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FOLHA DE LONDRINA, 6 de dezembro de 2006
Brasil fica em 42º lugar em ranking
de corrupção
São Paulo - Pesquisa mundial sobre percepção
de corrupção em 2006 realizada pelo instituto Gallup
mostrou que o Brasil está em 42º lugar em um ranking de
101 países. O Índice Mundial de Corrupção
posicionou o Brasil abaixo de países como Benin e Senegal, mas
foi acima da África do Sul, Nigéria, Coréia do
Sul, Burkina Faso e Bolívia. O país melhor colocado no
ranking foi a Finlândia, e o último, a Lituânia.
O Brasil, no entanto, figurou com melhor posição no índice
de corrupção do que outros países emergentes,
como o México, que ficou em 48º lugar, a Índia,
que ficou com a 64 posição, e a Rússia, que ficou
em 93º. A China não foi pesquisada pelo instituto. A Gallup
informou que as notas do índice têm relação
com os níveis de aprovação dos dirigentes e satisfação
com a liberdade. De acordo com o instituto, a comparação
dos níveis de confiança e otimismo em países bem
colocados na lista com os países nos últimos lugares
revela ''diferenças marcantes''.
Entre os dez primeiros países da lista, por exemplo, a maioria
dos residentes (55%) declarou que tem confiança nos dirigentes
do seu país; número que cai para um terço (32%)
entre os 10 últimos países. O estudo da Gallup questionou
cerca de mil pessoas em 101 países entre 2005 e 2006 sobre a
percepção da existência de corrupção
generalizada no governo e nas empresas.
Segundo o instituto, a corrupção endêmica é um
dos maiores obstáculos à estabilidade econômica
e ao crescimento em países que, sem ela, poderiam usufruir de
tendências como a disseminação da tecnologia de
informação, o perdão da dívida de países
em desenvolvimento e a globalização. Carolina Ruhman
- Agência Estado.
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FOLHA DE LONDRINA, 6 de dezembro de 2006
Baixa escolaridade impede crescimento
Arquivo Folha/29-10-03

País não terá condições de competitividade
com uma escolaridade que alcança apenas sete anos em média
Brasília - O Conselho de Desenvolvimento Econômico e
Social (CDES) definiu ontem a baixa escolaridade dos brasileiros como
um dos principais entraves para o crescimento do País. No momento
em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala o tempo todo
em ''destravar'' o País, o conselho pede que a educação
seja prioritária e aponta como uma das ações principais
uma grande ação para acabar com o analfabetismo no Brasil
- um programa que já havia sido começado pelo Ministério
da Educação, com meta de erradicação até 2007,
mas foi desacelerado nos últimos dois anos.
O Observatório da Desigualdade, formado por membros do CDES,
debruçou-se sobre dados de escolaridade no País e definiu
o que já se sabe: o País não terá condições
de competitividade com uma escolaridade que alcança apenas sete
anos em média, mas chega a apenas 5,6 no Nordeste, 4,2 na zona
rural e 4,8 anos entre os 20% mais pobres da população.
Uma das principais recomendações do Conselho é ''considerar
a persistência do analfabetismo como a maior das iniquidades
e a necessidade de formular uma política para redução
imediata''.
O Ministério da Educação tem hoje uma secretaria
que cuida especificamente da escolaridade de jovens e adultos. Criada
na época em que o ministro era o senador Cristovam Buarque,
a meta inicial era de erradicar o analfabetismo em quatro anos, alfabetizando
5 milhões de adultos a cada ano. A meta foi reduzida significativamente.
Até o ano passado, os índices mostravam uma redução
de 1,4 milhões de analfabetos no País. Os dados levantados
pelo Conselho apontam ainda para uma situação persistente:
a cada ano, 64 mil jovens completam 15 anos sem saber ler e escrever.
Desses, 38% já passaram por alguma escola de ensino fundamental.
Ou seja, estudaram, mas não aprenderam.
Uma das sugestões feitas é que o governo passe a ter
metas anuais de qualidade. ''Sugiro que tenhamos indicadores e metas
ano a ano para o próximo mandato. Isso vai nos obrigar a acompanhar
o resultado'', disse Oded Grajew, um dos conselheiros e ex-assessor
especial da presidência. O CDES inclui entre os desafios para
o próximo mandato, ainda, a universalização da
conclusão do ensino médio.
Hoje, apenas metade dos jovens de 15 a 17 anos estão na escola
- e a maioria ainda está no ensino fundamental, não no
médio. Também a melhoria da oferta e da qualidade do
ensino técnico foi um dos temas tratados. Já o ensino
superior, no qual o governo Lula investiu pesadamente com a ampliação
do número de universidades públicas, foi citado pela
desigualdade de acesso, mas não considerado um desafio, já que
o problema ainda está no ensino básico.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, fez uma apresentação
sobre as ações do governo e chegou a dizer que, para
terem efeito, os programas precisam ser ajudados por uma mobilização
social - uma das sugestões do CDES. Mas não chegou a
ver o final das sugestões, já que saiu antes por conta
de um compromisso que não estava listado na sua agenda oficial.
Lisandra Paraguassú - Agência Estado.
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O ESTADO DO PARANÁ, 6 de dezembro
de 2006
Previdência arrecada
15,5% mais
Redação O Estado do
Paraná
Brasília (ABr) - A previdência social arrecadou esse
ano 15,55% a mais do que no ano passado. Isso equivale a R$ 104,23
bilhões. Esse aumento deve-se, sobretudo, ao combate a inadimplência
e ao aperfeiçoamento das formas de cobrança, de acordo
com a diretora do Departamento de Administração da Receita
Previdenciária, Liêda Amaral. Ela explica que nesse trabalho
contra a sonegação foram implantados vários controles
gerenciais e gestão de risco do contribuinte e como resultado
a contribuição previdenciária cresceu.
Para o combate contra a inadimplência foi desenvolvida a cobrança
eletrônica dos valores declarados. “Há causas diversas
para a inadimplência: há aqueles que são sonegadores
contumazes e também aqueles que tiveram dificuldades de caixa,
mas grande parte desse problema foi resolvido por meio de parcelamentos
especiais”, conta a diretora. Ela diz que já há dispositivo
legal para que essas dívidas sejam parceladas em até 60
meses.
Se todos cumprissem sua obrigação, a Previdência
Social teria superávit em todos os aspectos. Como isso não
acontece, o déficit do setor gira em torno dos R$ 40 bilhões.
Para esse resultado tem que se levar em conta que o órgão é responsável
pelo pagamento dos chamados benefícios para os empregados rurais,
cuja maioria não contribuiu.
Liêda Amaral descarta a possibilidade de que o trabalhador fique
sem aposentadoria caso o salário aumente em um percentual elevado,
fato que muitos citam como fator que levaria a previdência à falência. “A
aposentadoria está constitucionalmente garantida. A união,
inclusive, arca com eles que nem atrasos no pagamento ocorrem”,
ressalta a diretora.
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O ESTADO DO PARANÁ, 6 de dezembro
de 2006
Força de Chávez
ajuda, mas preocupa sócios do Brasil no Mercosul
MARCIA CARMO
DE BUENOS AIRES

A política externa de Chávez é uma
das preocupações no Mercosul
A reeleição do presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
teve apoio dos sócios do Brasil no Mercosul que têm recebido
promessas ou ajuda financeira direta do líder venezuelano, mas
nem todos são unânimes na avaliação do papel
que Chávez desempenha ou pode vir a desempenhar no bloco.
Para o analista uruguaio Gerardo Caetano, coordenador do Observatótio
Político da Universidade da República, de Montevidéu,
com a renovação do mandato de Chávez até 2013,
a Venezuela pode “contrabalançar” o bloco que tem
dois sócios maiores – Brasil e Argentina – e dois
menores – Uruguai e Paraguai - que se queixam da falta de benefícios
desta união.
Segundo diferentes analistas, a compra venezuelana de títulos
públicos argentinos, quando o país começava a
sair da pior crise da sua história, foi decisiva para equilibrar
as finanças da Argentina. Com o Uruguai, Chávez anunciou
um pacote de intenções com vinte e uma medidas, incluindo
cooperação entre as petroleiras PDVSA e Ancap. O presidente
venezuelano também assinou acordos bilaterais com o Paraguai,
ao qual prometeu fornecimento de petróleo com pagamento facilitado,
com taxas de juros anuais a 2% e prazo de pagamento de 15 anos.
Entre empresários argentinos e uruguaios, de diferentes setores,
existe a expectativa de que as exportações para a Venezuela
vão continuar crescendo com esta união. O país
de Chávez importa quase tudo que consome – petróleo é a
grande exceção.
Preocupações
Mas o estilo de Chávez preocupa analistas e autoridades nos
governos sócios do Brasil nesta união. “O problema é que
Chávez acredita no personalismo e na ideologia até na
hora de fazer esta integração. Os outros sócios
pensam o bloco como política de estado”, disse Caetano.
Teme-se que no futuro a atuação de Chávez poderá,
no final, atrapalhar mais do que ajudar, ampliando rixas atuais, inclusive
com o Brasil.
Entre as diferenças e preocupações dentro do
Mercosul está a política externa de Chávez, com
suas críticas a Israel, elogios ao grupo militante xiita Hezbollah,
ao Irã e a Coréia do Norte. Há cerca de dez dias,
o embaixador venezuelano foi obrigado a deixar a Argentina, acusado
de se meter em questões internas do país e defender o
Irã, num momento em que a Justiça local acusa iranianos
de participação em um atentado em Buenos Aires em 94.
A polêmica não parece ter afetado a relação
do governo argentino com o governo venezuelano. O presidente argentino
Néstor Kirchner ligou para Chávez para felicitá-lo
pela vitória nas urnas e antes da eleição tinha
desejado sorte, durante discurso, "ao amigo venezuelano".
Num comunicado à imprensa, logo após o resultado, Kirchner
disse: “Com o afeto e a solidariedade que unem nossos povos,
não duvido que continuaremos trabalhando juntos para fortalecer
e ampliar nossos vínculos bilaterais existentes”. Menos
eufórico, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez,
também felicitou o colega venezuelano.
Os gestos de Chávez com os sócios menores do Mercosul
vêm gerando desconfiança entre negociadores do bloco pelo
menos desde abril passado. Na época, ele esteve em Assunção,
reunido com os colegas do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, do Uruguai,
e da Bolívia, Evo Morales – cujo país é associado
ao bloco. Brasil e Argentina ficaram de fora do encontro. Mas depois
da reeleição, autoridades do Mercosul acreditam que sua
presença “fortalecerá”
esta união. O triunfo de Chávez, entende-se, consolida
seu poder na Venezuela e sua política na região, como afirma-se
nos bastidores dos governos do Paraguai e do Uruguai.
Na aparência os governos congratularam Chávez, mas para
alguns analistas, mas não estão menos preocupados por
isso. Ao mesmo tempo, como destacou o professor argentino Juan Gabriel
Tokatlian, diretor de ciências políticas e relações
internacionais da Universidade de San Andrés, em Buenos Aires,
o dinheiro enviado pelo líder venezuelano não muda a
geopolítica do Mercosul. “A definição sobre
o futuro do bloco continuará sendo decidida entre Brasil e Argentina,
independente da Venezuela”, constata. Tokatlian lembra que os
problemas do Mercosul já existiam antes da chegada do país
caribenho à esta integração e que Chávez
também já vinha enviando ou prometendo ajuda desde antes
de aderir ao bloco.
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Agência Senado, 6 de dezembro de 2006
CAE aprova parecer favorável
ao projeto da Super-Receita

Os senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovaram,
nesta terça-feira (5), parecer favorável do senador Rodolpho
Tourinho (PFL-BA) ao projeto de lei que institui a Secretaria da Receita
Federal do Brasil, conhecida como Super-Receita. A matéria deverá ser
analisada agora pela Comissão de Constituição, Justiça
e Cidadania (CCJ).
O projeto (PLC 20/06) funde a Secretaria da Receita Federal do Ministério
da Fazenda (SRF) com a Secretaria da Receita Previdenciária do
Ministério da Previdência e Assistência Social (SRP).
Segundo Tourinho, que aperfeiçoou seu parecer a partir de acertos
com o governo nas últimas semanas, o projeto promove uma significativa
alteração na organização administrativa do
setor de arrecadação e fiscalização de tributos
de competência da União.
O parecer do relator foi aprovado com apenas uma modificação:
foi estendido de 12 para 24 meses, na emenda nº 108, o prazo em
que a empresa fica sob fiscalização. A emenda, que já havia
sido acatada por Tourinho, fixa prazos para a administração
tributária, mas se refere especificamente aos procedimentos
de fiscalização. Para evitar as situações
em que a empresa fica anos sob fiscalização, pretende-se
limitar esse período em até 24 meses. A emenda fixava
esse prazo em até 12 meses, mas, com a concordância do
relator e do líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR),
ficou acordado que o prazo seria estendido.
Foi o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) que pediu o alargamento desse
prazo. A emenda nº 108 é de autoria dos senadores Tasso
Jereissati (PSDB-CE) e Arthur Virgílio (PSDB-AM). Os outros
três destaques a emendas colocados em votação foram
rejeitados pelo relator e também pela comissão.
A Super-Receita será dirigida pelo secretário da Receita
Federal do Brasil e terá competência para arrecadar, fiscalizar,
administrar, lançar e normatizar o recolhimento de quase a totalidade
dos impostos e contribuições que cabem à União.
O projeto prevê a possibilidade de fiscalizar contribuições
devidas a terceiros que tenham a mesma base utilizada para o cálculo
das contribuições incidentes sobre a remuneração
paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência
Social (RGPS), bem como das contribuições incidentes
sobre outras bases a título de substituição, mediante
retributação de 3,5% do total arrecadado, conforme explicou
o relator.
A proposição também disciplina os procedimentos
para redistribuição de servidores e transferência
de cargos efetivos e em comissão, de bens imóveis e móveis
e dotações orçamentárias do Ministério
da Previdência Social e do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) para o novo órgão. Propõe ainda a criação
da carreira de auditoria da Receita Federal do Brasil, que seria composta
pelos cargos de nível superior de auditor-fiscal e de analista-técnico,
fixadas sua remuneração e atribuições.
Esses cargos são atualmente exercidos pelos auditores da Receita
Federal e auditores-fiscais da Previdência Social.
O produto das contribuições sociais, constitucionalmente
vinculadas ao pagamento de benefícios do Regime Geral da Previdência
Social, será mantido em contabilidade e controle próprios
e segregado dos demais tributos e contribuições sociais,
conforme o projeto. Essas contribuições serão
creditadas diretamente no Fundo do Regime Geral de Previdência
Social. Para controle desses recursos, o projeto determina que a Super-Receita
deverá prestar contas ao Conselho Nacional de Previdência
Social, que administra o sistema previdenciário.
Cargos
O PLC da Super Receita cria 60 cargos em comissão do Grupo
de Direção e Assessoramento Superiores (DAS), sendo cinco
DAS 3 e 55 DAS 2. Esses cargos têm por objetivo colocar em exercício
funcionários nos órgãos também a serem
criados, que são cinco delegacias de julgamento e 60 turmas
de julgamento. Tourinho explicou, em seu parecer, que esses órgãos
são de deliberação interna e de natureza colegiada,
com competência para o julgamento em primeira instância
do processo de exigência de tributos e contribuições
administrados pela Super-Receita, a serem instalados por ato do ministro
da Fazenda, na medida das necessidades do serviço e da disponibilidade
de recursos orçamentários.
Para estruturar 120 Procuradorias-Seccionais da Fazenda Nacional,
serão criados, segundo o projeto, outros 60 cargos DAS 2 e 60
DAS 1. Essas procuradorias serviriam paratransferir, para a Procuradoria-Geral
da Fazenda Nacional, a consultoria, a representação judicial
e extrajudicial e a apuração da liquidez e certeza da
dívida ativa da União, relativas às contribuições
sociais sob a responsabilidade da Secretaria Previdenciária
do Ministério da Previdência Social. Além desses,
o projeto cria 1.200 cargos efetivos na carreira de procurador-geral
da Fazenda Nacional, a serem providos de forma gradual, de acordo com
a disponibilidade de recursos orçamentários, observou
Tourinho.
A Super-Receita foi proposta pelo Executivo por medida provisória
(MP) em 2005, mas perdeu sua eficácia por não ter sido
votada pelo Congresso em tempo hábil. O relator disse que, na
justificação de motivos da exposição interministerial,
o governo garante que, ao reorganizar a administração
fazendária da União em um mesmo órgão,
o projeto vai simplificar, dar maior eficiência e ampliar o processo
de arrecadação de tributos, sem que disso decorra aumento
da carga tributária.
Durante a discussão da matéria, nesta terça-feira,
Tourinho afirmou que não há qualquer artigo no projeto
possibilitando haver um "trem da alegria" ou algum sinal
de que uma carreira venha a ser beneficiada em detrimento de outra.
O esclarecimento do relator foi feito para um questionamento do senador
Osmar Dias (PDT-PR). Tourinho disse ainda, em resposta a Suplicy, acreditar
que não haja inconstitucionalidade no projeto mas que, se houver,
a CCJ se encarregará de verificar esse assunto. Para o senador
Aloizio Mercadante (PT-SP), que quis saber sobre prazos para a implantação
da lei, Tourinho disse que tal decisão caberá ao próprio
governo.
Mercadante disse que sua preocupação quanto ao prazo é devido
ao fato de as duas estruturas de que trata a lei "serem muito
pesadas". Observou ainda que há pleitos do funcionalismo
que são justos e devem ser vistos com cautela. Na CAE, a matéria
foi discutida em três audiência públicas com especialistas
na área tributária e autoridades do setor. Recebeu 141
emendas dos senadores, sendo que, destas, o relator acolheu integralmente
12, aproveitou sete como subemendas e acolheu parcialmente 36.
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Agência
Senado, 6 de dezembro de 2006
Transformação da CPMF
em contribuição permanente está na pauta da
CCJ

A Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) poderá passar a ser permanente, com redução
gradual de alíquotas até chegar a um valor fixo de 0,08%.
Proposta de emenda à Constituição nesse sentido, de
autoria do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), está na pauta que
a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania
(CCJ) analisa nesta quarta-feira (6).
A CPMF foi criada em 1996 como contribuição provisória,
pelo prazo máximo de dois anos e com alíquota de
0,25%, para financiar ações e serviços de
saúde. Atualmente, pela Emenda Constitucional 42/03, o imposto
foi estendido até 31 de dezembro de 2007, com alíquota
de 0,38%. Pela proposta de Jereissati (PEC 57/04), a CPMF seria
reduzida gradativamente a partir de 1º de julho de 2005, até chegar
a 0,08% a partir de 1º de janeiro de 2008, com as seguintes
destinações: 53% para a saúde, 26% para a
seguridade social e 21% para o Fundo de Combate e Erradicação
da Pobreza.
Emenda proposta pelo relator da PEC, senador Rodolpho Tourinho
(PFL-BA), altera os prazos para o início da redução
da alíquota, que passaria a 0,28% a partir de 1º de
janeiro de 2008, até chegar aos 0,08% (oito centésimos
por cento) a partir de 1º de julho de 2010.
A CCJ também deverá votar na mesma reunião,
em decisão terminativa, projeto de lei do senador Rodolpho
Tourinho (PFL-BA) que tem como objetivo definir como crime as condutas
de aliciar, induzir, oferecer ou prometer vantagem na comercialização
de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano. A proposição
(PLS 251/04) altera a lei que dispõe sobre a remoção
de órgãos, tecidos e partes do corpo humano (Lei
9.434/97), na qual estão tipificadas outras condutas passíveis
de pena que ocorrem na prática do comércio de tecidos, órgãos
ou parte do corpo humano. Tourinho também propõe
aumento de um terço da pena (que é de três
a oito anos de reclusão, mais multa) caso o destino dos órgãos
seja o mercado internacional.
Outro projeto de Tourinho que está na pauta da CCJ é o
que prevê a concessão de três parcelas de seguro-desemprego,
no valor de um salário mínimo cada, aos egressos
de estabelecimento penal (PLS 166/05). Pela proposta, que terá decisão
terminativa na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), os ex-presos
também deverão ser encaminhados para qualificação
profissional e recolocação no mercado de trabalho,
por meio do Sistema Nacional de Emprego (Sine), vinculado ao Ministério
do Trabalho e Emprego.
A CCJ ainda tem outras nove proposições na pauta
de votações desta quarta-feira. Entre elas, está o
substitutivo de Tourinho a projeto do senador Paulo Paim (PT-RS)
que tem por objetivo atualizar e recompor o poder aquisitivo das
aposentadorias e pensões pagas pela Previdência Social
aos seus segurados e, pela União, aos seus inativos e pensionistas
(PLS 58/03).
Também deverá ser examinado o substitutivo do senador
Luiz Otávio (PMDB-PA) à proposta de emenda à Constituição
(PEC 13/03) que altera os procedimentos para a criação,
a incorporação, a fusão e o desmembramento
de municípios. A proposta tem como primeiro signatário
o senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS).
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Agência
Diap, 6 de dezembro de 2006
Supersimples
Entidades se mobilizam pelo veto
aos artigos que flexibilizam legislação trabalhista
A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) intensifica o
trabalho e mobilização dos trabalhadores para forçar
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a vetar os artigos 51 e 55
que precarizam as relações de trabalho com a instituição
do Supersimples (PLP 123/04).
O projeto de lei foi aprovado conclusivamente pela Câmara
em 22 de novembro e está para ser sancionado pelo presidente
da República. O projeto é bom para as micro e pequenos
empresários e perverso para os trabalhadores dessas empresas,
que constituem o grande universo de empregadores da mão-de-obra
formal brasileira.
Um dos trabalhos da Conlutas é a divulgação
da nota em que pede o veto aos artigos 51 e 55 que retira direitos
dos trabalhadores ao dificultar sobremaneira a fiscalização
do Ministério do Trabalho e Emprego sobre as empresas regidas
pelo Supersimples.
A nota intitulada “Em Defesa dos direitos dos trabalhadores” pede
o veto do artigo 51, cujo texto desobriga as empresas de procedimentos
básicos como a fixação de quadro de trabalho
nas dependências da empresa, anotação de férias
dos empregados nos respectivos livros ou fichas de registro, comunicação
ao MTE de concessão de férias coletivas, posse do
livro de “inspeção no trabalho”, entre
outros fatores que dificultam ao Ministério apurar ou não
se os direitos trabalhistas estão sendo respeitados.
A nota também denuncia o artigo 55 do projeto, que estabelece
o princípio da “fiscalização orientadora”,
cujo objetivo é nortear o trabalho da fiscalização
do trabalho de modo a não permitir que o empresário
flagrado burlando a legislação trabalhista não
seja punido. Ou seja, antes de aplicar a punição
o fiscal deverá orientá-lo a cumprir a lei e depois
disso o fiscal deve ainda negociar as condições para
cumprimento da obrigação trabalhista.
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Diário
Vermelho, 6 de dezembro de 2006
Paulinho da Força Sindical
e mais 11 responderão por estelionato
A Justiça Federal em Ourinhos (SP) aceitou a denúncia da
Procuradoria-Geral da República e abriu processo contra o deputado
federal eleito Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP) —presidente
da Força Sindical. Ele e mais 11 pessoas são acusados de
crimes de estelionato, falsidade ideológica e falsificação
de documentos.
Segundo a denúncia da PGR, os acusados obtiveram, indevidamente,
mediante atos fraudulentos, R$ 2,859 milhões em recursos
federais do Ministério do Desenvolvimento Agrário,
durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, para
um projeto de reforma agrária considerado inviável
técnica e economicamente.
O advogado da Força Sindical Antônio Rosella afirmou que
o presidente da entidade não foi notificado da denúncia
e nem do inquérito sobre o assunto. Segundo ele, caso Paulinho
seja notificado, a ação deve ser encaminhada diretamente
ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo fato dele ter foro privilegiado.
Além de Paulinho, são acusados seu assessor, João
Pedro de Moura e o ex-prefeito de Piraju (SP), Maurício de Oliveira
Pinterich (atual subprefeito do Butantã, em São Paulo),
presidente da Amvapa (Associação dos Municípios
do Vale do Paranapanema).
A procuradoria acusa os envolvidos na fraude de forjarem documentos para
iniciar um projeto previsto no PRF (Programa de Reordenação
Fundiária), que tinha a Força Sindical como unidade técnica
responsável. Segundo os procuradores, os acusados superfaturaram
em 77,3% o preço de uma fazenda em Piraju, comprada para assentar
trabalhadores rurais. Eles também teriam induzido agricultores
a formarem uma associação, que aprovou a a compra da fazenda.
Segundo a PGR, além da ação criminal, tramita na
Justiça Federal de Ourinhos, contra os mesmos acuados, ação
de improbidade administrativa desde 2002. Nove deles tiveram decretada
a indisponibilidade e o seqüestro dos bens numa ação
cautelar. Fonte: Última Instância.
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Folha
de São Paulo, 6 de dezembro de 2006
TENDÊNCIAS/DEBATES
Sobre salários, salários
e mais salários
ODED GRAJEW
Os salários desses funcionários
públicos são pagos pelo povo deste Brasil, um dos
campeões mundiais da injustiça social
OS INTEGRANTES do CNMP (Conselho Nacional do Ministério
Público) acabam de aprovar a equiparação
do teto salarial dos integrantes dos Ministérios Públicos
Estaduais -hoje, em R$ 22.111- ao valor pago aos ministros do
STF (Supremo Tribunal Federal): R$ 24.500. A ministra Ellen Gracie,
presidente do Supremo e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça),
enviou ao Congresso um anteprojeto de lei que elevaria o seu
salário mensal para R$ 30 mil, e os salários dos
colegas ministros para cerca de R$ 26 mil.
Os membros do CNJ querem aumentar seus salários mensais
de R$ 23 mil para R$ 29 mil. Os parlamentares do Congresso Nacional
estão preparando um aumento dos seus vencimentos que pode
variar de 30% a 90%. Tudo sem contar as aposentadorias, as férias
prolongadas, as mordomias, as isenções fiscais,
as verbas suplementares e, em casos do Judiciário, a garantia
vitalícia do emprego.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal, os juízes do
Conselho Nacional de Justiça, os promotores públicos
e os parlamentares são funcionários públicos.
Seus salários são pagos pelo povo de um país
chamado Brasil, um dos campeões mundiais da injustiça
social, onde o salário mínimo é de R$ 350
mensais, onde a metade da população vive na pobreza,
onde 20% estão na miséria absoluta e que tem altos
indicadores de mortalidade infantil, analfabetismo, violência,
desemprego e corrupção.
Nossa Justiça é implacável com o ladrão
de galinhas e com os pobres, mas morosa com os poderosos. Os
serviços públicos (saúde, educação,
transporte, segurança, Justiça) são, em
geral, de baixíssima qualidade. Tanto é que as
classes mais ricas, inclusive os parlamentares, promotores e
juízes, não os utilizam, preferindo pagar pelos
serviços privados. Ao propor um aumento de rendimentos,
pelo exemplo que estão dando ao nosso povo, esses graduados
funcionários públicos estão empurrando ladeira
abaixo o pouco de credibilidade e respeito que a população
ainda nutre por seus representantes e pelas instituições
públicas.
Como resultado, cada cidadão se vê autorizado a
buscar os seus direitos e a justiça com as próprias
mãos. A perda da credibilidade da democracia e das instituições
públicas acaba sempre por romper os laços de solidariedade,
dinamitando a cidadania e estimulando a violência, a corrupção
e a ilegalidade. Outro fato relevante é que esses aumentos
irão provocar um efeito cascata nos vencimentos (que estão
atrelados aos dos parlamentares e juízes federais) de
várias categorias de funcionários públicos
federais, estaduais e municipais, exaurindo os já minguados
recursos dos serviços públicos.
A proposta do aumento de vencimentos, caso aprovada, demonstraria
que a maioria dos nossos parlamentares e juízes não
têm compromisso com a sua missão e com a maioria
do povo brasileiro que paga seus salários. Proponho que
seja aprovada uma lei que congele nos níveis atuais e
converta a remuneração desses funcionários
públicos a um múltiplo determinado de salários
mínimos. Cada um desses funcionários públicos
aqui referidos passaria a receber do povo brasileiro um vencimento
mensal (incluindo todos os benefícios) de "x" salários
mínimos.
Dessa forma, ficaria visível a proporção
entre esses vencimentos e os rendimentos de uma grande parte
do povo brasileiro, eliminaríamos o casuísmo e
o corporativismo na determinação dos salários
e comprometeríamos um pouco mais esses funcionários
públicos com o bem-estar da maioria pobre do nosso povo.
Seus aumentos salariais seriam atrelados à melhoria das
condições de vida da população mais
necessitada. Quem sabe, dessa forma, chegaremos mais rapidamente
ao salário mínimo constitucional, que garante dignidade
a quem o recebe.
Espero que estas considerações e essa proposta
possam contribuir para que consciências sejam despertadas
na área pública, no movimento sindical, no setor
empresarial (que é o principal financiador das campanhas
e, portanto, tem grande influência sobre nossos governantes
e legisladores) e na sociedade civil em geral, agindo para resguardar
o pouco de credibilidade e respeito que ainda resta na sociedade
brasileira pelas autoridades e instituições públicas.
ODED GRAJEW, 61, é presidente do Conselho Deliberativo
do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, membro
do Conselho do Pacto Global, das Nações Unidas,
idealizador do Fórum Social Mundial, idealizador e ex-presidente
da Fundação Abrinq (1990-1998) e membro do Conselho
de Desenvolvimento Social e Econômico. Foi assessor especial
do presidente da República (2003).
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Folha
de São Paulo, 6 de dezembro de 2006
Empresas com concessões públicas
doam R$ 89,8 mi
Apesar de restrição da lei
eleitoral, Lula e Alckmin recebem mais de R$ 23 mi | Ontem, em
São Paulo, TRE decidiu, em caso análogo, que "empresa
controladora de concessionária pública não
pode fazer doação"
RUBENS VALENTE, CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Empresas com participação em concessões
públicas do governo federal doaram ao menos R$ 89,8 milhões
nas últimas eleições, dos quais R$ 15,89
milhões (17,7%) para a campanha do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) e R$ 7,5 milhões (8,4%) para a campanha
de Geraldo Alckmin (PSDB). O artigo 24º da lei eleitoral
proíbe que candidatos e partidos recebam doações
de "concessionárias ou permissionárias do
serviço público". As empresas, portanto, não
são proibidas de doar -os partidos é quem não
deveriam receber. Pelo menos nove empresas que participam de
concessões de ferrovias, rodovias federais e telecomunicações
doaram para os dois principais candidatos à Presidência.
Ontem, em sessão plenária, o TRE (Tribunal Regional
Eleitoral) de São Paulo decidiu, ao analisar um caso análogo
sobre as contas de um candidato do PV, que "empresa controladora
de concessionária pública não pode fazer
doação". Cabe recurso ao TSE. Em agosto, ao
comentar levantamento da Folha que apontava doações
de R$ 30 milhões nas eleições de 2002 e
de 2004 de empresas ligadas a concessionárias, o presidente
do TSE, Marco Aurélio de Mello, qualificou as contribuições
como uma "fraude" que teriam atingido "o espírito
da lei", evitar "a promiscuidade entre público
e privado".
Os serviços das concessionárias -principalmente
a qualidade do serviço oferecido ao contribuinte e o cumprimento
dos planos de metas- são, em tese, fiscalizadas por agências
reguladoras, como a Aneel (energia elétrica), a ANTT (transportes)
e a Anatel (telecomunicações). Os mais altos dirigentes
das agências são cargos de livre nomeação
do presidente da República e, assim, estão expostos
a todo tipo de pressão política. Os pagamentos
da empreiteira Camargo Corrêa a Lula e Alckmin não
foram contestados pela área técnica do TSE. Mas
eles são um dos casos mais ilustrativos. A "Camargo
Corrêa Transporte" detém 17,9% do controle
acionário da CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias), "a
maior operadora da América Latina nesse segmento",
segundo o site da empreiteira na internet.
A CCR administra 1.452 km de algumas das principais rodovias
do país, como a NovaDutra (São Paulo-Rio), a AutoBan
(sistema Anhangüera-Bandeirantes) e a Ponte Rio-Niterói.
A Camargo Corrêa, por meio de três empresas sob seu
controle, doou R$ 3,54 milhões para Lula e R$ 400 mil
para Alckmin. Em todo o país, despejou R$ 11,69 milhões.
A siderúrgica Vale do Rio Doce, maior doadora das últimas
eleições, com um total de R$ 29,4 milhões,
nos últimos dez anos assinou concessões com a União
para operar pelo menos sete usinas hidrelétricas e três
empresas de transporte ferroviário.
Oficialmente, a Vale não fez doações. Utilizou
três outras empresas sob seu controle, a Caemi, a Urucum
Mineração e a MBR (Minerações Brasileiras
Reunidas). A assessoria da Vale informou que a empresa "não
pode" fazer doações. Diferentemente do entendimento
da Vale, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) fez doações
em seu próprio nome. Foram R$ 14,55 milhões para
concorrentes a todos os cargos. Desse total, R$ 1,9 milhão
foram para Lula e R$ 600 mil para Alckmin.
A CSN tem contratos de concessões para operar alguns
dos principais trechos da malha ferroviária no país.
Participa com 32% da MRS Logística, que administra a chamada
Malha Sudeste, 1.674 km que interligam MG, RJ e SP. Pelo menos
uma tele doou para Lula e Alckmin, a Algar Participações
(MG), com R$ 51 mil ao petista e R$ 50 mil ao tucano - contribuições
também não questionadas pela TSE. A Algar reconhece,
em seu site na internet, deter a concessão da CTBC (Companhia
de Telecomunicações do Brasil Central), operadora
que atende 3,5 milhões de usuários em seis Estados
e no DF.
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Folha
de São Paulo, 6 de dezembro de 2006
Marinho quer prazo para a valorização
do mínimo
Política de reajuste, que pode
ser pelo PIB per capita, seria avaliada periodicamente | Ministro
do Trabalho diz que parâmetros de reajustes levariam em conta
os indicadores da economia e das contas públicas
VALDO CRUZ, IURI DANTAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defende a adoção
de uma política de valorização do salário
mínimo com prazo de validade determinado, que seria avaliada
periodicamente. A proposta será apresentada hoje às
centrais sindicais, que defendem o reajuste do mínimo
de R$ 350 para R$ 420. "A idéia é estabelecer
uma política por um determinado período de tempo,
15 anos, por exemplo, em que seria adotada uma política
e depois você faria uma avaliação de sua
eficácia a cada quatro anos", disse.
As avaliações quadrienais seriam feitas para redefinir
os parâmetros de reajustes e levariam em conta os indicadores
da economia e das contas públicas. Se o déficit
da Previdência subisse no período, por exemplo,
esse dado determinaria mudança nas regras. Se caísse,
também. O índice de correção a ser
incluído nessa política, segundo Marinho, estaria
vinculado à variação do PIB (Produto Interno
Bruto). Segundo ele, pode ser um reajuste com base no PIB per
capita, na correção total do crescimento do PIB
ou de parte dele.
A estratégia do governo é tentar definir uma política
permanente de reajuste do mínimo nos próximos anos
para escapar das batalhas anuais com a oposição
em torno do tema. Uma tática usada pelo PT quando estava
na oposição, mas que agora o prejudica no comando
do governo. A linha proposta por Marinho está em consonância
com o que pedem as principais centrais sindicais do país,
que hoje apresentam justamente esse pedido durante a 3ª Marcha
pelo Salário Mínimo, na qual esperam 10 mil pessoas.
"Por que pedimos R$ 420? Porque não há política
permanente. Podia ser um valor menor que esse se tivéssemos
uma política de valorização para os próximos
anos", disse Arthur Henrique da Silva Santos, presidente
da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Marinho, que
também já presidiu a CUT, defende esse modelo justificando
que ele dá "previsibilidade" a todos os agentes
do mercado, inclusive para a própria Previdência
Social definir suas metas.
O ministro destacou que, no primeiro mandato, o objetivo do
governo Lula foi recuperar o valor do salário mínimo.
Agora, segundo ele, é preciso adotar uma "política
mais pé no chão". Marinho lembra que o reajuste
real médio do salário mínimo nos quatro
anos do primeiro mandato do presidente Lula ficará em
5,95%, acima da variação média anual do
PIB no mesmo período, que deve ficar em 2,7%.
Oficialmente, o governo defende a correção do
salário mínimo para R$ 367 em 2007, equivalente à variação
do PIB per capita. Só que a primeira proposta de Orçamento
enviada pelo governo ao Congresso previa um salário mínimo
maior, de R$ 375. As centrais, apesar de defenderem o mínimo
de R$ 420, sabem que esse valor não será acatado
pelo governo. A tendência é o governo tentar fechar
um acordo em torno de uma política permanente de reajuste
do mínimo e um valor no próximo ano de R$ 375.
Segundo a Folha apurou, no entanto, ainda não é consenso
dentro do governo a criação de uma política
permanente de reajustes. A equipe econômica ainda avalia
a proposta.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
06/12/2006
JT reconhece vínculo de empregada
admitida como estagiária
A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, acompanhando o
voto da ministra Maria Cristina Peduzzi, manteve a decisão do
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais)
que reconheceu a existência de vínculo empregatício
de ex-empregada da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo
dos Comerciantes de Confecções da Região da Serra
Geral de Minas Gerais (Credigerais). A empresa negava o vínculo
sob a alegação de tratar-se de estagiária.
A empregada foi admitida na empresa em abril de 2002 para trabalhar
como secretária na sede da empresa, situada em Janaúba
(MG), recebendo dois salários mínimos mensais para uma
jornada de oito horas. Alega que foi demitida sem justa causa, em setembro
de 2004, sem ter recebido as verbas correspondentes à rescisão.
Em fevereiro de 2005 ajuizou reclamação trabalhista
alegando que o contrato de trabalho firmado com a empresa tinha o nítido
intuito de mascarar o vínculo de emprego. Pleiteou anotação
na carteira de trabalho, férias acrescidas de 1/3, 13º salário,
horas extras, FGTS e multa do artigo 477 da CLT, por atraso no pagamento
das verbas rescisórias.
A empresa, em contestação, negou o vínculo de
emprego. Alegou que autora da ação foi admitida como
estagiária após a empresa ter firmado convênio
com a instituição de ensino Unimontes, na qual a reclamante
estava matriculada, cursando Filosofia. Contestou, por conseguinte,
todos os demais pedidos formulados pela trabalhadora.
A sentença foi favorável à empregada. O juiz
da Vara do Trabalho entendeu que não ficou comprovado nos autos
que a autora da ação realizasse na empresa atividades
que contribuíssem com a sua aprendizagem. Ao contrário,
os autos demonstraram que as tarefas desenvolvidas não possuíam
nenhuma correlação com o curso de Filosofia.
O juiz declarou nulo o contrato de estágio, reconhecendo a
existência de vínculo de emprego, condenando a empresa
a pagar à empregada todos os direitos decorrentes da relação
empregatícia, inclusive com anotação na carteira
de trabalho. A empresa, insatisfeita, recorreu ao TRT/MG, que manteve
o teor da sentença. Segundo o acórdão, para que
se configure o estágio, a Lei nº 6.494/77 e o Decreto nº 87.497/82
exigem observância de requisitos formais e materiais, sob pena
da relação especial e excepcional se transformar em empregatícia.
O acórdão esclareceu que são requisitos formais:
a) existência de favorecido e de tomador de serviços,
que deverão ser, respectivamente, estudante, matriculado em
curso vinculado ao ensino público ou particular, e pessoa jurídica;
b) prova de que o favorecido esteja freqüentando regularmente,
o curso; c) termo de compromisso entre o estudante e a parte concedente;
d) interveniência da instituição de ensino no encaminhamento
do estudante; e) constituição de seguro de acidentes
pessoais em favor do estudante; e f) bolsa de complementação
educacional.
Os requisitos materiais são: a) exigência de que o estágio
se verifique em unidades que tenham condições reais de
proporcionar experiência prática de formação
profissional ao estudante; e b) que seja propiciado ao estudante-estagiário
efetiva complementação do ensino e aprendizagem a ser
planejado, executado, acompanhado e avaliado, em consonância
com os currículos, programas e calendários escolares.
O juiz concluiu, diante das provas dos autos, que o estágio
não cumpriu seus objetivos legais, já que não
proporcionou ganhos educacionais e profissionais à empregada. “Quem
lucrou com ele foi apenas a reclamada, já que teve a mão-de-obra
de uma estudante de Filosofia a custo baixo”, destacou o acórdão.
Diante da decisão, novo recurso foi interposto pela empresa,
desta vez ao TST.
A relatora do processo, ministra Maria Cristina Peduzzi, em seu voto,
esclareceu que o tribunal de origem, examinando as provas dos autos,
consignou que não houve supervisão, pela instituição
de ensino, das atividades desempenhadas pela aluna e que estas não
guardavam pertinência com sua formação acadêmica
e profissional, entendendo desvirtuado o contrato de estágio. “Entendimento
diverso implicaria reexame de fatos e provas, conduta obstada na Súmula
nº 126 do TST”, concluiu. (RR 92/2005-082-03-40.0)
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