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Diário Vermelho, 5 de dezembro de 2006
Pesquisa DCI: diminui a rejeição
dos empresários a Lula
Diminuiu a avaliação negativa em relação
ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mês
de novembro, revela a Pesquisa DCI (Diário do Comércio
e Indústria). De acordo com o levantamento, feito com 212 entrevistados
no mês passado, a desaprovação ao governo caiu ao
menor nível nos últimos 12 meses, chegando a 32% dos empresários
consultados, ante 37% na pesquisa de outubro.
Este é o segundo mês de queda seguido. Em setembro, antes
das eleições, o nível de desaprovação
entre os empresários estava em 48%. O resultado mostra uma mudança
de quadro importante. A título de comparação,
no final do ano passado, no auge da crise política, com as Comissões
Parlamentares de Inquérito em pleno andamento, a reprovação
do presidente Lula chegou a 65% entre os empresários ouvidos
pelo DCI.
Com a força dos 58 milhões de votos que recebeu no segundo
turno das eleições, superando em mais de 20 milhões
de votos o adversário do PSDB, Geraldo Alckmin, Lula retomou não
só o apoio da camada mais pobre da população, como
também de outras forças políticas, como o PMDB,
que já demonstraram disposição em criar o chamado “governo
de coalizão”, prometido pelo presidente para o segundo mandato.
Tem efeito sobre a análise que o empresariado faz do governo,
alguns dos pontos do pacote de incentivo ao desenvolvimento que o governo
vem anunciando aos poucos nas últimas semanas. A meta do governo é criar
condições para a ampliação da taxa de investimento
em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), atualmente
em cerca de 20%, para que o País consiga crescer a uma taxa
de 5% ao ano de forma sustentada.
Para chegar lá, está na mira de Lula a desoneração
de investimentos ligados à infra-estrutura, como transportes,
energia e a construção civil. A idéia é que,
se o governo conseguir estimular estes setores, cria-se as condições
para que o investimento privado, o mais importante, seja igualmente
impulsionado.
Aprovação estaciona
Apesar da redução da desaprovação ao presidente
Lula, o índice dos empresários que aprova realmente o governo
estacionou em 27% no mês de novembro, mesmo resultado de outubro.
No décimo mês do ano, a aprovação havia subido
quatro pontos percentuais, após ter chegado a 23% em setembro.
Já análise neutra em relação a Lula subiu
de 29% em setembro, para 36% em outubro e para 41% no mês passado.
Fonte: DCI
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Nova Central, 5 de dezembro de 2006
Trabalhadores com salários mais
baixos trocam mais de emprego
Os trabalhadores com salários mais baixos passam muito menos tempo
em um mesmo emprego do que as pessoas com renda mais alta, segundo pesquisa
do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos
Socioeconômicos) realizada em seis regiões metropolitanas.
Na cidade de São Paulo, por exemplo, os trabalhadores ficam
em média 61 meses em cada emprego. Para quem ganha menos de
um salário mínimo, a rotatividade é bem maior,
com uma permanência média de 27 meses por ocupação.
A rotatividade cai à medida medida que o rendimento cresce.
O tempo médio de permanência é de 29 meses para
quem ganha um salário mínimo, 39 meses para mais de um
a até dois salários mínimos, 68 meses para mais
de dois até cinco salários mínimos e 118 meses
para mais de cinco salários mínimos.
A situação é semelhantes à de São
Paulo nas demais regiões metropolitanas incluídas no
levantamento: Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife
e Salvador. Para Frederico Melo, técnico-economista do Dieese,
a maior rotatividade entre as pessoas que ganham menos pode ser explicadas
tanto pela busca de um emprego melhor quanto pela maior instabilidade
nessas vagas.
Já as pessoas com salários maiores permanecem mais em
seus empregos porque conseguem obter condições melhores
de trabalho. Além disso, ele acredita que a remuneração
da pessoa também pode ter crescido exatamente porque ela passou
mais tempo na empresa e obteve algumas promoções. Uma
terceira razão seria o maior gasto das empresas com a demissão
de trabalhadores mais estáveis e com salários maiores.
Salário mínimo
A pesquisa também mostra que é maior o percentual de
pessoas que recebem um salário mínimo entre mulheres,
jovens, negros, ocupados no serviço doméstico, não-chefes
de família, residentes no Nordeste, menos escolarizados e assalariados
sem carteira assinada.
Por esse motivo, políticas de valorização de
salário mínimo são um "instrumento eficaz
para proteger os trabalhadores que são os perdedores na barganha
salarial", segundo Sergei Soares, do Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada).
Já o Dieese considera o aumento do salário mínimo
eficaz até mesmo para elevar os rendimentos no setor informal,
onde, em tese, não há um piso de remuneração.
Como o percentual de pessoas que ganham o mínimo é maior
entre os informais, defende a pesquisa, esse seria o setor mais beneficiado
por essa política.
Frederico Melo também explicou que a maioria das empresas que
contratam informais não deixam de registrar o trabalhador para
não pagar reajustes que acompanhem o aumento do salário
mínimo, mas o fazem devido à alta incidência de
encargos sobre a folha de pagamento que não existem fora do
mercado formal.
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Congresso em Foco, 5 de dezembro de 2006
Unificação à vista
Oposição condiciona votação
de Super-Receita, prevista para hoje, à análise do
Código de Defesa do Contribuinte. Texto ainda divide entidades
de classe
Lúcio Lambranho e Diego Moraes
O governo finalmente venceu a resistência entre os senadores
para a aprovação do Projeto de Lei (PLC) 20/2006, que
cria a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), mais conhecida
como Super-Receita. A matéria será analisada hoje (5)
na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Se
aprovada, ainda terá de passar pela Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Casa antes de chegar ao plenário.
A proposta unifica as receitas federal e previdenciária em
um único órgão para coibir a sonegação.
O governo sustenta que a concentração das estruturas
torna menos burocrático o sistema de cobrança e eleva
a eficácia da arrecadação. Um dos objetivos da
medida, segundo ele, é reduzir o déficit previdenciário,
que este ano deve fechar em R$ 40 bilhões.
O projeto da Super-Receita deve ser aprovado na CAE inclusive com
os votos da oposição, num cenário bem diferente
ao verificado em novembro do ano passado, quando as lideranças
oposicionistas se recusaram a votar a medida provisória que
criava o novo órgão, obrigando o Planalto a tratar do
assunto por projeto de lei.
A base do acordo em torno da Super-Receita, fechado na semana passada
entre as lideranças partidárias, é a votação,
na mesma CAE, do Código de Defesa do Contribuinte, apresentado
há sete anos pelo senador Jorge Bornhausen (SC). A análise
da matéria está marcada para o próximo dia 12,
mas ainda não há consenso sobre a redação
final.
O governo teve de abrir espaço também para a inclusão
de 13 emendas do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) ao texto da Super-Receita.
Os artigos criam direitos e garantias aos contribuintes, mudanças
consideradas preparatórias para o funcionamento do Código
de Defesa do Contribuinte.
Inconstitucionalidade
Apesar do aparente consenso entre os parlamentares, o projeto da Super-Receita
desperta polêmica nas categorias que serão diretamente
atingidas pela mudança: os funcionários das receitas
previdenciária e federal. O combate mais enfático tem
partido da União Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal
(Unafisco). A entidade defende que a medida, entre outros equívocos,
fere o texto constitucional.
A união dos recursos dos dois órgãos em um único
caixa, segundo a organização, permitiria ao governo utilizar
recursos da Previdência para outros fins, como o pagamento da
dívida pública, por exemplo. “Se o caixa da Previdência
integrar o da União, será um passo para submeter esses
recursos para o superávit primário”, afirma Silvana
Mendes Campos, uma das diretoras da entidade.
O senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA), relator do projeto, acredita
que o novo órgão vai incrementar a arrecadação
tributária do país e coibir a sonegação.
Ele ressaltou ainda que a análise da matéria ficou longe
da disputa partidária entre oposição e governo. “Não
vejo ninguém ser desfavorável, a não ser a Unafisco.
Tudo indica que o projeto será votado e aprovado”, considera
(leia a íntegra do projeto).
O parlamentar defendeu a constitucionalidade do projeto e disse que a
posição dos auditores é "isolada". A Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB), porém, endossa o discurso dos auditores
fiscais. Em abril, o Conselho Federal da Ordem aprovou, por unanimidade,
um parecer que considera inconstitucional a fusão dos órgãos.
O texto, assinado pelo conselheiro Luiz Cláudio Allemand, sustenta
que mudanças de cunho tributário não podem ser
feitas por projeto de lei ordinária ou MPs. O parecer também
contesta a unificação dos caixas previdenciário
e fiscal com base no artigo 194 da Constituição, que
prevê o “caráter democrático e descentralizado” da
seguridade social.
“A unificação dos caixas vem a violar o que está expresso
na Constituição com relação à autonomia
da autarquia. Se a mudança tiver de ocorrer, seria o caso de
fazer primeiro uma emenda constitucional”, explica Vladimir Rossi
Lourenço, integrante do Conselho Federal da OAB, que participou
da elaboração do parecer.
Impacto ignorado
Outro argumento contra a fusão é a falta de estudos
técnicos que demonstrem os objetivos do governo e um cronograma
de execução para a unificação dos dois
serviços. O líder do governo no Senado, senador Romero
Jucá (PMDB-RR), admitiu ao Congresso em Foco que não
existem estudos de impacto financeiro sobre a implantação
da Super-Receita, principalmente em relação ao aumento
da arrecadação.
“Ainda não dá para dizer o que pode acontecer.
Se alguém falar, pode ser mais um chute”, diz Jucá.
O líder governista também acredita que a contestação
quanto à constitucionalidade é legítima, mas defende
o projeto apostando no futuro unificado da arrecadação. “O
projeto facilita o trabalho, mas alguns setores perdem espaço.
A briga no setor público é sempre por mais poder”,
observa o senador do PMDB.
Mudança de carreiras
Ao contrário dos auditores, os técnicos da Receita Federal
apóiam a criação da Super-Receita. O presidente
do Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal (Sindireceita),
Paulo Antenor Oliveira, sustenta que a matéria representa um
avanço para a legislação tributária no
país. Segundo ele, a categoria reivindica somente a melhor definição
das atribuições de técnicos e dos auditores.
De acordo com o presidente do Sindireceita, há diferenças
jurídicas e principalmente salariais entre as duas classes,
apesar de ambas terem prerrogativas semelhantes. “Na prestação
do serviço, não há muita distinção.
Muitas vezes, o auditor assina o trabalho do técnico”,
avalia Antenor. Segundo o dirigente, a guerra está mais acirrada
entre os auditores da Receita Federal e os da Previdência, favoráveis à mudança.
Com a fusão, os funcionários dos dois órgãos
passariam a trabalhar sob o mesmo regime, na mesma autarquia. É justamente
nesse ponto que a polêmica entre as duas classes de auditoria
mais se evidencia. “Não temos atribuições
previdenciárias e vice-versa. A mudança vai criar uma
insegurança jurídica”, destaca a diretora da Unafisco
Silvana Mendes.
O senador Rodolpho Tourinho rebate o argumento e diz que não
haverá nenhuma mudança nas carreiras dos funcionários,
tanto da Receita como da Previdência Social. "É a
posição de quem não quer perder poder com a chegada
de novos auditores. Está claro que a matéria é constitucional",
reforça o relator.
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Congresso em Foco, 5 de dezembro de 2006
Constituição terá versão
em áudio
A Câmara lançará, na terça-feira (5), uma
versão em áudio da Constituição Federal.
A medida faz parte das homenagens ao Dia Internacional da Pessoa com
Deficiência, comemorado dia 3. “É uma forma de tornar
o conhecimento acessível à pluralidade”, disse o
diretor da Rádio Câmara, Humberto Martins, em entrevista à Agência
Brasil.
A rádio foi responsável pela gravação
do texto da Constituição, que gerou 17 horas de arquivo
em formato MP3. A partir do dia 5, o áudio estará disponível
para download no site da Câmara. Sempre que houver alterações
na lei, a gravação será atualizada.
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STJ, 5 de dezembro de 2006
DECISÃO
Contrato de honorários não
precisa ser assinado por testemunhas
O contrato escrito firmado entre advogado e cliente é título
executivo, mesmo sem assinatura de duas testemunhas. O entendimento,
unânime, da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça
(STJ) reitera a prevalência dos estatutos da OAB (Lei nº 4.215/63
e Lei nº 8.906/94) sobre o Código Civil, que prevê a
exigência das testemunhas. “Ambas as leis especiais emprestam
caráter de executividade ao contrato de honorários, não
exigindo, como requisito à sua validade, a formalização
pela concomitante assinatura de duas testemunhas”, explica o relator,
ministro Aldir Passarinho Junior.
O entendimento do STJ confirma a decisão do Tribunal de Justiça
do Estado do Acre (TJAC) a favor do advogado Eurico Enes Lebre, que,
falando em causa própria, moveu ação de execução
contra o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas
de Água, Energia, Laticínios, Empresa de Habitação
e Empresa de Processamento de Dados do Estado do Acre. O advogado pretende
receber do sindicato o valor de R$ 42 mil referente a serviços
desempenhados em oito reclamações trabalhistas que tramitam
em três das quatro Juntas de Conciliação e Julgamento
de Rio Branco.
Ao analisar a questão, o ministro Aldir Passarinho Junior decidiu
manter a decisão do Tribunal de Justiça, que reformou
a sentença de primeiro grau (do juiz) que havia anulado a ação
de execução movida pelo advogado pela falta das assinaturas.
Segundo o ministro, a exigência das assinaturas não pode
se sobrepor ao estatuto da classe nem ao Código Civil, normas
que privilegiam o advogado. “Não fosse assim, não
teria sentido útil a menção à executividade
do contrato no Estatuto da OAB, pois bastante o enquadramento na regra
comum a todos”, pondera.
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Folha de São Paulo, 5 de dezembro
de 2006
TSE cobra explicação
de Lula sobre 22 doações à campanha
Principais questionamentos são
sobre repasses feitos por acionistas de concessionárias
| Advogado do PT diz que todas as respostas foram enviadas à área
técnica e que partido consultou empresas antes de
doação
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que analisaram
a prestação de contas do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva pediram explicações à campanha sobre
22 doações. A maioria dos casos refere-se a repasses
sob suspeita de "doações vedadas" pela legislação
eleitoral por ligação do doador com outras empresas prestadoras
de serviços públicos.
Dos 22 pedidos de explicação, 15 são doações
feitas ao comitê financeiro petista e outros 7 são recursos
que entraram direto na conta de Lula. A perícia das contas do
presidente foi concluída na manhã de ontem por uma equipe
de 23 analistas do tribunal. Para rebatê-los, o PT montou um
plantão numa sala do tribunal, com advogados e contadores da
campanha. O partido disse ter levado um montante de 200 kg de documentos
e recibos.
A sessão de julgamento da prestação de contas
de Lula está agendada para hoje. O relator da matéria,
ministro Gerardo Grossi, recebeu o relatório da perícia
ontem pela manhã e emitirá o seu parecer. Caso o TSE
aprove a contabilidade, o presidente será diplomado no próximo
dia 14. O tribunal não começou a analisar as contas de
Geraldo Alckmin (PSDB).
O advogado do PT, Márcio Silva, disse que todos os 22 casos
foram respondidos prontamente. "Foram encaminhadas todas as respostas
diretamente à área técnica", disse. Ele afirmou
também que, antes de arrecadar os recursos, o partido enviou
ofícios aos doadores perguntando se eles não possuíam
títulos públicos. Os questionamentos feitos pelos analistas
do tribunal constam de um relatório preliminar encaminhado aos
advogados da campanha petista. Há casos de erros de digitação,
duplicidade de lançamentos ou falha de leitura dos dados. Mas
a maioria, entretanto, refere-se a doações vultuosas
de empresas como MBR (Minerações Brasileiras Reunidas)
e CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).
No caso dessas duas empresas, a polêmica gira em torno do fato
de ambas deterem 32% cada uma do capital acionário da MRS Logística,
que é concessionária de transporte ferroviário.
Controlada pela Vale do Rio Doce, a MBR doou R$ 2,25 milhões
ao petista. A CSN desembolsou R$ 1,9 milhão. Outro caso que
chamou a atenção dos técnicos do TSE, como antecipou
ontem o "Painel" da Folha, foi o da mineradora Caemi, subsidiária
da Vale, que também financiou a campanha de Lula.
A legislação proíbe permissionárias e
concessionárias de serviços públicos de doarem
para campanhas. No entanto, há divergências na interpretação
da lei se a atividade de mineração é "prestação
de serviço público". A Vale argumenta que a legislação
não veta repasses feitos por subsidiárias, que a transferência
foi feita às claras e para vários candidatos e defende
a tese de que mineração não é serviço
público.
Houve pedidos de explicações também sobre doações
da construtora OAS, que somam R$ 1,7 milhão. A construtora detém
32% das ações da CRT (Concessionária Rio Teresópolis),
responsável por rodovias no Rio, segundo o site da ABCR (Associação
Brasileira de Concessionárias de Rodovias). Também consta
da lista repasses de R$ 1 milhão do IBS (Instituto Brasileiro
de Siderurgia) e de R$ 500 mil da Interavia Táxi Aéreo.
Outro caso identificado pelos técnicos é a transferência
de R$ 1 milhão da empresa Carioca Christiani Nielsen Engenharia,
doados em quatro parcelas de R$ 250 mil diretamente à conta
do candidato -não-contabilizado pelo comitê financeiro.
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Folha de São Paulo, 5 de dezembro
de 2006
PESQUISA
Analistas cortam expectativa
de aumento do PIB para 2,86%
DA FOLHA ONLINE, EM BRASÍLIA
O fraco desempenho da economia no terceiro trimestre do ano fez com
que os analistas reduzissem a previsão de crescimento do PIB
deste ano. A expectativa passou de 2,94% para 2,86%. Para o ano que
vem, a estimativa foi mantida em 3,5%, segundo dados do Boletim Focus
divulgado semanalmente pelo Banco Central. A revisão ocorreu
após o IBGE ter divulgado, na semana passada, que a economia
brasileira cresceu apenas 0,5% entre julho e setembro. A projeção
oficial do Ministério da Fazenda foi mantida em 3,2% e a do
Banco Central, em 3,5%.
Para a produção industrial, os analistas esperam incremento
de 3,11% em 2006, contra 3,19% do levantamento anterior. Em relação
aos juros, a previsão foi mantida em 13,25% ao ano. O Copom
(Comitê de Política Monetária) decidiu por corte
de 0,5 ponto percentual na última reunião do ano, na
quarta-feira passada. Para o próximo ano, a expectativa é que
a taxa chegue a 12% ao ano -mesma previsão da semana anterior.
Sobre a inflação, analistas mantiveram em 3,15% a previsão
do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para 2006
e em 4,10% a de 2007. A meta do governo é inflação
de 4,5% nos dois anos. A projeção do IGP-DI (Índice
Geral de Preços -Disponibilidade Interna) ficou em 3,95%. A
do IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) foi elevada
de 3,82% para 3,90%. Para 2007, a previsão é 4,34% e
4,30%.
Há previsão de superávit na balança comercial
de US$ 45 bilhões. Para o ano que vem, a expectativa é de
US$ 38 bilhões. Na primeira semana de dezembro, a balança
comercial teve saldo positivo de US$ 434 milhões, com vendas
de US$ 816 milhões e compras de US$ 382 milhões, segundo
o Ministério do Desenvolvimento. No ano, o saldo é de
US$ 41,508 bilhões.
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GAZETA
DO POVO, 5 de dezembro de 2006
PESQUISA | Juros altos, burocracia e falta
de transparência atrapalham desempenho brasileiro
Brasil segura a lanterna da competitividade
entre emergentes
O tempo passa, mas os problemas se repetem. Por isso, o Brasil está na
lanterna de índice de competitividade entre os países do
grupo chamado BRIC-M, que inclui Brasil, Rússia, Índia, China
e México, segundo estudo divulgado ontem, em São Paulo, pela
Câmara Americana de Comércio (Amcham) e pelo Movimento Brasil
Competitivo (MBC).
O estudo analisou a legislação, a percepção
da corrupção e o desempenho da economia dos cinco
países e mostra que Brasil e México estão
empatados em quarto lugar, atrás de China, Índia
e Rússia, que ocupam os três primeiros lugares. Os
piores indicadores do Brasil são: o juro real, apesar da
redução de 6,5 pontos porcentuais na taxa básica
(a Selic), continua a ser o mais alto do mundo; a burocaria para
abertura de empresas e na alfândega; e a falta de transparência
na política.
Entre os poucos segmentos em que o Brasil melhorou, estão
as leis trabalhistas, que ficaram mais flexíveis, e o custo
da energia elétrica, que se manteve mais barato que nos
demais países analisados. Assim como o diagnóstico,
os dois principais remédios para os problemas do Brasil,
segundo a Amcham, também não são novos: redução
de impostos e da taxa de juros.
Entre 2000 e 2006, o Brasil apresentou piora na maioria dos indicadores
analisados pela pesquisa. Entre os setores em que o Brasil piorou
estão o custo da energia (apesar de ser ainda mais barato
que nos demais países), infra-estrutura, empreendedorismo
(que mede a disposição do empresário a fazer
novos investimentos), corrupção e quantidade de investimentos
diretos em comparação com o Produto Interno Bruto
(PIB). Segundo a Amcham, são necessários longos 152
dias para se abrir uma empresa no Brasil. A carga tributária,
que impede os investidores de aplicar dinheiro no negócio,
vem subindo ano a ano, batendo em 38% do PIB em 2006.
Nos outros países, os mesmos problemas se repetem, com
diferentes intensidades. Os maiores problemas do México
são a infra-estrutura deficiente e a falta de segurança
para os contratos; na Rússia, a corrupção é o
principal empecilho ao desenvolvimento; na Índia, o funcionamento
da Justiça recebeu nota zero pela pesquisa; na China, faltam
leis mais confiáveis, respeito às patentes e mão-de-obra
qualificada.
No que se refere à carga tributária e à taxa
de juros, porém, todos as quatro nações estão à frente
do Brasil, oferecendo taxas bem mais baixas ao investidor externo.
Enquanto a Rússia também apresenta alta taxação
(31% do PIB, segundo o estudo), México, China e Rússia
têm carga tributária de 18%, 15% e 17%, patamar considerado
ideal por investidores externos. Enquanto o Brasil tem o maior
juro real do mundo, os outros países apresentam carga tributária
negativa ou próxima de zero.

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GAZETA
DO POVO, 5 de dezembro de 2006
COMPARATIVO
Brasil precisa acelerar indicadores
para se manter no grupo dos países que compõem o
BRIC-M
O Brasil tem realizado melhorias em seus indicadores econômicos,
mas não na velocidade necessária para que se mantenha competitivo
perante os países emergentes. Segundo o presidente da Comissão
de Estratégia e Competitividade da Amcham, e presidente do MBC,
José Fernando Mattos, o Brasil melhorou apenas na comparação
consigo mesmo. Esse resultado, embora positivo, não atrai investimentos
da mesma forma que os demais países. “A velocidade da melhoria
dos indicadores no Brasil não é suficiente para manter o
país no grupo dos BRIC-M (Brasil, Rússia, Índia, China
e México)”, afirmou.
“O índice de competitividade tem relação íntima
com o crescimento do PIB”, acrescentou. O estudo de competitividade,
elaborado desde o ano 2000, possui 24 indicadores, que se distribuem
em três subgrupos: custo e disponibilidade de capital, custo
fiscal e institucional, e custo operacional. Dados do levantamento
avaliam que dos 24 indicadores, o Brasil possui 10 ruins, 9 intermediários
e 5 em nível superior, mesmo desempenho do México,
o que garante aos dois países a última colocação
no estudo. A China, primeira colocada no estudo, apresenta 13 indicadores
bons, 5 intermediários e 5 ruins.
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GAZETA
DO POVO, 5 de dezembro de 2006
CIDADANIA | Liminar do TRF da 1.ª Região
determina a volta da cobrança das passagens
Idosos perdem gratuidade em viagens
interestaduais

Com a decisão judicial, idosos já estão
pagando por passagens em ônibus
Ponta Grossa – Pessoas com mais de 60 anos podem ter de
fazer as viagens de fim de ano sem a isenção do pagamento
de passagens interestaduais, estipulada por decreto federal. Desde
o último dia 30 está em vigor liminar concedida à Associação
Brasileira de Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati)
suspendendo a concessão da gratuidade.
A decisão é do desembargador federal Jirair Aram
Megueriam, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região,
e vale para todas as empresas associadas à Abrati. Depois
da regulamentação da Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT), que entrou em vigor no dia 25 de outubro, esta é a
segunda liminar deferida a pedido das empresas. A primeira decisão
vigorou por apenas oito dias, sendo cassada na segunda semana de
novembro, pelo Tribunal Regional Federal, em Brasília.
O presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas
do Paraná (Apospar), Celso Ribeiro, frisou que a entidade “está fazendo
o possível para fazer valer o decreto” que determina
a gratuidade ou o desconto de 50% na passagem quando a empresa
já extrapolou o limite de duas poltronas por viagem. O decreto
foi baseado no Estatuto do Idoso.
Em nota, a Abrati afirmou que pretende cumprir as determinações
do Estatuto do Idoso, desde que não tenha sua subsistência
inviabilizada. Em Ponta Grossa, as empresas já estão
cumprindo a liminar. O agente de vendas Jean Kleber Konophal afirmou
que a procura de idosos tem sido pequena. Já o agente Cleon
Camargo da Cunha acrescentou que os idosos têm procurando
o guichê para tirar dúvidas. “Mas eles acabam
comprando a passagem pelo valor integral”, disse.
Lúcia Tereza Westemprg tem 62 anos e disse que sempre pagou
para viajar. Ela não costuma fazer viagens interestaduais,
mas acha que a isenção “seria uma boa idéia”.
Pedro de Souza, 61, lamenta o fim da gratuidade. “Muitas
vezes a gente não tem dinheiro para completar o valor da
passagem”, disse. Maria Gizele da Silva.
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GAZETA
DO POVO, 5 de dezembro de 2006
BOAS PRÁTICAS
Eternit garante certificação
ambiental
A produção de telhas e caixas d’água de amianto
das cinco fábricas da Eternit no Brasil recebeu na semana passada
duas certificações internacionais de gestão ambiental
e de saúde e segurança no trabalho. A empresa, que tem sua
maior unidade produtiva em Colombo, região metropolitana de Curitiba,
gastou cerca de R$ 3 milhões em adaptações de tecnologia,
infra-estrutura e treinamento de pessoal para poder exibir os certificados
ISO 14001 e OSHAS 18001, fornecidos pela auditoria norueguesa Det Norske
Veritas (DNV). O objetivo da busca pela certificação é atestar
boas práticas de governança da empresa, combatendo a imagem
ruim associada ao amianto, uma matéria-prima proibida em mais de
40 países pelos graves danos que pode causar a saúde.
“Os certificados ajudam a tornar mais disciplinado e organizado
nosso processo de produção, quando se fala em cuidados
com segurança dos trabalhadores e gerenciamento de resíduos.
Tudo que entra ou sai da fábrica tem controle total. A empresas
que recebem nossos resíduos também tem de ser certificadas”,
explica o diretor industrial da Eternit e gerente da fábrica
de Colombo, Peter Spring. Na sede paranaense da empresa, 219 funcionários
produzem 12 mil toneladas de telhas de fibrocimento (mistura de
amianto e cimento) por mês. Em todo país, a Eternit
detém cerca de 29% do mercado deste tipo de telha.
A certificação alcançada pela Eternit leva
em consideração reaproveitamento de resíduos,
controles informatizados de segurança e treinamento de pessoal.
Entre os cuidados especiais exigidos pelo amianto está,
por exemplo, a lavagem das uniformes dos funcionários, que é providenciada
pela empresa. Como a matéria-prima pode causar câncer
e outros problemas respiratórios, quando inalada, os funcionários
não podem ter qualquer contato com o amianto puro, em pó.
Eles somente manuseiam o material depois que ele já foi
misturado ao cimento, por máquinas. Patrícia Künzel.
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GAZETA
DO POVO, 5 de dezembro de 2006
RISCOS
Cresce movimento contra amianto
Além da Eternit, estão instaladas no Paraná quatro
empresas que utilizam o amianto como matéria-prima e quatro higienizadoras
de uniformes – processo que também traz risco de contaminação.
Este é um grupo de empresas que a Delegacia Regional do Trabalho
(DRT) diz vistoriar com freqüência. “Não bastam
as certitificações, pois são indicadores de fim comercial
que não tranqüilizam”, explica o chefe do setor de saúde
e segurança do trabalho da DRT, Sérgio Silveira de Barros.
A auditora do Ministério do Trabalho Fernanda Giannasi
diz ainda haver processos arriscados para a saúde do trabalhador,
como serragem e acabamento. Para ela, as certificadoras não
têm isenção porque são pagas para fazer
a auditoria, e com data agendada. A pressão da sociedade
pelo banimento do amianto – há diversos movimentos
que lutam por isso, como a Associação Brasileira
dos Expostos ao Amianto – já levou algumas das 85
empresas que lidam com o mineral no país a reduzir o uso.
Em São Paulo, mais de 20 municípios proibiram a utilização
residencial.
No Paraná, uma associação de trabalhadores
tenta se formar, tendo à frente um ex-funcionário
da Multilit, de São José dos Pinhais. Herbert Fruehauf
alega ter adquirido asbestose, uma inflamação no
pulmão, pelo contato com o amianto no período em
que fazia manutenção na fábrica. “O
estado tem cerca de 2 mil trabalhadores que trabalham ou trabalharam
com este risco”, diz. A Multilit informa que não foi
comprovada a ligação da doença do ex-funcionário
com o amianto e que prestou assistência médica. Helena
Carnieri.
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GAZETA
DO POVO, 5 de dezembro de 2006
EMPREGO
Nordeste reúne maioria dos
que ganham só o mínimo
São Paulo – Estudo do Departamento Intersindical de Estudos
Socioeconômicos (Dieese) revelou que a maior proporção
de ocupados ganhando até um salário mínimo está na
região Nordeste. A partir de dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego
do Dieese de 2005 de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São
Paulo e Distrito Federal, a entidade mostrou que a cidade de Recife é a
que tem maior número de ocupados ganhando até um salário
mínimo, com quase 39,9% dos empregados. Em seguida, aparece Salvador,
com 37,1%.
O menor porcentual foi verificado em Porto Alegre, onde 12,8%
dos ocupados ganham até R$ 350, e no Distrito Federal, com
16,9%. O resultado de São Paulo é semelhante, com
17,3% dos ocupados recebendo até um salário mínimo.
Em Belo Horizonte, 24,6% dos trabalhadores estão nessa faixa
salarial. O Dieese ressaltou que, nas cinco regiões, a maior
parte dos ocupados recebe entre um e dois salários mínimos,
com exceção a São Paulo, onde é mais
freqüente a faixa salarial entre dois e cinco mínimos
(35,2% dos ocupados).
Com relação ao perfil de remuneração
segundo as categorias de ocupação, o Dieese constatou
a importância do salário mínimo para os assalariados
do setor privado, com ou sem carteira assinada, e para os trabalhadores
domésticos. Entre 23% a 25% dos trabalhadores sem carteira
assinada de Belo Horizonte, Salvador e Recife recebem exatamente
R$ 350. Já no Distrito Federal, a proporção é de
17,5%, e em Porto Alegre e São Paulo oscila entre 11% e
13%.
A proporção dos trabalhadores com carteira assinada
que recebem um salário mínimo já é bem
inferior, como se pode ver nos resultados de Recife e Salvador,
com cerca de 15% dos trabalhadores nesta situação;
Belo Horizonte, com 9%; Distrito Federal com 6%; e Porto Alegre
e São Paulo com 2%.
No caso dos domésticos, em Salvador 43% recebem um salário
mínimo, e cerca de 33% dos trabalhadores de Recife, Distrito
Federal e Belo Horizonte estão na mesma situação.
Em Porto Alegre e São Paulo, é o caso de 13% a 16%
dos trabalhadores domésticos. Já entre os autônomos,
sobressai a incidência de remunerações inferiores
a um salário mínimo. Em São Paulo, Recife
e Salvador, cerca de 50% dos autônomos recebem menos que
R$ 350.
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FOLHA
DE LONDRINA, 5 de dezembro de 2006
Chávez é reeleito na
Venezuela
Líder venezuelano obteve 61% dos
votos e derrotou o seu maior concorrente, o moderado Manuel Rosales
Pedro Rey/France Presse

Venezuelano segura cartaz com foto de Hugo Chávez, eleito para
mais seis anos na presidência
Caracas, Venezuela - Hugo Chávez foi eleito ontem para
mais seis anos na Presidência da Venezuela. Com 78,3% dos
votos computados, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE),
o socialista tinha 61%, ou 5,94 milhões de votos, ante
38%, ou 3,7 milhões de votos, de seu maior concorrente,
o moderado Manuel Rosales. Estimativas oficiais colocam o comparecimento
em 62% - o voto não é obrigatório no país.
Assim que o resultado foi lido, rojões e gritos podiam
ser ouvidos pelas ruas de Caracas. ''Viva a Venezuela! Viva Bolívar!
Viva a revolução socialista'', disse Chávez
da sacada do palácio Miraflores, no centro, depois de
cantar, acompanhado por milhares que esperavam o anúncio,
sob a chuva fina. ''Aqui está Cristo de braços
abertos! É a vitória de Bolívar e do amor!'',
declarou. ''Os venezuelanos não votaram em Chávez,
mas em um projeto que tem nome, o socialismo bolivariano, o socialismo
venezuelano. Que ninguém tenha medo do socialismo.''
O ex-para-quedista Hugo Rafael Chávez Frías, 52
anos, obteve a vitória com programas sociais eficientes
e bons índices econômicos (ambos bancados pela alta
do petróleo), apesar da recente onda de violência
na Venezuela, das denúncias de corrupção
no governo e de algumas ações arbitrárias.
Agora, promete implantar a segunda etapa de sua ''revolução
socialista bolivariana'', que prevê uma revisão
constitucional que poderá lhe dar a possibilidade de reeleição
sem limites.
Pela manhã, Chávez já falava como presidente
reeleito. Disse que membros do governo entraram em contato com
a oposição e elogiou ''bons sinais'' vindos dos
EUA, com os quais quer ''manter boas relações''.
Teodoro Petkoff, chefe de campanha de Rosales, veio a público
dizer que seu candidato só falará ao país
''no momento oportuno, como deve acontecer com um candidato à presidência.''
O governador licenciado do Estado de Zulia teve o mérito
de unir uma oposição até então dividida
e dar voz a uma classe média e alta que se sente excluída
pelo chavismo.
Atrasos - O boletim do CNE com os resultados parciais das eleições
foi lido à 22h04 locais de domingo (0h04 de ontem de Brasília),
horas após o esperado. O motivo da foi uma série
de problemas técnicos, que atrasou a votação,
provocou filas e troca de acusações entre Chávez
e Rosales.
''Tenho relatos de problemas em 36% dos centros de votação
que historicamente votam na oposição e em apenas
5% dos que votam no governo'', disse Rosales, ao votar pela manhã em
Maracaibo. ''Não quero pensar que seja manipulação,
mas peço ao CNE que verifique e ao eleitor que tenha cuidado.''
Logo depois, ao votar em Caracas, o presidente venezuelano responderia.
''Tudo anda normalmente'', disse. ''Espero que não seja
alguém se sentindo derrotado que comece cedo dizendo isso
e aquilo''.
''Vi grandes filas, mas não vi nada impróprio'',
disse o veterano observador norte-americano Martin Garbus. Havia
cerca de 1,2 mil observadores internacionais na Venezuela. ''Vimos
paz e tranquilidade'', disse Billy Meyer, representante da União
Européia. ''Incidentes são normais em uma eleição
desse tamanho.''
Lula - O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) vai receber nesta quinta-feira o líder
venezuelano Hugo Chávez. Embora o encontro já tenha
sido confirmado pelo Itamaraty, ainda não foram definidos
nem o formato, nem o horário. A reunião deve acontecer
em Brasília, mas o local exato também ainda não
está fechado - poderá ser ou no Palácio
do Planalto ou na própria sede do ministério das
Relações Exteriores. Sérgio Dávil
- Folhapress.
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FOLHA
DE LONDRINA, 5 de dezembro de 2006
Pobreza diminui na América
Latina pelo terceiro ano consecutivo

Santiago, Chile - Há 209 milhões de pobres na América
Latina, equivalentes a 39,8% de sua população, mas que representam
uma diminuição de 0,8% em relação ao ano anterior,
informou ontem a Comissão Econômica para América Latina
e o Caribe (Cepal). Deste total, 81 milhões, o equivalente a 15,4%
dos habitantes da América Latina, vivem em condições
de pobreza extrema ou indigência, pois não conseguem satisfazer
suas necessidades básicas. Em 2005, o total de pobres era de 213
milhões, dos quais 88 milhões viviam em condições
de indigência.
Segundo as estimativas da Cepal, a região está no
caminho certo em seu compromisso de reduzir à metade a pobreza
extrema até 2015, no marco das ''Metas do Milênio''
estabelecidas em Monterrey, México, em 2000. Ainda que os últimos
dados representem uma diminuição pelo terceiro ano
consecutivo, ''não se deve esquecer que os níveis
de pobreza continuam sendo muito elevados e que a região
tem diante de si uma tarefa de grande magnitude'', indicou a Cepal
num informe entregue por seu secretário executivo, José Luis
Machinea.
A tendência a uma diminuição do número
de pobres na região ocorre devido a fatores como o crescimento
sustentável da atividade econômica. O crescimento
anual médio do Produto Interno Bruto (PIB) na região
está próximo de 4,5%. ''O último quadriênio
(2003-2006) pode ser qualificado como o de melhor desempenho econômico
e social da América Latina nos últimos 25 anos'',
destacou o informe.
O estudo da Cepal, baseado em antecedentes do ano 2005, também
apresenta projeções sobre a magnitude da pobreza
para o ano 2006. ''O número de pessoas pobres e na extrema
pobreza voltará a diminuir, alcançando, respectivamente,
38,5% da população (cerca de 205 milhões)
e 14,7% (79 milhões)'', indicou o documento.
As melhorias mais notáveis nas taxas de pobreza e indigência
nos últimos quatro anos foram registradas na Argentina (de
45,4% para 26%) e na Venezuela (de 48,6% para 37,1%). No primeiro
caso, há uma retomada do crescimento depois da forte crise
socioeconômica que afetou o país no início
da década.
Outros países que tiveram reduções significativas
no último quadriênio foram Chile (de 20,2% para 18,7%),
Equador (de 49% para 45,2%), Colômbia (de 51,1% para 46,8%),
Peru (de 54,8% para 51,1%) e México (de 39,4% para 35,5%).
France Presse.
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UOL, 5 de dezembro de 2006
Conselho eleva teto do ministério
público estadual; associação aprova
da Folha Online
Por sete votos a cinco, os integrantes do CNMP (Conselho Nacional
do Ministério Público) aprovaram hoje proposta de
resolução que equipara o teto salarial dos integrantes
dos Ministérios Públicos Estaduais --hoje, em R$
22.111-- ao valor máximo pago aos ministros do STF (Supremo
Tribunal Federal), de R$ 24.500. Com isso, o CNMP acabou com o
chamado subteto que dividia os valores máximos pagos no
Ministerio Público Estadual dos vencimentos do Ministério
Público Federal.
O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza,
afirmou hoje que vai entrar com uma Adin (ação direta
de inconstitucionalidade) no Supremo Tribunal Federal contra a
resolução aprovada hoje pelo CNMP. Para o procurador-geral,
que vai esperar a publicação da resolução
no Diário Oficial para entrar com a Adin, a regra infringe
artigo da Constituição que estabelece um teto para
os funcionários dos Ministérios Públicos Estaduais
equivalente a 90,25% do teto dos ministros do STF.
O presidente da Conamp (Associação Nacional dos
Membros do Ministério Público), José Carlos
Cosenzo, defendeu a resolução aprovada hoje pelo
CNMP. "O Conselho somente corrigiu uma irregularidade de uma
resolução anterior. Pegue o exemplo de um promotor
que trabalhe na Lapa [bairro paulista da zona oeste] e seja nomeado
pelo procurador-geral de Justiça para também atender
a Santana [bairro paulista da zona norte]. Digamos que a diária
seja de R$ 5 mil. Como ele já ganha os R$ 22.100, ele ganharia
somente R$ 2.400 [para não ultrapassar o teto do Judiciário
Federal. Isso seria somente esporádico. Se amanhã,
outro for nomeado para atender Santana, ele volta a ganhar o que
ganhava antes", disse Cosenzo.
Segundo ele, há casos hoje em que procurador-geral nomeia
um promotor para um outro cargo e ele não pode receber o
valor correspondente porque extrapola o subteto. O CNMP tem por
atribuição o controle da situação administrativa
e financeira do Ministério Público, tendo sido instalado
em junho de 2005. É composto por 14 membros, entre o procurador-geral
da República, quatro membros do Ministério Público
da União, três membros dos Ministérios Públicos
Estaduais, dois juízes (um representante do STF, outro do
Superior Tribunal de Justiça), dois advogados e dois cidadãos
de "notável saber jurídico" (um indicado
pela Câmara e outro pelo Senado).
Polêmica
Na semana passada, Lula havia vetado a criação do
jetom dos conselheiros do CNMP. O salário dos procuradores
que integram o Conselho subiria de R$ 23.275 para R$ 28.861, ultrapassando
o teto do funcionalismo público federal, que é de
R$ 24.500. Além do veto, Lula também havia suspendido
a criação de 58 cargos de confiança do CNMP.
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UOL, 5 de dezembro de 2006
Mantega prevê dificuldade para
aprovar mínimo de R$ 367 no Congresso
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Guido Mantega (Fazenda) admitiu que o aumento do
salário mínimo de R$ 350 para R$ 367 poderá resultar
em dificuldade de aprovação no Congresso Nacional,
mas que esse reajuste cumpre a regra vigente."O governo
está sustentando a regra. O que interessa é o aumento
real. (...) A regra garante o [aumento] do PIB per capital. R$
367 é exatamente o compromisso que o governo tinha assumido.
Saiu R$ 375 quando você tinha uma [expectativa de] inflação
mais alta e um PIB [Produto Interno Bruto] maior. Ficou difícil
voltar para trás, mas eu sustendo que o certo é cumprirmos
a regra", disse.
Ele lembrou, no entanto, que ainda não há uma
decisão tomada sobre o assunto. Quando o Executivo enviou
a proposta orçamentária para o Congresso Nacional,
em agosto, o salário mínimo previsto era R$ 375,
o equivalente a um reajuste de 7,14%. No entanto, com as previsões
de inflação e PIB menores que a previstas em meados
do ano, o governo começou a falar em um reajuste menor,
de 4,86%, para R$ 367.
Para este ano, o governo falava em um crescimento de 4,5%. Na última
avaliação dos técnicos do Ministério
da Fazenda, a expectativa caiu para 3,2%. O reajuste do salário
mínimo leva em conta a inflação medida pelo
INPC (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e a
variação do PIB per capita. No entanto, em anos
anteriores o governo deu reajustes acima dessa regra. Para o
ministro, em anos anteriores o aumento já foi "considerável" e
houve o aumento do poder aquisitivo. Na avaliação
do ministro, esse aumento foi maior entre as famílias
de renda mais baixa, já que a inflação nessa
camada da população está menor do que a
média nacional. As centrais sindicais defendem um mínimo
de R$ 420, o que daria um reajuste de 20%.
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UOL, 5 de dezembro de 2006
Lula quer festa "sóbria" na
posse, mas com grande participação popular
ANDREZA MATAIS
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou à equipe
que organiza a festa da sua posse --em 1º de janeiro-- a promover
um evento com baixo custo e grande participação popular.
Segundo o assessor especial da Presidência da República,
Cezar Alvarez, Lula quer uma "festa forte politicamente e
sóbria materialmente". Para atrair um grande número
de pessoas para a Esplanada dos Ministérios, o governo pediu
o apoio dos partidos aliados, incluindo os novos integrantes da
coalizão, como o PMDB.
Segundo o tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, os partidos aliados
receberão a missão de mobilizar a militância
para que lotem a Esplanada na festa da posse. Todos os custos com
transporte e hospedagem dos militantes serão pagos pelos
partidos. A Presidência da República irá custear
apenas as despesas com os convidados do presidente Lula.
Na próxima sexta-feira, haverá uma reunião
entre os aliados para tratar do assunto. Em 2002, cerca de 120
mil pessoas acompanharam de perto a posse de Lula. A expectativa é que
o número seja bem menor, mas os partidos evitam falar em
números.
Novidades
Além do horário, a posse será à tarde,
a novidade será a presença no ato de pessoas que
marcaram o primeiro governo do presidente Lula. Segundo Alvarez,
serão convidados, por exemplo, o cientista que inventou
o biodiesel, atletas paraolímpicos, além de chefes
de família que devolveram o cartão do Bolsa Família
quando conseguiram renda própria.
O Palácio deve convidar cerca de 800 pessoas para a posse
dos ministros, no Palácio do Planalto. Todos os governadores
estão na lista, o que, segundo a Presidência, será uma
demonstração de que este será um governo para
todos e não apenas para os aliados.
Chefes de Estado
O Planalto não convidou chefes de Estado de outros países
para participar da posse. Eles serão representados pelo
corpo diplomático residente no Brasil. Ainda não
está definida a data em que Lula terá um almoço
com os embaixadores. A Folha Online apurou que, por se tratar de
uma reeleição e a posse ser no 1º de janeiro,
dificilmente haveria a presença de muitos presidentes.
Compromissos
O primeiro compromisso do presidente Lula é no Congresso.
Entre 16h e 17h, Lula irá ao Parlamento para tomar posse.
Depois, o presidente segue para o Palácio do Planalto, por
volta das 19h, quando fará um discurso no parlatório
--que pode ser acompanhado por todos os populares. Após
o discurso, Lula deve desfilar pela Esplanada de Rolls Royce.
O Planalto prepara ainda uma atividade cultural na Praça
dos Três Poderes, mas não está confirmado a
lista de artistas que irão se apresentar nem a presença
de Lula. Não haverá confraternização
no Palácio do Alvorada --residência oficial do presidente-- à noite.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
05/12/2006
TST esclarece requisito para equiparação
salarial
A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho acolheueu recurso
de revista de uma empresa paulista isentando-a do pagamento de valores
decorrentes de equiparação salarial entre dois empregados.
O critério examinado pelo órgão do TST foi o do
desempenho da atividade profissional na “mesma localidade”,
um dos requisitos listados na legislação para reconhecer-se
o direito à equiparação salarial. No voto do ministro
Barros Levenhagen (relator), foi reconhecida a inviabilidade de igualar
a remuneração entre funcionários que atuavam em
regiões distintas do País.
A decisão do TST altera acórdão do Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (São Paulo), que havia
condenado a Vila Paulicéia Express S/A ao pagamento de diferenças
salariais decorrentes de equiparação salarial. O TRT
paulista entendeu como válida a reivindicação
de um ex-supervisor de filial na Região Sudeste com um colega
que, sob remuneração maior, realizava a supervisão
das filiais na Região Sul.
O exame dos fatos e provas produzidas no processo indicaram que os
dois trabalhadores exerciam, basicamente, as mesmas funções.
Foi verificado, na tomada de depoimentos, que a clientela seria mais
concentrada nas filiais da Região Sudeste. Essa constatação
levou o TRT/SP, ao contrário da primeira instância (2ª Vara
do Trabalho de São Bernardo do Campo), a considerar como inaceitável
a diferença entre as remunerações. “O funcionário
designado para a região de menor movimento recebia salário
maior que o funcionário que cuidava da região de maior
movimento”, registrou o TRT/SP.
A empresa recorreu ao TST e argumentou a inviabilidade do entendimento
regional sob o argumento de que não foi preenchido o requisito
da “mesma localidade”, previsto no artigo 461 da CLT. Também
sustentou que o TRT paulista teria decidido de forma contrária
ao item X da Súmula nº 6 do TST.
De acordo com a jurisprudência do TST, “o conceito de ‘mesma
localidade’ de que trata o artigo 461 da CLT refere-se, em princípio,
ao mesmo município, ou a municípios distintos que, comprovadamente,
pertençam à mesma região metropolitana”.
“Ora, se as regiões eram diversas, não estava
a empresa obrigada a pagar-lhes o mesmo salário. Se pagava salário
menor para o empregado responsável pela região de maior
movimento, faz parte do seu poder diretivo, no qual não se pode
imiscuir o Poder Judiciário”, considerou Barros Levehagen,
ao votar pela concessão do recurso. Durante o mesmo julgamento,
foi negado outro pedido formulado pela empresa que pretendia excluir
o pagamento de horas extras deferidas pelo TRT/SP. (RR 2798/2003-462-02-00.3)
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Supressão de horas
extras reconhecidas em juízo gera indenização
A Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho condenou a Teksid do Brasil
Ltda. a pagar indenização por supressão de horas
extras a um ex-empregado que teve seu regime de trabalho alterado de
seis horas diárias, em turnos ininterruptos de revezamento,
para oito horas diárias em turno fixo. O motivo principal da
condenação foi o fato de o trabalhador cumprir habitualmente
oito horas de jornada quando no regime de turnos, apesar de a jornada
legal ser de seis horas. As instâncias inferiores já haviam
reconhecido as duas horas adicionais como extras, e a SDI-1 considerou,
portanto, ter havido sua supressão, cabendo assim a indenização.
O empregado foi admitido em outubro de 1993 e demitido em setembro
de 2000. Trabalhou em regime de turnos de revezamento até 1998,
quando a empresa alterou unilateralmente o contrato de trabalho, colocando-o
em turno fixo, das 06h às 15h, sem que houvesse acordo com o
sindicato a respeito da mudança. Ao ser demitido, pleiteou na
Justiça do Trabalho o recebimento de horas extras relativas
ao período do regime de turnos ininterruptos. O pedido foi deferido
quando ficou provado que a jornada, legalmente fixada em seis horas,
era estendida em caráter habitual para oito horas diárias.
A sentença deferiu também a indenização
pela supressão das horas extras quando da mudança para
o turno fixo.
O Tribunal Regional da 2ª Região (São Paulo), ao
julgar recurso de revista da empresa, excluiu da condenação
a indenização por entender que não houve supressão
de horas extras. “O empregado sempre trabalhou oito horas por
dia, e era contratado como horista”, afirmou a decisão
regional. “Somente em juízo houve reconhecimento dos turnos
ininterruptos, com condenação às 7ª e 8ª horas
como extras. O trabalhador não sofreu redução
salarial, continuando a receber salários correspondentes à jornada
de oito horas.”
Ao recorrer ao TST, o ex-empregado da Teksid alegou que, trabalhando
em turnos fixos, deixou de receber as duas horas adicionais como extraordinárias,
não sendo relevante se as horas foram espontaneamente pagas
ou decorrentes de decisão judicial.
A relatora do recurso de revista, ministra Maria Cristina Peduzzi,
explicou que o empregador tem a prerrogativa de alterar aspectos da
relação de trabalho desde que respeitadas algumas garantias
do empregado, como a inalterabilidade contratual lesiva e a irredutibilidade
salarial. No caso de horas extras habitualmente prestadas, a supressão é válida,
assegurando-se ao empregado, porém, a indenização,
conforme prevê a Súmula 291 do TST.
Há casos em que há equilíbrio entre o benefício
social e o prejuízo causado ao empregado – seria este
o caso, por exemplo, da mudança do regime de turnos de revezamento
para turnos fixos. “O trabalho em turnos ininterruptos, em nosso
ordenamento jurídico, é considerado prejudicial ao empregado,
pois compromete a saúde física e mental, além
do convívio social e familiar. Por isso, a jornada é reduzida”,
observou a relatora. A mudança para turnos fixos traria, portanto,
um benefício social que compensaria o prejuízo do acréscimo
de duas horas à jornada.
No caso julgado, entretanto, a ministra Cristina Peduzzi ressaltou
uma peculiaridade: o ex-empregado, embora submetido aos turnos de revezamento,
cumpria jornada de oito horas. “Desse modo, a alteração
para o regime de turnos fixos – também com oito horas
diárias – gerou vantagem social [a regularização
da jornada] que não compensa, por si mesma, o decréscimo
pecuniário sofrido pelo empregado (produzido pela supressão
das horas extras). Necessário é, assim, o pagamento de
indenização, que visa ao restabelecimento daquele equilíbrio”,
concluiu. (RR 50239/2002-900-03-00.8)
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