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Gazeta do Povo, 11 de dezembro de 2006
REELEIÇÃO | Apoio de empresas
sócias a concessionárias públicas está na
mira da justiça
Parecer do TSE mantém
rejeição das contas de Lula
Brasília – Novo parecer técnico do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) manteve a recomendação de rejeição
das contas da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
em função de doações feitas por empresas
sócias de concessionárias públicas. Na próxima
terça-feira, os ministros do TSE vão votar o parecer do
relator, José Gerardo Grossi. Os próprios petistas reconhecem
que a tendência de Grossi é recomendar a aprovação
com ressalva das contas e de os ministros seguirem o relator. A aprovação,
mesmo com ressalva, garante a diplomação do presidente
Lula, marcada para a próxima quinta-feira.
No total, cerca de R$ 10 milhões foram doados à campanha
pela reeleição por oito empresas ligadas a concessionárias
públicas. O laudo foi entregue ao relator às 23h30 de
sexta-feira, depois de os técnicos analisarem as correções
feitas pelo PT na prestação de contas original. O parecer
técnico reitera o trecho da Lei Eleitoral, no artigo 24, segundo
o qual é vedado a partidos e candidatos receber “direta
ou indiretamente doação em dinheiro ou estimável
em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie
procedente de concessionária ou permissionária do serviço
público”.
As doações à campanha de Lula consideradas ilegais
pelos técnicos do TSE foram feitas pelas empresas MBR (R$ 2,2
milhões) Companhia Siderúrgica Nacional (R$ 1,9 milhão),
Caemi (R$ 1,8 milhão), Construtora OAS (R$ 1,7 milhão),
Carioca Christiani Nielsen Engenharia (R$ 1 milhão), Tractebel
Energia (R$ 300 mil) e Deicmar (R$ 10 mil) e pelo o Instituto Brasileiro
de Siderurgia (R$ 2,2 milhões). Segundo os técnicos do
tribunal, todas são ligadas a concessionárias de serviços
públicos, principalmente ferrovias e rodovias. “Não
imaginei que a área técnica fosse mudar de opinião
em relação às fontes que eles consideram vedadas
e nós consideramos legais. Certamente a rejeição
desta parte seria mantida. Mas o parecer técnico é contábil
e a votação dos ministros é jurídica. Espero
que as contas sejam aprovadas sem ressalvas pelo TSE. Mas se houver
ressalva, é um aspecto absolutamente normal e com precedentes”,
disse o advogado do PT Márcio Silva.
Silva lembrou que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas Gerais
aprovou na semana passada doações feitas pela mineradora
Caemi, do Grupo Vale do Rio Doce, a três candidatos a deputado.
As contas foram aprovadas por 4 votos a 2. Os juízes favoráveis à aprovação
entenderam que a Caemi tem personalidade jurídica própria
e, portanto, não pode ser apontada como concessionária
do poder público. Os que votaram pela rejeição
das contas argumentaram que a Vale do Rio Doce, concessionária
de ferrovias e hidrelétricas, é a controladora da Caemi.
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Folha de Londrina, 11 de dezembro de 2006
Cai número de pessoas retidas
em malha fina
A quantidade de contribuintes incluídos na malha fina da Receita
Federal neste ano caiu cerca de 30% comparando com o 2005, na área
de abrangência da delegacia de Londrina (que inclui 63 municípios).
Estão retidas em malha 4.322 declarações, das 208.527
processadas (entregues); no ano passado, foram cerca de 6 mil documentos
retidos. As pessoas que ainda não receberam a restituição
podem consultar sobre o processamento da sua declaração
no site da Receita (www.receita.fazenda.gov.br). Durante a consulta é preciso
informar os números do CPF e do recibo de entrega da declaração.
No Paraná, 38.291 contribuintes caíram na malha fina
da Receita Federal neste ano. O número representa 5,13% do total
nacional que chegou a 746 mil contribuintes. No ano passado, 27.150
declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física
(IRPF) tinham sido retidas. Isso mostra que o número de contribuintes
em malha no Paraná teve um crescimento de 41% enquanto no Brasil
houve uma queda de 17% em relação a 2005.
A supervisora do Programa do Imposto de Renda para o Paraná e
Santa Catarina, Cláudia Regina Thomaz, disse que o aumento do
número de contribuintes que foram retidos em malha possa estar
relacionado com o fato de muitas pessoas terem retificado menos as
declarações. Mas, ela alertou que se a Receita detectar
fraude por parte do contribuinte ele pode responder até um processo
penal.
Restituição - O sétimo
lote de restituição, que será pago no dia 15,
irá injetar na economia regional R$ 10,7 milhões, beneficiando
mais de 13,2 mil contribuintes. A consulta sobre a inclusão
no lote está disponível desde ontem no site da Receita
ou pelo ReceitaFone (0300-780300). No Paraná, cerca de 100 mil
pessoas irão receber a restituição, enquanto no
Brasil o número de beneficiados é de 1,9 milhão.
O Estado irá receber cerca de R$ 89 milhões.
O dinheiro estará disponível para saque a partir do
dia 15 e virá corrigido em 9,06%, referentes a taxa Selic de
maio a novembro mais 1% de dezembro. O delegado da Receita em Londrina,
Sérgio Gomes Nunes, lembra que o valor disponível no
banco não terá qualquer outro acréscimo, independentemente
da data em que for sacado. Quem não informou a conta corrente
para crédito da restituição poderá ir a
uma agência do Banco do Brasil ou ligar para 4004-0001 e pedir
a transferência do dinheiro para qualquer banco em que tenha
conta corrente ou poupança.
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Nova Central, 10 de dezembro de 2006
Diretoria da NCST aprova plano de lutas
A Direção Nacional estabeleceu
as metas de atuação da Central e reafirmou a defesa
de uma política salarial que eleve o Salário Mínimo
para R$ 420,00.
MAIS:
A diretoria avaliou as principais atividades desenvolvidas pela NCST.
Destacou o cumprimento dos princípios estabelecidos desde sua
fundação: unicidade sindical, defesa do sistema confederativo
e autonomia e independência em relação a governos,
partidos políticos e patrões.
REUNIÃO DA DIRETORIA PLENA E EXECUTIVA
NACIONAL NCST
Brasília, 08 e 09 de Dezembro de 2006
Carta de Brasília
A Direção Nacional, reunida com as Direções
Estaduais e Secretarias Nacionais da NCST, nos dias 08 e 09 de dezembro
de 2006, em Brasília, para avaliar a conjuntura nacional ante
a posse do próximo governo e da instalação de novo
Congresso Nacional, estabeleceu as metas de atuação da
Central e reafirmou a defesa intransigente de uma política salarial
que, a partir da elevação do Salário Mínimo
para R$ 420,00, crie a condição indispensável para
a recuperação do poder aquisitivo dos trabalhadores, na
perspectiva da construção à cidadania plena.
A Nova Central nesta reunião, além de avaliar as principais
atividades desenvolvidas em seus 18 meses, destacou o cumprimento de
sua identidade com os princípios estabelecidos desde sua fundação,
ou seja: unicidade sindical, defesa do sistema confederativo e, sobretudo
a autonomia e independência em relação a governos,
partidos políticos e patrões, nas ações
e decisões que contribuem para uma classe trabalhadora forte,
unida e consciente.
No plano da ação política imediata,
deliberou-se:
1. Salário Mínimo – manter
a posição defendida e acordada por todas as centrais,
de um Salário Mínimo de R$ 420,00, como remuneração
base aos trabalhadores públicos e privados, como forma de iniciar
a recuperação do poder aquisitivo da maioria da classe
trabalhadora, em especial dos aposentados. Tal proposta dará início
a uma política de valorização do Salário
Mínimo, que terá como meta dobrar seu poder real de compra
em 05 anos, perseguindo o valor constitucionalmente estabelecido;
Desenvolver todo tipo de atuação e mobilização,
no sentido de garantir a correção pretendida para o Salário
Mínimo, referencial importante e essencial, uma vez que o mesmo é parâmetro
para todos os trabalhadores, aposentados e pensionistas, dada a baixa
média salarial vigente no país;
A Comissão Permanente de Recuperação do Salário
Mínimo, do Congresso Nacional, foi escolhida como campo importante
de desenvolvimento de nossa luta, onde buscaremos a realização
de audiências públicas estaduais, objetivando a mobilização
e o envolvimento dos trabalhadores a partir da base e da sociedade
como um todo;
2. Retomar as negociações entre as centrais sindicais,
governo e Congresso Nacional, no sentido de regulamentar o Artigo Oitavo
da Constituição Federal, tendo como base o PL 4554/05;
3. Retomar as negociações entre centrais sindicais,
governo e Congresso Nacional, no sentido de reconhecer as centrais
sindicais e definir suas fontes de custeio, visando garantir a autonomia
e independência do movimento sindical;
4. Exigir a participação da NCST em todos os espaços
institucionais nos órgãos e instâncias de deliberações
coletivas dos trabalhadores e os de formação paritária;
5. Manter mobilização e vigilância permanentes
para prevenir qualquer alteração nas Legislações
Previdenciária e Trabalhista que venha em prejuízo dos
trabalhadores, aposentados e pensionistas, ante a anunciada catástrofe
das reformas neoliberais;
6. Denunciar massivamente a farsa do déficit previdenciário,
oriunda da manipulação estatística do sistema
de seguridade social, onde o governo desconsidera as demais fontes
de custeio existentes, além de custear despesas de programas
sociais com verbas previdenciárias;
7. Lutar contra a equivocada política externa brasileira, que
através de prática que privilegia o “dumping de
estado” (subsídios estatais ao processo produtivo, utilizados
pela China, por exemplo) está eliminando milhões de empregos
e aniquilando a indústria nacional. Esta política retorna
o Brasil a condição de colônia exportadora de matéria
prima (madeira, minério, gemas, etc) e importadora de produtos
manufaturados.
A Nova Central Sindical de Trabalhadores, reafirma seus compromissos
programáticos de defesa da soberania nacional, do desenvolvimento
econômico sustentável, do pleno emprego, do diálogo
social e da negociação institucional, na busca de melhores
condições de vida e de trabalho para todos os cidadãos
brasileiros.
Brasília, 09 de dezembro de 2006.
José Calixto Ramos
Presidente
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Nova Central, 10 de dezembro de 2006
Renda da classe média caiu 46%
nos últimos seis anos
O saldo da criação de empregos e da evolução
da renda da classe média no primeiro mandato do governo Lula é amplamente
negativo. Nessa parcela da população que mais paga imposto
e consome, deu-se o contrário do verificado entre os mais pobres,
em que a renda e o emprego prosperaram.
Entre a maioria dos países da América Latina, com exceção
da Argentina, é no Brasil onde a classe média mais encolheu
sua participação no total da renda nos últimos
anos. O fenômeno ocorre desde os anos FHC. Considerando classe
média quem ganha acima de três salários mínimos
(mais de R$ 1.050), houve saldo negativo de quase 2 milhões
de empregos formais nos últimos seis anos. A renda de quem conseguiu
entrar no mercado recebendo mais de R$ 1.050 caiu 46% em termos reais
(descontada a inflação) ante o que era pago aos que foram
demitidos.
Os trabalhadores com pior remuneração foram na outra
direção. Houve um saldo positivo (admitidos menos demitidos)
de quase 6 milhões de novas vagas para quem ganha entre um e
três mínimos de 2001 a setembro de 2006. O aumento na
renda foi de 48%. Para quem ganha só até um mínimo
(R$ 350), o balanço também é positivo: 2,2 milhões
de vagas e renda 124% maior.
Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados,
do Ministério do Trabalho) e foram compilados pela MB Associados.
Há outras maneiras de estabelecer quem é classe média
no país, como levar em conta uma renda individual um pouco maior
do que três salários mínimos e os bens e serviços
a que o cidadão tem acesso.
Mesmo pelo critério de renda maior do que três mínimos
e de consumo de determinados bens, segundo levantamento do Datafolha,
foi a classe média quem menos ganhou nos últimos quatro
anos. Enquanto cerca de 7 milhões de eleitores migraram no governo
Lula das classes D e E (maioria com renda até R$ 700) para a
C (de R$ 700 a R$ 1.750), a migração de membros da classe
C para a A/B (ou média, com renda acima de R$ 1.750) envolveu
apenas cerca de 1 milhão de eleitores.
"Essa é a essência da economia em que vivemos nos últimos
seis anos. Se quisermos que a desigualdade diminua, as pessoas mais
pobres terão de ver seus salários subirem mais. Os moradores
de São Paulo terão de se acostumar com a idéia
de que a economia do Piauí vai crescer mais", diz Sergei
Soares, especialista em desigualdade social do Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada).
Concentração no Sudeste
Segundo o "Atlas da Nova Estratificação Social
do Brasil - Classe Média - Desenvolvimento e Crise", concluído
neste ano por 11 pesquisadores, 57% das famílias de classe média
concentram-se no Sudeste. No Nordeste e no Norte, são 12,5%
e 4,7%, respectivamente. No geral, três em cada quatro famílias
de classe média vivem no Sudeste ou no Sul.
O trabalho considera classe média as famílias com renda
entre R$ 2.275 e R$ 25.200. Levando em conta que núcleos familiares
no Brasil têm, em média, quatro pessoas e que geralmente
os menores de idade da classe média não trabalham, a
renda individual se situaria entre R$ 1.137 (próxima a três
salários mínimos) e R$ 12.600.
Por esses critérios, 32% das famílias são da
classe média.
Apesar de ter perdido espaço e renda, foi a classe média
quem bancou (com impostos crescentes) boa parte da melhora na distribuição
de renda nos últimos anos --principalmente via programas assistenciais
e subsidiados, como os da Previdência indexados ao mínimo
e o Bolsa Família.
Em termos tributários, é considerado de classe média
quem ganha entre R$ 3.000 e R$ 10.000 (na prática, quem recebe
até R$ 1.562 não paga IR). "Mais de 60% da carga
de IR da pessoa física recai sobre a classe média. Outros
25%, sobre os mais ricos, e só 15% em quem está abaixo
dessa faixa", diz Gilberto do Amaral, presidente do Instituto
Brasileiro de Planejamento Tributário.
Classe média em apuros
Em terra ou no ar, a classe média brasileira vai mal. Enquanto
seus aviões não decolam ou atrasam, a situação
aqui embaixo, no mercado de trabalho, tem sido a pior possível.
Nos últimos seis anos, foram criados mais de 8 milhões
de empregos formais para a parcela mais pobre da população,
as pessoas que ganham até três salários mínimos
(R$ 1.050). O rendimento desse pessoal subiu mais de 45% acima da inflação.
Para os que estão acima desse patamar, onde começa a
classe média, a situação é trágica:
2 milhões de vagas a menos e queda de mais de 46% nos rendimentos.
Não é à toa que filhos da classe média
recém-saídos de boas universidades encontram, quando
muito, salários medíocres ao chegar ao mercado de trabalho.
Esses opostos também explicam o mau humor da classe média
com Lula e as razões da vitória do presidente por uma
margem de 20 milhões de votos concentrada no estrato mais pobre
da população. Nos últimos quatro anos, o governo
assistencialista e pró-pobre de Lula foi principalmente na direção
de quem não tem problemas com o Cindacta de Brasília
ou panes em radares. Mas com atrasos sistemáticos em linhas
de ônibus populares e assaltos em trens de periferia abarrotados
de gente --sem que a mídia faça todo o escarcéu
atual.
Se Lula de fato tem e quer "sua força no povo", seu
governo parece coerente com os resultados que apresenta no mercado
de trabalho. Esse, no entanto, é apenas um lado da questão.
Dificilmente um país cresce de forma robusta se não tiver
uma classe média ascendente em número de participantes
e salários.
Enquanto a classe média brasileira representa pouco mais de
30% da população, ela é responsável por
mais de 50% de todo o consumo, principalmente de produtos com maior
valor agregado (mais sofisticados), que são os que puxam o desenvolvimento
da indústria e dos serviços que pagam melhores salários.
Ao lado do maior vilão, o juro alto, o achatamento da classe
média nos últimos anos explica, em boa medida, as taxas
de crescimento medíocres que o Brasil vem apresentando. Também
dá boas pistas de onde o governo vem tirando grande parte do
dinheiro para financiar o assistencialismo aos mais pobres via Previdência
e programas como o Bolsa Família.
Cerca de 60% do Imposto de Renda das pessoas físicas sai de
quem ganha entre R$ 3.000 e R$ 10.000, onde, em termos tributários,
se situa a classe média. É esse pessoal que arcou, via
IR e impostos sobre o consumo, o grosso do aumento de mais de dez pontos
percentuais na carga tributária do governo FHC para cá.
A análise recente do mercado de trabalho mostra que o país
continua em uma clara transição. Ela é inclusiva
do ponto de vista dos empregos baratos e da distribuição
da renda, mas de sustentabilidade extremamente duvidosa.
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Diário Vermelho, 10 de dezembro de
2006
Fim da cláusula revela
quem é quem na defesa da democracia
A bandeira da democracia sempre foi um divisor de águas na história
da República. No próprio PSDB houve setores que no período
ditatorial seguraram a bandeira da democracia. Contudo, desde há muito
tempo jogaram-na ao chão. Na atualidade, a perda de horizontes
e o pragmatismo pressionam lideranças e setores da esquerda a
cometerem o mesmo erro. Todavia, isso não pode prevalecer, pois
cabe justamente a esquerda nucleada pelo PT, PCdoB, PSB liderar a coalizão
que formará o segundo governo Lula e cujo um dos principais compromissos é preservar,
ampliar e consolidar a democracia em todos os seus aspectos. Por Adalberto
Monteiro.
Dezembro de 2006, dia 7, passa a ser uma data emblemática.
O Partido Comunista do Brasil, PCdoB, protagonizou em aliança
com outras forças políticas como PRB, PV, P-SOL uma vitória
democrática de alcance histórico. Como ficou demonstrado,
os comunistas ao defenderem o direito de seu Partido à legalidade
institucional plena - direito este comum a outras legendas cerceadas
pela cláusula de barreira - estavam a defender a própria
democracia. No presente, como ao longo de sua história de quase
85 anos, mantém erguida a bandeira democrática. E fica
mais uma vez demonstrado o que disse certa feita João Amazonas:
toda vez que o conservadorismo buscou golpear o Partido Comunista a
primeira vítima foi a própria democracia.
Como se sabe, por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) acolheu
uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) de autoria
do PCdoB e de outros partidos, e pôs fim à cláusula
de barreira. Esse desfecho desfez um paradoxo até então
reinante no país: o ciclo democrático novo instaurado
com a vitória 2002 e confirmado com reeleição
de Lula em 2006 estava maculado por uma mancha autoritária,
pela vigência de um mecanismo remanescente do período
ditatorial e que mutilava aspectos essenciais da democracia.
Com uma densa argumentação jurídica e política
cada um dos votos proferidos pelos ministros do STF demonstraram que
a cláusula de barreira era uma aberração jurídica
forjada com intuito de impor ao país uma espécie de “ditadura
da maioria”, conforme expressou o relator da matéria, ministro
Marco Aurélio Mello. Os princípios consagrados pela Constituinte
de 88 referentes ao pluralismo político, à soberania do
voto popular e ao Federalismo eram feridos a fundo, por aquele mecanismo
que fazia parte do que os constituintes denominaram de entulho autoritário.
Também foi demonstrado que a tal cláusula sob a capa de
combater distorções, na verdade tinha por fito sufocar
as minorias. Isto porque praticamente vendava-lhes o acesso ao rádio
e à TV, ao fundo partidário e, ainda, condenava seus mandatos
parlamentares à segregação, com as prerrogativas
cortadas à metade. Em suma, na prática, negava o direito
das minorias à existência.
Como era de se esperar, passada a perplexidade ante mais uma derrota
sofrida, o conservadorismo e a mídia hegemônica ensaiam
um contra-ataque.
Lideranças do PSDB, como Tasso Jeirassati e Arthur Virgílio,
depois de lastimar a decisão do STF, esgrimam, agora, com iniciativas
para “ressuscitar” a cláusula. Nessa atitude, há o
mérito de assumirem a paternidade plena do monstrengo. Ante
a polarização provocada pela decisão do STF -
defesa da democracia versus democracia restrita- estes tucanos sem
tergiversar assumem que estão no campo do autoritarismo, do
desrespeito aos princípios democráticos da Constituição.
Em suma, querem, sim, uma democracia mutilada pela “ditadura
maioria”!
Tais declarações, partindo de lideranças do PSDB,
digamos, era de se esperar. O que provoca um estranhamento, mais do
que isso, um constrangimento é que algumas personalidades do
PT, legenda que nasceu defendendo a liberdade e que floresceu graças à democracia
arduamente reconquistada, façam coro aos lamentos e protestos
do conservadorismo neoliberal ante a sábia decisão STF
de acabar com a cláusula.
Para não ficar um registro abstrato, cita-se como exemplo a declaração
do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo em defesa da cláusula
de barreira, publicada no último dia 9, no O Estado de S. Paulo.
Aliás, por essas ironias da vida, a declaração do
ministro petista sai na mesma edição em que tradicional
diário do conservadorismo paulista estampa o seu editorial: “O
Supremo fez a coisa certa”. Sem comentários.
A luta pela democracia sempre foi divisor de águas na história
da República. No PSDB houve setores que no período ditatorial
seguraram a bandeira democrática. Contudo, desde há muito
tempo jogaram-na ao chão. Na atualidade, a perda de horizontes
e o pragmatismo pressionam lideranças e setores da esquerda brasileira
a cometerem o mesmo erro.
O fim da cláusula de barreira é um marco da luta em
defesa da democracia e a preservação, ampliação
e consolidação da democracia, em todos os seus aspectos é um
dos compromissos destacados das forças que reelegeram Lula presidente.
Cabe ao conjunto das forças progressistas e democráticas,
sobretudo, ao PT, PCdoB, PSB que são chamados a liderar a ampla
coalizão que forma o segundo governo Lula a honrarem o compromisso
de defesa da democracia firmado com a Nação nas últimas
eleições. Adalberto Monteiro é presidente do Instituto
Maurício Grabois e membro da direção nacional
do PCdoB
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Diário Vermelho, 10 de dezembro de
2006
Morre Pinochet
Augusto José Ramón
Pinochet Ugarte, o ex-ditador chileno, morreu de infarto
do miocárdio às 15h15, hora de Brasília,
no Hospital Militar de Santiago do Chile. Os médicos
ainda tentaram reanimá-lo durante uma hora, mas um
edema pulmonar agudo piorava a situação. Pinochet
tinha 91 anos.
Morreu um homem livre.
Por Pedro Doria, do site No Mínimo
A Justiça do Chile anunciou a suspensão de sua prisão
domiciliar no último dia 4. Para os parentes de suas vítimas
o que resta é o vazio. O homem morreu livre, sem ter sido condenado
por seus inúmeros crimes. Para o resto do mundo, Pinochet persistirá como
o principal ícone das ditaduras de direita latino-americanas.
Dos militares que tomaram o poder sul-americano entre os anos 60 e
70, ele foi o que mais tempo permaneceu na presidência, entre
1973 e 90.
É uma imagem singular, as suas no poder: o estereótipo
de um ditador mau – Pinochet era um homem mau – os enormes óculos
escuros, o rosto sempre amarrado, a farda militar. Mais de 3.000 pessoas
morreram por conta de suas ordens.
Seus crimes começaram em 1973 com o que ficou conhecido com
a Caravana da Morte. Nos meses seguintes ao Golpe que derrubou a democracia
republicana do Chile, por ordens de Pinochet, 74 pessoas que se opunham à ditadura
foram presas e, provavelmente, executadas. Estão na lista de
desaparecidos. Ponha-se na conta de Pinochet, também, o assassinato
num atentado a bomba em Buenos Aires do general Carlos Prats, que o
antecedeu na chefia das Forças Armadas. Augusto Pinochet, durante
os anos 70, foi um dos principais articuladores da Operação
Condor, que reuniu seis ditaduras no esforço de localização,
tortura e execução de opositores. A operação
Colombo custou a vida de 119 oposicionistas.
Na lista dos vários processos que são movidos contra
Pinochet no Chile e na Europa figuram 3.197 casos de assassinato. O
governo Pinochet, como todas as outras ditaduras militares do continente,
foi também corrupto. Em contas bancárias localizadas
em nome do ditador há pelo menos 27 milhões de dólares.
Morreu livre e rico. Teve aliados que o protegeram até o fim,
entre eles o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger,
o ex-presidente dos EUA George H. Bush e a ex-primeira-ministra britânica
Margaret Thatcher.
Mas nem tudo é ruim na história trágica de Augusto
Pinochet. Quando um juiz espanhol ordenou sua prisão, em 1988,
ele foi preso – algo inédito no direito internacional.
A Justiça espanhola pode fazê-lo por conta dos pouco mais
de noventa espanhóis torturados durante a ditadura e a batalha
legal o manteve trancado numa casa alugada por 16 meses. Nunca antes
um ditador havia sido preso fora de seu país, sem pedido formal
do governo de seu país, por crimes contra a humanidade. É um
precedente jurídico que faz bem ao mundo.
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Folha de São Paulo, 10 de dezembro
de 2006
Salários maiores concentram
perdas
Rendimento dos trabalhadores que
ganham mais de cinco mínimos recua 6,3% desde 2001,
e saldo de empregos, 7,8% | Crescimento econômico baixo
dos últimos anos foi o principal responsável
por reduzir poder de negociação de quem tem
renda maior
DA REPORTAGEM LOCAL
Quanto maior o salário, pior foi a evolução da
renda e do emprego no mercado de trabalho nos últimos seis anos.
Entre 2001 e setembro de 2006, são opostos os desempenhos dos
trabalhadores mais pobres e dos mais ricos no país. Enquanto
a massa de renda subiu 32,5%, e o emprego, 28% para quem ganha até um
salário mínimo (R$ 350), houve um declínio de
6,3% nos rendimentos e de 7,8% no saldo de empregos de quem recebe
acima de cinco salários (R$ 1.750). Para os trabalhadores mais
pobres, foi o comércio quem mais aumentou salários (50%)
e ampliou vagas (45%).
Para os mais ricos, um dos vários vilões foi o setor
de serviços: a renda caiu 10% e o emprego, 9%. O único
setor entre oito modalidades (veja quadro) em que os assalariados formais
acima de R$ 1.750 ganharam foi o extrativo mineral, graças à forte
demanda por commodities. Nessa área, o emprego cresceu 24%,
e a renda, 26%. "Nos salários intermediários, entre
R$ 2.000 e R$ 5.000, em que está a classe média, o achatamento
salarial chega a 30% nos últimos dez anos", diz Clemente
Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos).
O baixo crescimento econômico dos últimos anos (abaixo
de 2,5%, em média) foi o principal responsável por reduzir
o poder de negociação de quem ganha mais e por levar
as empresas a cortar cargos em níveis intermediários.
Entre os mais pobres, o principal propulsor da renda foram os aumentos
reais para o salário mínimo (acima de 32% reais só no
governo Lula). No emprego, houve um crescimento da atividade principalmente
nas regiões mais pobres e atendidas por programas sociais ou
assistenciais da Previdência. Estima-se que o governo gaste cerca
de R$ 80 bilhões ao ano com 30 milhões de beneficiários
desses programas. No caso do Bolsa Família, metade dos atendidos é do
Nordeste.
Segundo o "Atlas da Nova Estratificação Social
do Brasil", o Nordeste é a região com a menor classe
média no país. Pernambuco é o Estado que mais
tem famílias de classe média no Nordeste, com 17,7% do
total. Como comparação, São Paulo, com 47%, só perde
para o Distrito Federal (50%), onde há concentração
de funcionários públicos com salários que tendem
a ser maiores do que os do setor privado. O economista Marcio Pochmann,
um dos organizadores do "Atlas", explica que a concentração
da classe média no Sul e Sudeste se acentuou depois das privatizações
nos anos 1990, que convergiram as sedes de empresas para São
Paulo e Rio e enxugaram quadros intermediários em todo o país.
Na média, 31,7% das famílias brasileiras ainda estão
na classe média. Em números absolutos, são 15,4
milhões de famílias. "A classe média ainda é grande
no Brasil, mas sua tendência tem sido de encolhimento e empobrecimento",
afirma o economista Sergio Vale. Outra fonte de pressão são
os impostos. Embora a maior parte da tributação no Brasil
seja indireta (o que leva, por exemplo, o pobre e o rico a pagar a
mesma alíquota sobre um quilo de feijão), a classe média
sofre mais com o peso do IR da pessoa física e não tem
uma série de subsídios dados à população
mais pobre -como desoneração para casas de baixa renda.
"Todo o modelo tributário brasileiro foi montado para
subsidiar quem é de baixa renda, o que pode ser justo. Mas,
como o rico tem mecanismos para se defender e o país não
cresce, a conta tem sido paga pela classe média", diz Gilberto
do Amaral, presidente do IBPT. Ganz Lúcio, do Dieese, acredita,
porém, que o "fundo do poço" para a classe
média esteja ficando para trás, mas que uma recuperação
mais rápida só virá com taxas de crescimento mais
elevadas. (FERNANDO CANZIAN)
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Folha de São Paulo, 10 de dezembro
de 2006
Especialista defende pausa
na distribuição de renda
DA REPORTAGEM LOCAL
O economista Sergei Soares, especialista em desigualdade social do
Ipea (Instituto de Política Econômica Aplicada), vinculado
ao Ministério do Planejamento, afirma que o governo deveria "dar
um tempo" na distribuição de renda para fazer o
país voltar a crescer. "Sempre fui uma pessoa profundamente
preocupada com distribuição de renda. Mas temos de dar
um tempo. Quando o nosso PIB tiver crescido uns 10%, o país
vai estar com muito mais sobra fiscal. Aí podemos continuar",
afirma. Leia entrevista à Folha. (FCZ)
FOLHA - A estagnação
da classe média é fruto apenas do baixo crescimento ou
há um aumento do peso tributário sobre ela?
SERGEI SOARES - Acho que são
as duas coisas: o baixo crescimento e um aumento muito grande da tributação.
Grande parte do aumento da tributação bateu na classe
média porque em certo sentido todo mundo perdeu. Menos o governo
e outros setores que tiveram compensações que os levaram
a uma melhora. E essas compensações têm origem
nos impostos.
FOLHA - Distribuição
de renda sem crescimento tem limite?
SOARES - Para mim, o mundo ideal é o
seguinte: a economia cresce muito, a classe média cresce um
pouco, e os pobres crescem muito. Esse é o meu mundo ideal,
e eu não acho isso impossível. Ainda acho que, basicamente,
depende de a gente resolver um pouquinho o nosso nó fiscal e
começar a investir em infra-estrutura. O que está segurando
o crescimento no Brasil é a falta de infra-estrutura. É a
falta de estrada, porto, eletricidade, aeroporto. Sempre fui uma pessoa
profundamente preocupada com distribuição de renda. Esse
foi meu objeto de estudo a vida toda e acho que esse tem de ser o objetivo
final da política pública para que se tenha uma sociedade
justa. Mas, na minha opinião, temos de dar um tempo na distribuição
de renda. Não aumentar o salário mínimo...
FOLHA - Dar um tempo na distribuição
de renda?
SOARES - Exatamente. Deixar de dar
aumentos reais para o salário mínimo. Só corrigir
pela inflação. Concordo 100% com o Guido Mantega (Fazenda).
Temos de ficar (no próximo reajuste do mínimo) em R$
367. Dar só a inflação por um, dois ou três
anos. Quando o nosso PIB tiver crescido uns 10%, o país vai
estar com muito mais sobra fiscal. Aí pode continuar aumentando
o salário mínimo em termos reais. A área social
tem que melhorar, mas, no momento, o que nós precisamos desesperadamente é de
investimento público.
FOLHA - Há quem defenda que
o problema não são os gastos correntes ou com a Previdência,
mas a conta com os altos juros, que estão em queda. Isso abriria
novo espaço para distribuir mais renda.
SOARES - Acho que o que for sendo liberado
dos juros deve ir para um rateio: reduz-se um pouco o superávit
primário (economia para pagar juros), e, ao mesmo tempo, aumentam-se
os investimentos na área de infra-estrutura. Temos que aproveitar
essa fase de menor despesa com a conta de juros para alavancar investimentos.
FOLHA - A tendência dos últimos
anos tem sido, em qualquer brecha fiscal, aumentar os gastos correntes.
Não os investimentos.
SOARES - Eu acho que o governo tem
que ter um mínimo de força e dizer: "Não!
Acabou! Agora, ninguém ganha mais nada até a gente não
botar a economia para crescer". Daqui a três anos, a economia
está crescendo. Aí vai ter para todo mundo. Tem que dizer
chega. Vamos investir em infra-estrutura, porque é o seguinte:
o juro vai cair, as empresas vão recomeçar a investir
um pouco mais e certamente o consumo vai aumentar. Aí a economia
vai começar a crescer e a gente vai chegar aos limites logísticos.
O Brasil não tem porto, estrada e eletricidade para um crescimento
muito alto. Temos de mandar ver na infra-estrutura.
|
Folha
de São Paulo, 10 de dezembro de 2006
Nova conta salário deve excluir
aposentado
INSS vê risco de fraudes com permissão
para transferência automática entre bancos; servidor
público pode ter regra diferenciada | Cresce a pressão
de Serra e de outros governadores para que funcionalismo também
fique fora de novas regras previstas para 2007
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Por causa da pressão política dos Estados, sobretudo
do governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB),
a equipe econômica já acena com tratamento diferenciado
para servidores públicos na adoção da nova
conta salário. Aposentados e pensionistas do INSS deverão
ficar fora das novas regras, a pedido do ministro Nelson Machado
(Previdência). Em discussão na área técnica,
a regulamentação do instrumento que permite aos
trabalhadores transferir, automaticamente e sem custos, o salário
do banco escolhido pelo empregador para a instituição
de sua preferência, prevê três grupos com regras
diferenciadas.
O primeiro é formado pelos beneficiários da Previdência.
Nelson Machado vê risco na medida porque dificultaria a
fiscalização, facilitando fraudes nas aposentadorias.
Com isso, nos bastidores da área econômica, é dado
como certo que a nova conta salário não deverá ser
aplicada nesse caso. Os trabalhadores de empresas ou governos
que já tinham convênios com instituições
financeiras antes de setembro deste ano -quando foi anunciado
que a partir de janeiro de 2007 a conta salário deixaria
de ser optativa- passarão por um período de transição.
A idéia é que demore até dois anos para
que os bancos sejam obrigados a oferecer a conta salário
nesse caso. Com isso, há tempo para encerrar os contratos
em vigor.
A maior dor de cabeça tem sido o funcionalismo. Serra
pediu ao governo que os servidores não sejam incluídos
nas novas regras. Parte da equipe econômica alega que a
medida será inútil se não for aplicada ao
funcionalismo. Outros dizem que está em jogo a "sobrevivência
dos bancos públicos" que restaram após as
privatizações. Segundo a Folha apurou, integrantes
do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, no entanto,
alegam não ver esse risco para os bancos públicos.
Primeiro porque não acreditam que haverá corrida
dos trabalhadores para trocar de banco. Segundo porque as instituições
públicas também poderão ser agressivas e
ganhar novos clientes. Os dois bancos federais já trabalham
estratégias para aumentar a clientela com pacotes especiais
vinculados à conta salário.
Pressão
Enquanto isso, o pedido de Serra ganhou apoio de outros governadores,
segundo informou à Folha um importante interlocutor do
governo. Mesmo governadores de Estados que se enquadram nas regras
de transição, por terem convênio assinado
antes de setembro, querem excluir o funcionalismo porque, quando
vencer o contrato, poderão licitar novamente a folha de
pagamento e fazer caixa. O ministro Guido Mantega (Fazenda) teria
dito em conversas com banqueiros na última quinta-feira
que "será difícil não atender ao pedido
dos governadores".
Segundo a Folha apurou, a área econômica trabalhava
com "salvaguardas" para os Estados. A sugestão
inicial era incluir os servidores públicos no grupo de
transição. Mas, na última sexta, Mantega
já tinha em mãos nova fórmula que permite
a "venda da folha de pagamento do Estado, mas com algumas
condições", segundo relato de um técnico
do governo.
A solução não comprometeria o objetivo
principal da nova conta salário: elevar a concorrência
entre os bancos. O BC é contra regras especiais para Estados
e prefere uma transição aplicada a todos. Uma nova
rodada de reuniões acontecerá nesta semana.
|
O
Estado do Paraná, 10 de dezembro de 2006
Normas coletivas sobre a contribuição
patronal ao sindicato dos trabalhadores (I)
Edésio Passos
Dentre as numerosas cláusulas em matéria sindical
fixadas em acordos e convenções coletivas de
trabalho, crescem em importância as que estabelecem contribuições
financeiras das empresas aos sindicatos de trabalhadores. Referidas
cláusulas visam fixar valores repassados mensal ou periodicamente
pelas empresas à entidade profissional contribuindo
para os serviços assistenciais. Pelas normas coletivas,
as empresas ficam obrigadas a recolherem ao sindicato profissional,
sem qualquer desconto dos salários dos empregados, contribuição
depositada em estabelecimento bancário. Com os recursos
derivados destas contribuições, diversos benefícios
têm sido agregados aos trabalhadores através de
planos médico/odontológicos, complementação
previdenciária, auxílio-educação,
formação profissional, seguros de vida, entre
outros. Por um lado, essa base financeira reforça a
ação sindical e melhora o índice de sindicalização.
Por outro, solidifica a parceria empresa-sindicato, com metas
comuns de atendimento social.
Questionamento jurídico
Entretanto, a matéria tem sido questionada perante
a Justiça do Trabalho. Em ações civis
públicas ou em ações anulatórias
de cláusulas de instrumentos normativos pelo Ministério
Público do Trabalho, sob a alegação de
que se trata de interferência patronal na atividade sindical
dos trabalhadores, condenada por Convenção da
OIT. Neste sentido, alguns Procuradores do Trabalho com esta
visão têm instaurado procedimentos investigatórios
na tentativa de obstar esta conduta sindical e tornar sem efeito
as cláusulas fixadas nos instrumentos normativos. Algumas
empresas têm se rebelado contra as decisões das
entidades patronais que firmam os acordos ou convenções
coletivas de trabalho, recusando-se a recolher às entidades
sindicais de trabalhadores os valores consignados.
Decisões judiciais
A linha decisória dos Tribunais ainda está submetida
a constantes variações, face o ineditismo da
análise. Alguns magistrados, apegados ao conceito de
que as cláusulas ferem a liberdade sindical, pois não
se poderia obrigar à empresa ao recolhimento compulsório à entidade
sindical do trabalhador. Outros, por considerar a ocorrência
de interferência patronal na vida sindical profissional.
Entretanto, em duas recentes decisões, o Tribunal Superior
do Trabalho enfrentou a questão, validando o ajuste
entre as entidades de empresários e de trabalhadores,
de base constitucional. Nestes textos reproduzimos os julgados
visando possibilitar o conhecimento da matéria do ponto
de vista de sua viabilidade jurídico-constitucional.
Livre disposição dos atores
sociais
Recente decisão do Tribunal Superior do Trabalho Acórdão
publicado em 08 de setembro de 2006 Proc. ROAA 28017/2001,
SDC confirma o direito das partes contratantes em Convenção
Coletiva de Trabalho em fixarem contribuição
patronal em favor da entidade sindical dos trabalhadores, como
expresso na ementa: “CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA” OBRIGAÇÃO
DA EMPRESA E NÃO DOS EMPREGADOS - VALIDADE - (RECURSO
ADESIVO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO). A
cláusula instituiu contribuição confederativa
a ser calculada sobre os salários, mas não sobre
eles incidente, ao dispor expressamente que é a empresa
que a recolherá e que “tal pagamento não
implica em reconhecimento, pela EMPRESA, DO DIREITO DE COBRAR
A CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA”. Não
onerando os salários dos empregados sindicalizados nem
os dos não-sindicalizados, a cláusula sob exame
encontra-se dentro do âmbito da livre disposição
dos atores sociais. Não há contrariedade ao Precedente
n.º 119 da SDC do TST, nem sequer violação
dos arts. 5.º, XX, e 8.º, V, da Constituição
da República. Inteligência do art. 7.º, XXVI,
da Constituição da República. Recurso
ordinário adesivo do Ministério Público
do Trabalho não provido”.
Contribuição para o sistema
confederativo
Na fundamentação, o Tribunal Superior do Trabalho
define a matéria em recurso ordinário do Ministério
Público do Trabalho, assinalando: “O e. TRT da
9.ª Região julgou improcedente o pedido do Ministério
Público do Trabalho quanto à Cláusula
de n.º 24, que instituiu “contribuição
para manutenção do sistema confederativo” a
ser calculada sobre os salários dos empregados sindicalizados
e dos não sindicalizados. Dispõe a cláusula
impugnada: “Assembléias da categoria autorizaram
a que o SINDICATO efetuasse a cobrança da CONTRIBUIÇÃO
PARA MANUTENÇÃO DO SISTEMA CONFEDERATIVO, conforme
inciso IV do art. 8.º da Constituição Federal,
a ser cobrada mensalmente e na vigência deste Acordo
na base de 01% (um por cento) do salário básico
de contribuição para o INSS, de todos os empregados,
associados ou não do Sindicato, e a recolherá em
favor deste até o 5.º (quinto) dia útil
após o pagamento dos salários. Na vigência
deste acordo, a Contribuição Federativa será paga
pela empresa e tal pagamento não implica em reconhecimento
pela EMPRESA DO DIREITO DE COBRAR A CONTRIBUIÇÃO
CONFEDERATIVA . Os valores de Contribuição para
Manutenção do Sistema Confederativo serão
pagos pela EMPRESA até o 5.º (quinto) dia útil
de cada mês”. Postula o Ministério Público
a nulidade desta cláusula sob o fundamento de que, na
forma como redigida, impõe a cobrança da contribuição
confederativa a todos os empregados, sindicalizados ou não,
violando o direito de livre associação ou sindicalização
insculpido no art. 8.º, caput e V da CF”.
Legitimidade da cobrança da contribuição
Na fundamentação, ainda está expresso: “Representando
o sindicato toda a categoria (art. 8.º, II, da CF), é legítima
a cobrança de contribuição confederativa
imposta indistintamente, para associados e não associados,
em convenção coletiva de trabalho (art. 462 da
CLT e art. 8.º da Convenção n.º 95
da OIT), conforme entendimento do Excelso Supremo Tribunal
Federal (RE-189.960-SP, Rel. Min. Marco Aurélio, 07.11.00).
Ademais, ficou externado na parte final da cláusula
que a contribuição seria de responsabilidade
da empresa. Assim sendo, não há porque determinar
a nulidade desta cláusula”. (fls. 606/607 - sem
destaque no original). Inconformado, o Ministério Público
do Trabalho interpõe o presente recurso ordinário
adesivo, por meio do qual aponta violação dos
arts. 5.º, XX, e 8.º, V, da Constituição
da República e contrariedade ao Precedente n.º 119
da e. SDC do TST (fls. 685/690). Sem razão”.
Não há contrariedade constitucional
Diz o acórdão: “Trata-se de instituição
de contribuição confederativa a ser calculada
sobre os salários, mas não a sobre eles incidir.
Ao contrário, a cláusula dispõe expressamente
que é a empresa que a recolherá e que “tal
pagamento não implica em reconhecimento, pela EMPRESA,
DO DIREITO DE COBRAR A CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA” (fl.
19). Não onerando os salários dos empregados
sindicalizados nem os dos não-sindicalizados, a cláusula
sob exame encontra-se dentro do âmbito de disposição
dos atores sociais. Não há contrariedade ao Precedente
n.º 119 da e. SDC do TST, nem sequer violação
dos arts. 5.º, XX, e 8.º, V, da Constituição
da República, mas fundamento em seu art. 7.º, XXVI.
Com estes fundamentos, NEGO PROVIMENTO ao recurso ordinário
adesivo do Ministério Público do Trabalho”.
Decisão anterior do TST
Como se verifica, a decisão acima transcrita foi publicada
recentemente, em 08 de setembro de 2006, nasce de discussões
na Seção de Dissídios Coletivos do Trabalho
por se tratar de ação anulatória interposta
pelo Ministério Público do Trabalho. Decisão
anterior do TST, acórdão publicado em 18.02.2005,
refere-se a ação proposta por Sindicato de Trabalhadores,
onde o Tribunal Superior do Trabalho se pronunciou sobre a
legalidade da cláusula da contribuição
permanente recolhida pela empresa à entidade sindical
profissional. O acórdão, a ser analisado no próximo
texto, acrescenta outros fundamentos, abordando a interpretação
harmônica entre os preceitos estampados nos artigos 8.º,
inciso V, da CF e no artigo 513, e, da CLT, sobre o poder sindical
de instituição e imposição de contribuições,
a questão dos limites impostos pela lei, a aplicação
do artigo 5.º, inciso XX, da Constituição
Federal, assim como sobre a extensão do 8.º, IV,
da CF, ao relacionar as fontes de receitas sindicais, em especial
quanto a taxas de contribuição, temporárias
ou permanentes, as taxas estipuladas nas cláusulas convencionais,
além de analisar pontos específicos relacionados
com os artigos 611 e 613 da CLT. edesiopassos@terra.com.br.
|
Nova
Central, 9 de dezembro de 2006
Fim de tarifa por pulso deverá encarecer
conta de telefone
A associação de defesa de consumidores Pro Teste divulgou
hoje uma tabela de preços que mostra que a conta do telefone fixo
vai aumentar com a mudança do sistema de tarifação
de pulsos para minutos. A partir de março de 2007, as operadoras
terão que oferecer aos clientes dois tipos de planos por minutos:
um chamado básico, indicado para quem faz mais chamadas curtas,
e outro batizado de alternativo, para quem fica durante muito tempo ao
telefone, como pessoas que acessam a internet por meio de linha discada.
A Pro Teste analisou as tarifas que serão pagas em São
Paulo, Rio de Janeiro e Brasília para ligações
de um a dez minutos e concluiu que, no caso do plano básico,
apenas as chamadas de até um minuto ficarão mais
baratas que as atuais nas três cidades. Todas as demais poderão
ter reajustes. Em São Paulo, a alta poderá chegar
a até 127% no caso de uma ligação de sete
minutos.
Já quando comparado ao plano alternativo, o telefone em
geral vai encarecer a não ser para ligações
de quatro e oito minutos. Nesses casos, o preço será o
mesmo em São Paulo e Brasília e ao menos 1% menor
no Rio. Já a maior alta em São Paulo será de
74%, para ligações de três minutos.
|
SĂO PAULO
|
|
Tempo da chamada (minutos)
|
Atual (pulso)
|
Básico
|
Básico x Atual
|
Alternativo
|
Alternativo x Atual
|
Básico x Alternativo
|
|
1
|
R$ 0,15
|
R$ 0,10
|
-35%
|
R$ 0,18
|
25%
|
-92%
|
|
2
|
R$ 0,15
|
R$ 0,19
|
30%
|
R$ 0,22
|
49%
|
-15%
|
|
3
|
R$ 0,15
|
R$ 0,29
|
95%
|
R$ 0,26
|
74%
|
10%
|
|
4
|
R$ 0,29
|
R$ 0,38
|
30%
|
R$ 0,29
|
0%
|
23%
|
|
5
|
R$ 0,29
|
R$ 0,48
|
62%
|
R$ 0,33
|
12%
|
31%
|
|
6
|
R$ 0,29
|
R$ 0,57
|
95%
|
R$ 0,37
|
25%
|
36%
|
|
7
|
R$ 0,29
|
R$ 0,67
|
127%
|
R$ 0,40
|
37%
|
40%
|
|
8
|
R$ 0,44
|
R$ 0,76
|
73%
|
R$ 0,44
|
0%
|
42%
|
|
9
|
R$ 0,44
|
R$ 0,86
|
95%
|
R$ 0,48
|
8%
|
45%
|
|
10
|
R$ 0,44
|
R$ 0,96
|
116%
|
R$ 0,51
|
16%
|
46%
|
O plano básico não prevê a cobrança
de taxa de completamento de chamadas, ao contrário da tarifa
atual e do plano alternativo. Três segundos depois que a
ligação é atendida começa a contar
o tempo da chamada e de cobrança. O usuário tem direito
a uma franquia de 200 minutos (classe residencial) ou 150 minutos
(não-residencial ou PABX).
Já o plano alternativo cobra uma taxa de completamento
de chamada no momento do atendimento com valor equivalente a quatro
minutos de ligação, mas os usuários têm
direito (pagando a assinatura básica) a uma franquia de
400 minutos (residencial) ou 360 minutos (não residencial
ou PABX).
Em ambos os planos a cobrança por chamada na madrugada,
sábado após 14h, domingos e feriados nacionais equivale
ao valor de dois minutos e o usuário pode falar por tempo
indeterminado. Também é comum o tempo mínimo
de tarifação de 30 segundos (mesmo que a ligação
seja interrompida antes disso) para qualquer chamada. Na seqüência,
a cobrança passa a ser feita a cada seis segundos.
Básico X Alternativo
A Pro Teste também comparou os novos planos básico
e alternativo para ajudar o consumidor a fazer a opção.
Em São Paulo, as chamadas do plano alternativo serão
mais caras apenas para ligações de um minuto (+92%)
e dois minutos (+15%). Em todos os demais casos esse plano será mais
barato, variando de 10% (três minutos) até 46% (dez
minutos).
As operadoras terão que comunicar aos usuários sobre
as mudanças. Se o consumidor não se manifestar, a
conta migrará automaticamente para o plano básico.
A mudança para o plano alternativo, entretanto, poderá ser
feita a qualquer momento, e vice-versa.
A coordenadora da Pro Teste, Maria Inês Dolci, disse que
a preocupação com o usuário é que ele
não sabe, atualmente, quantos minutos efetivamente fala
ao telefone, já que a cobrança é por pulso. "A
orientação é que o consumidor analise o seu
comportamento por dois ou três meses para depois escolher
o plano", disse. A vantagem da cobrança por minuto é que
o usuário terá uma lista detalhada de todas as ligações
locais realizadas com tempo de duração e valor da
chamada. Nos locais onde as operadoras não oferecerem nenhum
dos planos, já que a mudança será gradual,
o consumidor continuará a pagar por pulsos.
|
Folha
de São Paulo, 09 de dezembro de 2006
Subsídio à habitação
incluirá classe média
Recursos com manutenção de
multa de 50% do FGTS atenderão famílias que ganham
até dez salários mínimos, diz Mantega | Intenção
inicial do governo era atender só população
de baixa renda na compra da casa própria com subsídio
de até dois terços do valor
Thiago Bernardes - 7.dez.06/Folha Imagem

O ministro Guido Mantega (Fazenda) durante entrevista em São Paulo
KAREN CAMACHO
DA FOLHA ONLINE
O subsídio que o governo planeja dar com recursos do FGTS
(Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para a compra da
casa própria vai beneficiar programas habitacionais voltados
a famílias que ganham até dez salários mínimos
(hoje R$ 3.500), segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda).
Até ontem o governo defendia que os recursos fossem destinados
a famílias mais pobres, com renda de até cinco mínimos
(R$ 1.750). Com a mudança, o subsídio passaria a
incluir a classe média. "Estamos falando de uma população
de zero a dez salários mínimos, que normalmente não
tem poder aquisitivo para pagar a prestação da casa
própria", disse o ministro em São Paulo.
Os recursos para o subsídio virão da multa de 50%
do FGTS pago pelas empresas em caso de demissão sem justa
causa de trabalhadores com carteira assinada. Desse total, 40%
vão para o trabalhador e 10% são para o governo arcar
com despesas dos expurgos do FGTS. Como as dívidas relativas
aos expurgos devem ser totalmente quitadas até janeiro,
havia expectativa de empresários de que a multa voltasse
a 40%.
Mantega, entretanto, afirmou que espera arrecadar mais de R$ 6
bilhões nos próximos quatro anos com a prorrogação
da multa. Como o subsídio será de até dois
terços do valor do imóvel, a medida pode levar ao
investimento de cerca de R$ 10 bilhões em habitação,
se considerada também a parcela paga pela população.
"Queremos canalizar a multa adicional para a compra da casa
própria. O objetivo original era cobrir um esqueleto do
FGTS. Como esse buraco foi coberto, [o recurso] pode ser usado
na subvenção das parcelas do financiamento habitacional",
disse o ministro.
Quem paga a conta
A mudança será feita por meio de um projeto de lei
que será encaminhado ao Congresso e deverá alterar
a destinação dos recursos da multa adicional do FGTS.
O prazo de vigência da multa maior ainda não está definido
porque Mantega admitiu que quer conversar primeiro com "quem
paga essa conta" -ou seja, os empresários. Ele prometeu,
no entanto, que a prorrogação da multa de 50% virá acompanhada
de medidas de desoneração de tributos para que o
impacto não seja tão grande para as empresas.
As reduções de tributos deverão ser anunciadas
na próxima semana e devem incluir isenções
para fundos de investimento em infra-estrutura e a correção
da tabela do Imposto de Renda, entre outros. Os empresários,
entretanto, são contrários a qualquer tipo de prorrogação.
Durante almoço com Mantega, o presidente do Secovi-SP (sindicato
da habitação), Romeu Chap Chap, disse que a proposta
do governo é "inadequada"" e defendeu a desoneração
da folha de pagamento das empresas.
Já o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, informou, por meio
de nota, que já apresentou pedido ao presidente Lula para
a redução da multa para 40%. Por sua vez, o presidente
do Instituto FGTS Fácil, Mario Avelino, afirma que o governo
não precisa prorrogar a multa para ter recursos para subsidiar
as casas populares, já que o patrimônio líquido
do FGTS soma hoje cerca de R$ 20 bilhões, que podem ser
usados para essa finalidade.
|
Folha
de São Paulo, 9 de dezembro de 2006
Pacote vai dar prioridade à construção,
diz Mantega
Investimentos em infra-estrutura e saneamento
também serão incentivados | Embora tenha ficado de
fora do pacote o redutor de despesas, ministro afirma que haverá novas
regras com efeitos semelhantes
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
O governo quer tornar a construção civil um dos
principais pólos de crescimento do país. O pacote
de destravamento do crescimento que está sendo elaborado
irá conter uma série de medidas para incentivar
o setor a dar esse salto nos próximos quatro anos. O setor
de saneamento e a infra-estrutura também serão
contemplados pelo pacote. A informação foi dada
ontem à Folha pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.
De acordo com ele, se a construção civil cresce
hoje a taxas de 5% a 6% ao ano, bem acima, portanto, do PIB,
o pacote deverá fazer com que o setor cresça num
ritmo ainda mais forte. "Nós vamos criar medidas
que reforcem esse crescimento", diz ele.
Segundo Mantega, apesar desse ritmo acelerado de expansão,
a construção civil ainda representa apenas a parcela
de 6% do PIB, assim como também absorve somente 2% do
crédito na economia. Um dos objetivos do pacote é o
de, nos próximos quatro anos, ampliar significativamente
tanto a sua fatia no PIB como a sua participação
no crédito. O setor de construção civil
foi eleito como prioritário por preencher todas as características
do projeto de desenvolvimento que o governo pretende adotar no
país. "O impulso a esse setor é importante
porque também beneficia a área social", diz
Mantega.
Isto porque, segundo ele, quando se investe em habitação,
além de contribuir para o crescimento da economia, também
atende à necessidade básica da população,
que é a de ter acesso à casa própria. O
saneamento básico também é outro setor que
será estimulado pelo pacote econômico. "O setor
de saneamento também gera emprego e atende a uma necessidade
básica do país, que é a de melhorar a condição
de vida da população", diz ele. "Nós
estamos buscando apoiar justamente esses setores que estão
na fronteira da expansão do crescimento".
O pacote econômico já está bem avançado.
De acordo com Mantega, o presidente Lula deve anunciar as medidas
dentro de dez dias aproximadamente. Só falta concluir
a parte relativa à infra-estrutura. Segundo Mantega, o
pacote irá conter uma lista dos principais projetos de
infra-estrutura com um detalhamento dos obstáculos que
emperram sua execução, como aqueles que dependem
de licença ambiental para se tornarem viáveis.
O objetivo do governo é o de realizar obras que que acelerem
o escoamento da produção e facilite a exportação.
De acordo com Mantega, outra vantagem, ao incentivar esses setores
da economia, é a de que o Brasil não depende das
importações para viabilizar o crescimento, já que
o país possui todos os insumos (cimento, aço e
minério de ferro) que permitem incentivar os setores eleitos
pelo governo. São os chamados "non-tradables" (não-comercializáveis).
Apesar de o redutor de despesa ter sido abolido do pacote econômico,
Mantega afirma que, na prática, serão criadas regras
que funcionam como se ele existisse. Só não será mais
adotada a idéia de obrigar as despesas a cair 0,1% ou
0,2%, como se pretendia.
O pacote irá obrigar as despesas a crescer abaixo do
PIB, o que, segundo Mantega, na prática, terá o
mesmo efeito de um redutor. A idéia é que os gastos
sejam corrigidos pela inflação e mais um pequeno
percentual inferior ao crescimento do PIB. De acordo com Mantega,
não há como o governo conseguir cortar os gastos
correntes, seja de salários ou da Previdência, e,
por isso, a alternativa foi a de adotar normas para estabelecer
parâmetros para o crescimento da despesa.
Segundo Mantega, serão regras de longo prazo, de modo
a se ter uma perspectiva de uma política fiscal sustentável
para os próximos dez anos. E, com isso, abrir espaços
para o investimento privado na economia.
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NÚMEROS DA CONSTRUÇÃO
CIVIL
6%
é quanto o setor da construção civil representa atualmente
do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, segundo o ministro da Fazenda, Guido
Mantega
2%
do crédito da economia brasileira é direcionado ao setor
de construção civil, e a intenção do governo é elevar
esse percentual nos próximos quatro anos
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Folha
de São Paulo, 9 de dezembro de 2006
Fundo de investimento com FGTS pode
ter isenção do IR
Proposta consta de versão preliminar
da MP que será editada instituindo o fundo | Mas o governo
quer cobrar IR se o trabalhador que optar pelo fundo puder sacar
o ganho que exceder o rendimento atual do FGTS
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A aplicação dos trabalhadores no fundo de investimento
em infra-estrutura com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço), em estudo pelo governo, deverá ser
isenta do pagamento do IR (Imposto de Renda). Essa proposta já consta
de versão preliminar da medida provisória que será editada
instituindo o novo fundo. A idéia é enquadrar o
fundo de investimento do FGTS juntamente com os demais fundos
privados para o setor que o governo pretende incentivar. Assim,
ele também teria o benefício da isenção
do IR.
O texto final da medida provisória, porém, ainda
depende de uma definição sobre o percentual do
saldo da conta do FGTS que cada trabalhador poderá aplicar
nesse fundo. Conforme a Folha publicou ontem, a equipe econômica
quer que a aplicação fique limitada a 10% dos recursos
do FGTS depositados em nome dos trabalhadores. O ministro do
Trabalho, Luiz Marinho, defende um índice em dobro, de
20%.
A decisão final passará por negociação
com as centrais sindicais. Com isso, a expectativa é que
a medida não seja anunciada junto com o pacote de estímulo
ao crescimento que será divulgado pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva nos próximos dias. Por isso,
ontem, o tema ficou fora da pauta da reunião realizada
com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e representantes dos
ministérios da Fazenda, do Planejamento e das Cidades,
da Caixa Econômica Federal e do BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social).
Saque
Além disso, é preciso bater o martelo sobre outro
ponto: a possibilidade de o trabalhador que optar pelo novo investimento
ter direito a sacar a rentabilidade que exceder à remuneração
básica do FGTS, no caso de ele desistir do investimento.
Os recursos depositados na conta do trabalhador no FGTS são
remunerados com base na variação da TR (Taxa Referencial)
mais juros de 3% ao ano. Se for aberta uma brecha para saques
da parcela que superar essa rentabilidade, a equipe econômica
quer que ela seja tributada pelo IR. Com isso, a isenção
do IR ficaria limitada ao valor aplicado corrigido por TR mais
3% ao ano, justamente a parte do dinheiro que obrigatoriamente
retornaria para a conta no FGTS no caso de saída do fundo
de investimento em infra-estrutura.
Segundo interlocutores do governo, no entanto, o mais provável é que
seja proibido o saque do dinheiro investido fora das regras já adotadas
atualmente, a exemplo do que ocorre atualmente com quem aplicou
dinheiro do FGTS na compra de ações da Petrobras
e da Vale do Rio Doce. O texto preliminar da medida provisória
que cria o novo fundo com recursos do FGTS prevê ainda
que a administração e a gestão ficarão
por conta da Caixa Econômica Federal, instituição
que já administra os recursos do fundo. Será instituído
um comitê de investimento que decidirá os investimentos
e será composto pelos representantes do Conselho Curador
do FGTS.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
09/12/2006
Dia da Conciliação: Leal diz que busca de acordo é primordial
na JT
Ao participar da mobilização pelo Dia Nacional da Conciliação,
o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Ronaldo Lopes
Leal, congratulou-se com a presidente do Supremo Tribunal Federal e
do Conselho Nacional de Justiça, ministra Ellen Gracie, pela
iniciativa de lançar em território nacional o Projeto “Conciliar é Legal”.
Leal registrou que a idéia surgiu no Tribunal Regional do Trabalho
da Paraíba (13ª Região), presidido pelo juiz Afrânio
Melo.
A expectativa do CNJ é a de que sejam realizadas hoje mais
de 60 mil audiências no País, em todos os segmentos da
Justiça (Federal, Estadual e Trabalhista). “A Justiça
do Trabalho já nasceu com duas fases obrigatórias de
conciliação: a primeira logo depois da contestação
e a outra, no final da instrução. Sem isso, o processo é considerado
nulo. A conciliação também é possível
nos dissídios coletivos de trabalho, com previsão de
audiência mediada pelos presidentes dos TRTs e do próprio
TST”, explicou.
A introdução da possibilidade de conciliação
onde a legislação não exigia foi uma iniciativa
vitoriosa da Justiça do Trabalho de Minas Gerais, por meio da
adoção do Juízo Auxiliar de Conciliação
de Precatórios, que se estendeu com êxito a várias
regiões do País. Em entrevistas ao vivo à TV Justiça
e à Rádio Justiça, o ministro Ronaldo Leal explicou
que em apenas dois tipos de processo submetidos à Justiça
do Trabalho não é possível a conciliação:
mandado de segurança e ação rescisória,
em função de sua natureza civil das demandas.
“Em todas as ações tipicamente trabalhistas é possível
a conciliação. Vários Tribunais Regionais do Trabalho
instituíram juízos conciliatórios, obtendo êxito
em 20% dos casos, o que é extraordinário. O mesmo está ocorrendo
na fase de execução, onde não havia previsão
de qualquer proposta de conciliação. Diversos juízes
tomaram a iniciativa de chamar as partes para uma última tentativa
de conciliação durante a execução”,
salientou Leal.
O presidente do TST voltou a conclamar os advogados trabalhistas a
aderirem em massa aos sistemas informatizados disponíveis para
download nas páginas eletrônicas do Tribunal Superior
do Trabalho e dos Tribunais Regionais do Trabalho na Internet. Os principais
são o e-Doc (peticionamento eletrônico) e o Cálculo
Rápido. Na próxima semana (dia 13), Leal receberá a
cúpula do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB) para discutir uma campanha de esclarecimento dos benefícios
dos sistemas com vistas a obter adesão maciça da categoria.
É também com o auxílio da informática
que o presidente do TST pretende estender a possibilidade de conciliação
aos processos que já estejam tramitando no Tribunal Superior
do Trabalho. A idéia do ministro Ronaldo Leal é a de
utilizar instrumentos de comunicação por Internet (como
a teleconferência, por exemplo) para permitir que ministro relator
do recurso no TST tenha contato com as partes envolvidas no processo
sob a intermediação de um juiz do Trabalho local.
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