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CFT/PR, 14 de dezembro de 2006
Setor madeireiro gera 5 mil empregos
diretos no Paraná
Considerada pólo nacional na produção florestal,
o município de União da Vitória, no Sul do Estado,
vem aos poucos se tornando modelo de desenvolvimento econômico
sustentável em uma região onde a industrialização
da madeira é praticada há mais de 100 anos. Reunidas em
Arranjo Produtivo Local (APL), 200 empresas respondem pela produção
de portas e janelas através do Núcleo de Esquadrias de
Madeira e já garantem cerca de 5 mil empregos diretos, no Paraná.
Segundo o secretário da Indústria, Comércio e
Assuntos do Mercosul, Jacir Bergmann II, o APL da madeira é responsável
por 18% da produção nacional de portas. “Aproximadamente
81% da produção das empresas do APL é comercializada
nacionalmente, e o restante destina-se à exportação”,
completa.
Um exemplo prático do sucesso do APL vem do gerente de comércio
exterior da empresa Acifer, Fernando Echterhoff. “O fortalecimento
do APL ajudou na participação das empresas em feiras
e eventos de todo o país, trazendo clientes potenciais”,
afirma.
Mercado – No Paraná, o
APL abrange os municípios de União da Vitória,
Bituruna, Cruz Machado, General Carneiro, Paula Freitas, Porto Vitória
e Paulo Frontin. Em Santa Catarina, a produção de portas
e esquadrias concentra-se nos municípios vizinhos de Porto União,
Irenópolis e Matos Costa.
Para o secretário de Indústria e Comércio de
União da Vitória, Carlos Bernardo Roveda, a consolidação
da região por meio do APL incentiva grandes negócios
do setor madeireiro para o mercado externo. Atualmente, os principais
destinos das vendas externas são Inglaterra, Canadá,
Holanda, Dinamarca, Porto Rico e Estados Unidos. Fonte:
AEN.
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Agência Diap, 14 de dezembro de 2006
Contribuição Assistencial
Falta de quorum impede votação
do PLS 248/06
Conforme noticiado na semana passada, o PLS 248/06, do senador Paulo
Paim (PT/RS), que regulamenta o desconto das contribuições
assistenciais destinadas ao financiamento das negociações
coletivas das entidades sindicais, foi incluído na pauta da reunião
ordinária de hoje, dia 13/12, da Comissão de Assuntos Sociais
(CAS) do Senado.
O projeto tramita na CAS em caráter terminativo com parecer
favorável à aprovação oferecido pelo relator,
senador Valdir Raupp (PMDB/RO). O parecer foi lido na reunião
do dia 06/12 e havia grande expectativa do movimento sindical de que
a votação do texto ocorreria hoje. Lideranças
sindicais de vários segmentos lotaram a sala de reuniões à espera
do encerramento de uma audiência pública que teve início
antes da apreciação da pauta ordinária da CAS.
O quorum da comissão estava baixíssimo e, ao fim da
audiência pública, a reunião da CAS foi encerrada. É importante
destacar que, pelo fato de a matéria tramitar em caráter
terminativo, há a exigência de quorum qualificado de deliberação.
Sindicalistas mantêm plantão no Senado Federal aguardando
nova oportunidade para que o PLS 248/06 seja votado ainda esta semana
na CAS.
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Gazeta do Povo, 14 de dezembro de 2006
MATA ATLÂNTICA | Áreas de assentamentos
e acampamentos lideram ranking da devastação no Paraná
Sem-terra ajudaram a destruir
floresta
Ponta Grossa – Sem-terra e assentados seriam os responsáveis
pela posição nada gloriosa do Paraná, a vice-liderança
entre os estados que mais devastam a Mata Atlântica. Quem reconhece
isso é o próprio Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra). No período entre 1995 e 2000,
um dos casos mais graves de desmatamento registrados no Brasil ocorreu
na cidade de Rio Bonito do Iguaçu, em uma área de assentamento.
No levantamento mais recente, que abrange as ocorrências registradas
entre 2000 e 2005, Bituruna, no Sul do estado, encabeça o ranking
de desflorestamento. Segundo o Instituto Ambiental do Paraná (IAP),
boa parte dos 4,8 mil hectares de mata nativa foi derrubada pelos integrantes
de sete assentamentos da região. Os números são
alarmantes. De janeiro de 2000 até novembro de 2006, o IAP emitiu
181 autuações de crimes contra a flora no município.
“Isso de fato aconteceu, mas não acontece mais”,
garante o superintendente estadual do Incra, Celso Lisboa de Lacerda.
A imagem de que acampamentos e assentamentos eram terras sem lei aos
poucos estaria sendo mudada. Trabalhos de conscientização,
de educação ambiental e mais rigor na fiscalização
teriam reduzido drasticamente os casos de desmatamento em áreas
de ocupação. “O exemplo vem da Araupel, que é uma área
grande e que todo mundo dizia que ia virar um novo caso como o de Rio
Bonito do Iguaçu, e a floresta está lá, em pé”,
argumenta.
Lacerda também ressalta que, por vezes, os sem-terra foram
usados por pessoas que queriam financiar as derrubadas e lucrar com
a negociação da madeira. “Temos vários depoimentos
de que muitos acampamentos foram organizados por madeireiros”,
conta. A degradação ambiental em larga escala também
poderia custar caro para o Incra.
Cada vez que o IAP descobria um desmate em assentamento, a multa ia
para o órgão federal, que é o dono da terra. No
total, foram R$ 12 milhões em autuações. E muitas
das 48 infrações ocorreram em áreas de invasão
que nem estavam em processo de compra pelo Incra.
Para não ter de pagar pelos erros alheios, foi firmado um termo
de ajustamento em 2004. E desde então o Incra começou
a regularização ambiental em 26 projetos prioritários,
entre eles o do assentamento “12 de Abril”, em Bituruna.
O acordo prevê também a ação na recuperação
das áreas degradadas. Segundo Lacerda, já foram replantados
quase 100 hectares só de mata ciliar. A implantação
de projetos de geração de renda complementam o trabalho,
para evitar que os assentados encontrem na floresta remanescente a única
alternativa imediata de conseguir dinheiro.
O secretário estadual de Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, confirma
que boa parte do desmatamento registrado em Bituruna ocorreu em áreas
de assentamentos, e acrescenta que o trabalho feito desde 2004 já começou
a dar resultado. “Deu para notar que diminuiu a incidência
de casos”, conta. Com dinheiro repassado pelo Incra, há dois
anos os órgãos ambientais paranaenses promovem cursos
periódicos de treinamento e conscientização às
lideranças dos assentados.
Além de Bituruna, Coronel Domingos Soares, Palmas e General
Carneiro estão entre as dez cidades que mais destruíram
os remanescentes da Mata Atlântica no Brasil. A reportagem tentou
localizar o líder estadual do MST, José Damasceno, mas
o telefone celular estava desligado. Katia Brembatti.
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Gazeta do Povo, 14 de dezembro de 2006
IBGE | Estudo mostra que capitais perderam
participação na produção de riquezas
Dez cidades concentravam 25%
do PIB brasileiro em 2004
Rio de Janeiro – O Brasil tinha, em 2004, 5.560 municípios,
mas apenas dez cidades concentravam 25% do Produto Interno Bruto (PIB)
segundo pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE). O fenômeno da concentração
não se limita apenas às dez maiores economias municipais
do país. Os 68 maiores PIBs municipais correspondiam a 50% de
toda a produção de bens e serviços do país.
Vivia nesses municípios um terço da população
do país. Em 2003, 71 cidades geravam 50% do PIB.
Existia no país, em 2004, um contingente de 3.103 municípios
que geravam apenas 5% do PIB brasileiro. Em oposição
a essa parcela, estavam São Paulo, Rio, Brasília, Manaus,
Belo Horizonte, Campos dos Goytacazes, Curitiba, Macaé, Guarulhos
e Duque de Caxias. Essas cidades, em ordem, representavam os dez maiores
PIBs do país.
Na ponta oposta estavam 1.295 cidades que correspondiam a apenas 1%
do PIB do país – e 3,7% da população. São
localidades como Oliveira de Fátima (TO), Ipueiras (TO), São
Miguel da Baixa Grande (PI), onde estão os três menores
PIBs do país e nas quais a economia é praticamente toda
ligada à administração pública e às
transferências oficiais de renda à população
(como o Bolsa Família). Ainda de acordo com o estudo do IBGE,
quatro estados centralizavam cidades com PIBs muito baixos: Minas Gerais
(287), Tocantins (107), Piauí (173) e Paraíba (136).
Do total, 654 municípios ficavam no Nordeste.
Entre as principais cidades, São Paulo agregava sozinha 9,1%
do PIB brasileiro em 2004 – o porcentual era um pouco maior em
2003 (9,4%). Para a gerente da pesquisa do PIB municipal, Sheila Zani,
os dados da pesquisa revelam um “absurdo” processo de concentração
do PIB, que é ainda mais forte quando se analisa separadamente
a indústria. “A indústria é absurdamente
concentrada. A agropecuária é a mais dispersa.”
Os dados do IBGE revelam ainda que o peso das capitais e regiões
metropolitanas no PIB tem declinado nos últimos anos. Em 1999,
as capitais geravam 32% do PIB brasileiro. O percentual baixou para
28% em 2004. As demais cidades das regiões metropolitanas, por
sua vez, ganharam terreno, de 22,1% para 22,7%. Porém, foram
os municípios fora do eixo metropolitano que mais avançaram
em peso no PIB do país: de 46% em 1999 para 49,4% em 2004.
Petróleo
Cidades ricas, mas populações pobres. Esse é o
cenário em sete dos dez municípios com maior PIB per
capita do Brasil que têm economia baseada na indústria
petrolífera. A explicação é simples, diz
o sociólogo Francisco de Oliveira: “Está se dividindo
o PIB pela população em locais onde predomina a indústria
com caráter altamente concentrador e com produtividade maior
do que em outros setores”. Um fator que reduz a distribuição
de renda é a baixa empregabilidade do setor. “A renda
não é redistribuída para baixo, só para
cima e horizontalmente.”
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Agência Diap, 14 de dezembro de 2006
Movimentos Sociais
Movimentos sociais sugerem prioridades
para o 2º mandato de Lula; mudança na política
econômica é consenso
Por Alysson Alves
“Não disputei o 2º mandato para permanecer na mesmice”,
disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a representantes
do movimento social e sindical que participaram hoje, 13/12, no Palácio
do Planalto, da primeira reunião após sua reeleição
para mais quatro anos no comando do país.
Ao formular e apresentar a frase, Lula externou para o movimento social
e sindical [CMS, MST, UNE, Abong, Rede de Mulheres, Movimento Urbano – Conam
e CMP -, Índios e CUT] o indicativo de que em seu 2º mandato
pretende manter e ampliar o diálogo para a formulação
e apresentação de alternativas para o crescimento da
economia, desenvolvimento do país, geração de
emprego e distribuição de renda.
O ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da
República, destacou a reforma universitária e o Fundeb
como dois exemplos de parcerias bem sucedidas entre o Governo e o movimento
social. “Os movimentos sociais tiveram mandato ativo e avanço
nos últimos anos do mandato do presidente Lula. No segundo mandato
devem continuar a participar da elaboração e apresentação
de propostas, inclusive do orçamento, para melhorar o país”,
disse.
Dulci também fez questão de destacar o Programa Nacional
de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf), criado há dez
anos com recursos inicias de R$ 300 milhões e ampliado durante
a gestão do presidente Lula. “O plano safra da agricultura
familiar foi multiplicado por quatro e chegará ao final do ano
com investimentos da ordem de R$ 10 bilhões”, afirmou.
Por último, Dulci destacou a participação histórica
do movimento sindical na discussão e definição
do novo valor do salário mínimo; no fornecimento do crédito
consignado e nos dois reajustes concedidos à tabela do Imposto
de Renda da Pessoa Física, “reivindicações
antigas, que foram atendidas e terão continuidade”, disse.
Reivindicações
Os representantes dos movimentos social e sindical que participaram
da reunião com o presidente Lula apresentaram uma pauta consensual
de reivindicação com oitos pontos: i) necessidade de
mudança na política econômica de modo que haja
crescimento, distribuição de renda e universalização
dos serviços públicos; ii) desenvolvimento sustentável;
iii) direito à educação; iv) direitos sociais;
vi) saúde pública; vi) reforma política; vii)
democratização do poder; e viii) defesa da soberania
nacional.
Economia
Em relação à política econômica,
os movimentos sociais defendem a redução dos juros, diminuição
do superávit primário, mudança na destinação
e aplicação dos recursos públicos – do pagamento
de juros da dívida interna e externa – para investimentos
sociais. Ainda no aspecto econômico, a coordenação
dos movimentos sociais destaca que é necessário garantir
a valorização dos salários, em especial do salário
mínimo, de modo que o poder de compra seja dobrado até o
final de 2006 [esse foi o acordo firmado há quatro anos pelo
Governo].
Desenvolvimento sustentável
Para os representantes do movimento social, o desenvolvimento econômico
deve ser compatível com a defesa do meio ambiente, estabelecimento
de políticas que respeitem e protejam a biodiversidade, a água,
os recursos naturais e os povos indígenas, os quilombolas e
ambientalistas, que estão na vanguarda da defesa do meio ambiente.
Educação
Os representantes do movimento estudantil reconhecem o esforço
do governo para melhorar a educação, aumentar as vagas
nas universidades, além do Fundeb, que vai garantir qualidade
no ensino. No entanto, destacam que é necessário mais
empenho para aumentar as vagas do Programa Universidade para Todos
(ProUni) e promover uma campanha imediata para erradicação
do analfabetismo, que aflige 18 milhões de brasileiros adultos.
Saúde
Segundo entendimento dos representantes do movimento social, o Governo
precisa tomar medidas urgentes para sanar os graves problemas que atingem
o sistema público de saúde. Eles defendem e desejam que
o Governo priorize a regulamentação da Emenda Constitucional
nº 29, de modo que seja fortalecido o Sistema Único de
Saúde.
Reforma política
Diante da constatação de que os empresários têm
aumentado a influência sobre os partidos e os políticos
eleitos, e que o povo está muito cético quanto ao sistema
político atual, as entidades defendem que a sociedade possa
participar e apresentar propostas para a democratização
do sistema político brasileiro. ABONG, CNBB e a OAB têm
propostas.
Democratização do Poder
Os representantes dos movimentos sociais defenderam a democratização
dos meios de comunicação social. Propuseram que o Governo
se some à Telesur, filiando a Radiobras; crie uma rede pública
de televisão com participação de jornalistas e
entidades da sociedade; que o Governo cesse a repressão às
rádios comunitárias e crie mecanismos para o funcionamento
das TV´s comunitárias; garanta a participação
de representantes da sociedade civil nos conselhos consultivos das
estatais, do Copom, que define a taxa de juros, de biossegurança,
Monetário Nacional e das agências reguladoras.
Previdência Social
Na reunião não foi discutido o aumento do salário
mínimo. Quanto à Previdência Social, a idéia é constituir
um fórum para discutir alternativas para incluir os milhares
de brasileiros que se encontram atualmente fora do acesso aos benefícios
previdenciários.
O fórum, que vai funcionar no âmbito do Ministério
da Previdência, será composto nos moldes do Fórum
Nacional do Trabalho (FNT), que discutiu propostas para mundo do trabalho,
e será formado por representantes de todas as organizações
do movimento social, intelectuais e o Governo.
Próximas reuniões
Segundo garantiu o ministro Luiz Dulci, esta primeira reunião
vai ter desdobramentos e o Governo, a exemplo do que vem fazendo com
os partidos políticos [tem mantido conversas constantes para
a formação do Governo de coalizão] vai conversar
com os vários movimentos sociais, de mulheres, sindicais, da
educação e do campo para formular a agenda do 2º mandato
do presidente Lula.
Os dirigentes sociais, ao final da conversa com o Presidente e com
os jornalistas afirmaram que vão permanecer com o diálogo
aberto e franco com o Governo, sem que tais gestos possam ser classificados
e denominados de “chapa branca”. Para 2007, sinalizaram
a continuidade das manifestações e a busca incansável
por conquistas que são almejadas pela sociedade e todos os brasileiros. Alysson
Alves é jornalista e assessor do DIAP.
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Nova Central, 14 de dezembro de 2006
CCJ aprova CPMF permanente
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
do Senado aprovou nesta quarta-feira proposta de emenda constitucional
(PEC) que torna a CPMF permanente, com alíquotas decrescentes
a partir de 2008. Pelo projeto, do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE),
a alíquota seria reduzida dos atuais 0,38% para 0,28% em 1º de
janeiro de 2008. A partir daí, sofreria reduções
semestrais até chegar a 0,08% em 1º de julho de 2010.
A PEC segue um longo caminho e não será apreciada em
caráter conclusivo neste ano. Para valer, a proposta tem que
ser aprovada em dois turnos no plenário do Senado, repetindo
o mesmo ritual no plenário da Câmara. A Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF)
expira no ano que vem, e o governo vem buscando maneiras de não
perder a fonte de receita.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já defendeu que
a CPMF seja permanente, mas com um processo mais demorado para a queda
da alíquota. A proposta do senador tucano também estipula
o direcionamento dos recursos: 53% para a saúde, 26% para a
seguridade social e 21% para o fundo de combate à pobreza.
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Nova Central, 14 de dezembro de 2006
Cozinheiro contínuo de restarurante
não é autônomo é empregado
O trabalhador que, na condição de cozinheiro (pizzaiolo),
realiza o trabalho de preparação de alimento (pizza) constante
do cardápio diversificado do restaurante, de forma pessoal, contínua,
subordinada e onerosa, exercendo assim, atividade afeta aos fins do empreendimento
econômico é empregado.
Baseados nesse entendimento, os juízes da 4ª Turma do
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP), confirmaram
decisão da 20ª Vara do Trabalho de São Paulo e reconheceram
o vínculo empregatício de um cozinheiro que prestava
serviços à Churrascaria Gauchinho Grill Ltda.
O pizzaiollo entrou com reclamação trabalhista alegando
ter trabalhado, sem carteira assinada, entre janeiro de 2001 e novembro
de 2003. A churrascaria reconheceu que o cozinheiro lhe prestou alguns
serviços, "porém, com a mais absoluta autonomia,
a título de "bico", como ajudante de pizzaiolo, tratando-se
de verdadeiro free lance".
Testemunha ouvida no processo, entretanto, declarou que o cozinheiro "trabalhava
todo dia com uma folga uma vez por semana e que tem certeza absoluta
dessa informação, porque trabalhavam juntos na pizzaria,
no mesmo horário e que o reclamante tinha folga no meio da semana".
A churrascaria foi condenada pela vara e recorreu da decisão
ao TRT-SP, mas o relator do recurso no tribunal, juiz Ricardo Artur
Costa e Trigueiros, confirmou a decisão de 1ª instância.
Para ele, "o relacionamento entre as partes revela o aspecto subjetivo
(animus contrahendi) aliado aos pressupostos objetivos da subordinação,
pessoalidade, onerosidade, permanência, e habitualidade na prestação
de serviços inerentes à atividade-fim da reclamada".
Por unanimidade, os juízes da 4ª Turma do TRT-SP acompanharam
o voto do juiz Trigueiros, reconhecendo o vínculo de emprego
do pizzaiolo com a churrascaria e determinando o pagamento de salário,
horas extras, FGTS + 40% multa, seguro desemprego, multa do artigo
477 da CLT, expedição de ofícios e correção
monetária ao trabalhador.
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Nova
Central, 14 de dezembro de 2006
Aumento dos salários de parlamentares
pode acarretar gastos de R$ 1,7 bi
Os presidentes da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e do Senado,
Renan Calheiros (PMDB-AL), convocaram para hoje uma reunião cujo
tema é o aumento salarial aos parlamentares. Eles são candidatos à reeleição
nas duas Casas, respectivamente. O valor deve chegar a R$ 24,5 mil, equivalente
aos vencimentos dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o que
significaria um gasto extra anual de pelo menos R$ 1,66 bilhão aos
cofres públicos -já que Estados e municípios seguem
o aumento federal.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a reunião terá a
participação de integrantes das Mesas Diretoras e
líderes partidários do Congresso. Há duas
propostas em jogo. Uma, defendida até ontem pela maioria
dos integrantes das Mesas diretoras das duas Casas, aumenta o salário
dos congressistas de R$ 12,8 mil para R$ 24,5 mil. A outra, sustentada
por uma minoria na Mesa e por uma parte dos líderes partidários,
elevaria os salários a R$ 16,5 mil -uma correção
da inflação no período.
A tese da equiparação salarial com o STF (Supremo
Tribunal Federal) era majoritária até ontem. Os presidentes
das duas Casas não irão se opor à isonomia
salarial com o Judiciário. O mais provável é que
o aumento se dê por meio de ato das duas Mesas. Já há um
decreto legislativo, assinado em 2002, que prevê a equiparação
salarial com o STF.
Caso esta seja a opção dos parlamentares, bastará um
ato da Mesa para regulamentar o decreto. Entretanto, há um
grupo de parlamentares que defende a apreciação do
assunto pelos plenários para dividir o desgaste junto ao
público. A medida pode acarretar em um efeito cascata que
permitirá a elevação dos salários.
A Constituição prevê que os salários
dos 1.059 deputados estaduais e distritais e dos 51.819 vereadores
de todo o país sejam fixados proporcionalmente ao salário
do deputado federal.
Do R$ 1,66 bilhão de gastos extra calculado ao ano, caso
o salário seja elevado para R$ 24,5 mil, R$ 90 milhões
seriam do Congresso, R$ 120 milhões das Assembléias,
e R$ 1,447 bilhão das Câmaras. Partidos e lideranças
que são contra a elevação para R$ 24,5 mil
tentarão se mobilizar ainda hoje, na tentativa de reverter
a tendência.
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Folha
de São Paulo, 14 de dezembro de 2006
Procuradoria deve arquivar rejeição
das contas de Lula
Petista se tornará hoje o primeiro
a receber diploma com prestação vetada pelo TSE |
Tribunal reprova contas, mas o Ministério Público
tende a decidir que doação de R$ 10 mil não
representa abuso do poder econômico
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar de o TSE (Tribunal de Contas da União) ter rejeitado
na madrugada de ontem as contas do comitê financeiro do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério
Público Federal deverá arquivar o caso por entender
que não houve abuso do poder econômico pela campanha
do PT. Lula será diplomado hoje em meio ao constrangimento
de ser o primeiro presidente da República a ter as contas
reprovadas pelo tribunal. O procurador-geral da República,
Antonio Fernando de Souza, começou a analisar ontem se
o repasse de R$ 10 mil da empresa Deicmar S/A ao comitê petista
-fato que motivou a rejeição- pode suscitar uma
denúncia contra o PT ou o presidente, ou se o assunto
deve ser arquivado. A doação foi a causa da reprovação
porque a Lei Eleitoral proíbe os candidatos de receber
recursos de concessionárias de serviço público.
De acordo com a Receita Federal, a Deicmar é uma aduaneira
que administra o Porto Seco de Santos (SP) -atua na área
de armazenagem e transporte de carga. O repasse ao PT foi feito
no dia 10 de novembro, após o segundo turno. O partido
afirmou que entrará com recurso pedindo esclarecimentos
sobre a decisão da madrugada de ontem. Se apresentada,
a denúncia do Ministério Público será julgada
novamente pelo TSE e pode acarretar, em caso de condenação,
até a cassação do mandato do presidente.
No entanto, a tendência é que o procurador não
dê seqüência ao caso. Questionado sobre a polêmica,
ele não se manifestou ontem. Mas a avaliação é que
ele compactua com a análise feita pelo vice-procurador-geral
eleitoral, Francisco Xavier Pinheiro Filho. Em parecer enviado
ao TSE, Pinheiro Filho recomendou a aprovação com
ressalvas.
Para explicar o caso da Deicmar, Pinheiro Filho usou um precedente
de 2002, da ministra Ellen Gracie, que relevou repasse de R$
50 mil feito pela Associação Nacional de Factoring à campanha
de Lula. O argumento foi que a quantia era irrisória diante
do total gasto. Essa posição também é defendida
pelo presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello. Apesar
de proibir doações de concessionárias de
serviço público, a lei não é clara
quanto a transferências indiretas. Na votação
das contas, por exemplo, o TSE decidiu que repasses feitos por
cinco empresas ao comitê petista não caracterizavam "doações
vedadas".
Relator das contas de Lula, o ministro do TSE Gerardo Grossi
dividiu o julgamento em etapas. A primeira, sobre cinco empresas,
terminou com placar favorável ao PT por 5 a 2. São
elas: MBR (Minerações Brasileiras Reunidas), Caemi,
CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Construtora OAS
e Tractbel. Em seguida, em votação apertada (4
a 3), foi aprovada a doação de R$ 1 milhão
do IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia). Após recusar
o caso da Deicmar, a Corte do TSE aprovou, por 5 votos a 2, a
contabilidade individual de Lula.
Dois outros pontos causaram polêmica, mas não resultaram
em rejeição: os moldes do termo (novação)
assinado pelo PT para arcar com dívidas de R$ 10 milhões
deixadas pela campanha, e o repasse de R$ 1 milhão da
Carioca Christiani Nielsen. Nessa etapa, a principal contestação
foi de Marco Aurélio. "As contas não fecharam.
Não consigo imaginar que possamos chegar a aprovação
de contas sem que haja um encaixe: receitas e gastos."
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Folha
de São Paulo, 14 de dezembro de 2006
Lula já admite que país
não cresce 5%
Conselheiros convencem presidente de que
insistência nos 5% poderia sinalizar afrouxamento fiscal,
segundo assessores | Crise aérea assustou Lula, mostrando
que gargalos na infra-estrutura são maiores do que imaginava
e seguram expansão
Alan Marques/Folha Imagem

O presidente Lula se reúne com seus auxiliares no Planalto
KENNEDY ALENCAR, VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em reuniões reservadas, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva já admite o não-cumprimento em 2007
da anunciada meta anual de crescimento de 5% do PIB (Produto
Interno Bruto). O novo número com o qual o Planalto trabalha é 4%
-meio ponto percentual acima das projeções do mercado
financeiro. Lula, porém, não deverá citá-lo
publicamente nem admitir o recuo. O presidente pretende adotar
em público a partir de agora um discurso que não
cita números. A Folha apurou que Lula considera ter caído
numa armadilha que ele próprio criou quando divulgou a
meta de 5% no dia da reeleição (29 de outubro)
e logo depois prometeu pacote desenvolvimentista para o segundo
mandato.
O presidente sinaliza que as medidas em estudo não devem
alterar muito a política econômica adotada desde
2003. Logo após a reeleição, passou a cobrar "mais
criatividade e ousadia" da equipe econômica. Agora "caiu
a ficha", disse à Folha um auxiliar direto de Lula.
Nas últimas semanas, órgãos públicos,
bancos e institutos privados distribuíram previsões
dizendo que seria muito difícil, improvável até,
um crescimento de 5% em 2007. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
e Aplicada) divulgou após o segundo turno um estudo em
que apontava dificuldades para o Brasil crescer no ritmo defendido
pelo presidente. Ligado ao Ministério do Planejamento,
o Ipea avaliou que o baixo nível de investimentos e dúvidas
quanto à capacidade de fornecimento de energia impediriam "expansão
sustentada muito acima de 3,5% ao ano".
As últimas reuniões com os auxiliares, nas quais
foram listadas os entraves a uma expansão mais forte,
também contribuíram para convencer Lula a mudar
de idéia. Ele ouviu de conselheiros econômicos com
os quais se reuniu em segredo que deveria desembarcar especialmente
dos 5%, pois sinalizaria um afrouxamento fiscal que produziria
turbulências. Oficialmente, Lula manterá o discurso
de que precisa "destravar" o crescimento e, para isso,
buscará aumentar investimentos em infra-estrutura.
Ou seja, o presidente teria entendido que, se fixar um crescimento
de 5% a qualquer custo, poderá ter menores taxas nos anos
seguintes e uma fragilidade fiscal que poderia comprometer o
final do segundo mandato. Segundo auxiliares, a atual crise da
aviação assustou Lula, mostrando que os gargalos
de infra-estrutura são maiores do que imaginava.
Há duas semanas, em reunião com governadores, Lula contou
que a meta de 5% precisaria ser atingida para que não perdesse
cacife político, pois as sucessivas previsões de aceleração
econômica feitas pelo Planalto não se concretizaram.
O "espetáculo de crescimento" prometido em
2003 não se confirmaram no primeiro mandato -os três
primeiros anos fecharam com média de 2,5% de crescimento.
As estimativas de 2005 também erraram feio o alvo. Lula
e o ministro Guido Mantega (Fazenda) previram taxas de 4%, 4,5%
e até 5% para 2006. No entanto, o PIB não deverá passar
de 3%. Lula aposta que em 2007 o país terá crescimento
superior ao de 2006 por avaliar que o Banco Central manterá a
queda gradual dos juros. Pretende também adotar medidas
que, mesmo com limitações, conseguiriam elevar
o baixo nível de investimento público.
Isso permitiria, na visão dele, um crescimento da economia
na casa dos 4% em 2007, número que poderia ser reproduzido
no ano seguinte. A avaliação mais realista de Lula
ficou clara na reunião de anteontem com sua equipe para
discutir infra-estrutura. No encontro, por exemplo, foi mencionado
o temor do empresariado em relação à possibilidade
de falta de energia a partir de 2010 ou 2011. Na dúvida,
as empresas seguram investimentos, o que já afeta a economia
no curto prazo.
Lula disse que, se o empresariado tem dúvida em relação
ao fornecimento de energia no futuro, cabe ao governo esclarecê-la.
Ou deixa claro que confia na atual montagem do setor elétrico
e banca isso publicamente ou admite que haverá problemas
e busca saídas para evitar um apagão no futuro.
Na reunião, Lula disse compreender as dificuldades do
setor público para acelerar investimentos, mas pediu "esforços" a
todos. Reclamou da falta de planejamento de órgãos
do governo, o que teria sido, em suas palavras, uma marca do
primeiro mandato.
Para suprir essa deficiência, pediu aos ministros presentes
que separem recursos do Orçamento para projetos de investimento.
De acordo com Lula, mesmo que não seja possível
atender a todos os projetos em 2007, eles já estariam
prontos para o momento em que houver disponibilidade de recursos
privados.
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Folha
de São Paulo, 14 de dezembro de 2006
Câmara aprova correção
de 3% para o IR
Índice deverá ser aplicado
em 2007 e em 2008, mas centrais sindicais querem reajuste maior,
de 7,7%, já no próximo ano | Correção
foi incluída em MP sobre ICMS nas exportações
e seguirá agora para o Senado; Receita prevê perda
de arrecadação de R$ 1 bi
GUSTAVO PATU, LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo manobrou ontem para aprovar na Câmara dos Deputados,
sem alarde, a correção da tabela do Imposto de
Renda em 3% em 2007 e em 2008. Teoricamente, o tema ainda está em
negociação com as centrais sindicais, que reivindicam índice
de 7,7% (de uma só vez) no próximo ano. A correção
foi incluída em uma medida provisória que trata
de um tema nada semelhante -o repasse de R$ 1,95 bilhão
aos Estados a título de compensação pelo
fim da cobrança do ICMS sobre as exportações.
A MP, que interessa aos governadores e à oposição,
foi aprovada rapidamente no final da tarde e segue agora ao Senado.
Segundo a Folha apurou, os líderes partidários,
incluindo os oposicionistas, sabiam que a correção
da tabela do IR havia sido incluída na MP pelo relator,
o deputado Neucimar Braga (PL-ES). O Planalto se aproveitou do
arrefecimento das tensões políticas neste final
de ano para fazer avançar no Legislativo uma medida politicamente
delicada.
No mês passado, o governo cedeu às pressões e fez
um acordo com o relator do Orçamento de 2007, senador Valdir Raupp
(PMDB-RO), para a correção da tabela em 6%, divididos nos
próximos dois anos, a um custo total estimado em R$ 1 bilhão
-essa seria a perda de arrecadação da Receita Federal,
ou seja, o ganho que os contribuintes teriam.
Duas semanas antes do acerto, o ministro Guido Mantega (Fazenda)
havia descartado a hipótese.
Desde então, o percentual se tornou piso nas negociações
com as centrais sindicais, que cobram também o reajuste do salário
mínimo para R$ 420. No caso do Imposto de Renda, o índice
defendido pelos sindicalistas reporia a inflação acumulada
no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No
governo, a maior resistência parte da Receita Federal, para a qual
a medida só beneficiará a camada mais rica da população.
Argumenta-se que, no Brasil, o IR, ao contrário do que
acontece na maior parte dos países, responde por uma parcela
pequena da arrecadação tributária -o país
privilegia os tributos embutidos no custo dos produtos e serviços,
que atingem mais a parcela mais pobre dos contribuintes. Ainda
segundo a tese do fisco, o limite de isenção do
IR é muito alto, de R$ 1.257,12 mensais, para uma renda
mensal per capita de R$ 876,66 em 2005. Em outras palavras, só quem
tem renda superior à média nacional paga o imposto.
Com a correção aprovada ontem pela Câmara,
o piso subirá para R$ 1.294,83 em 2007 e para R$ 1.333,68
em 2008.
Carga tributária
Para seus defensores, a correção da tabela impede
o aumento disfarçado da carga tributária. Como
as alíquotas crescem conforme a renda do contribuinte,
qualquer aumento salarial, mesmo inferior à variação
da inflação, leva a um imposto maior. Até 1995,
no primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso, a tabela
era corrigida pela inflação do ano anterior. De
1996 a 2001, a administração tucana manteve a tabela
congelada, com a justificativa de que era preciso livrar a economia
da prática de vincular valores a índices de inflação.
Em 2002, houve correção de 17,5%, inferior à inflação
de 64% acumulada no período.
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Folha
de São Paulo, 14 de dezembro de 2006
Lula sinaliza reformas de trabalho
e Previdência
EDUARDO SCOLESE, PEDRO DIAS LEITE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou ontem
a sindicalistas e integrantes de movimentos sociais que ainda
pensa em propor ao Congresso propostas de reformas trabalhista
e da Previdência Social. Em encontro fechado de duas horas
no Palácio do Planalto, Lula disse que seu próximo
passo na área previdenciária é criar, no
segundo mandato, um fórum nacional para discutir o tema.
O objetivo, segundo relato à Folha de alguns dos presentes, é buscar
um consenso entre empresários, trabalhadores e governo
para, a seguir, encaminhar nova proposta à Câmara
e ao Senado.
Apesar de o Planalto propagandear que somente avalia mudanças
administrativas, não constitucionais, ontem Lula lançou
algumas dúvidas sobre o atual modelo. Falou, por exemplo,
sobre a questão da idade mínima. "Será que é justo
uma pessoa de 45, 48 anos de idade se aposentar? Isso será possível
continuar?", questionou o petista, que completou: "De
repente essa pessoa vai passar mais tempo da vida aposentada
do que trabalhando". No encontro de ontem, após colocar
em pauta a idade mínima para a aposentadoria, Lula falou
também sobre a possibilidade de cobrança da contribuição
patronal para o INSS sobre o faturamento, e não mais o
valor da folha de pagamentos das empresas. "Vamos continuar
discutindo isso até chegarmos a um consenso", teria
dito aos cerca de 30 representantes de entidades e movimentos.
A discussão acerca da Previdência é espinhosa
para o Planalto. Isso porque tanto a maioria dos movimentos e
sindicatos que o apóiam como alguns partidos da nova "coalizão" de
governo, como o PDT, são contrários a uma nova
reforma constitucional. Ontem mesmo, a CUT já se opôs
a eventuais alterações na Previdência. "Queremos
uma reforma para incluir quem está fora, não para
tirar direitos de quem está dentro", disse João
Felício, secretário de Relações Internacionais.
Por conta dessas resistências, Lula tem mantido um discurso
dúbio sobre o assunto. No mês passado, por exemplo,
afirmou à cúpula pedetista que uma nova reforma
não estava em seus planos. Ontem, apesar de não
ter sido direto, sinalizou que ainda trabalha com a possibilidade
de mudanças. Sobre a reforma trabalhista, o discurso foi
o mesmo. Disse que é preciso um consenso entre todos os
setores da sociedade, como empresários, trabalhadores
e governo, antes de encaminhá-la ao Congresso. Prometeu
manter o tema na discussão do Fórum Nacional do
Trabalho.
Lula recebeu um documento assinado pelas entidades e movimentos
da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais) que
diz que há "claras manifestações de
setores empresariais e de setores que participam da base governamental
no Congresso, pressionando para que haja reformas na Previdência,
nos direitos trabalhistas e sindicais, além de uma reforma
tributária" e que os movimentos sociais se mobilizarão "para
garantir que todos os direitos sociais sejam preservados e ampliados".
No início da noite, no Planalto, Lula falou rapidamente
de eventuais reformas. Sobre a previdenciária, disse: "Quando
você fala em reforma da Previdência, você precisa
pensar a reforma para a próxima geração.
Porque você não pode mexer em direitos adquiridos".
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
14/12/2006
TST garante incidência de contribuição
ao INSS sobre acordo
A homologação de ajuste na Justiça do Trabalho
em que não há reconhecimento da relação
de emprego entre as partes acarreta a incidência da contribuição
devida à seguridade social sobre a totalidade do valor do acordo
homologado. A afirmação foi feita pelo ministro Carlos
Alberto Reis de Paula (relator), durante o exame e deferimento de recurso
de revista ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), pela
Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
A decisão do TST reforma acórdão firmado pelo
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo), que afastou a incidência da contribuição
previdenciária sobre acordo judicial firmado entre a Viação
Alpina SB Ltda. e um trabalhador. Conforme o acerto entre as partes,
firmado na primeira instância, não houve o reconhecimento
da relação de emprego.
A defesa da autarquia previdenciária recorreu ao TST sob o
argumento de violação ao texto constitucional e à legislação
previdenciária, além de divergência da decisão
regional paulista em relação à jurisprudência
de outros Tribunais Regionais.
O exame do tema levou ao deferimento do recurso ao INSS. “O
Tribunal Superior do Trabalho tem assentado o entendimento de que a
homologação de ajuste na Justiça do Trabalho em
que ausente o reconhecimento da relação de emprego enseja
a incidência da contribuição previdenciária
sobre o valor total do acordo homologado, com base no parágrafo único
do artigo 43 da Lei nº 8.212/91 e no artigo 195, inciso I, alínea
a, da Constituição Federal”, considerou o ministro
Carlos Alberto.
Apoiado em decisões anteriores do TST, relatadas pelos ministros
Barros Levenhagen e Ives Gandra Martins Filho, o relator do recurso
registrou que a correta interpretação da norma constitucional
indica que a incidência da contribuição previdenciária
tem como fato gerador os rendimentos pagos ou creditados, a qualquer
título, mesmo que sem vínculo empregatício. (RR
170/2002-463-02-00.9)
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