 |
|
Agência Diap, 7 de dezembro de 2006
Contribuição Assistencial
Votação na CAS ficou
para a próxima semana
Depois do consenso alcançado em audiência pública
na semana passada, era grande a expectativa do movimento sindical de
que fosse votado hoje, dia 06/12, na Comissão de Assuntos Sociais,
o PLS 248/06, do senador Paulo Paim (PT/RS), que regulamenta o desconto
das contribuições assistenciais destinadas ao financiamento
das negociações coletivas das entidades sindicais.
Apresentado com o objetivo de sanar o permanente conflito entre trabalhadores,
patrões, Ministério do Trabalho e Ministério Público
do Trabalho sobre a forma do desconto, o projeto tramita na CAS em
caráter terminativo com parecer favorável à aprovação
oferecido pelo relator, senador Valdir Raupp (PMDB/RO).
Na audiência da semana passada, foi construído o entendimento
de que o projeto fosse aprovado no formato original, sem emendas. Na
reunião de hoje, antes da leitura do parecer, o senador Flexa
Ribeiro (PSDB/PA), que até então nunca havia se manifestado
sobre o assunto, sugeriu o aprofundamento da discussão por pelo
menos mais uma sessão do colegiado.
Durante a intervenção do senador paraense, o plenário
da CAS ficou esvaziado e não houve condições para
apreciar a matéria porque o caráter terminativo em que
tramita o projeto exige quorum qualificado de deliberação.
O autor do projeto, senador Paulo Paim, disse que ficou surpreso com
a reação do senador Flexa Ribeiro. “Eu estava convicto
de que o projeto seria aprovado hoje e por unanimidade em virtude do
amplo entendimento que havíamos conquistado”. Paim lembrou
que, na semana passada, o PLS havia sido defendido até por senadores
que atuam na área empresarial. “Falei com praticamente
todos os senadores e não havia me deparado com nenhuma resistência à matéria”,
ratificou o senador do PT.
Já que na sessão de hoje não houve votação,
pelo menos ocorreu a leitura do parecer, que foi feita pelo senador
Geraldo Mesquita (PMDB/AC) porque o relator Raupp não estava
presente. O PLS 248/06 estará novamente na pauta da CAS na semana
que vem, quando será decisiva a presença do movimento
sindical para assegurar a votação da matéria.
|
GAZETA DO POVO, 7 de dezembro de 2006
CONGRESSO | Deputado federal paranaense foi
o último envolvido no escândalo do mensalão a
ser julgado
Câmara livra Janene da
cassação
Brasília – A Câmara dos Deputados livrou ontem o ex-líder
do PP José Janene (PR) da cassação do mandato por
quebra do decoro parlamentar. Dos 513 parlamentares, compareceram apenas
366, o menor quorum de todas as 15 sessões de julgamento dos deputados
acusados pela CPI dos Correios de envolvimento com o esquema de compra
de votos montado pelo PT e pelo empresário Marcos Valério
Fernandes de Souza – o chamado mensalão.
De acordo com o relatório final da CPI dos Correios, Janene
recebeu R$ 4,1 milhões do esquema de caixa 2 do PT. O desinteresse
pelo julgamento dele, no entanto, foi geral. Uma hora antes, na votação
da escolha do novo candidato da Câmara para o Tribunal de Contas
da União (TCU), o painel eletrônico registrou a presença
de 412 parlamentares. Para cassar um deputado são necessários,
no mínimo, 257 votos a favor da cassação.
O ex-líder do PP não compareceu à sessão
que o julgou. Alegou estar muito doente. Sua defesa foi feita pelo
advogado Marcelo Leal. Janene foi o último dos 19 acusados de
envolvimento com o mensalão a ser julgado pela Câmara.
Ele conseguiu adiar a decisão final sobre o processo por quase
um ano e meio.
|
GAZETA DO POVO, 7 de dezembro de 2006
TRABALHO
Metalúrgico adia votação
de acordo salarial negociado
O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) vai continuar
promovendo, até a próxima terça-feira, o chamado “arrastão
de greves” ou “greves-canguru” (iniciado há uma
semana e que para algumas por poucas horas), nas empresas que não
oferecerem reajuste melhor que a proposta do Sindicato da Indústria
Metal Mecânica do Paraná (Sindimetal-PR), que representa
as empresas. “Eles [o sindicato dos trabalhadores] disseram que,
mesmo tendo ido à mediação, continuariam com as
greves para tentar acordos melhores nas grandes empresas.
Ficou certo que eles aceitariam a convenção coletiva
para empresas com menos de 60 empregados. Para as maiores eles vão
procurar negociações melhores”, conta a procuradora
do Trabalho Renée Araújo Machado, que mediou um encontro
entre patrões e empregados, na sexta-feira passada.
“Obrigação [de votar] eles não têm,
mas a negociação propõe um acordo. Eles teriam
que fazer esta asembléia o mais rápido possível”,
diz a procuradora. Ela conta que a atitude dos metalúrgicos
causa estranheza ao Ministério Público do Trabalho. “Isso é fora
do comum. A gente não vê isso acontecer em outra categoria. É bem
difícil esta situação, e é espantosa para
nós também”, diz Renée.
Após a mediação, a proposta formalizada pelo
sindicato patronal oferece 5% de reajuste em fevereiro de 2007, 7%
de aumento no piso salarial, 11% para o Fundo de Qualificação
(que vai para o sindicato dos trabalhadores), além de 14% de
abono salarial. O SMC, porém, justifica que já foram
fechados 40 acordos coletivos de trabalho com empresas de Curitiba
e região desde que a campanha salarial começou, há três
semanas. Estes acordos seriam melhores que o oferecido pelo sindicato
patronal, e teriam beneficiado, segundo o SMC, 17 mil trabalhadores
do setor.
O SMC informou que vai denunciar à Organização
Internacional do Trabalho (OIT) o proprietário de uma empresa
de São José dos Pinhais, que estaria intimidando os trabalhadores
da fábrica tirando fotos durante uma manifestação
de greve na terça-feira. A denúncia seria por “prática
anti-sindical”, segundo o SMC. O proprietário diz ter
sido agredido por dirigentes sindicais, e registrou o caso na delegacia.
Felipe Laufer.
|
GAZETA DO POVO, 7 de dezembro de 2006
PESQUISA | Montadoras se recuperam em outubro
Indústria reage e produção
cresce
Rio – Impulsionada pelas montadoras de veículos, a produção
da indústria brasileira reagiu e avançou 0,8% em outubro
na comparação com setembro, segundo dados já desassonalizados
divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). No mês de setembro, a indústria tinha apresentado
uma queda de 1,1% (número revisado). A recuperação
dá um alento para a equipe econômica do governo, que já admite
um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo de 3% neste ano.
Segundo o IBGE, o desempenho da indústria em outubro pode ser
explicado pela recuperação das montadoras. A produção
de veículos automotores cresceu 6,2%, após queda de 9%
em setembro. No total, 12 dos 23 ramos da indústria tiveram
crescimento em outubro. Também teve alta representativa a produção
de produtos químicos (1,7%), farmacêutica (3,5%) e máquinas
e equipamentos (1,8%).
O setor de bens intermediários (insumos), que tem o maior peso
no índice, teve uma produção 0,2% menor. Os bens
de consumo duráveis (veículos e eletrodomésticos,
por exemplo) cresceram 3,2%. Já os bens de consumo semi e não-duráveis
(roupas e alimentos) tiveram alta de 0,4%. Em relação
a outubro de 2005, a produção industrial registrou uma
alta de 4,8%. No ano, a alta acumulada é de 2,9%, e, nos últimos
12 meses, de 2,7%.
A alta da produção neste ano foi atribuída pelo
IBGE a setores exportadores de commodities, aumento da produção
automobilística sustentada pela demanda interna, crescimento
da produção de bens de capital principalmente nos setores
elétrico e de informática e ao comportamento positivo
da massa salarial.
|
Gazeta do Povo, 7 de dezembro de 2006
SINDUSCON
Crédito puxa crescimento da
construção civil
O ano de 2006 foi cheio de bons números para a construção
civil e o setor deve crescer 5% na comparação com o ano
passado. A previsão é do Sinduscon São Paulo, que
projeta para o ano que vem aumento de 4,9%. Segundo a consultora da FGV
para o Sinduscon, Ana Maria Castelo, foi o aumento da oferta de crédito
o principal impulsionador do resultado. As construções
residenciais, favorecidas pelo estímulo e entrada de recursos
de diversas fontes para o financiamento habitacional, responderam por
boa parte do resultado.
Na geração de empregos, o segmento residencial, que
emprega 60% dos trabalhadores do setor, também se sobressaiu:
contratou 6,3% mais trabalhadores até setembro. O dinheiro para
expansão veio de fontes, como BNDES, poupança, FGTS,
orçamento e mercado de capitais: sete empresas de construção
civil abriram capital na Bovespa. “O PIB da construção
civil caiu em um buraco, e estamos agora comemorando a saída
do buraco. Isso é estagnação. A sociedade brasileira
precisa eliminar gargalos insuportáveis na vida de quem produz”,
diz Eduardo Zaidan, diretor do sindicato.
|
Agência Senado, 7 de dezembro de 2006
Senado confirma reajuste de 5,01% nos
benefícios de aposentados e pensionistas que ganham acima
do mínimo
Depois de mais de duas horas de discussão, o Senado Federal aprovou,
na tarde desta quarta-feira (6), o Projeto de Lei de Conversão
(PLV) 22/2006, proveniente da Medida Provisória 316/2006. Entre
outras medidas, o PLV confirma o reajuste de 5,01% nos benefícios
de aposentados e pensionistas que ganham acima de um salário mínimo.
O aumento tem efeitos a partir de 1º de agosto deste ano, pois a
MP 316/06 foi editada naquele mês.
O líder do PFL, senador José Agripino (RN), propôs
a elevação desse índice para 16,67%, mas a emenda
foi derrubada por 30 votos contra 22. A matéria agora vai a
sanção presidencial. O relator-revisor do projeto de
conversão, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR),
pediu que os senadores aprovassem o projeto como recebido da Câmara
dos Deputados alertando que a MP perderia validade na próxima
sexta-feira (8) e, com isso, os aposentados e pensionistas poderiam
ficar sem nenhum reajuste.
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) defendeu o reajuste
de 16,67% e afirmou que o governo federal "está maltratando
os aposentados". Tal reajuste foi apoiado tanto pelos outros senadores
do PFL, como por alguns do PMDB, e também pela senadora Heloísa
Helena (PSOL-AL).
Agripino disse que o PFL estava defendendo um reajuste que correspondia
a promessas de campanha do presidente da República, de valorização
dos salários dos trabalhadores e aposentados. Entretanto, a
bancada do PFL não contou com o apoio do líder do PSDB,
senador Arthur Virgílio (AM), que liberou os votos da bancada
tucana. Arthur Virgílio disse achar "muito pouco" o
reajuste de 5,01%, mas concordou em votar pela aprovação
do projeto pois, em sua opinião, a crise fiscal no país
já é grande, e um reajuste superior aumentaria "o
rombo fiscal do país". A senadora Lúcia Vânia
(PSDB-GO) elogiou a "atitude democrática" de Arthur
Virgílio, mas disse que votaria pelos 16,67%.
- É exatamente nessa idade que o trabalhador precisa de um
apoio maior do poder público - argumentou Lúcia Vânia.
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) elogiou a postura do líder
do PSDB e disse que um reajuste maior seria preferível, mas impossível
diante dos problemas nas contas da Previdência Social. O senador
Ney Suassuna (PMDB-PB) também disse que seu partido gostaria que
o reajuste fosse mais alto, mas opinou que isso poderia "quebrar
as contas da Previdência". O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
reclamou que o governo federal está usando as medidas provisórias "de
forma abusiva" e acusou o governo de incluir em MPs artigos que
não têm ligação com o tema principal da medida.
Heloísa Helena afirmou que o "déficit da seguridade
social é mentira". Ela desafiou os senadores a provarem
que as contas da Previdência não são superavitárias.
Heloísa Helena disse que o Tribunal de Contas da União
(TCU) já demonstrou que a seguridade social brasileira é superavitária.
Ela reiterou que o aumento de 16,67% seria possível e disse
que as aposentadorias já apresentam perdas da ordem de 78% nos últimos
dez anos.
- Mentirosos e farsantes! Déficit na seguridade não
há! - reclamou Heloísa Helena.
A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), disse que os 5,01%
já estavam previstos no Orçamento 2006, fruto de negociações
com as centrais sindicais. Ela disse que tais reajustes devem ser prioritariamente
discutidos no âmbito da Comissão Mista de Planos, Orçamentos
Públicos e Fiscalização (CMO).
O senador Jefferson Péres (PDT-AM), mesmo informando que fará oposição
ao segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
disse que o aumento de 16,67% acarretaria "um impacto que o Tesouro
Nacional não conseguiria agüentar". Já Heráclito
Fortes (PFL-PI) afirmou que o governo federal "mentiu para os
trabalhadores prometendo reajustes que não pode dar".
O senador Mão Santa (PMDB-PI) afirmou que nunca no país
houve tanta "injustiça salarial". Ele disse que os
maiores salários do país são mais de cem vezes
superiores ao salário mínimo. Mão Santa também
disse que as perdas dos aposentados já somam 78% e declarou
apoio ao reajuste proposto por Agripino.
Já Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) registrou que as dívidas à Previdência
Social brasileira totalizaram R$ 44,5 bilhões em 2005. Para
ele, os problemas nas contas previdenciárias poderiam diminuir
caso o governo cobrasse essas dívidas eficientemente. Ele disse
que votaria pelos 5,01% para evitar que as contas explodissem. O reajuste
de 5,01% vale para todos os benefícios concedidos até 30
de abril de 2005, e será aplicado proporcionalmente aos concedidos
de 1º de maio de 2005 a 31 de março de 2006.
|
Nova Central, 7 de dezembro de 2006
Governo poderá mudar regras
da caderneta de poupança
O governo analisa medidas que podem modificar as regras da caderneta
de poupança, na busca de evitar que esse tipo de aplicação
financeira continue "roubando" recursos dos fundos de investimento.
Ainda não há uma decisão, mas entre as propostas
apresentadas à equipe econômica, estão limitar a
isenção de Imposto de Renda sobre a poupança a contas
com saldo até R$ 30 mil ou R$ 50 mil ou alterar a fórmula
de cálculo da TR (Taxa Referencial).
Com a queda das taxas de juros definida pelo Banco Central, a caderneta
de poupança passou a ser uma aplicação mais atraente
do que alguns fundos de investimento. Enquanto os fundos cobram dos
clientes taxa de administração e são tributados
com Imposto de Renda, a caderneta é isenta tanto de IR quanto
de taxa de administração.
Os bancos pressionam o governo a mudar o cálculo da TR para
evitar perdas para a indústria dos fundos de investimentos.
Já até encaminhou estudo nesse sentido, por meio da Febraban
(Federação Brasileira de Bancos), ao Banco Central na
semana passada. Não há consenso dentro do governo até o
momento sobre que tipo de medida adotar, o que deve ser definido apenas
no próximo ano. Setores do governo esperam que antes de qualquer
medida os bancos reduzam suas taxas de administração,
que em alguns casos chegam a 4%.
A proposta de limitar a isenção de IR sobre a poupança é tida
como de eficácia duvidosa pela equipe do Ministério da
Fazenda. Ela pode estimular a disseminação de cadernetas
de pequeno valor e desestimular a aplicação, importante
para o projeto do governo de incentivar à construção
civil. No caso da TR, usada para corrigir aplicações
na poupança e prestações do Sistema Financeiro
Habitacional, em março deste ano o Conselho Monetário
Nacional já fez modificações em sua forma de cálculo
para evitar que ela tivesse variação negativa.
As perdas de recursos em fundos de investimentos estão sendo
observadas naqueles de valor baixo de aplicação e nos
quais o aplicador deixa seu dinheiro por prazo inferior a seis meses.
Nesse caso, o cliente paga uma alíquota de Imposto de Renda
de 22,5%, além de uma taxa de administração normalmente
na casa dos 4%.
Outra proposta do mercado é acabar com a cobrança diferenciada
de IR sobre os fundos de investimentos. Hoje, aplicações
de até seis meses pagam 22,5% de IR, enquanto as superiores
a esse período têm uma tributação de 15%.
Essa diferenciação foi adotada para estimular o investidor
a fazer aplicações de prazo mais longo e facilitar o
financiamento da dívida pública da União.
A idéia é que todas as aplicações em fundos
de investimento paguem 15% de IR. Os defensores dessa proposta alegam
que a alíquota diferenciada não tem mais sentido, num
quadro de taxas de juros cadentes e de inflação baixa,
quando o investidor já estaria mais interessado em fazer aplicações
de mais longo prazo. O problema, nesse caso, é a perda de receita
com a modificação. Um problema num momento em que as
despesas correntes do governo registram crescimento.
|
Diário Vermelho, 7 de dezembro de
2006
Oito partidos da base de Lula
criarão Conselho Político dia 13
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou para quarta-feira
que vem (13) a primeira reunião do Conselho Político do
governo de coalizão que pretende para o seu segundo mandato. O
ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, disse
que foram convidados os presidentes de oito partidos: PMDB, PT, PSB,
PDT, PR (ex-PL), PCdoB, PV e PRB. PP e PTB não participam do Conselho "por
enquanto", segundo o ministro, mas constituem "bancadas do
governo" no Congresso.
"Será uma reunião institucional para que o Conselho
proponha sua auto-regulamentação, quais serão
suas funções e o tipo de acompanhamento dos temas que
ele vai adotar", disse o ministro a jornalistas no Palácio
do Planalto nessa quarta-feira (6). A idéia de um colegiado
dos partidos políticos da base freqüenta o governo Lula
desde antes mesmo de sua posse, em janeiro de 2003. E desde então
aparece associada à defesa de um governo de caráter frentista
ou de coalizão. No entanto, nem uma nem outra chegou a se efetivar.
As lições da crise política de 2005 e da campanha
eleitoral de 2006 reforçaram as duas teses. Lula assumiu pessoalmente
a bandeira da coalizão. E incorporou na "agenda mínima" da
frente a "criação de um conselho político
composto pelos partidos de coalizão para acompanhar as ações
de governo".
Presidência da Câmara pode entrar na
pauta
Segundo o ministro Tarso Genro, embora não seja um tema previsto,
a primeira reunião do Conselho Político pode discutir
com Lula a sucessão na presidência da Câmara, se
o tema for proposto pelos presidentes dos partidos. O PT lançou
o nome do líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia
(SP), à sucessão do atual presidente, Aldo Rebelo (PCdoB-SP),
tido como favorito de Lula para um segundo mandato. O PSB apóia
a reeleição de Aldo. No dia seguinte, a bancada do PMDB
reivindicou o direito de presidir a Casa, por ser a maior, com 89 deputados. "O
governo não vai impor uma decisão às bancadas,
das quais se espera que atuem com autonomia e responsabilidade. O governo
vai trabalhar, sim, para unificar a base", garantiu o ministro.
Da redação, com agências.
|
Diário
Vermelho, 7 de dezembro de 2006
Previdência: a falsa escolha
entre pais ou filhos
Sistema de aposentadoria pelo INSS é um
importante componente da modernização do Brasil.
Ele surgiu num momento em que o país passava por uma revolução.
A reforma pretendida pelos neoliberais reeditaria relações
sociais típicas do começo do século 20.
Por Osvaldo Bertolino
As enfadonhas lamúrias sobre o “déficit” da
Previdência Social que aparecem diuturnamente na mídia
são em parte demagogia, em parte malandragem de quem gostaria
que se mexesse o máximo possível no atual sistema
de aposentadoria a fim de se eximir de responsabilidades sociais.
Muito pouco, ou nada, do que se ouve na ladainha a favor da reforma
da Previdência faz algum sentido para quem vê a sociedade
como um conjunto de pessoas com direitos e deveres iguais. É o
caso, por exemplo, de um livro recém-lançado pelo
conhecido economista neoliberal Fabio Gimbiagi – para a
mídia, ele é a maior autoridade brasileira no assunto –,
intitulado Reforma da Previdência, que apresenta a questão
no subtítulo com o tão absurdo quanto falso dilema
sobre “a difícil escolha entre nossos pais ou nossos
filhos”.
Em resumo, pode-se dizer que Giambiagi expõe em estado
puro a frieza como os neoliberais vêem e entendem o mundo
da economia. Para eles, é difícil entender, por
exemplo, como os trabalhadores rurais podem ter direito a um
benefício para o qual não contribuíram. É como
se essas pessoas não participassem do processo de criação
de riquezas no país. A inominável insensibilidade
dessa gente chega a chocar. Muito falatório foi investido,
também, na repetição de que há gente
demais no Brasil trabalhando sem contribuir para a Previdência,
seja para terceiros ou por conta própria: 20 milhões,
25 milhões, 30 milhões, 40 milhões. Insiste-se
nas cifras (que por sinal ninguém sabe direito de onde
vêm) para contrabandear a idéia de que toda essa
imensa massa de trabalhadores não pode ter direito à aposentadoria.
Em nenhum momento foi explicitado por que, exatamente, tais
trabalhadores precisam deixar de ter no futuro o que eles têm
agora. O argumento não se justifica nem pelo peso da conta
dos benefícios – o principal motivo alegado pelos
neoliberais – nas despesas do Estado. Mesmo aqueles com
carteira assinada e contribuições rigorosamente
em dia estão longe de receber algo que pudesse passar
perto dessa justificativa – aproximadamente 80% dos aposentados
pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), responsável
pelos benefícios concedidos a todos os celetistas e autônomos,
ganham 1 salário mínimo por mês. Cerca de
90% deles recebem até 3 salários mínimos
e ficam com aproximadamente 60% de todas as despesas com benefícios.
Nas cidades, a média de benefícios é de
2,1 salários mínimos e na área rural, de
1 salário mínimo.
Outra falácia dos neoliberais
Se considerado proporcionalmente, o peso dessa conta – comparado,
por exemplo, com o peso da conta de juros – representa muito pouco
para a economia do país. Mas o seu poder para dinamizar a renda
das camadas mais pobres da população é considerável.
Para se ter uma idéia desse poder, basta ver os números
do crédito consignado. Esses créditos saíram do
zero no fim de 2003 e chegaram a R$ 33 bilhões no início
de 2006, após o governo federal ter incluído 23 milhões
de aposentados do INSS nesse mercado. Calcula-se que 40% dos aposentados
e pensionistas do INSS vivem nas zonas rurais dos cerca de 5 500 municípios
brasileiros.
Outra falácia muito comum aos neoliberais é a
de que esse modelo de benefício premia a ineficiência – como
se a imensa maioria dos trabalhadores vivesse mais como cigarra
do que como formiga. Roberto Campos, um dos papas do liberalismo
no Brasil, chegou ao capricho de contar quantas vezes a Constituição
de 1988 fala em garantias – 44 vezes –, em direitos – 76
vezes – e em deveres – 4 vezes. “A Constituição
prometeu-nos uma seguridade social sueca com recursos moçambicanos”,
escreveu ele em seu livro de memórias, intitulado A Lanterna
na Popa. Essa é a essência da proposta de reforma
da Previdência. Formulações como “equação
fiscal”, “fazer o Estado caber dentro de suas contas” ou “sistema
oneroso para o contribuinte”, tão falsas quanto
autoritárias, sustentam a propaganda catastrofista sobre
o futuro da Previdência.
O papel do Estado no sistema
A aposentadoria já é de fato um problema. Mesmo o sistema
atual precisa ser revisto para que a Previdência cumpra o seu papel.
Mas essa revisão nada tem a ver com a propaganda neoliberal. Os
trabalhadores logo terão de se mobilizar para não só impedir
retrocessos como lutar pela ampliação do papel do Estado
no sistema. Foi esse papel que garantiu, até agora, um sistema
de aposentadoria com alguma justiça. Mas isso custou uma revolução.
Apesar da “era neoliberal”, na essência há muito
do Brasil de Getúlio Vargas no país de hoje – industrializado,
geograficamente integrado, predominantemente urbano. Se olharmos para
o parque industrial brasileiro lá estão alguns dos monumentos
plantados pela “era Vragas”.
É o caso da Petrobras. Há também a Companhia Vale do Rio
Doce, criada em 1942 para fornecer minério para a Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN), cujo primeiro alto-forno começou a operar em Volta Redonda
em 1946. A CSN, aliás, marcou o começo de tudo. Foi a primeira
grande e moderna indústria nacional, a fornecedora brasileira do aço
que alguns anos mais tarde estaria em fogões, carros e geladeiras. A usina
de Volta Redonda começou a funcionar em conjunto com a Fábrica
Nacional de Álcalis, instalada em Cabo Frio, uma indústria de química
pesada. Sem a produção dessa empresa, a industrialização
seria muito onerosa, possivelmente inviável. Foi nesse processo de modernização
do país que surgiu o sistema de pagamento de benefícios pelo INSS.
A reforma proposta pelos neoliberais representa um retrocesso ao modelo de relações
sociais anterior à “era Vargas”.
Intervenções na economia
A Revolução de 1930 marcou uma reviravolta política
de enormes dimensões. Do paulista Prudente de Moraes, eleito em
1902, ao paulista Washington Luís, eleito em 1926, vigorou no
país a política do ''café-com-leite'', em que um
presidente do Partido Republicano Paulista (PRP) sucedia a um presidente
do Partido Republicano Mineiro (PRM). O voto não era secreto,
as fraudes se multiplicavam e os dirigentes políticos que estivessem
fora das chaves do PRP e do PRM não tinham nenhuma chance de chegar
ao governo. O Brasil ainda era uma grande fazenda – a agropecuária
representava cerca de 40% da produção nacional, frente
a uma fatia de 10% do PIB para uma indústria localizada quase
inteiramente em São Paulo e que produzia bens de consumo para
suprir os colonos nas fazendas.
A partir dos anos 30, tudo começou a mudar rapidamente.
Durante a República Velha, as intervenções
na economia praticamente se limitavam a facilitar a vida dos
fazendeiros. O governo comprava e estocava café dependendo
da produção e da flutuação do mercado
internacional. Quando o preço do produto caía no
exterior, o governo desvalorizava a moeda nacional na tentativa
de manter os ganhos dos cafeicultores – uma espécie
de ''socialização dos prejuízos'', na qual
o bolso dos fazendeiros era preservado à custa do empobrecimento
do restante da população. Hoje, os neoliberais
querem a reforma da Previdência para que o Estado se limite
a facilitar a vida do baronato contemporâneo e de seus
sócios do sistema financeiro. Volto ao assunto.
|
Diário
Vermelho, 7 de dezembro de 2006
Reforma da Previdência: o discurso
e a realidade
A pressão pela reforma da Previdência
Social nasceu com a desordem fical na qual o governo FHC meteu
o país. Com a política de perseguir elevado superávit
primário não há luz para o problema. O dilema é macroeconômico
e nada tem a ver com pagamentos indevidos de benefícios.
Por Osvaldo Bertolino
''O erro repete-se sempre na ação,
por isso deve-se incansavelmente repetir a verdade em palavras.''
Goethe
Uma das coisas mais exasperantes na discussão sobre a Previdência
Social e o fosso entre discurso e realidade — entre o dizer e o
ser. Antes de tudo é preciso considerar que a palavra previdência
remete à idéia de seguro social. Segundo o dicionário
Houaiss, previdência quer dizer qualidade do que é previdente;
previsão do futuro; conjectura; faculdade de ver antecipadamente;
antevidência, presciência. Pode ser também uma instituição
privada que, cobrando certo número de contribuições
dos associados, deve substituir a previdência social, garantindo àqueles
aposentadorias e pensões. Pode também ser um conjunto de
instituições estatais ou paraestatais cujo objetivo é proteger
e amparar o trabalhador e sua família na velhice e na doença,
por meio de aposentadorias, pensões etc. e assistência médica
e hospitalar; seguridade social. A palavra vem do latin praevidentìa,ae
e quer dizer “previsão, previdência”.
Parece óbvio, mas no raciocínio dos neoliberais essa lógica
cedeu lugar à crença de que os recursos que no futuro pagariam
as aposentadorias devem incentivar atividades da economia do país.
Sem a reforma da Previdência Social, dizem, não há como
o país crescer. Eles sequer questionam se as fontes garantidoras
da poupança advinda das contribuições ao setor serão
suficientes para cobrir tanta responsabilidade. Ao desobrigar o patronato
de parte das contribuições por meio da reforma pretendida
pelos neoliberais, certamente os recursos previdenciários diminuirão
consideravelmente.
Um dos pleitos do patronato, na reforma, é o fim da obrigatoriedade
de as empresas recolher ao INSS a contribuição social sobre
os valores pagos na forma de benefícios aos trabalhadores, conforme
estipula a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em sintonia
com a convenção 95 da Organização Internacional
do Trabalho (OIT) — ratificada pelo Brasil e que estabele o princípio
da proteção do salário ao determinar em seu item
3 do artigo 11º que a legislação nacional deve determinar “a
relação de prioridade entre o salário, que se constitui
em crédito privilegiado, e os demais créditos preferenciais”.
Ou seja: a lei permite o pagamento em outras modalidades que não
em dinheiro e a CLT determina o recolhimento da contribuição
social sobre essa parte indireta de remuneração. Casos
bem conhecidos são o vale-refeição, o vale-transporte,
a moradia, mas também são aceitos vestuário, cesta
básica e outros.
Missão urgente e vital
Algumas dessas formas a lei isentou de contribuição previdenciária,
outras não. Se todas ficassem isentas, a Previdência Social
poderia enfrentar problemas financeiros maiores que os que já encontra.
Já há casos injustificáveis, como o dos clubes de
futebol que contribuem desde 1993 com apenas 5% da renda dos jogos. Vários
clubes estão sem contribuir há anos porque a principal
fonte de renda está vinculada ao patrocínio e aos direitos
de transmissão por TV. É evidente que uma reforma que aprofunde
esse raciocínio, sintetizado na pregação sistemática
de combate ao “déficit” que compromete o “ajuste
fiscal”, inviabiliza a Previdência Social. Esse mantra nasceu
com a reeleição de Fernando Henrique Cardoso (FHC) à Presidência
da República, em 1998.
Ele assumiu o segundo mandato pregando que teria uma missão urgente
e vital: pôr fim ao crônico “desequilíbrio” das
contas públicas, uma fragilidade ameaçadora dos chamados “fundamentos
macroeconômicos”. Antes de FHC entrar em campo com essa bandeira,
vez por outra ouviam-se vozes liberais dizendo que o país deveria
buscar o “ajuste fiscal” para assentar em bases sólidas “o
processo de estabilização da economia” iniciado com
o “Plano Real”. Até o final de 1997, o déficit
público de 4,46 do PIB não era algo preocupante. Um ano
mais tarde, depois do malogrado pacote de 51 medidas anunciado pelo governo
para cortar gastos e aumentar receitas, o déficit público
já era superior a 7% do PIB.
Notas dissonantes
O golape decorreu da elevação da taxa de juros
posta na estratosfera para escudar o “Plano Real” de “ataques
especulativos” depois do furacão que começou
a girar na Ásia e se transformou numa tormenta financeira
que convulsionava o mundo. Na condição de dono
de um papagaio superior a R$ 350 bilhões, que era a dívida
pública brasileira à época, o Estado foi
o primeiro a sentir a mordida dos juros. As despesas com esse
item passaram de 0,74% do PIB em 1991 para 4,71% nos 12 meses
terminados em maio de 1998. Na verdade, o primeiro governo FHC
fez uma enorme desordem fiscal e meteu o país numa sinuca
complicada.
Desde então, fora as notas dissonantes de sempre, o que se ouviu
foi a necessidade premente de um duro “ajuste fiscal”. O
conjunto de medidas anunciado por FHC conduziu o país ao fundo
do poço. “Ninguém gosta de recessão, evidentemente.
Mas, se esse for o preço a pagar por um saneamento verdadeiro
das contas, o país terá, mais à frente, todas as
condições de retomar o crescimento em bases sólidas.
A conta será tanto mais alta quanto mais tempo demorar para que
o ajuste seja feito”, disse à época o ministro da
Fazenda, Pedro Malan.
Resultado modesto
Para ele, cuidar dos “desajustes”, apertando os cintos alguns
furos a mais, era a única saída que restava ao Brasil para
reduzir a vulnerabilidade diante da pior crise financeira dos últimos
50 anos. Para garantir o empréstimo emergencial pleiteado junto
ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o governo comprometeu-se,
num comunicado conjunto divulgado em Washington no encerramento da reunião
anual do FMI, a buscar um superávit primário de 2,5% a
3% do PIB. Isso significava que o país teria de cortar cerca de
R$ 25 bilhões do orçamento de 1999 para pagar parte dos
encargos de uma dívida que nunca mais pararia de crescer. Alimentada
pelos juros altos, ela já gerava encargos anuais de aproximadamente
R$ 70 bilhões e se transformou na bomba-relógio que ameaça
o país.
A última vez que o setor público — União,
Estados e municípios — havia conseguido um superávit
primário em suas contas foi em 1995. O resultado foi modesto — apenas
0,27% do PIB. O governo não conseguia ter superávits primários
porque o “Plano Real” instiuiu a taxa de juros elevada como
instrumento de combate à inflação. ''O governo vai
ter de cortar agora na veia, no osso, no sangue, na carne'', disse Malan.
Isso, evidentemente, não incluía os juros. É aí que
entra a pressão pela reforma da Previdência Social. E o
alvo passou a ser o capítulo dos direitos sociais da Constituição
de 1988 — assunto do próximo artigo.
|
Folha
de São Paulo, 7 de dezembro de 2006
Justiça eleitoral desencadeia
rejeições em cascata no país
Em análises prévias, contas
de pelo menos seis governadores foram reprovadas
Prestações de contas das eleições
de 2006 foram rejeitadas em efeito cascata por todo o país
devido à decisão da Justiça Eleitoral de aumentar
o rigor na fiscalização das doações
a campanhas. Os questionamentos não são definitivos.
Além dos questionamentos sobre repasses de empresas feitos à campanha
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, técnicos
dos tribunais regionais eleitorais já reprovaram as contas
de pelo menos seis governadores: José Serra (SP), Jaques
Wagner (BA), Ana Júlia Carepa (PA), Wellington Dias (PI),
Blairo Maggi (MT) e Cássio Cunha Lima (PB).
O problema principal apontado pelo TSE e TREs são as doações
diretas ou indiretas de empresas que mantêm concessões
públicas, o que é vedado pela lei. A Procuradoria
Regional Eleitoral de São Paulo pediu reprovação
de contas de 96 deputados federais e estaduais eleitos. O olhar
atento dos tribunais é fruto da crise política iniciada
em 2005 com a descoberta do mensalão e flagrante caixa dois.
Os partidos políticos criticam os questionamentos excessivos
e argumentam que não há ilegalidades. Ontem, o PT
enviou defesa ao TSE sobre as doações de Lula.
|
Folha
de São Paulo, 7 de dezembro de 2006
PT contesta TSE em 7 casos e só vê falha
na doação de R$ 10 mil
Repasse para campanha de Lula veio de administradora
de porto; partido alega que armazenagem não é serviço
público | Advogados da campanha do presidente retificam a
prestação de contas que foi questionada pela área
técnica do tribunal
Alan Marques - 27.out.2006/Folha Imagem

O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio de Mello
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os advogados da campanha do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva protocolaram ontem dois ofícios retificando as
prestações de contas do candidato e do comitê financeiro,
rejeitadas pela área técnica do TSE (Tribunal Superior
Eleitoral). A principal contestação do tribunal é que
a campanha recebeu R$ 10 milhões de oito empresas vinculadas
a concessionárias de serviços públicos, o
que caracterizaria "doações vedadas" pela
Lei Eleitoral. De todo o valor repassado, a campanha petista argumentou
que em sete casos as empresas citadas não têm concessões
diretas -são pessoas jurídicas distintas- o que,
segundo eles, não fere a legislação. O PT
diz que o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) de
todas não indica que sejam detentoras de concessões
públicas.
São elas: MBR (Minerações Brasileiras Reunidas),
CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Carioca Christiani
Nielsen Engenharia, Caemi, Tractebel Energia, IBS (Instituto Brasileiro
de Siderurgia) e Construtora OAS. O oitavo caso é um repasse
de R$ 10 mil da Deicmar. Os advogados do partido reconheceram que
o registro da empresa remete a uma concessionária de serviço
público, administradora do Porto Seco de Santos. A legenda
argumenta porém que a atividade da Deicmar, de armazenagem
de produtos, não constitui um serviço público: "Se
for caracterizado que é serviço público, foi
um erro da campanha", disse Márcio Silva, que assina
as representações.
No caso da Carioca Christiani Nielsen, doadora de R$ 1 milhão,
o advogado do PT, Márcio Silva, afirmou que a empresa se
comprometeu a enviar um ofício afirmando que desde julho
deste ano não há nenhuma participação
contratual com a CRT (Concessionária Rio-Teresópolis).
A Folha não conseguiu falar com a empreiteira até o
fechamento desta edição. "Pode dar problema?
Pode. Mas agora é uma discussão jurídica.
Nós pensamos diferente deles [do TSE]", disse Silva.
Os termos foram entregues às 18h26 no TSE. O relator da
prestação de contas, ministro Gerardo Grossi, havia
estipulado o prazo de 72 horas (a partir de anteontem) para o PT
se justificar. A previsão é que o corpo técnico
do TSE emita um novo laudo até sábado. A palavra
final será dada pelo plenário do tribunal, no dia
12. A diplomação do presidente está marcada
para o dia 14. Se rejeitadas as contas, o Ministério Público
analisará se é plausível a abertura de investigação.
Tarso
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais)
afirmou ontem que o laudo técnico do TSE "é uma
questão meramente de natureza técnica, que será superada".
Questionado se o parecer pode forçar uma revisão
da legislação a fim de deixar clara a possibilidade
ou não de doações de empresas ligadas a concessionárias
de serviço público, Tarso respondeu: "O governo
não está tratando disso, mas eu acho que o impacto
dessa decisão certamente vai fazer os partidos políticos
pensarem e avaliarem a legislação".
Líderes do governo e da oposição avaliaram
ontem como "equivocadas" as decisões dos tribunais
regionais eleitorais sobre as prestações de contas
de candidatos financiados por empresas ligadas a concessionárias
de serviço público.
O líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), afirmou
que não existe ilegalidade nas contas de Lula. "Tenho convicção
de que tudo foi feito dentro da lei. (...) Avalio que está ocorrendo
também um grande engano por parte dos TREs." Líder
da oposição, José Carlos Aleluia (PFL-BA) teve sua
prestação de contas rejeitada. "Meu caso já foi
resolvido. O maior problema é a interpretação que
está se fazendo da lei." Colaborou
ADRIANO CEOLIN, da Sucursal de Brasília.
|
Folha
de São Paulo, 7 de dezembro de 2006
Foco
Centrais reúnem 4.000 em marcha
pelo reajuste do mínimo na capital federal
CLÁUDIA DIANNI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As centrais sindicais reuniram cerca de 4.000 pessoas, segundo
a Polícia Militar, ontem em Brasília para reivindicar
um salário mínimo de R$ 420 para 2007 e uma política
permanente de reajuste. Pediram ainda a correção
da tabela do Imposto de Renda de pessoas físicas, medida
em negociação com o Congresso. A CUT (Central Única
dos Trabalhadores), a Força Sindical e outras cinco centrais
sindicais querem impedir que prevaleça no governo a proposta
do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que defende um aumento
dos atuais R$ 350 para R$ 367, e definir uma política
de reajuste que considere a variação da inflação
mais um fator abaixo do crescimento do PIB per capita. Isso para
que sobrem recursos para investimentos e para não sobrecarregar
as contas da Previdência.
O governo já havia incluído na LDO (Lei de Diretrizes
Orçamentárias) um aumento para R$ 375, obedecendo
a regra que prevê reposição da inflação
mais o aumento do PIB per capita, mas pretende reduzir o reajuste
para R$ 367 porque o desempenho da economia ficou abaixo do cálculo
anterior. "Ele [Mantega] está sozinho no governo.
Nem todos os ministros pensam como ele. O presidente Lula já ganhou
muitos votos com o aumento do salário mínimo. Ele
sabe que isso é importante", disse Paulo Pereira
da Silva, presidente da Força Sindical, eleito deputado
federal pelo PDT.
A Força Sindical defende uma política de reajuste
por cinco anos que considere a variação da inflação
mais duas vezes o crescimento do PIB. "Depois desse período,
poderíamos voltar a discutir, mas é preciso recuperar
o salário mínimo primeiro", disse. O presidente
da CUT, Arthur Henrique da Silva Santos, defende uma política
automática de reajuste por pelo menos dez anos, para que
nesse período o salário mínimo possa cumprir
o que estabelece a Constituição. Ou seja, que seja
suficiente para atender às necessidades básicas
de uma família de quatro pessoas. De acordo com o Dieese
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos),
esse valor hoje seria de cerca de R$ 1.600. Hoje os sindicalistas
se reúnem com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.
|
Folha
de São Paulo, 7 de dezembro de 2006
TRABALHO
Na América Latina, desemprego
só cresce no Brasil, afirma OIT
DA REDAÇÃO
O Brasil foi o único país da América Latina
em que o desemprego cresceu nos três primeiros trimestre
deste ano em relação aos primeiros nove meses de
2005. Nesse período, a taxa brasileira passou de 10% para
10,2%, segundo estudo da OIT (Organização Internacional
do Trabalho. A projeção é que ela termine
o ano em 10,1%. O levantamento mostra que o aumento do desemprego
no Brasil ficou concentrado entre os homens, que subiu de 7,9%
para 8,3%. Entre as mulheres houve queda de 12,7% para 12,5%.
Assim, o Brasil caminhou na direção oposta à do
resto do continente. O desemprego urbano caiu para 9% na América
Latina e no Caribe nos primeiros nove meses do ano, diante de
9,5% no mesmo período de 2005.
Na Argentina, o desemprego foi de 12,1% para 10,7%. Na Venezuela,
ele caiu de 12,9% para 10,4%. A menor taxa entre os latino-americanos é a
do México: 4,6%. A previsão da OIT para o Brasil
no ano que vem também não é das melhores.
O país e o Uruguai serão os únicos que não
terão queda no desemprego. No caso brasileiro, ele deverá continuar
em 10,1%. Venezuela e Argentina deverão ter taxas de um
dígito. No mês passado, o o IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa de desempregou
de outubro ficou em 9,8%, uma queda de 0,2 ponto percentual em
relação ao mês anterior. Para a OIT, o PIB
brasileiro de 2007 será de 4%.
|
Folha
de São Paulo, 7 de dezembro de 2006
REMUNERAÇÃO
Empresas menores elevaram mais os
salários em 2005
DO VALOR ONLINE
As empresas com até quatro empregados concederam os maiores
reajustes salariais em 2005. Para essa categoria, a remuneração
média mensal subiu 3,08% ante 2004, para R$ 547,65, acima
da média nacional, que foi de 2,14%. Já nos estabelecimentos
que empregam mais de mil pessoas, o salário médio
cresceu 2,72%. Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério
do Trabalho, com o fechamento da Relação Anual
de Informações Sociais (Rais) do ano passado. Para
a responsável pelo levantamento, Paula Montagner, a explicação
para a maior variação salarial nas microempresas
decorre do aumento real elevado (13,02%) no salário mínimo,
no ano passado.
"Mas ainda precisamos verificar se há outros fatores
influenciando esse aumento, como a diminuição da
rotatividade e o aumento da rentabilidade nesse tipo de empresa",
afirmou a técnica. De acordo com os números da
Rais, é possível saber que a maioria dos 8,6 milhões
de trabalhadores com carteira assinada, em 1,5 milhão
de micro e pequenas empresas no país, ganha entre um e
dois salários mínimos (de R$ 350 a R$ 700).
Na Rais, o Ministério do Trabalho segue a classificação
estabelecida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que define como microempreendimento
industrial aquele que emprega até 19 pessoas. As microempresas
informaram na Rais que têm 4,67 milhões de contratados
sob o regime da CLT.
|
Folha
de São Paulo, 7 de dezembro de 2006
Lula decide vetar penhoras de imóvel
e de parte de salário
Senadores aprovaram o projeto na semana
passada, em regime de urgência, sem tomar conhecimento do
conteúdo | Objetivo seria dar maior celeridade e eficiência
no cumprimento da sentença; matéria faz parte da
reforma do Judiciário
FERNANDA KRAKOVICS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai vetar dois
dispositivos de um projeto de lei, aprovado pelo Senado, que
permitem as penhoras de imóvel considerado bem de família,
de valor superior a mil salários mínimos (R$ 350
mil), e de até 40% do salário que exceder 20 salários
mínimos (R$ 7.000) para o pagamento de dívidas.
O anúncio dos vetos foi feito ontem à tarde pelo
líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Essas
duas questões são conquistas do povo brasileiro
que tinham sido retiradas por esse projeto. Hoje [ontem] pela
manhã, por despacho, o presidente Lula determinou o veto
a esses dois dispositivos", afirmou Jucá.
Os senadores aprovaram o projeto de lei na terça-feira
da semana passada, em regime de urgência, sem tomar conhecimento
de seu conteúdo. Eles foram alertados anteontem pelo senador
José Sarney (PMDB-AP) e exigiram o veto desses dois dispositivos.
A matéria foi aprovada em votação simbólica,
ou seja, sem identificação nominal, o que ocorre
quando há consenso. "Pedi que o presidente fosse
sensível e que vetasse esses dois dispositivos. O nosso
líder do governo me comunicou, bem como o ministro da
Justiça nesta manhã, que o presidente vetaria os
dois dispositivos. Quero agradecer à sensibilidade que
teve o presidente da República para esse assunto",
disse Sarney.
Agilidade
O projeto, que altera dispositivos do Código de Processo
Civil, foi elaborado pelo Ministério da Justiça
e já contava com esses dispositivos na versão original.
O objetivo seria dar maior celeridade e eficiência no cumprimento
da sentença. A matéria faz parte da reforma do
Judiciário. A proposta aprovada permite a penhora de até 40%
do total recebido mensalmente acima de 20 salários mínimos
-R$ 7.000 atualmente- calculados após os descontos do
Imposto de Renda retido na fonte, contribuição
previdenciária oficial e outros descontos compulsórios.
Também pode ser penhorado o imóvel considerado
bem de família, se valer mais de mil salários mínimos.
Nesse caso, apurado o valor em dinheiro, a quantia até esse
limite será entregue ao executado. Ficam mantidos como "absolutamente
impenhoráveis", por exemplo, seguro de vida; móveis
e roupas, salvo se tiverem valor elevado; e máquinas e
ferramentas úteis ao exercício da profissão.
Em retaliação pelo ocorrido, a oposição
chegou a obstruir a sessão anteontem, impedindo que fossem
votadas as indicações de cinco embaixadores e dois
integrantes de agências reguladoras. Senadores do PSDB
e do PFL estavam presentes quando o projeto de lei foi aprovado.
Em entrevista à Folha na última segunda-feira,
antes da decisão do governo de vetar as mudanças,
Pierpaolo Bottini, secretário de Reforma do Judiciário,
disse que a flexibilização da proteção
de bens dos devedores poderia auxiliar na maior oferta de crédito
e redução no custo dos empréstimos bancários.
|
GAZETA
DO POVO, 7 de dezembro de 2006
EDUCAÇÃO | Divisão
de recursos de novo fundo poderá ser feita por MP
Aprovado, Fundeb agora espera regulamentação
Brasília – A Câmara dos Deputados aprovou ontem, em
segundo e último turno, a proposta de emenda constitucional que
cria o Fundeb (novo fundo para financiar a educação básica
na rede pública), um ano e seis meses após o texto ter sido
encaminhado pelo governo federal. Agora a proposta irá à promulgação
do Congresso. Mas, para ser aplicado, o fundo depende da aprovação
de um projeto para regulamentá-lo e que definirá o porcentual
de verba a ser repassada para cada etapa do ensino – infantil, fundamental
e médio.
Como a chance de esse projeto ser aprovado em 2006 é pequena
(faltam menos de três semanas para o recesso do Legislativo),
o governo pode editar uma medida provisória definindo índices
para o primeiro ano de funcionamento. O Fundeb redistribuirá os
recursos da educação pública segundo o número
de alunos dos ensinos infantil, fundamental e médio e da
educação de jovens e adultos. Ele substitui o Fundef,
que reparte a verba só para o ensino fundamental (de 1.ª à 8.ª série)
e perderia a validade no próximo dia 31. Com a aprovação
da emenda, se a regulamentação não acabar
antes de janeiro, o Fundef continua valendo.
O dinheiro do fundo vem de impostos de estados e municípios,
com um complemento da União, que passará dos atuais
R$ 313 milhões para R$ 2 bilhões no primeiro ano.
No total, o Fundeb movimentará cerca de R$ 43,1 bilhões
em 2007.
Disputa
Um dos principais debates na regulamentação é saber
qual a etapa que receberá mais recursos: a educação
infantil (crianças até cinco anos) ou o ensino médio
(alunos de 15 a 17 anos), já que o fundamental deverá ser
igual ou maior ao que existe hoje. A proposta de regulamentação
vem sendo discutida e deve ser fechada até segunda.
Promessa de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002,
o Fundeb é citado por ele como a “revolução” do
ensino básico por trazer mais recursos ao setor e a possibilidade
de universalizar o acesso. Para o presidente do Conselho Nacional
de Secretários de Educação (Consed), Mozart
Neves Ramos, não chega a ser a revolução,
mas um passo importante em direção a ela. “O
Fundeb é um avanço. Procura dar uma visão
sistêmica à educação, tem dinheiro novo,
mas o cobertor ainda é curto perto das demandas que temos.”
Na opinião do ministro da Educação, Fernando
Haddad, o novo fundo “não resolve todos os problemas
do financiamento, mas resolverá as disparidades regionais”.
Votação
O texto foi aprovado por 328 votos a favor e 4 contra. Com voto
contrário, o deputado Osmar Terra (PMDB-RS) defendeu a posição
da Confederação Nacional dos Municípios, que
diz que muitas prefeituras perderão recursos da educação
infantil (creche e pré-escola) para estados devido à demanda
por vagas no médio.
O investimento em creches também é a preocupação
do coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação,
Daniel Cara. “A creche corre o risco de ser uma conquista
pela metade porque estão colocando valores baixos”,
disse Cara, que quer se reunir com o MEC hoje para debater esse
ponto.
|
GAZETA
DO POVO, 7 de dezembro de 2006
OPINIÃO
O alicerce da educação
A educação básica é o alicerce necessário
para o Brasil alcançar o ensino superior de qualidade e o desenvolvimento
das ciências e tecnologias, requisitos básicos do tão
discutido desenvolvimento sustentável, essencial para qualquer país
emergente. Uma das particularidades do Fundeb é o investimento no
profissional da Educação (60% dos recursos para a remuneração
dos profissionais da educação básica), um reconhecimento
a esta classe profissional que há séculos trabalha na constituição
de um Brasil cidadão e sofre tanto com falta de reconhecimento profissional.
Considerando os montantes de recursos orçados, R$ 43,1 bilhões
no primeiro ano e R$ R$ 55,8 bilhões a partir do quarto ano, podemos
acreditar em mudanças consistentes na Educação Básica
brasileira, abarcando dois pólos: educadores e educandos.
Outra medida que proporcionará avanços é a
reserva de R$ 200 milhões deste fundo para a melhoria
das creches nos municípios. Uma educação
de qualidade requer no ensino infantil profissionais altamente
qualificados, bem pagos e, conseqüentemente, comprometidos
com a alta qualidade educacional.
A experiência vivida em outros países mostra que
a altíssima qualidade de vida obtida por seus habitantes
só foi alcançada com o desenvolvimento educacional.
A Espanha, onde cursei doutorado, é um exemplo. Durante
os estudos que realizei na Universidade de Barcelona, tendo acesso
a várias pesquisas com escolas catalãs, constatei
a alta eficiência do ensino, com período integral,
alimentação de qualidade, ensino bilíngüe
(catalão e castelhano), atividades esportivas e culturais.
A isso soma-se o estreito relacionamento com as universidades,
que, além do estágio obrigatório dos alunos,
interagem na formação continuada dos docentes e
na elaboração de grupos de pesquisa para a melhora
da qualidade de ensino e adequação à nova
realidade da globalização.
Se o Fundeb proporcionar condições, como infra-estrutura,
para a implantação do ensino em período
integral no país, em que a escola pública venha
a ofertar atividades pedagógicas para a verdadeira formação
integral dos cidadãos, o governo Lula alcançará uma
parte da revolução social através da Educação.
O resultado dessa transformação certamente será mensurado
em alguns anos, podendo o país consolidar sua soberania
e o desenvolvimento humano do brasileiro atingirá patamares
de primeiro mundo. Sérgio Luiz Carlos dos Santos é doutor
em Educação pela Universidade de Barcelona e professor
da UFPR.
|
AGORA
São Paulo, 7 de dezembro de 2006
INSS deve dar benefício por
regra antiga
QUEM COMPLETOU A IDADE E O NÚMERO
MÍNIMO DE CONTRIBUIÇÕES EM ANOS ANTERIORES
PODE PEDIR APOSENTARIA AGORA COM BASE NAS REGRAS DA ÉPOCA
Os segurados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)
que tiveram o pedido de concessão da aposentadoria por
idade negado porque não tinham o tempo mínimo de
contribuições exigido ainda têm agora uma
esperança para conseguir o benefício.
O Juizado Especial Federal aceitou o pedido da segurada do INSS Claire
Gomes Pasquini, 71 anos. Ela completou 60 anos de idade em 1995, quando
tinha 93 parcelas de contribuições comprovadas à Previdência.
Claire havia tido o pedido negado pelo INSS por não preencher
todas as exigências. Para se aposentar em 2003, quando o pedido
foi feito, eram necessários 132 meses de contribuição.
Mas a Justiça entendeu que valia a regra de quando ela completou
a idade para se aposentar, ou seja, em 1995. Naquele ano, o INSS pedia
78 contribuições, no mínimo, para se aposentar.
Ou seja, como ela já tinha direito a aposentadoria em 1995, o
benefício poderia ser pedido a qualquer tempo depois. A segurada
ganhou a ação em primeira instância (no juizado),
e o INSS recorreu. Na segunda instância (Turma Recursal), o pedido
foi aceito no mês passado. Agora, Claire receberá a aposentadoria
de um salário mínimo. A ação abre precedente
para outros casos.
Tabela
Para quem é segurado do INSS antes de 25 de julho de
1991, é preciso seguir uma tabela de contribuições
mínimas, que aumenta todos os anos, para pedir o benefício.
Para quem completa ou completou neste ano 60 anos (mulheres)
ou 65 (homens), ou seja, a exigência para se aposentar
por idade, o INSS pede 150 meses de contribuição,
no mínimo. Em dez anos, o limite da tabela aumentou 66
meses, de 72, em 1994, para 138 meses, em 2004.
" Fica difícil acompanhar essa evolução. O idoso gasta
muito com remédio e não sobra para continuar contribuindo neste
ritmo. A decisão do juizado foi correta", disse o deputado federal
Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Segurados após 25 de julho de 1991
têm de contribuir, de qualquer forma, 180 meses para se aposentar por idade. (Juca
Guimarães)
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
07/12/2006
Periculosidade: ônus da prova é de
quem alega o risco
Após a realização de perícia e da avaliação
dos fatos e provas pelo juiz, cabe ao trabalhador apresentar provas
que sustentem sua insistência no recebimento do adicional de
periculosidade. A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
ao negar provimento a agravo de instrumento, manteve decisão
do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande
do Sul) neste sentido, por entender não ter havido violação
de dispositivos legais relativos ao ônus da prova. A relatora
do processo foi a juíza convocada Maria do Perpétuo Socorro
Wanderley de Castro.
A reclamação trabalhista foi ajuizada em 2002 por um
ex-empregado da empresa Stefani Veículos e Autopeças
Ltda. Ele trabalhava como retificador de motores na oficina mecânica
da empresa. Segundo ele tratava-se de local de risco devido à presença
de caminhões-tanque de transporte de inflamáveis. O juiz
da 3ª Vara do Trabalho de Canoas determinou a realização
de perícia para avaliar as condições de trabalho
no local. Como a empresa estava desativada desde agosto de 2001, o
perito baseou-se principalmente nas informações prestadas
por diversas pessoas, entre elas o próprio trabalhador.
Com base nesses elementos, concluiu-se que o trabalho não se
enquadrava nas condições perigosas definidas pelo Ministério
do Trabalho. O engenheiro da empresa afirmou ao perito que os caminhões-tanque
que entravam na área interna eram todos desgaseificados e medidos
para certificação de que o índice de explosividade
era zero. O trabalhador não mencionou nada a esse respeito.
Segundo o TRT/RS, o trabalhador, em seu depoimento, não teria
demonstrado segurança acerca de suas alegações
sobre a entrada de veículos contendo inflamáveis líquidos
no estacionamento, afirmando que “não tem certeza se era
feita a desgaseificação do tanque antes do veículo
entrar na oficina” e que “não tem certeza de nada,
mas com certeza havia muito cheiro de combustível nesses veículos”.
A empresa, por sua vez, apresentou diversos elementos que contribuíram
para a convicção do juiz no sentido de confirmar as afirmações
de seu engenheiro: declarações de prestadoras de serviços
de desgaseificação de tanques, notas fiscais desses serviços,
certificados de desgaseificação emitidos para caminhões,
autorizações de serviços em caminhões já desgaseificados
e laudos de perícias realizadas anteriormente concluindo pela
ausência de periculosidade.
Depoimentos de testemunhas revelaram que o retificador não
trabalhava junto aos caminhões-tanque, uma vez que o motor era
levado para o setor de retífica depois de ser retirado na oficina,
que ficava em outro prédio, “embora com acesso interno
através de uma grande porta”. Conforme a decisão
regional, “embora tais documentos não se refiram à totalidade
dos veículos que entraram na empresa para serem reparados, não
há dúvida de que consubstanciam forte indício
a corroborar a tese da empresa”. O TRT/RS afirmou ainda que “era
do trabalhador o ônus de comprovar o fato constitutivo do seu
direito”.
Para a relatora, juíza Perpétua Wanderley, “o
entendimento adotado pelo TRT/RS decorreu da análise do conjunto
de provas, mediante as quais concluiu pela inexistência de periculosidade,
sendo proferida decisão pautada pelo princípio da persuasão
racional”. Além disso, houve a expressa atribuição
ao trabalhador de comprovar suas alegações, ou seja,
demonstrar que os caminhões que ingressavam e permaneciam na
empresa apresentavam risco de explosão, uma vez que a empresa
conseguiu reunir evidências convincentes em sentido contrário.
“O Tribunal Regional, ao atribuir o ônus dessa prova,
porque vinculada ao fato constitutivo do direito, não fez distribuição
errônea do encargo, não configurando a violação
aos artigos 818 da CLT e 333, inciso II, do CPC, conforme alegado pelo
trabalhador”, concluiu. (AIRR 1138/2002-203-04-40.4)
|