório também diz que há necessidade "forçada" de
novas medidas para aumentar o acesso ao ARV e urgência para que o
local de trabalho seja designado como "principal porta de acesso" para
tal.
Sem aumentar o acesso aos ARVs, espera-se que as perdas acumuladas com
a mortalidade para a força de trabalho global continuem a aumentar
como resultado da epidemia de HIV, dos cerca de 28 milhões estimados
em 2005 para 45 milhões projetados para 2010, mais de 64 milhões
para 2015, e cerca de 86 milhões antecipados para 2020. Entretanto
o relatório demonstra que o aumento no acesso aos ARVs pode ter
um impacto significante nas perdas do mercado de trabalho. Mostra que das
17,3 milhões de perdas esperadas entre 2005 e 2010 em nível
global, pelo menos 14% seriam revertidas com o acesso global ao ARVs.
"
Muito pode ser ganho com a expansão do acesso aos ARVs, mesmo quando
e onde as taxas de continuação tendem a estar baixas no final
do período", afirma o relatório (taxas de continuação
refletem a proporção de pessoas tratadas que ficam em tratamento
de um ano para o outro). "A projeção de reverter entre
1/5 e ¼ do potencial de novas perdas para a força de trabalho
pode servir como um poderoso incentivo para focar o local de trabalho como
porta de entrada para o acesso universal para ARVs".
A OIT está comprometida com estratégias de longo prazo para
a eliminação do trabalho infantil, a preparação
para a entrada no mercado de trabalho para os jovens em idade apropriada,
e a elaboração de políticas nacionais para redução
do desemprego juvenil. A princípio, a remoção das
crianças do trabalho infantil requer o estímulo a formas
alternativas de encorajar a criação de trabalho, aumentar
a produtividade no trabalho e aumento da renda dos jovens, assim como oferecer
assistência alternativa a atual geração de crianças,
permitindo a eles fortalecer suas competências para o trabalho a
longo prazo.
O jovem desempregado não pode substituir o trabalhador infantil
em muitos casos, mas o potencial para reorientar a demanda afastando o
trabalho da criança e o aproximando dos jovens é uma prioridade
que clama por atenção e merece ser examinada.
* * *
Nota sobre a metodologia:
A análise sumarizada no relatório foi realizada com dados
de 60 países de todo o mundo que são fortemente afetados
pela epidemia de HIV. Incluem-se 56 países onde a prevalência
de HIV em pessoas com idades de 15 a 49 anos foi de 1% ou mais, e quatro
países (Brasil, China,Índia e Estados Unidos) onde a prevalência é menor,
mas devido a grandeza numérica de sua população,
possivelmente 1 milhão ou mais de pessoas são HIV-positivo.
Dos 60 países, dados de 43 estavam disponíveis para estimar
perdas no crescimento econômico e do emprego, do restante dos países,
13 eram países pequenos para os quais não haviam dados
disponíveis ou confiáveis. Dos quatro grandes países
com baixa prevalência de HIV (Brazil, China, Índia e Estados
Unidos), o impacto em suas economias foi muito pequeno para ser medido.
Dos 50 países, os dados de 54 países estavam disponíveis
para estimar os ganhos de produtividade da força de trablaho em
meses e o valor em dólar atribuível aos ARVs; do restante,
todos os seis eram países pequenos para os quais não se
dispunha de dados. Assim, as descobertas de ambas as análises
descrevem a situação global, mas se baseiam em estimativas
conservadoras. Pessoas em idade de trabalho são todas as pessoas
entre 15 e 64 anos na maioria das análises. Os participantes da
força de trabalho são pessoas entre 15 e 64 anos que estão
em trabalho remunerado, autônomo ou desempregado em busca de trabalho.
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GAZETA DO POVO,
01 de dezembro de 2006
GOVERNO | Agropecuária, construção civil e importação
de máquinas puxam desempenho modesto
Investimento cresce, mas PIB sobe apenas 0,5% no trimestre
Rio – O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no terceiro
trimestre deste ano, em relação ao segundo trimestre, na
série com ajuste sazonal (levando-se em conta os efeitos temporais),
segundo divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). O resultado ficou dentro das expectativas de mercado, que variavam
de 0,3% a 0,9%, com mediana em 0,6%. O resultado é pouco maior que
o apresentado no segundo trimestre, que teve crescimento de 0,4% (número
revisado pelo IBGE) ante os primeiros três meses do ano, registrando
o menor índice desde o terceiro trimestre de 2005, quando houve
retração de 1,1%.
Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado,
o aumento foi de 3,2%. No ano, o PIB acumula crescimento de 2,5% até setembro
e em 12 meses, tem alta de 2,3%. Para que o crescimento chegue a 3,2%
em 2006, segundo a última previsão do governo embutida
na revisão do Orçamento, a expansão no quarto trimestre,
em relação a igual trimestre do ano passado, terá que
ser de 5,2%, segundo contas apresentadas pela gerente de contas trimestrais
do IBGE, Rebeca Pallis.
O último aumento trimestral do PIB nessa base de comparação,
acima de 5%, ocorreu no terceiro trimestre de 2004 (5,9% ante o quarto
trimestre de 2003). Ainda de acordo com as contas do IBGE, para um crescimento
do PIB de 3% em 2006, a expansão no quarto trimestre ante o mesmo
período de 2005 tem que ser de 4,4%.
Dos três setores que compõem o indicador – Agropecuária,
Indústria e Serviços – o destaque de desempenho foi
da Agropecuária (1,1%), seguida pela Indústria (0,6%).
O setor de Serviços registrou alta de 0,4% no período.
O crescimento da Agropecuária deve-se ao desempenho positivo de
produtos como o café (22%) e a cana de açúcar (8%),
além dos bons resultados da pecuária.
Investimento
Com expansão de 2,5% na Formação Bruta de Capital
Fixo (FBCF) ante o segundo trimestre e de 6,3% ante o terceiro trimestre
de 2005, os investimentos tiveram um bom desempenho no PIB do terceiro
trimestre. O bom desempenho já havia sido anunciado na quarta-feira
pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que, no entanto, não
tinha apresentado os números. A FBCF é formada pela construção
civil (60% de peso no indicador) e máquinas e equipamentos (40%).
Segunda Rebeca, o bom desempenho dos investimentos resulta sobretudo
do crescimento das importações de bens de capital. De acordo
com ela, apesar de o resultado ter sido influenciado também pelo
crescimento da construção civil e da produção
interna de máquinas e equipamentos, este foi o fator determinante. “O
câmbio favoreceu o crescimento dos investimentos e isso tem um
efeito positivo para a capacidade produtiva futura do país”,
disse.
Rebeca também citou, como impacto positivo nos investimentos,
o crescimento nominal de 21% nas operações de crédito
do sistema financeiro para pessoas jurídicas ante igual período
do ano passado e, ainda, a redução da taxa média
Selic, de um patamar de 19,7% no terceiro trimestre do ano passado para
14,6% em igual período deste ano.
Famílias
Na demanda interna, o consumo das famílias cresceu pelo 13.º trimestre
consecutivo, com expansão de 0,5% no terceiro trimestre ante o
segundo trimestre. Na comparação com o terceiro trimestre
de 2005, o consumo das famílias cresceu 3,4%. O IBGE destacou
no documento de divulgação do PIB que na comparação
com o ano anterior, o consumo das famílias vem crescendo desde
o quarto trimestre de 2003. O crescimento do consumo das famílias
foi alavancado pelo crescimento da massa salarial (aumento de 4,6% no
terceiro trimestre ante igual período do ano passado) e do aumento
do crédito às pessoas físicas, observou a gerente
de contas trimestrais do IBGE.
O setor externo novamente contribuiu negativamente para os resultados
do PIB no período, com o crescimento do volume de importações
e exportações de bens e serviços, segundo Rebeca. “A
contribuição do setor externo para o PIB desde o primeiro
trimestre deste ano tem sido sistematicamente negativa”, disse.
De acordo com ela, o câmbio favorece o desempenho do PIB com aumento
dos investimentos, via importação de bens de capital, mas,
por outro lado, tem efeito negativo nas contas finais da economia.
Segundo os dados divulgados do IBGE, as exportações de
bens e serviços cresceram 8,6% – após uma queda de
5,1% no segundo trimestre ante o primeiro – e tiveram efeito positivo
no PIB mas, por outro lado, as importações de bens e serviços
também cresceram na mesma magnitude (8,5%) e entram com sinal
negativo na contabilidade do PIB.
PIB
O que é
O PIB representa o total de riquezas produzido num determinado período
num país. É o indicador mais usado para medir a economia
doméstica. No Brasil, o cálculo é feito pelo IBGE,
vinculado ao Ministério do Planejamento, e leva em conta pesquisas
feitas ao longo do ano, em áreas como agricultura, indústria,
construção civil e transporte.
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GAZETA DO POVO,
01 de dezembro de 2006
GOVERNO | Presidente evita avaliar o fraco crescimento da economia brasileira
Lula espera PIB de 1,5% no 4º trimestre e diz que já pensa
nos próximos 4 anos
Abuja, Nigéria – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
não se incomodou com o fraco crescimento da economia no terceiro
trimestre – de 0,5% em relação ao trimestre anterior.
Ele disse que prefere esperar o resultado do quarto trimestre para “ver
como vai ficar” e destacou que já não pensa mais no
crescimento deste ano. “Certamente o PIB no quarto trimestre pode
crescer 1,5%, ou um pouco mais. Eu já não estou mais pensando
em 2006; agora estou pensando em 2007, 2008, 2009 e 2010. Tenho de pensar
para a frente”, disse o presidente, que ainda está usando
cadeira de rodas por causa de uma torção no tornozelo.
Lula afirmou ainda que está tomando medidas para que a economia
do Brasil tenha um “crescimento mais vigoroso” e possa atender
mais rapidamente à necessidade de geração de empregos
e “da riqueza de que precisamos”. O presidente não
quis comentar a notícia de que o governo teria decidido corrigir
a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) em 3% no
próximo ano e mais 3% em 2008. Disse que a questão deveria
ser apresentada ao ministro da Fazenda, Guido Mantega.
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Congresso em
Foco, 01 de dezembro de 2006
Crescimento do PIB foi “decepcionante”,
diz Mantega
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou o crescimento de 0,5%
no Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano foi "decepcionante" "Foi
um pouco decepcionante. Eu esperava um crescimento maior. Infelizmente,
não houve crescimento robusto da indústria. Mas dentro desse
PIB, tivemos notícias interessantes, como o investimento, que cresceu",
declarou.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o PIB cresceu 0,5% no terceiro trimestre deste ano em relação
ao trimestre anterior. No segundo trimestre, a alta foi de 0,4%. Em relação
ao terceiro trimestre de 2005, o PIB registrou alta de 3,2%. Com isso,
no acumulado do ano, o PIB subiu 2,5%.
"Esse ano não vai ser um ano brilhante em crescimento. Abaixo
do que eu esperava. Mas vamos passar de 2006 para 2007 com a economia
em crescimento. Já temos informações seguras de
que, a partir de outubro, está havendo crescimento da economia.
Eu diria que o cenário é favorável para o futuro.
O presente é razoável, poderia ser melhor, mas o futuro é promissor",
disse Mantega.
Por sua vez, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, classificou
o crescimento do PIB no terceiro trimestre como "modesto". "De
fato, todos nós gostaríamos que tivesse um resultado maior
do PIB. Isso já aconteceu e estamos discutindo o que vai acontecer
no ano que vem. E as noticias que temos é de que o quarto trimestre
está indo muito bem", afirmou o ministro.
"Nós reconhecemos que é um resultado modesto, mas
isso já foi motivo de amplo debate. O presidente Lula tem cobrado
medidas para alavancar o crescimento. Nós tínhamos esse
cenário e estamos trabalhando para torná-lo diferente",
complementou.
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STJ, 01 de dezembro
de 2006
DECISÃO
Contribuição previdenciária pode ser cobrada sobre
gratificações permanentes
Rejeitado o recurso com o qual a Associação de Oficiais de
Justiça Avaliadores do Distrito Federal (AOJUS/DF) contestava o
desconto, em folha de pagamento, da contribuição previdenciária
o qual vem sendo efetivada sobre a Gratificação por Execução
de Mandados, recebida por seus associados. A Primeira Turma do Superior
Tribunal de Justiça, seguindo o voto do ministro José Delgado,
negou provimento ao recurso em mandado de segurança por entender
que não há ilegalidade na cobrança de contribuição
previdenciária sobre a parcela remuneratória, tendo em vista
a configuração da vantagem pecuniária permanente que
compõe a remuneração do servidor.
A questão foi analisada primeiramente pelo Tribunal de Justiça
do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), que decidiu pela manutenção
da contribuição. O TJDFT entendeu que tal gratificação
não poderia retribuir exercício de função,
chefia ou assessoramento, de forma que deveriam ser obedecidas as regras
da Lei nº 9.783/99, que não considera a Gratificação
por Execução de Mandados uma exceção para
a contribuição previdenciária.
A associação argumentou que a gratificação
não se incorpora à remuneração para fins
de aposentadoria, motivo pelo qual se entende que não seria possível
a tributação específica para o custeio do sistema
previdenciário. Ao apreciar o recurso, o relator, ministro José Delgado,
acatou o parecer do Ministério Público Federal, o qual
destaca que a Lei nº 8.112/90 considera remuneração
o vencimento do cargo efetivo acrescido das vantagens pecuniárias
permanentes.
Além disso, a Lei nº 10.417/02, que regulamenta a Gratificação
por Execução de Mandados, devida aos servidores ocupantes
do cargo de analista judiciário – oficiais de justiça – especialidade
execução de mandados, estabelece a gratificação
como de natureza salarial, própria das atividades do cargo, visto
que qualquer servidor que ocupe tal função tem direito
a recebê-la.
Realmente, a contribuição previdenciária não
incide sobre cargo ou função comissionada – caso
em que estaria excluída da base de cálculo da cobrança –,
mas incide sobre a gratificação de execução
de mandados, pois não se trata de exercício de cargo em
comissão, mas uma remuneração pelas peculiaridades
decorrentes do próprio cargo, principalmente diante dos riscos
a que se sujeitam todos os que o exercem.
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Folha
de São
Paulo, 01 de dezembro de 2006
PMDB formaliza seu apoio a Lula, mas já faz "ameaças"
Renan Calheiros diz que agora "cabe ao presidente
integrar o partido ao governo"
Presidente reconhece que errou ao rejeitar acordo com o PMDB em 2002;
partido, que hoje tem 3 pastas, quer dobrar a sua participação
Lula Marques / Folha Imagem

Orestes Quércia, José Sarney,
Michel Temer, Eunício Oliveira e Renan Calheiros (dir.) na reunião
KENNEDY ALENCAR
LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Numa manifestação de consenso inédita desde 1985,
quando apresentou ao Colégio Eleitoral do Congresso a candidatura
de Tancredo Neves a presidente, o PMDB oficializou ontem em reunião
do Conselho Político o apoio ao governo Luiz Inácio Lula
da Silva. Aprovada a coalizão, o presidente do PMDB, Michel Temer
(SP), telefonou para o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais).
Tarso informou Lula e marcaria audiência do presidente com Temer,
provavelmente ainda hoje.
A única dissidência explícita foi do senador eleito
Jarbas Vasconcelos e de sua seção partidária, Pernambuco.
O diretório do Acre se absteve na votação por aclamação
do apoio a Lula. Agora, abre-se a fase de negociação explícita
de cargos. "Aprovada a coalizão, cabe ao presidente integrar
o partido ao governo", disse o presidente do Senado, Renan Calheiros
(AL), da ala que apóia Lula desde 2003. "A questão
dos cargos é uma simples expectativa", afirmou Temer, do
grupo neolulista.
A cota do PMDB no governo é de três ministérios,
apesar de o partido nunca tê-lo apoiado institucionalmente. Em
dezembro de 2002, Lula rejeitou a aliança oficial selada ontem,
quando desautorizou o então articulador político, futuro
ministro José Dirceu, a dar duas pastas ao partido. Desde então,
fez negociações pontuais com a sigla, sempre privilegiando
a ala capitaneada por Renan e pelo senador José Sarney (AP). Em
conversas reservadas, Lula admite que errou em 2002.
Com apenas uma parte do PMDB, não teve maioria sólida
no Congresso -capaz, por exemplo, de evitar as CPIs que deram eco político
ao escândalo do mensalão. "Se tiver juízo e
souber compor com todas as alas, o governo terá uma base sólida
e evitará os graves erros do primeiro mandato", disse o deputado
federal Geddel Vieira Lima (BA), do grupo neolulista. A quase unidade
peemedebista é uma novidade política. "União
assim só para apoiar o Tancredo contra a ditadura militar. A favor
de um governo, nunca tivemos um grau tão alto de unidade",
disse o deputado federal Henrique Eduardo Alves (RN), decano da Câmara.
Divisão
Em 1989, Ulysses Guimarães foi cristianizado como candidato a
Presidente. O mesmo se deu com o ex-governador Orestes Quércia
no pleito presidencial seguinte (1994). Em seus oito anos de poder (1995-2002),
o tucano Fernando Henrique Cardoso obteve entre 60% e 70% de adesão
das bancadas parlamentares. Lula conseguiu entre 40% e 50%.
A partir de ontem, abre-se a perspectiva de um apoio quase unânime.
Exemplo: o senador Pedro Simon (RS) se disse independente, mas afirmou
que torceria para que o governo apresentasse projetos que pudessem receber
o seu voto.
O PMDB tem uma bancada atual de 18 senadores. Na Câmara, serão
84 deputados federais a partir de fevereiro.
A "unidade" peemedebista passará em breve pelo primeiro
teste: a partilha de cargos. O PMDB tem hoje os ministérios das
Comunicações, Saúde e Minas e Energia. Deseja aumentar
a cota para seis pastas, algo que Lula relutará em dar. Nos bastidores,
avalia-se que o partido deverá ter quatro pastas. A discussão
sobre as presidências da Câmara e do Senado também
entrará nessa negociação.
Jarbas, único a manifestar claramente que considera a adesão
um equívoco, previu que a "unidade" não dura
nem um semestre. "Acho que essa coalizão pró-Lula
não dura muito. (...) Aqueles que forem para o governo em busca
de espaço vão ver que o espaço não vai dar
para todo mundo." Minimizando a pecha fisiológica do PMDB,
Temer disse que a coalizão se dará com base em sete propostas
de governo feitas por Lula: "Nosso compromisso é com esses
princípios programáticos. Se forem adiante, nosso compromisso
prosseguirá. Se não forem, vamos ouvir o partido e ver
o que fazer". Os discursos insistiram na tese de coalizão
governamental, e não eleitoral, o que abriria espaço ao
lançamento de um candidato à Presidência em 2010
-o partido não disputou o cargo em 1998, 2002 e 2006.
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Folha
de São
Paulo, 01 de dezembro de 2006
Eleições custaram 49,4% a
mais em 2006
Presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello diz que aumento "causa
perplexidade'; um dos objetivos de nova lei era reduzir custos
Nas eleições deste ano, gasto das campanhas em todo o
país ficou entre R$ 1,3 bi e R$ 1,6 bi; em 2002, o total usado
foi de R$ 916 mi
SILVIO NAVARRO, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
RUBENS VALENTE, DA REPORTAGEM LOCAL
As campanhas eleitorais para presidente da República, governador,
senador e deputados federais e estaduais gastaram pelo menos 49,4% a
mais na eleição deste ano se comparadas às de 2002,
já descontada a inflação do período. O presidente
do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Marco Aurélio de
Mello, afirmou ontem que o aumento "causa perplexidade". "A
lei número 11.300 gerou barateamento das campanhas. Mas ficou
claro que atravessamos um período de maior transparência",
disse o presidente do TSE.
A lei citada por Mello, chamada de minirreforma eleitoral, foi feita
para baratear as eleições, ao proibir outdoors, showmícios
e distribuição de brindes aos eleitores. Neste ano, o gasto
total das campanhas no país ficou entre R$ 1,3 bilhão e
R$ 1,6 bilhão, segundo dados declarados pelos candidatos que prestaram
contas dentro do prazo à Justiça Eleitoral. No total geral,
as campanhas arrecadaram quase a mesma coisa, com um déficit de
apenas R$ 2,3 milhões. O valor mais modesto (R$ 1,3 bilhão)
representa o triplo do que a União repassou neste ano para a educação
fundamental, por meio do Fundef.
Na eleição passada, o total gasto foi de R$ 916 milhões
(já corrigido pelo IPCA que mede a inflação no período).
A variação possível nos valores declarados neste
ano se deve ao montante que saiu do caixa dos comitês financeiros.
O TSE diz que não é possível identificar com exatidão
quanto foi lançado também pelos candidatos e quanto foi
gasto próprio do comitê.
A soma dos recursos gastos pelas contas do candidato e dos comitês
pode gerar sobreposição de valores em alguns casos. Para
não correr risco de duplicidade, o tribunal desconsidera os gastos
informados pelos comitês financeiros. Se forem considerados os
recursos apenas que entraram e saíram dos comitês, a última
campanha custou 83% a mais do que a de 2002.
Custo do voto
O valor total gasto deve ser ainda maior porque apenas 69,7% das prestações
de contas dos candidatos e 79,3% das dos comitês foram entregues
no prazo, no último dia 28. Em relação ao eleitorado
brasileiro, o custo do voto neste ano variou entre R$ 10,8 e R$ 13,2.
Nesse caso, para um universo de 126 milhões de eleitores, o custo
do voto deveria oscilar entre R$ 5,5 e R$ 6,3.
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Gazeta do Povo,
01 de dezembro de 2006
JUDICIÁRIO - Ministros do STF reagem à decisão dos
Tribunais de Justiça
CNJ ameaça punir juiz que mantiver supersalário
Brasília – Presidentes de tribunais que descumprirem a decisão
do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de cortar os supersalários
correm o risco de sofrer ações penais e de improbidade administrativa.
O alerta foi feito ontem por integrantes do CNJ e ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF) No entanto, eles acreditam que os presidentes dos
tribunais não vão simplesmente desrespeitar a ordem de manter
os ganhos no teto estadual (R$ 22.111,). Antes, procurarão liminares
na Justiça para respaldar esse comportamento.
O presidente da Academia Brasileira de Direito Constitucional (Abdconst),
Flávio Pansieri, disse que o CNJ tem de ter uma posição
firme, responsabilizando quem descumprir a decisão que determinou
o corte nos salários. “A Academia Brasileira de Direito
Constitucional espera uma posição firme do CNJ, com a responsabilização
de todos os presidentes de Tribunais que não respeitarem a decisão
do conselho e ainda que este determine a devolução de todos
os valores pagos acima do teto, ao menos a partir da determinação
do CNJ”, afirmou Pansieri.
Na quarta-feira, a presidente do CNJ e do STF, Ellen Gracie, reuniu-se
com os presidentes de 17 dos 19 tribunais de Justiça do país
que pagam salários acima de R$ 22.111, que é o teto nos
estados. Ela disse que essas remunerações têm de
ser cortadas retroativamente a julho. Apesar do clima amistoso do encontro,
desembargadores sinalizaram que será iniciada uma batalha judicial
em torno do assunto.
Porta-voz do grupo, o presidente do TJ de São Paulo, Celso Limongi,
anunciou que a decisão do CNJ não será cumprida
imediatamente pelo tribunal. Antes, serão feitas as contas, caso
a caso, para verificar se o levantamento do conselho está correto.
Um eventual descumprimento generalizado da decisão desmoralizará o
CNJ, órgão criado pela reforma do Judiciário para
exercer o controle externo da Justiça. Antes da batalha do teto,
o conselho envolveu com outro assunto espinhoso, o fim do nepotismo.
O assessor da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB),
Roberto Siegmann, disse que há equívocos no levantamento
do CNJ, que detectou 1.208 supersalários em São Paulo.
Segundo ele, desses 1.208 casos cerca de 300 não ultrapassam o
teto.
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O
ESTADO DO PARANÁ, 01 de dezembro de 2006
STF determina que casos de trabalho escravo
devem ir para Justiça
Federal
Daniel Merli/Agência Brasil Brasília - O Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou nesta quinta-feira
(30) um recurso do Ministério Público Federal que pedia
que os casos de exploração de trabalho semelhante à escravidão
sejam tratados na Justiça Federal. A decisão foi tomada
por 6 votos a 3. A favor, votaram Joaquim Barbosa, Eros Grau, Carlos
Ayres Britto, Sepúlveda Pertence, Gilmar Mendes e Celso Mello.
E contra votaram contra Cezar Peluso, Carlos Velloso e Marco Aurélio
Mello. O processo chegou a ficar três anos parado no Supremo, por
pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes.
O processo começou, em primeira instância, em 1992, quando
o Ministério Público Federal (MPF) denunciou dois fazendeiros
por pelos crimes dos artigos 149 (redução à condição
análoga à escravidão) e 203 (frustração
de direito assegurado por lei trabalhista) do Código Penal. O
juiz federal condenou um dos fazendeiros à pena de quatro anos
de prisão, em regime semi-aberto. O Ministério Público
recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mas a
corte recusou o recurso, alegando que não cabia à Justiça
Federal tratar do tema. O Ministério Público recorreu ao
STF.
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O
ESTADO DO PARANÁ, 01 de dezembro de 2006
Economia
Adicional de multa do FGTS será extinto
Redação O Estado do Paraná
Foto: Agência Brasil Paulo Bernardo:

“Vamos estabelecer um
prazo para acabar”.
São Paulo (AE) - O governo pretende acabar com a multa adicional
de 10% paga pelas empresas, que incide sobre o Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço (FGTS) em caso de demissão sem justa causa. A
informação é do ministro do Planejamento, Orçamento
e Gestão, Paulo Bernardo, em entrevista à Agência Brasil,
após ter concedido entrevista a uma rede de rádios lideradas
pela Radiobrás. Segundo ele, ainda não há previsão
para que isso aconteça e, antes da mudança, os recursos advindos
dessa cobrança serão usados para subsidiar a construção
de moradias populares.
“Nós poderíamos até tirar essa multa de 10%
agora. A proposta é tirar, mas vamos estabelecer um prazo antes
de acabar com essa multa adicional. Esse dinheiro será reservado
para subsidiar a construção de casas para famílias
de renda até cinco salários mínimos.”
Bernardo destaca que os recursos usados para o financiamento de moradias
farão crescer a economia. “E o próprio FGTS sairá ganhando
com o aumento do emprego na economia de maneira geral.”
Desde 2001, o empregador que despedir um trabalhador sem justa causa
paga uma multa de 50% sobre o montante depositado no FGTS. Desse total,
40% destina-se ao trabalhador e os outros 10% financiam o pagamento dos
expurgos dos planos Verão (1989) e Collor 1 (1990). A regulamentação
desse adicional veio com a lei complementar 110/2001, que não
estipulou data para o fim da cobrança.
O ministro afirmou também que o pacote de desonerações
tributárias que pretende estimular os investimentos privados,
e que está sendo preparado pelos ministros da área econômica,
deve ser votado em 2007 pelo Congresso. A intenção do pacote é “destravar” a
economia do País, cujas medidas serão adotadas ainda no
primeiro semestre do próximo ano.
“Temos determinação do presidente para levar até ele
as medidas, e defini-las ainda este ano. Isto não quer dizer que
elas (medidas) vão ser adotadas imediatamente, porque tem coisas
que podemos fazer com decreto e outras decididas internamente dentro
do governo. Mas outras dependem de legislação, e essas
serão enviadas ao Congresso somente no início do próximo
ano”, disse o ministro.
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Notícias
do Tribunal Superior do Trabalho
01/12/2006
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TST
cancela pagamento de hora extra não trabalhada
A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho deferiu recurso de
revista a um município paranaense, isentando-o do pagamento
de indenização a um servidor celetista correspondente
ao valor de horas extras não prestadas pelo empregado. A decisão
unânime e relatada pelo ministro Barros Levenhagen teve como
base os princípios constitucionais que regem a administração
pública. O julgamento também confirmou a validade de
ajuste firmado entre a Prefeitura de Jacarezinho (PR) e o Ministério
Público do Trabalho a fim de cancelar o pagamento indevido.
“Não é correta a tese de os entes da Administração
Pública, por terem admitido servidores pelo regime celetista,
equipararem-se de modo absoluto ao empregador comum, visto que ainda
assim não perdem a sua condição de pessoas jurídicas
de direito público interno, sujeitos a restrições
de índole constitucional”, fundamentou Barros Levenhagen,
ao deferir o recurso movido contra determinação anterior
do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná).
Inicialmente, o trabalhador teve o pagamento das horas extras negado
pela Vara do Trabalho. O TRT paranaense, contudo, entendeu pela integração
dos valores pagos a título de horas extras, na quantidade fixa
de 60 horas por mês, sobre o período entre setembro de
1997 e outubro de 2001. Apesar de as parcelas não estarem ligadas à efetiva
remuneração de trabalho extraordinário, o TRT/PR
as considerou como contraprestação ao trabalho normal,
que teriam resultado em salário complessivo (situação
em que verbas acessórias são pagas em conjunto, sem a
devida especificação).
“Assim, os valores respectivos devem integrar o salário
do autor para os efeitos legais (artigo 457 da CLT), não podendo
ser suprimidos, sob pena de ofensa à Constituição
Federal e à CLT”, afirmou o TRT/PR. “Além
disso, os valores cuja integração foi determinada foram
pagos ao autor por quatro anos. É certo que se incorporaram
ao patrimônio jurídico do empregado e, também por
isso, não podem ser suprimidos”, acrescentou o acórdão
regional.
No TST, contudo, foi ressaltada a inviabilidade da aplicação
irrestrita das normas do Direito do Trabalho em relação à Administração
Pública, sujeita a restrições inscritas na Constituição
(artigo 37, CF).
“Constatado que por cerca de quatro anos o empregado recebia
o equivalente a 60 horas extras mensais sem prestá-las efetivamente,
o ato do recorrente, acertado no termo de ajuste firmado com o Ministério
Público, de cancelar tal pagamento, encontra ressonância
na força cogente dos princípios da legalidade, impessoalidade
e moralidade dos atos da administração pública,
consagrados no caput do artigo 37 da Carta Magna”, explicou o
relator do recurso.
Também foi afirmado pelo ministro Levenhagen que a situação
aproximou-se, por analogia, à previsão da Orientação
Jurisprudencial nº 308 da Seção Especializada em
Dissídios Individuais – 1 (SDI-1) do TST. O item prevê que “o
retorno do servidor público (Administração Direta,
Autárquica e Fundacional) à jornada inicialmente contratada
não se insere nas vedações do artigo 468 da CLT,
sendo a sua jornada definida em lei e no contrato de trabalho firmado
entre as partes”. (RR 926/2002-017-09-00.8)
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