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Diário Vermelho, 16 de dezembro de 2006
Primeiro governo Lula chega
ao final com avaliação positiva de 76%
À s vésperas da conclusão do primeiro mandato, o governo
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é avaliado positivamente
por 76% do eleitorado, segundo pesquisa feita pela Fundação Perseu
Abramo nos dias 27 e 28 de novembro e divulgada neste sábado (16).
A pesquisa, de responsabilidade do Núcleo de Opinião
Pública da Fundação, mostra que 55% dos entrevistados
acham o governo bom ou ótimo, contra apenas 11% que o consideram
ruim ou péssimo. Para 32%, a administração federal é regular.
Destes, 21% dizem que é “regular para boa”, daí o
total índice positivo de 76%. O trabalho também indicou
um aumento da simpatia do eleitorado pelo PT, que foi a 29% e aproximou-se
dos níveis do final de 2002, quando o índice atingiu
32%.
Percepções sobre a reforma
política
Tais avaliações constam dos dados preliminares do levantamento,
destinado, na verdade, a medir a percepção dos eleitores
sobre a reforma política – tema do seminário realizado
pela mesma fundação entre ontem e hoje. Foram ouvidas
2.400 pessoas acima de 16 anos em todas as regiões do país.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para
menos.
Uma das principais constatações do trabalho, segundo o
coordenador Gustavo Venturi, foi de que a discussão sobre a reforma
política e todas as demais – embora amplamente apontadas
como fundamentais por muitos setores da sociedade – ainda não
entrou no cotidiano da população.
Nas respostas espontâneas à pergunta sobre qual deve ser
a reforma prioritária ao país, a política aparece
na última colocação, ao lado de “Saúde” e
Previdência, todas com apenas 4%. A principal reforma lembrada
pelos entrevistados, espontaneamente, foi a Agrária, mas também
com baixo nível de citação: 7%.
No questionário estimulado, a reforma política fica na
quarta colocação, sendo apontada por somente 17% como prioridade
máxima. Apesar disso, a mudança nas regras que envolvem
partidos, eleições etc. é considera “muito
importante” para 73% das pessoas – e só 4% acham que
ela não tem qualquer importância.
Em relação aos pontos específicos da reforma, o
de maior aceitação é que se refere à fidelidade
partidária. A troca de partido deve ser punida com a cassação
do mandato, para 38% dos entrevistados. Outros 38% acham que o parlamentar
deve manter-se fiel por até 2 anos. E 23% concordam que se mantenha
a “liberdade” para o troca-troca e legendas.
Quanto à reeleição de presidente, governadores e
prefeitos, 52% acham que deve ficar como está (mandato de 4 anos,
com reeleição). Outros 25% preferem o mandato de 4 anos,
sem reeleição; enquanto, para 15%, a possibilidade de reeleição
deve ser extinta, desde que os mandatos sejam ampliados para 5 ou 6 anos.
A partir daí, a pesquisa apresenta algumas “surpresas”,
principalmente para os que defendem mudanças mais profundas. A
maioria dos eleitores (55%), por exemplo, defende o financiamento privado
das campanhas, contra 32% que optam pelo financiamento público.
Da mesma maneira, 63% querem que o sistema de votação para
os parlamentos permaneça como está, ou seja, com voto diretamente
no candidato (ou em lista aberta). Somente 5% são favoráveis à lista
fechada (vota-se no partido e este decide, a partir de uma relação
prévia, quem irá ocupar as cadeiras), enquanto outros 14%
defende, um sistema misto.
A pesquisa também traz um resultado inusitado em relação
ao número de partidos que o Brasil deveria ter. Embora 75% defendam
a pluralidade, para 12% dos eleitores, o país estaria melhor se
tivesse apenas um partido, enquanto outros 10% vão mais longe
ainda e acha que o ideal seria não haver partidos.
Venturi, no entanto, não considera este dado como um traço
de autoritarismo. Para ele, a maioria das pessoas que dá este
tipo de resposta o faz por desinformação e devido a uma
certa “ingenuidade” quanto à complexidade das relações
políticas.
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Nova Central, 16 de dezembro de 2006
Fiesp estuda flexibilizar leis trabalhistas
para pequena empresa
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo) irá coordenar um fórum sobre tributação
e legislação trabalhista das indústrias. A idéia é apresentar
ao governo uma proposta de 'simples trabalhista'. De acordo com Milton
Antonio Bogus, diretor do Departamento de Micro e Pequenas Empresas da
entidade, o objetivo é fazer "alguma coisa que fortalecer
a pequena indústria".
Entre as propostas de flexibilização, o diretor citou
a redução da alíquota do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço) --o empregador deposita 8% do salário
do empregado na conta vinculada ao fundo--, parcelamento das férias
e do 13º salário. Para Bogus, o limite de R$ 2,4 milhões
de faturamento anual para uma empresa se enquadrar no regime tributário
especial --com unificação de impostos e alíquota
reduzida-- não contempla todas as pequenas indústrias.
Ele sugere a adoção do limite do Mercosul e da utilizada
pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
para concessão de financiamentos a empresas consideradas pequenas,
US$ 3,5 milhões de faturamento por ano. "Nós já demos
um grande passo. A Lei Geral é fundamental, mas a pequena indústria
vai além disso", analisou.
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Congresso em Foco, 16 de dezembro de 2006
Aumento de parlamentares continua gerando
revolta
O aumento salarial dos parlamentares em 90,7% (passando dos atuais R$
12.847,00 para R$ 24.500,00), concedido na última quinta-feira
(14) pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, está gerando
mais do que uma grande repercussão. Está provocando revolta
em muita gente.
Afinal de contas, esta legislatura foi responsável por alguns
dos maiores escândalos políticos das últimas décadas.
Do mensalão ao dossiê, passando pelos sanguessugas e chegando
ao aumento escandaloso dos salários dos parlamentares.
Por outro lado, o mesmo Congresso aumentou apenas em 8% o salário
mínimo, que passou de R$ 350 para R$ 375. O Congresso em Foco,
assim como diversos outros veículos de comunicação
brasileiros, não pára de receber comentários de
cidadãos injuriados com esta medida tomada pelos congressistas.
Eis alguns desabafos que merecem destaque.
Confira mais opiniões dos leitores do Congresso
em Foco
“É uma pouca vergonha, um excelente exemplo de como somos
pessimamente representados. O homem público tem que se preocupar
com a república e não com o seu próprio bem. Gostaria
de colocar meu nome para servir o povo, mas diante de tanta falta de
caráter, não tenho coragem de me envolver com pessoas
dessa terrível estirpe. Afinal os nossos políticos, são
muito mais corruptos e criminosos do que os que foram condenados como
tal”.
Silvana Guimarães Pinto (Belo
Horizonte-MG)
“É incrível como os políticos tomam para
si suas vantagens e só realizam depois das eleições.
Sabe, é mais fácil o salário dos deputados e senadores
chegar a R$ 100,00 do que o mínimo chegar a R$ 400,00 como prometeu
nossos turista PRESIDENTE. Obrigado pelo espaço.
Carlos Magno (Maranguape – Ceará)
“Verdadeiro absurdo! A vontade que tenho é ir para frente
da AL do RS e começar a bater panela, bolso vazio, sapato furado,
enfim, vergonha destes nossos representante. Como diz o repórter:
republiqueta das bananeiras!”
Kleber (Porto Alegre - Rio Grande do
Sul)
“O país está vivendo o CAOS SOCIAL. Corrupção,
violência e impunidade. Gostaria muito que este povo despertasse
e se revoltasse contra tudo isso. Do jeito que está, prefiro
até um regime de exceção”.
Antônio (Porto Alegre – Rio
Grande do Sul)
“Infelizmente a vergonha se repete. Até quando ? Chegou
a hora de unir o povo e dar um basta a estas barbáries que passivamente
assistimos”.
Roberto Cicarone (Leme – São
Paulo)
"Uma da desculpas é o orçamento que será cortado
despesas para contrapor o aumento. Por que não fizeram isso
quando não tinha aumento, só posso entender que estavam
usando estas "despesas" em beneficio próprio. Eu não
ganho nem 5% do salário de um deputado e tenho que viver com
isso. Será que eles são muito sem vergonha para não
fazer esta comparação? E o que dizer dos aposentados,
se o governo não tem verba porque não diminuem esses
parlamentares que só servem para fazer negócios de seus
interesses? Porque trabalhar de terça a quinta, uma pessoa normal
teria que pesar sua consciência? Estão chamando nós
de otários e temos que aceitar".
Marcos Antônio Marin (São
José dos Pinhais – Paraná)
“É uma vergonha, as vezes, penso que esse país
não tem jeito. O povo na miséria e esses legislando em
causa própria”.
Carlos (Rio de Janeiro – RJ)
“Esse aumento de salário é no mínimo uma
palhaçada e um desrespeito com o cidadão que trabalha
e paga os tributos ao Estado. Tenham no mínimo vergonha!!!!”
Carlos Polastro (São Paulo –SP)
“Simplesmente, sem comentários... Ridículo”.
Roberto (Salvador – Bahia)
Fique indignada sem acreditar no que estava ouvindo. Como pode em
um país com tanta gente sem ter o que comer, onde morar, e esses
sacanas querem aumentar os salários. Isso é VERGONHOSO
PARA NOSSO PAÍS”.
Elodia (Arapiraca – Alagoas)
“É um absurdo este aumento. Com a maior parcela da sociedade
vivendo com baixos salários, torna-se um desrespeito ao povo
sofrido. Sem dúvida, mais um escândalo dos nossos políticos”.
Abel (Recife- Pernambuco)
Autoridades comentam o aumento salarial dos parlamentares
Lula – presidente da República
O presidente Lula afirmou ontem (15) que o aumento salarial dos parlamentares
não vai gerar efeito cascata no restante do funcionalismo público
federal. De acordo com Lula, a política fiscal do governo não
será alterada por conta da mudança.
“Não vai ter efeito cascata, pode ficar certo disso porque
não vamos abrir mão da nossa responsabilidade de manter
uma política fiscal com o desejo que temos de crescimento”,
assegurou. Apesar da declaração, deputados estaduais
paulistas já se programa para reajustar seus salários.
A mesma reação começa a ser notada em Brasília.
Lula reafirmou que o governo não vai elevar o orçamento
do Congresso para compensar o aumento. “Eu acho que o país
comporta o aumento se o país tiver crescendo a economia, se
o país estiver rico. Agora, como os dois presidentes conhecem
os seus orçamentos, eles sabem se dá ou não para
dar”, afirmou.
Marco Aurélio Mello – presidente
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, afirmou que
o reajuste dos parlamentares vai gerar reflexos em outros setores da
esfera pública. “A Constituição Federal cogita
da fixação dos subsídios dos deputados estaduais
a partir do que percebem os integrantes do Congresso. Toda vez que uma
categoria alcança um patamar remuneratório mais satisfatório,
a tendência é outros segmentos reivindicarem”, avaliou.
O ministro evitou fazer críticas declaradas à atitude dos
parlamentares, mas ironizou a situação: “Felizes
são aqueles que podem se autoconceder aumento”.
Tarso Genro – ministro das Relações
Institucionais
O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, evitou
criticar o aumento dos congressistas, mas afirmou que o teto do funcionalismo
deveria obedecer à realidade econômica do país. “Eu
acho que um país como o Brasil deveria ter um limite, um teto,
bem mais baixo do que tem. Nós devemos seguir o exemplo dos países
altamente desenvolvidos, que já têm a experiência
social-democrata”, afirmou.
Guido Mantega – ministro da Fazenda
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou a decisão do Congresso
de conceder o aumento aos parlamentares e disse que se surpreendeu com
o índice adotado pelos congressistas, pois acreditava que os parlamentares
fossem apenas repor a inflação, algo em torno de 25%. "Reajuste
tem que ser regrado, senão vamos gastar todos os recursos públicos
com folha de pagamento. Acho que temos que ter cuidado com aumentos de
folha de pessoal, especialmente os maiores salários", disse.
Mantega afirmou ainda não saber o tamanho do efeito-cascata
do reajuste salarial aprovado no Congresso Nacional e cobrou dos parlamentares
que informem de onde virão os recursos para o aumento dos salários
dos deputados estaduais e vereadores, que costumam crescer na mesma
proporção que os dos congressistas.
“Eu não defenderia [equiparação de ministros
com o Congresso], porque me parece que, para nós ministros,
seria excessivo ter um salário dessa magnitude. Se bem que gostaria
muito de receber esse salário. O nosso é de R$ 8.580
e continua congelado. Qualquer dia eu faço uma greve para aumentar
o meu salário. Já imaginou eu fazendo greve com o Furlan?",
ironizou o ministro.
Eduardo Suplicy (PT-SP) - senador
O senador reeleito Eduardo Suplicy (PT-SP) disse ontem que, por pressão
popular, o Congresso pode rever o reajuste salarial acertado ontem (14)
entre as mesas diretoras da Câmara e do Senado. “Os mesmos
membros da Mesa Diretora, que ontem se reuniram, sabem perfeitamente,
depois de ouvirem o sentimento da população, que a decisão
precisa ser repensada”, afirmou.
Segundo o senador, “muitos ali na Mesa pensaram o seguinte: ‘Vamos
tomar uma decisão, vai haver uma grande gritaria por dois, três
dias, e depois vai vir outro assunto’”.
Roberto Freire (PPS-PE) – deputado
federal
O deputado Roberto Freire (PE), presidente nacional do PPS, disse que
as direções da Câmara e do Senado não podem
usar como argumento para aumentar o salário dos parlamentares
um decreto legislativo de 2002. "O decreto você aplica para
uma determinada decisão, não é uma lei. Se não
foi aplicado na época da aprovação, o decreto caiu",
disse.
De acordo com o parlamentar pernambucano, a direção
das Casas Legislativas demonstrou ter "receio da reação
da opinião pública" quando decidiu não submeter
a decisão aos plenários. "É claro que a pressão
da opinião pública terá repercussão no
plenário que acabaria derrubando o aumento", declarou.
Chico Alencar (Psol-RJ) – deputado
federal
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) declarou que o reajuste foi insensível,
sobretudo porque a discussão no Congresso é sobre o aumento
do salário mínimo e seus impactos na Previdência.
"É claro que o parlamentar tem que ter condições
dignas de pagamento, como temos, senão só os ricos vão
poder representar parte da população. Agora, abuso não
dá. É uma insensibilidade. Está se discutindo
ali se o salário mínimo pode chegar a R$ 375 pelos reflexos
na Previdência. E para nós, tudo? O céu é o
limite?", questionou.
Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB)
A CNBB divulgou nota ontem condenando o aumento para os parlamentares.
A entidade argumenta que “não há justificativa” para
um reajuste desse tipo num país onde “milhares de brasileiros
ganham o irrisório salário mínimo de R$ 350”.
“Seguramente o eleitorado brasileiro vem crescendo em consciência
política, como mostrou nas últimas eleições,
e acompanha com indignação mais este episódio
dos atuais congressistas”, diz a CNBB, em nota assinada pela
Comissão de Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), órgão
vinculado à entidade.
Roberto Busato – presidente da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB)
O presidente da OAB, Roberto Busato, disse ontem (15) que o aumento de
91% no salário dos parlamentares é uma “imoralidade”.
O jurista afirmou que o Congresso deveria ser "a caixa de ressonância
da sociedade", na atual legislatura acabou se transformando em uma "caixa
de ressonância da imoralidade".
Busato reconheceu que a decisão de deputados e senadores tem
respaldo legal e constitucional, mas enfatizou que o Congresso “virou
as costas” para a parcela mais pobre da população.
“É lamentável ver o dinheiro público ser
gasto dessa forma em um verdadeiro trem da alegria e isso no final
de uma legislatura que fica marcada por atitudes insanas, antiéticas
e, agora, imorais, como essa do reajuste dos vencimentos”, criticou.
Jornais espanhol e argentino repercutem
o aumento
Os parlamentares brasileiros são “os mais bem pagos do
mundo”. Isso foi o que afirmou a edição de ontem
(15) do jornal espanhol El País.
“Os deputados justificaram o aumento de 100% dizendo que não
podem ganhar menos que um membro do Supremo, que ganha exatamente R$
24.600”, diz a reportagem. Além disso, o texto ainda ressalta
que “há alguns dias, o Congresso aumentou em 8% o salário
mínimo, que passou de R$ 350 para R$ 375”.
Já o diário argentino La Nación publicou que “os
legisladores brasileiros tornaram realidade o sonho de um grande aumento
salarial, mas somente para eles”.
A reportagem ainda cita um estudo de uma organização
não-governamental que afirma que “somando gastos de gabinete,
transporte e outros benefícios, um legislador brasileiro custa
aos cofres do Estado aproximadamente US$ 50 mil por mês” e
que, como o aumento se transfere automaticamente para deputados estaduais
e vereadores, “representará ao Estado brasileiro um aumento
de gasto de US$ 800 milhões ao ano”.
Por fim, o texto lembra que o aumento salarial foi aprovado em meio às
discussões para a reeleição dos presidentes da
Câmara, Aldo Rebelo, e do Senado, Renan Calheiros. “Ontem,
após o aumento, a reeleição era considerada certa”,
diz a reportagem.
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STF, 16 de dezembro de 2006
Sindicato de São José do
Rio Preto (SP) recorre ao STF contra não recebimento de contribuição
sindical
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e Autárquicos
de São José do Rio Preto (SP) ajuizou Reclamação
(RCL 4844), no Supremo Tribunal Federal, contra decisão de juiz
da 3ª Vara do Trabalho daquela cidade. O sindicato contesta ato
judicial que permitiu ao Poder Executivo municipal o não recolhimento
da contribuição sindical, contrariando decisões
já proferidas pelo STF.
O juiz trabalhista entendeu que a contribuição está prevista
na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e que, portanto, “não
se aplica aos servidores estatutários”. O sindicato diz
na ação que o magistrado considerou que “a garantia
constitucional de livre associação sindical não
constitui expressa determinação constitucional de aplicação
do artigo 578 da CLT”.
Relata na ação que desde a fundação do
sindicato, em 1989, a contribuição sempre foi descontada
na folha salarial do funcionalismo local e repassada pela Prefeitura
em cumprimento à lei, exceto nos anos de 2005 e 2006.
Argumenta ainda que a decisão da Prefeitura instigou “servidores
a moverem ações contra o sindicato para reaver as contribuições
pagas em anos anteriores”. Na ação, a entidade
representativa dos servidores públicos municipais reafirma que
a contribuição sindical a ser recolhida no mês
de março de cada ano é sua única fonte de renda,
inclusive para atuar em defesa da categoria.
Por essa razão o sindicato requer “que seja cassada” a
decisão da Justiça Trabalhista e que a mesma seja adequada
ao entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal, para
que a entidade volte a receber anualmente o valor correspondente a
um dia de trabalho de cada servidor público municipal. O relator
da reclamação é o ministro Celso de Mello.
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Folha de São Paulo, 16 de dezembro
de 2006
19 Assembléias seguem
o Congresso e sobem salários
Maioria dos deputados estaduais
argumenta que reajuste tem de ser "automático" |
Constituição determina que o subsídio
pode chegar a até 75% do que recebem os federais;
com novo "teto" salário será de R$
18,3 mil
DA AGÊNCIA FOLHA, DA SUCURSAL DO RIO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA, DA REPORTAGEM LOCAL
O reajuste de 91% no salário dos deputados federais vai desencadear
um aumento em cascata no subsídio pago aos deputados estaduais
por todo o país. Levantamento feito pela Folha em 26 Estados
mostra que 19 Assembléias Legislativas (AC, AM, AP, BA, CE,
DF, GO, MA, MG, MS, PE, PI, PR, RJ, RS, SC, SP, SE e TO) já confirmaram
que aplicarão o reajuste nos respectivos salários. A
cúpula do Congresso Nacional decidiu anteontem equiparar o salário
dos congressistas ao valor pago aos ministros do STF (Supremo Tribunal
Federal): R$ 24,5 mil mensais.
No Rio Grande do Norte e em Alagoas, a decisão de haver ou
não reajuste será tomada na próxima semana. Em
Mato Grosso, em Roraima e na Paraíba o reajuste ainda não
está na pauta. As únicas Assembléias que optaram
por não apresentar projetos para reajuste são as de Rondônia
e do Espírito Santo. Nesse Estado, a discussão ficará para
a próxima legislatura.
Em Rondônia, o presidente da Assembléia, Carlão
de Oliveira (PSL), estava preso até o fim do mês passado
sob acusação de liderar esquema de desvios de recursos
da Casa. Ele não foi reeleito. Segundo a Polícia Federal,
a Assembléia usava uma lista paralela de pagamentos aos servidores
da Casa. Na época, 23 dos 24 deputados do Estado foram investigados.
Até 75%
A Constituição estabelece que o subsídio pago
aos deputados estaduais pode ser de até 75% do salário
dos deputados federais. Atualmente, o salário-base dos parlamentares
estaduais pode chegar, no máximo, a R$ 9.635, sem contar eventuais
benefícios. Se todos resolverem reajustar os salários
pelo teto, o valor sobe para R$ 18.375. Para bancar o reajuste, os
Legislativos terão de cortar gastos. Os Executivos não
prevêem aumentos de repasses.
O governador eleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse que
não irá aumentar os repasses à Assembléia. "O
Legislativo é um Poder soberano que vai ter que encontrar o
equilíbrio para se adequar à realidade", disse.
Para o presidente da Assembléia do Amazonas, Belarmino Lins
(PMDB), a Casa vai reduzir gastos para que o impacto financeiro não
comprometa o funcionamento do órgão. A legislação
de alguns Estados -como Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco,
Maranhão, Ceará, Piauí, Acre, Sergipe, Amapá e
Tocantins- já fixou o subsídio dos deputados estaduais
em 75% do valor recebido pelos deputados federais.
Nestes casos, o reajuste de 91% será automático e entra
em vigor em fevereiro de 2007. Em São Paulo, os deputados votaram
um projeto no início da semana para garantir o aumento automático.
Nos demais Estados, o aumento depende de resolução da
Mesa ou da aprovação de projeto de lei. A reportagem
não conseguiu falar com a Assembléia do Pará.
Na Bahia, o Legislativo desembolsa atualmente R$ 8,5 milhões por
ano com os salários dos parlamentares. Com o aumento, vai gastar
R$ 16,2 milhões -são 14 salários por ano.
Para a Assembléia gaúcha, o reajuste representará um
gasto a mais para os cofres públicos de R$ 6,37 milhões
ao ano. O presidente da Assembléia Legislativa do Rio, Jorge
Picciani (PMDB), favorito à reeleição, disse que
não tem "o que fazer". "[O aumento] É uma
decisão soberana do Congresso. A emenda fixou constitucionalmente
em 75% da remuneração dos deputados federais. A Alerj
não tem o que fazer: é automático, temos simplesmente
de cumprir", disse. No DF, o aumento também de 75% vai
elevar os salários dos deputados distritais de R$ 9.635 para
R$ 18.375, gerando impacto mensal na folha de R$ 209,8 mil.
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Folha de São Paulo, 16 de dezembro
de 2006
CRESCIMENTO
PIB peruano tem maior avanço
em 11 anos
DA REDAÇÃO
O PIB (Produto Interno Bruto) peruano cresceu 9,82% em outubro em
relação ao mesmo período do ano passado, a maior
alta em 11 anos. Nos dez primeiros meses de 2006, a expansão
da economia do Peru foi de 7,67%, segundo os dados divulgados ontem
pelo governo local. O avanço foi impulsionado pelo crescimento
da produção dos setores manufatureiro, de mineração
de zinco e de gás natural. A Cepal (Comissão Econômica
para a América Latina e o Caribe) afirmara na quinta-feira esperar
que a economia peruana cresça 7,2% neste ano e 6% em 2007.
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Folha de São Paulo, 16 de dezembro
de 2006
PMDB vai engolir o PT em 2010,
diz Quércia
Reeleito para comandar o diretório
paulista do partido, ex-governador afirma que PMDB se aliou
a Lula, não à sigla do presidente | Quércia
afirma que a união em torno de Lula serve para fortalecer
a sigla, que tem como objetivo lançar nome à Presidência
em 2010
LEANDRO BEGUOCI, DA REPORTAGEM LOCAL
RAPHAEL GOMIDE, DA SUCURSAL DO RIO
O ex-governador Orestes Quércia, 68, foi reeleito ontem para
dirigir o diretório do PMDB paulista por mais dois anos. Quércia
disse que suas tarefas para o próximo biênio serão
a de aumentar o número de prefeitos da sigla em São Paulo
nas eleições de 2008 e ter candidato próprio à Presidência
da República em 2010. É a terceira vez consecutiva que
Quércia, derrotado na eleição ao Palácio
dos Bandeirantes neste ano, comandará o diretório paulista.
Questionado se a coalizão em torno do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva não pode prejudicar esses objetivos, já que
o PT, sigla de Lula, também quer crescer em São Paulo
e se manter no Palácio do Planalto, Quércia afirmou: "Acho
que o PMDB vai acabar engolindo o PT. Eleitoralmente, o PMDB tem tudo
para superar o PT na eleição presidencial, nas eleições
futuras".
Em seguida, concluiu. "Nós temos um quadro que até o
presidente aceita, que é o PMDB se fortalecer. Eu respeito muito
o PT, claro, mas o jogo nosso é para fortalecer o partido." Apesar
de o dicionário descrever coalizão como "acordo
de partidos políticos para um fim comum", o ex-governador
de São Paulo explicou que o PMDB vai "engolir" o PT
porque a união da sigla não é para apoiar o partido
do presidente, mas apenas o presidente.
"Nós estamos fazendo uma coalizão com o presidente
Lula, não com o PT", disse Quércia. "Temos
ambições de fazer dentro do PMDB a unidade para lançarmos
candidato a presidente. O partido só se fortalece com candidatos",
concluiu.
Cargos e ministérios
Na eleição de ontem, Quércia venceu o deputado
estadual Jorge Caruso por 532 a 332 votos. A chapa de Caruso defendia
a independência em relação ao governo federal.
Com a vitória, Quércia conquistou também a executiva
estadual da sigla e 17 delegados para a convenção nacional
do partido. Caruso ficou com nove delegados. A eleição
aconteceu em um hotel de Quércia no centro da cidade. A chapa
vitoriosa foi apoiada pelos deputados federais Michel Temer, presidente
nacional do PMDB, e por Delfim Netto, cotado para assumir um ministério
da área econômica a partir do ano que vem.
Questionado sobre o assunto, Delfim disse que nunca foi "cotado
para nada" e que Lula "tem toda a liberdade para fazer o
seu ministério". Já Temer disse que o acordo com
Lula não passa por cargos, mas que o partido está à disposição
do presidente. "A coalização está se formando
em cima de projetos, que é a primeira fase. A segunda é a
da execução. Se no momento da execução
o presidente entender que deve chamar pessoas do PMDB, ele deve chamar."
Questionado se Delfim era um nome que agradava ao partido, Temer se esquivou. "Quando
surgir o convite para qualquer membro do PMDB, vamos examinar. Delfim é um
nome respeitável. É claro que as bancadas na Câmara
e no Senado desejarão examinar os nomes e vamos democratizar na
escolha dos ministros."
Impedido de concorrer em outubro à Presidência da República
pelo PMDB nacional e com relações frias com o novo governador
do Estado, Sérgio Cabral, o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho,
foi reconduzido ontem à presidência do partido no Rio.
Sem mandato, Garotinho permanece na função enfraquecido
e isolado, cercado por ex-aliados, hoje ligados a Cabral. O cargo é uma
espécie de prêmio de consolação para o político,
ex-governador do Estado e marido da atual governadora, Rosinha Garotinho.
O casal Anthony e Rosinha Garotinho irritou-se com o sucessor na campanha,
por considerar que ele criticou demais suas gestões e evitou
defendê-los. Como represália, Rosinha não reajustou
o IPVA para 2007, mas depois recuou. O relacionamento, porém,
está deteriorado. Na nova composição, o vice-presidente
do diretório passa a ser o futuro líder do governo, Paulo
Melo, aliado de Cabral, assim como o secretário-geral, o presidente
da Alerj, Jorge Picciani, e o segundo secretário, Carlos Alberto
Muniz.
A recondução de Garotinho ao cargo faz parte de acordo
anterior às eleições. Sua filha e presidente da
Fundação Ulysses Guimarães, Clarissa Matheus,
passa a integrar o diretório, como terceira-secretária.
Sem poder e com a mulher, Rosinha, saindo do governo, Garotinho está vendo
seus aliados migrarem para o lado de Sérgio Cabral, atualmente
o nome forte do PMDB no Estado.
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Diário Vermelho, 17 de dezembro de
2006
Datafolha: Lula é o
melhor presidente da história do Brasil
À s vésperas da transição entre o primeiro e o segundo
mandato, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surge como o presidente mais bem
avaliado da história do Brasil e cercado de uma forte expectativa positiva
entre a maioria dos brasileiros: 59% esperam um segundo mandato ótimo/bom.

Lula: duas vezes melhor que FHC
O principal legado do primeiro mandato, segundo nova pesquisa nacional
do Datafolha, é uma diminuição na percepção
de problemas relacionados à miséria e ao desemprego e
um aumento relativo de dificuldades em outras áreas, como saúde,
educação e corrupção.
Lula, que venceu a eleição com mais de 20 milhões
de votos de diferença em relação ao ex-governador
Geraldo Alckmin (PSDB) após uma campanha dominada por denúncias
contra seu governo, é apontado espontaneamente por 35% dos entrevistados
como o melhor mandatário que o Brasil já teve.
O percentual equivale a praticamente o dobro da preferência obtida
pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no final de 2002
(18%), quando o tucano encerrou seu segundo mandato. Na pesquisa atual,
enquanto Lula tem 35%, FHC caiu para 12%. Os próximos mais bem
avaliados são Juscelino Kubitscheck (11%), Getúlio Vargas
(8%; 21% entre os com mais de 60 anos) e José Sarney (5%).
Governo aprovado
Lula também encerra o primeiro mandato com 52% dos brasileiros
considerando seu governo ótimo/bom, o maior patamar entre quatro
presidentes avaliados pelo Datafolha desde a redemocratização.
O melhor índice até aqui (53%) pertence ao próprio
Lula, obtido às vésperas do 2º turno eleitoral de
2006.
A expectativa para o segundo mandato de Lula, que começa em 1º de
janeiro, é mais positiva que a sua atual avaliação:
59% esperam que ele faça um governo ótimo/bom. Nesse ponto,
porém, há uma diminuição das esperanças
depositadas em Lula. Antes da posse em 2003, 76% aguardavam um governo ótimo/bom
- um recorde.
No caso de FHC, apenas 41% esperavam um governo ótimo/bom dias
antes da transição do primeiro para o segundo mandato,
no final de 1998. Na época, enquanto o País mergulhava
em uma crise que levou a uma forte desvalorização do real
em 1999, apenas 35% avaliavam FHC como ótimo/bom.
A pesquisa Datafolha, feita no dia 13 de dezembro entre 2.178 brasileiros
em 111 municípios de 23 Estados e do Distrito Federal, tem margem
de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
A exemplo dos resultados dos levantamentos pré-eleitorais, destaca-se
o fato de que quanto mais pobre e menos escolarizado for o entrevistado,
maior será seu apoio e satisfação com Lula. Regionalmente,
os moradores do Sul e do Sudeste também continuam como os maiores
críticos.
No final de 1998, a aprovação de 35% do governo FHC era
mais homogênea: 40% dos que tinham renda até dois salários
mínimos o aprovavam; 33% dos com renda de cinco a dez salários;
e 36% dos que ganhavam mais de dez mínimos.
Desemprego
Embora a falta de trabalho permaneça no topo das preocupações,
caiu de 31% no início de 2003 para 27% agora o total dos que
afirmam espontaneamente ser o desemprego o principal problema. O índice
chegou a 49% em março de 2004. Criados 5 milhões de novos
empregos com carteira assinada e obtida uma melhor distribuição
de renda entre 2003 e 2006, os brasileiros apontam agora para outros
problemas.
Eles são relacionados à qualidade da saúde (6% apontavam
como problema em 2003, contra 17% agora), da educação (subiu
de 4% para 9%) e à existência de corrupção
no governo (2% para 6%, o maior percentual do primeiro mandato). Também
de forma espontânea, a saúde é avaliada como a área
de pior desempenho no primeiro mandato de Lula. Subiu de 4% para 18%
o total dos que avaliam mal a área entre 2003 e 2006.
Já o combate à corrupção teve o pior desempenho
para 8% dos entrevistados na pesquisa da semana passada. No início
do governo, era 1%.
Segurança
A avaliação do desempenho do governo Lula em outras áreas
de grande interesse da população, como trabalho e segurança,
ficou praticamente estável entre 2003 e agora. Para Luiz Felipe
de Alencastro, professor de história do Brasil na Universidade
de Paris-Sorbonne, a forte expectativa positiva em relação
a Lula vem de uma ''reiteração da legitimidade'' do presidente.
''Depois de toda a crise política e da existência de um
segundo turno, que foi apontado como uma derrota, Lula venceu com 20
milhões de votos, o que restabeleceu uma perspectiva de unanimidade'',
afirma.
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Nova
Central, 17 de dezembro de 2006
Cresce o número de denúncias
por assédio moral no Brasil
A pressão das empresas para superar metas e ser competitivas transforma
cada vez mais o local de trabalho em ambiente de "terror psicológico".
Com mais consciência de seus direitos, cresce o número de
trabalhadores que denunciam serem vítimas de assédio moral.
Situações antes consideradas "normais" pelos chefes
e até mesmo pelos funcionários --gritos, humilhações
e constrangimentos (como as revistas íntimas)- se transformam em
processos trabalhistas.
Só neste ano o Ministério Público do Trabalho
abriu 337 investigações (mais do que o dobro das
instauradas em 2005) para apurar casos de assédio denunciados
em empresas dos setores têxtil, cosmético, farmacêutico,
químico, metalúrgico, financeiro e estatal. Em 15
regionais do MPT no país, 48 empresas firmaram termos de
ajustamento de conduta com o compromisso de corrigir atitudes que
se caracterizaram como assédio moral. No ano passado, 32
termos foram assinados pelas empresas.
Nos últimos 11 meses, dez ações civis públicas
foram encaminhadas pelos procuradores do Trabalho à Justiça
trabalhista de São Paulo, Paraná, Santa Catarina
e Rio Grande do Sul para pedir reparação por danos
causados a trabalhadores assediados moralmente. As empresas acusadas
recorrem.
A mais recente delas é contra o banco Bradesco. Após
dois anos de investigação, em que foram recolhidos
depoimentos de 50 funcionários de agências de São
Paulo, quatro procuradores concluíram que os portadores
de LER (Lesões por Esforços Repetitivos) foram discriminados,
submetidos a situações de constrangimento e pressionados
a pedir demissão.
O MPT de São Paulo ingressou com ação na
82ª Vara do Trabalho no final de novembro para pedir indenização
de R$ 31,32 milhões pelos danos aos direitos coletivos dos
empregados -o valor equivale a 1% do lucro líquido da instituição
no primeiro semestre deste ano. O dinheiro irá para o FAT
(Fundo de Amparo ao Trabalhador).
"O assédio se caracteriza na medida em que houve condutas
abusivas repetitivas, manifestadas por comportamentos, gestos,
palavras e atos que ferem a dignidade do trabalhador. As testemunhas
que nos prestaram depoimento estão doentes, com atestados
médicos e em tratamento psicológico", diz a
procuradora Adélia Augusto Domingues, uma das autoras da
ação contra o banco.
Levantamento feito pela ministra Maria Cristina Goyen Peduzzi,
do Tribunal Superior do Trabalho, mostra que 600 recursos referentes
a processos de assédio moral foram julgados no ano passado
pelos Tribunais Regionais do Trabalho no país. Em 2004,
foram 300. "Há um aumento de recursos que chegam ao
TST. O número é maior porque o trabalhador está mais
consciente e reage a situações de violência
psicológica a que é submetido."
A AmBev, grupo dono das marcas Skol, Brahma e Antarctica, recorreu
ao TST após ser condenada em agosto pelo TRT do Rio Grande
do Norte a pagar R$ 1 milhão de indenização
por assédio moral coletivo.
A empresa é acusada de assediar moralmente empregados que
não atingiam cotas de vendas exigidas pelos supervisores
em Natal. "Como não cumpri as metas, amarraram um bode
em minha mesa. "Toma que é teu presente", disse
o supervisor", diz F.L., 28, ex-vendedor.
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Folha
de São Paulo, 17 de dezembro de 2006
Advogados e sindicatos são
procurados por supostas vítimas
60% das queixas recebidas pela Delegacia
Regional do Trabalho de SP em 2005 foram encaminhadas à Justiça;
projeto de lei em tramitação tipifica o assédio
DA REPORTAGEM LOCAL
Quatro escritórios de advocacia especializados em direito
do trabalho informam que cresce o número de clientes em
busca de indenização por assédio moral.
O advogado Ari Beltran afirma que seu escritório cuida
de uma centena de ações desse tipo. "O problema
chegou a tal ponto que muitas empresas já orientam seus
funcionários para que evitem ofensas morais aos seus subordinados." Nos
sindicatos de trabalhadores, as reclamações de
assédio moral crescem, em média, 30% ao ano. Nos últimos
11 meses, 50 ações trabalhistas foram abertas pelo
departamento jurídico do Sindicato dos Comerciários
de São Paulo -60% são processos coletivos.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informa que atendeu
oito vítimas do problema neste ano. "Tentamos resolver
o problema [diretamente] entre trabalhador e empresa, quando
ele está trabalhando", diz Theo de Oliveira, assessor
do sindicato. Na Delegacia Regional do Trabalho de São
Paulo, 247 queixas de assédio moral foram feitas neste
ano. Das 210 reclamações recebidas em 2005, 60%
foram encaminhadas à Justiça e 40% resolvidas em
audiência de conciliação.
"A violência no trabalho deixou de ser vista como
um ato natural. Os trabalhadores não estão passivos
diante das atitudes agressivas que os chefes escolhem para que
seus subordinados consigam superar metas", diz a médica
Margarida Barreto, uma das maiores especialistas do país
no tema. "O assédio se transformou em política
de gestão nas empresas. E, quando isso ocorre, elas são
cúmplices dos atos de seus diretores, supervisores e chefes
e devem ser responsabilizadas."
Projeto de lei do deputado Mauro Passos (PT-SC), apresentado
em 2003 e hoje na Comissão de Trabalho da Câmara,
propõe a criação de uma lei para definir
legalmente o assédio moral, incentivar as empresas a adotar
medidas educativas para prevenir o problema e punir os assediadores
com indenização equivalente a dez vezes a remuneração
da vítima. (CLAUDIA ROLLI E FÁTIMA
FERNANDES)
|
Folha
de São Paulo, 17 de dezembro de 2006
Em 90, salários dos congressistas
eram de quase R$ 61 mil
Evolução dos vencimentos
desde a redemocratização mostra que aumento de 91%
já foi superado na época do Plano Collor | Salto
mais significativo de reajuste ocorreu ao final da Assembléia
Constituinte; salário teve crescimento de R$ 4,3 mil para
R$ 33,5 mil
LETÍCIA SANDER
FERNANDA KRAKOVICS DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O salário de R$ 24,5 mil fixado na semana passada pelos
atuais deputados e senadores não é o maior valor
pago desde a redemocratização. Em março
de 1990, logo após a aprovação da Constituição,
os congressistas chegaram a ganhar R$ 60,8 mil, em valores já atualizados
-148% a mais do que será pago a partir de fevereiro de
2007. O menor contracheque de deputados e senadores é de
setembro de 1987, quando eles receberam R$ 3.237 (sempre em valores
atualizados) -ou o equivalente a 13,1 salários mínimos
da época-, e que representa apenas 13% do valor aprovado
pela atual Legislatura. Todos os valores foram corrigidos pelo
IPCA.
A comparação com os reajustes desde a redemocratização,
em 1985, mostra que de 1988 a 1990 os congressistas receberam
os mais altos salários. Em outubro de 1988, mês
da promulgação da Constituição, foi
registrado o primeiro grande salto -os vencimentos passaram de
R$ 4.637 para R$ 33.509. Em março de 1990, os salários
chegaram a R$ 60.849, o valor mais alto até hoje.
"Na Constituinte, havia um trabalho dobrado e o salário
era baixo. Como havia uma reclamação muito grande,
resolveram dar uma gratificação", afirmou
o então diretor-geral da Câmara, Adelmar Sabino. À época,
a Casa era presidida por Ulysses Guimarães (PMDB). De
1985 a setembro de 1988, os salários foram os mais baixos
de todo o período analisado, variando de R$ 3.237 a R$
6.610. O chamado "baixo clero" (deputados de pouca
expressão política) sempre existiu no Congresso. "Tinha
um grupo de deputados que não estava nem aí porque
não precisava do dinheiro.
Já outros eram tão endividados que o Banco do
Brasil não dava nem talão de cheques. Eles iam
sacar salário com cheque avulso", disse Sabino, lembrando-se
da hiperinflação da gestão Sarney (1985-1990).
Passado esse período, a gratificação foi
incorporada aos salário, mas os reajustes passaram a ser "engolidos" pela
inflação da época. No governo Collor (1990-1992),
os salários dos congressistas ficaram em torno de R$ 20
mil. O padrão foi seguido nos governos Itamar Franco (1992-1994)
e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). O salário de
R$ 24,5 mil é o maior desde a implantação
do Plano Real, em 1998.
A equiparação com os vencimentos dos ministros
do STF é um antigo sonho do "baixo clero". Em
2002, final da gestão de Aécio Neves (PSDB) na
presidência da Câmara, ele evitou o desgaste de dobrar
o salário dos parlamentares diretamente. Em compensação,
Aécio criou a chamada "verba indenizatória",
uma das cotas extra-salariais, hoje de R$ 15 mil. A maior discrepância
dos vencimentos na comparação com o salário
mínimo foi em abril de 1992 -nesse mês, o salário
dos parlamentares, de R$ 25,4 mil, correspondia a 169 mínimos.
Os R$ 24,5 mil equivalem a 70 mínimos.
|
Folha
de São Paulo, 18 de dezembro de 2006
Metade dos auxílios-doença
supera salário
Dados indicam que em 51% dos casos trabalhador
recebe do INSS benefícios 30% maiores do que seu rendimento
na ativa | Governo quer aprovar projeto que determina teto de pagamento;
distorção ocorre devido à atual forma de cálculo
LEANDRA PERES, VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Mais da metade dos trabalhadores que recorrem ao INSS para receber
auxílio-doença ganha até 30% mais enquanto
está afastada do que quando estava trabalhando. Essa distorção
transformou o auxílio-doença em alvo do pacote
que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia nesta
semana para acelerar o crescimento da economia. O governo vai
negociar com a Câmara dos Deputados a aprovação
do projeto que estabelece a média do último ano
de salário do trabalhador como teto para o benefício.
Espera, com isso, reduzir o estímulo para que o trabalhador
continue recebendo do INSS e conter a indústria de fraudes
que se criou em torno do benefício. A Polícia Federal
investiga fraudes em cinco Estados. Segundo dados da Previdência
Social com base nos pagamentos do auxílio-doença
de 2004, em média, ao mês, mais de 737 mil pessoas,
ou 51,25% do total de auxílios-doença daquele ano,
receberam mais quando estiveram afastados do trabalho do que
o último salário na iniciativa privada.
O auxílio-doença é pago ao trabalhador
que se afasta mais de 15 dias do trabalho. Hoje, os trabalhadores
recebem do INSS por cerca de nove meses. Essa mesma distorção
ocorre no pagamento do auxílio-doença por acidente
do trabalho, que é pago quando a causa da doença
for ligada à atividade do trabalhador. Nesse caso, o percentual
dos que recebem mais do INSS do que de seus empregadores chega
a 47,22%.
"Essa situação não se alterou nos últimos
dois anos. Hoje, o percentual de pessoas que recebem mais do
que o último salário pode ter caído para
49% ou aumentado para 52%, mas ainda assim a distorção é grande",
explica o ministro Nelson Machado (Previdência).
Fórmula de reajuste
O valor médio pago pela Previdência no auxílio-doença é de
R$ 584,84, superior aos R$ 469,09 dos demais benefícios,
aí incluídas as aposentadorias e as pensões.
Esse aumento de salário que o trabalhador tem quando pede
o auxílio-doença é resultado principalmente
da fórmula de calcular o benefício. A lei estabelece
que o INSS deve pagar 80% dos mais altos salários que
o trabalhador teve de 1994 até o pedido do auxílio,
corrigidos pela inflação. Como leva em conta um
período longo, a média dos salários pode
ficar mais alta que a última remuneração
do trabalhador.
Além disso, a Previdência Social mudou várias
vezes o índice de reajuste dos benefícios do INSS
ao longo dos anos 90, o que acabou criando um problema estatístico:
o percentual de correção tende a ser superestimado
porque pega o pico da inflação medida por índice.
A Previdência vem reajustando os benefícios pelo
INPC desde 2001. Em 2003, o reajuste foi de 19,71%; neste ano,
foi de 5,01%. Ou seja, a correção inclui períodos
de inflação alta e também baixa. Isso não
tende a ocorrer quando há uma troca constante de indexadores.
"Um ganho de 30% é uma situação bastante
comum. O auxílio-doença é um benefício
temporário, que deve ter curta duração.
Por isso não se justifica fazer a média levando
em conta um período tão grande", diz o secretário
de Previdência Social, Helmut Schwarzer. Para ter uma idéia
do estímulo que a lei representa no caso do auxílio-doença,
basta compará-lo com o auxílio-acidente. Esse benefício é pago
a pessoas que, mesmo voltando a trabalhar, ficaram com seqüelas
e não podem desempenhar a mesma função de
antes. O pagamento, porém, é limitado a 50% do
que o trabalhador recebeu enquanto estava doente.
As estatísticas da Previdência mostram que o percentual
de pessoas que recebem mais do que o último salário
não passa de 22%. A grande maioria, cerca de 80%, recebe
menos. Em países como Reino Unido, Suécia, Alemanha
e França, o auxílio-doença varia de 50%
a 60% do salário do trabalhador na ativa para estimular
a volta ao trabalho. O governo brasileiro ainda não discute
reduzir o valor. Ficará satisfeito se conseguir criar
um teto.
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Folha
de São Paulo, 18 de dezembro de 2006
Benefícios são alvo
principal de corte de gasto da Previdência
Governo pretende economizar até R$
3 bilhões com medidas de contenção de despesa
em 2007, concentradas no auxílio-doença | Dispêndio
com o benefício, em 2002, era de R$ 2,5 bi; no ano passado,
governo gastou R$ 12,5 bi, valor que pode se repetir neste ano
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As medidas de redução de gastos da Previdência
Social, que farão parte do pacote para aumentar o crescimento
da economia, devem resultar em economia entre R$ 2 bilhões
e R$ 3 bilhões no ano que vem. Concentradas principalmente
na área do benefício do auxílio-doença,
as propostas da equipe econômica acabaram limitadas depois
que o presidente Lula descartou uma nova reforma. A idéia é que
esse dinheiro compense parte das desonerações tributárias
que vão implicar perda de arrecadação.
No pacote econômico que será divulgado na quinta-feira,
Lula vai anunciar cortes de impostos na construção
civil e em novos investimentos produtivos, por exemplo. A expectativa é que
as medidas de desoneração causem perda de receita
da ordem de R$ 4 bilhões. Além disso, o governo
vai anunciar uma lista de 40 a 50 obras na área de infra-estrutura
a serem consideradas prioritárias e buscar recursos para
tocá-las em 2007, primeiro ano do segundo mandato de Lula.
O governo elegeu o auxílio-doença como alvo de
contenção de gastos depois que o número
de benefícios concedidos explodiu. Até 2000, a
média mensal era de 600 mil pagamentos. No ano seguinte,
começou a subir, atingindo o pico em outubro do ano passado,
quando foi pago mais de 1,6 milhão de auxílios-doença.
O gasto anual com o benefício, em 2002, era de R$ 2,5
bilhões. Saltou para R$ 12,5 bilhões no ano passado,
número que pode se repetir neste ano.
Queda e alta
O governo chegou a adotar medidas para reduzir a concessão
desse tipo de benefício no final de 2005. Acabou com os
peritos terceirizados e baixou novas regras, como a que estipulou
prazo determinado para a volta ao trabalho em alguns casos de
licença. Conseguiu, com isso, sair de um pico de 1,6 milhão
de benefícios pagos por mês para 1,3 milhão
em maio deste ano. Mas o número voltou a crescer, atingindo
em outubro 1,522 milhão de auxílios-doença.
A queda acentuada se deveu mais ao represamento de benefícios
com o processo de adaptação dos novos peritos, que substituíram
os terceirizados. O ministro Nelson Machado (Previdência), porém,
aposta que as medidas deram certo e ainda há espaço para
reduções.
Segundo ele, se nada tivesse sido feito, o número estaria
hoje em 1,9 milhão. Além disso, ele lembra que
as concessões voltaram a cair em novembro -o estoque baixou
de 1,522 milhão para 1,516 milhão. O governo pretende
adotar medidas para desestimular a busca pelo benefício.
Primeiro, aprovar projeto em tramitação no Congresso
que tentará evitar distorções no valor do
benefício, já que hoje há muitos casos em
que o trabalhador recebe mais parado, com o auxílio-doença,
do que trabalhando.
Machado disse que o objetivo é trazer o número
de benefícios concedidos para padrões internacionais
a médio prazo.
Segundo ele, benefícios como auxílio-doença, auxílio-acidente
do trabalho e aposentadoria por invalidez representam 14% dos trabalhadores
com carteira assinada, enquanto os padrões internacionais situam-se
entre 7% e 8%. (VC e LP)
|
O ESTADO DO PARANÁ, 18 de dezembro
de 2006
Construção civil
animada
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(CBIC), Paulo Safady Simão, disse ontem que está otimista
com o plano do governo de retomada do crescimento econômico. Segundo
ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou a decisão
de priorizar projetos na área de infra-estrutura e da construção
civil e que isso já é uma importante sinalização. “No
momento em que o presidente decide e bota a equipe para trabalhar, isso é uma
novidade”, afirmou. A estimativa da CBIC é de que o setor
da construção civil crescerá 5% em 2006, impulsionado
principalmente pelo mercado imobiliário, e a previsão é de
que esse percentual seja ainda superior nos próximos anos.
|
Folha
de Londrina, 18 de dezembro de 2006
Construção civil já cresceu
5% neste ano
Maior aporte de recursos e medidas de estímulo
ao financiamento de imóveis ajudaram a impulsionar o setor
Curitiba - A retomada do crescimento da construção
civil, este ano, abriu uma janela para um cenário de otimismo
em relação a 2007. Até setembro, o setor
cresceu 5%, resultado bem mais positivo que a indústria
(2,7%) e o Produto Interno Bruto (PIB), que acumulou alta de
2,5%. A expectativa é de que o volume de recursos destinados
ao setor - poupança e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS)-, em todo o País, tenha um acréscimo de,
pelo menos, 18%, passando dos R$ 15,5 bilhões aplicados,
este ano, para próximo de R$ 18,3 bilhões, em 2007.
Considerando a média histórica de produção
imobiliária, o Paraná deve absorver entre 6% e
7% do total de recursos, o que daria em torno de R$ 1,1 bilhão
ou R$ 1,28 bilhão. O volume que ficará no Estado
pode ser maior ou menor, de acordo com a demanda.
Os números foram apresentados na semana passada pelo
presidente do Sindicato da Indústria da Construção
Civil no Paraná (Sinduscon-PR), Júlio Cesar de
Souza Araújo Filho. Segundo ele, até outubro foram
investidos no Estado, R$ 468 milhões de recursos do FGTS
(volume 21% maior do que o investido em 2005). Os financiamentos
com recursos da poupança somaram R$ 278 milhões,
até setembro, o que representou um aumento de 157,4% na
comparação com o ano inteiro de 2005.
O maior aporte de recursos, este ano, e a adoção
de taxas fixas de juros pelas instituições financeiras,
estimulando os financiamentos de imóveis, representaram
uma luz no fim do túnel para a indústria da construção.
O que ainda não agrada o setor, destacou Araújo
Filho, é a proporção de recursos do FGTS
e poupança repassados à produção
imobiliária: 26% e 22%, respectivamente. Ele defende um
equilíbrio entre os recursos destinados ao setor produtivo
e mutuários.
Outro aspecto que, também, favoreceu o clima de otimismo
no setor foi o aumento da produção imobiliária.
No mercado curitibano, por exemplo, a produção
imobiliária deve fechar 2006 com cerca de 1,3 milhão
de metros quadrados construídos, aproximando-se da média
de 1,5 milhão registrada no final da década de
90. O resultado é 35% superior ao obtido no ano passado.
''Em uma economia estável, talvez, estivéssemos
com 2 milhões de metros quadrados. Mas, eu fico feliz
porque é uma produção que está atendendo
o mercado'', ponderou Araújo Filho.
O crescimento da produção refletiu no aumento
do emprego na construção civil, que entre 2001
e 2003, havia registrado perda de aproximadamente 12 mil postos
de trabalho. Até outubro deste ano, o setor acumulou saldo
de quase 7,7 mil vagas, o que representou crescimento de 12,4%.
''O que é importante é que foi um ganho formal,
com carteira assinada'', acrescentou Araújo Filho.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
18/12/2006
TST distingue formas de correção
do FGTS
A correção monetária a ser aplicada sobre os
valores do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) deve
seguir os índices estabelecidos pela Caixa Econômica Federal
(CEF). O entendimento foi manifestado pelo ministro Carlos Alberto
Reis de Paula (relator) em decisão da Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, que negou recurso de revista a um eletricitário.
A decisão do TST confirmou posicionamento anterior do Tribunal
Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande do Sul).
Segundo o relator, a decisão regional sobre o caso levou a
duas situações distintas. A primeira delas envolveu a
correção do FGTS a ser depositado na conta vinculada
do trabalhador. A outra situação cuidou do pagamento
de diferenças do Fundo de Garantia diretamente ao eletricista,
que moveu sua ação contra a Companha Estadual de Energia
Elétrica (CEEE), AES Sul Distribuidora Gaúcha de Energia
S/A, Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica
e Rio Grande Energia S/A.
O recurso alegava que a decisão regional teria contrariado
o entendimento fixado na Orientação Jurisprudencial 302
da Seção Especializada em Dissídios Individuais – 1
(SDI-1). “Os créditos referentes ao FGTS, decorrentes
de condenação judicial, serão corrigidos pelos
mesmos índices aplicáveis aos débitos trabalhistas”,
estabelece o item da jurisprudência.
Carlos Alberto esclareceu a inviabilidade de aplicação
indistinta da jurisprudência às duas situações. “Registre-se
que a OJ 302, não menciona a questão em debate, pois
consagra que os créditos referentes ao FGTS, decorrentes da
condenação judicial, deverão ser corrigidos pelos
mesmos índices aplicáveis aos débitos trabalhistas,
o que foi determinado com relação às diferenças
de FGTS a serem pagas diretamente ao autor, não abordando a
particularidade referente aquelas a serem recolhidas na conta vinculada”,
explicou o relator do recurso. (RR 62/1999-141-04-00.7)
|
TST admite transação
de reajuste definido em dissídio coletivo
Embora os reajustes salariais concedidos em sentença normativa
(decisão da Justiça do Trabalho em julgamento de dissídio
coletivo) tenham força de lei, o sindicato pode negociá-lo
em acordo coletivo em troca de outras condições vantajosas
para o trabalhador. Assim decidiu a Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho ao dar provimento a recurso da Companhia de Águas
e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN) e julgar improcedente pedidos
de diferenças salariais pleiteados por um grupo de empregados.
O relator do recurso foi o ministro Vieira de Mello Filho.
Em 1995, o Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região
(Rio Grande do Norte), ao julgar o dissídio coletivo dos funcionários
da CAERN, concedeu reajuste salarial de 29,55%. A diferença
não foi paga, levando os trabalhadores a ajuizar ação
de cumprimento. Em seguida, o sindicato da categoria celebrou acordo
coletivo com a empresa, estabelecendo novas condições
de trabalho e desistindo do reajuste e da respectiva ação
de cumprimento.
Um grupo de trabalhadores, porém, ajuizou reclamação
trabalhista em que pediam a concessão do reajuste. O juízo
de primeiro grau julgou o pedido improcedente, mas o grupo obteve no
TRT a condenação da empresa ao pagamento das diferenças.
O Regional, por maioria de votos, entendeu que o sindicato não
pode, na condição de substituto processual, renunciar
ou firmar acordo com efeito retroativo que incida sobre direito do
qual não detém a titularidade (no caso, o salário),
a não ser que houvesse manifestação expressa de
cada um dos trabalhadores neste sentido, por meio de assembléia
da categoria convocada especificamente para essa finalidade.
A CAERN recorreu, então, ao TST, sustentando que o sindicato,
representante dos empregados, buscou transacionar o reajuste previsto
na sentença normativa beneficiando toda a categoria, já que
tinha respaldo tanto na Constituição Federal quanto na
legislação ordinária.
O ministro Vieira de Mello Filho, em seu voto, observou que a Constituição
Federal (artigo 8º, inciso VI) deu aos sindicatos o monopólio
das negociações coletivas. Por isso, desde que respeitados
o princípio da legalidade e a ordem democrática, os ajustes
normativos adquirem força de lei e não podem ser questionados
individualmente. “Todavia, o reajuste salarial neles previstos
pode ser objeto de acordo coletivo que o desconsidere, porque não
se trata de renúncia de direito do trabalhador, mas de transação
tutelada pelo sindicato, em face da obtenção de vantagens
diversas, que melhor compõem o conflito coletivo submetido à Justiça
do Trabalho e por esta solvido, no exercício de seu poder normativo”,
afirmou. (RR 792169/2001.4)
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Ex-empregado da AmBev será indenizado
por maus tratos
Um ex-empregado da Companhia Brasileira de Bebidas (AmBev), submetido
diariamente a humilhações e maus tratos, será indenizado
em R$ 70 mil. A indenização, fixada pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 20ª Região (Sergipe), foi mantida depois
que a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou agravo de
instrumento da empresa cervejeira. O relator do processo no TST, juiz
convocado José Ronald Cavalcanti Soares, ressaltou que “a
decisão baseou-se nos fatos e nas provas existentes nos autos,
que constataram que o empregado foi submetido a imenso constrangimento”.
O trabalhador foi admitido em 1998 e demitido em 2004. Foi auxiliar
de promoção, de vendas e supervisor de comunicação.
Na reclamação trabalhista, contou que todos os dias os
empregados eram avaliados em duas reuniões - uma matinal e outra
vespertina –, sendo esta última destinada à aplicação
de punições a quem não atingia a meta da empresa.
O regulamento das chamadas “reuniões motivacionais” tinha
como título “Universidade AmBev”, constando os métodos
que os gerentes deveriam adotar: se as metas não fossem atingidas,
o empregado era obrigado a fazer flexões, apoios e polichinelos
até a exaustão. No caso, o empregado recebia a punição
com o chefe pisando-lhe as costas. Depoimentos de outros empregados
comprovaram que um dos supervisores portava arma de fogo e canivete
militar de grande porte, tendo dado tiros no emblema da empresa concorrente.
Segundo os depoimentos, era comum ao supervisor aplicar “safanões,
tapas nas costas, gravatas e xingamentos nos empregados, forçando
os demais a xingarem em coro, quando o empregado chegava atrasado”.
Os funcionários punidos eram fotografados com os prêmios
obtidos em forma de excrementos humanos. A foto era mantida no mural
por um mês. Por suspeita de roubo, o supervisor submeteu o empregado,
e alguns colegas, a revista íntima totalmente despidos sobre
uma mesa.
O empregado, insatisfeito, ingressou com ação trabalhista
na 6ª Vara do Trabalho de Aracaju com pedido de reparação.
A Vara do Trabalho concluiu que houve assédio moral por parte
da empresa, que determinava algumas metas inalcançáveis,
condenando-a em R$ 100 mil. “Não há dúvidas
de que as atitudes adotadas caracterizam um procedimento lesivo à honra
e à dignidade do empregado”, concluiu o juiz, apontando
ofensa ao artigo 5º da Constituição, que assegura
a inviolabilidade da honra e da vida privada.
O termo “assédio moral” é relativamente
novo no meio jurídico e caracteriza-se pela pressão psicológica,
correspondendo a qualquer conduta abusiva, repetida e sistemática
do empregador contra a dignidade ou integridade psíquica do
empregado, degradando ainda o ambiente de trabalho. Os atos destinam-se
a expor a vítima a situações incômodas,
humilhantes e constrangedoras. Os comportamentos desestabilizam o trabalhador,
afetando-lhe a auto-estima.
Inconformada, a AmBev recorreu ao TRT/SE, alegando que o pedido era “absurdo”,
e que as reuniões eram motivacionais e esporádicas. Afirmou
que o fato de o empregado não atingir as metas só lhe
reduzia o salário. Sustentou ainda que o valor da indenização
estava acima dos limites da razoabilidade e da proporcionalidade.
O TRT/SE negou as alegações e manteve a sentença
que reconheceu a prática de assédio moral e conseqüente
dano ao empregado, porém reduziu a indenização
para R$ 70 mil. Segundo a decisão regional, o empregado “sofreu
as referidas humilhações por um período contínuo
de dois anos, pelo que se entende satisfatória a indenização
pelos danos morais sofridos”. (AIRR 1370/2005-006-20-40.0)
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FETRACONSPAR,
18 de dezembro de 2006
NOTA DE
FALECIMENTO
Lamentamos comunicar que sábado (16/12) pela manhã,
faleceu o companheiro PEDRO MITZCO, Secretário
Geral do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de União da Vitória (PR).
Seu sepultamento foi ontem (17/12) pela manhã.
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Pedro
Mitzco |
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