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Diap, 19 de dezembro de 2006
Sindicalismo
Projeto que pretende regulamentar a
contribuição assistencial retorna à pauta
O PLS 248/06, do senador Paulo Paim (PT/RS), que regulamenta
o desconto das contribuições assistenciais destinadas
ao financiamento das negociações coletivas das entidades
sindicais, poderá ser votado na Comissão de Assuntos
Sociais (CAS) do Senado nesta quarta-feira 20/12.
As discussões em torno do projeto estão encerradas na
CAS, por duas vezes o colegiado tentou votar a proposição
que não obteve o quorum necessário. A exigência é de
quorum qualificado de deliberação, devido a matéria
tramitar em caráter conclusivo nas comissões. Caso aprovada
Comissão de Assuntos Sociais (CAS) a matéria segura para
Comissão de Constituição Justiça e Redações
do Senado, e depois para Câmara dos Deputados. A reunião
está marcada para às 9h30 na sala 9 da Ala Alexandre
Costa.
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Nova Central, 19 de dezembro de 2006
Juros bancários sobem apesar
de corte na Taxa Selic
Os juros cobrados pelos bancos para pessoas físicas e jurídicas
apresentaram elevação em novembro apesar das seguidas reduções
da taxa básica da economia brasileira (Selic).
Segundo a Anefac (Associação Nacional dos Executivos
de Finanças), para o consumidor, entre as seis modalidades de
crédito pesquisadas apenas a taxa do cartão de crédito
permaneceu estável. Tiveram alta as taxas de juros do comércio,
cheque especial, crédito direto ao consumidor para o financiamento
de automóveis, empréstimo pessoal nos bancos e empréstimo
pessoal nas financeiras.
Na média, a taxa de juros cobrada pelos bancos das pessoas
físicas passou de 7,43% em outubro para 7,48% ao mês em
novembro, a maior desde setembro.
Nas operações de crédito para pessoa jurídica,
das quatro linhas de crédito pesquisadas, uma apresentou redução
de suas taxas de juros (desconto de cheques) e três apresentaram
elevação (capital de giro, desconto de duplicatas e conta
garantida).
A taxa de juros média geral para empresas apresentou uma pequena
elevação de 4,24% ao mês em outubro para 4,25%
no mês passado.
O coordenador da pesquisa da Anefac, o economista Miguel José Ribeiro
de Oliveira, lembrou que em novembro o Banco Central reduziu a Selic
de 13,75% para 13,25% ao ano e que essa queda não foi repassada
para as operações bancárias de crédito.
Desde que o Banco Central começou a reduzir a taxa básica
de juros em setembro do ano passado, a queda acumulada é de
6,5 pontos percentuais --de 19,75% para 13,25%.
Já os juros cobrados pelos bancos dos consumidores foram reduzidos
em 3,47 pontos percentuais --de 141,12% para 137,65% ao ano. Para a
pessoa jurídica a redução foi ainda menor, de
3,45 pontos percentuais --de 68,23% para 64,78% ao ano.
Para o economista da Anefac, "as elevações das
taxas de juros em novembro na contramão do resultado da Selic
pode ser atribuído a uma maior demanda de crédito tanto
das pessoas físicas como das jurídicas bem como a um
maior nível de inadimplência".
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Força Sindical, 19 de dezembro de
2006
Ramalho é eleito por
mais 5 anos
Com 98,5% dos votos válidos, a chapa 1, liderada por Antonio de
Sousa Ramalho, venceu as eleições do Sindicato dos Trabalhadores
na Construção Civil de São Paulo – Sintracon-SP.
O pleito foi realizado entre os dias 12 e 15 de dezembro com chapa única.
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Congresso em Foco, 19 de dezembro de 2006
Aldo mantém aumento e quer cortar
despesas
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), descartou
hoje (18), em entrevista coletiva, uma revisão no aumento
de 91% concedido na semana passada aos parlamentares. O deputado
defendeu o aumento e apresentou medidas que, segundo ele, vão
gerar um corte de R$ 157 milhões nas despesas da Casa e ajudar
a cobrir o rombo causado pelo reajuste nos vencimentos. A maior parte
dos cortes seria na manutenção e reformas de apartamentos
funcionais, além de R$ 18 milhões que seriam utilizados
na construção do Anexo V da Câmara e de mais
R$ 36 milhões da verba de custeio, incluindo pagamento de
passagens aéreas e outras despesas pagas aos deputados.
Aldo também falou em outras medidas moralizadoras. A primeira
delas é a criação de uma comissão de três
deputados: Miro Teixeira (PDT-RJ), José Eduardo Cardozo (PT-SP)
e José Carlos Aleluia (PFL-BA). Eles têm até o início
de fevereiro para apresentar ao presidente da Casa um projeto de lei
que regulamente o teto dos servidores do Legislativo, fazendo com que
nenhum funcionário receba acima do limite fixado: R$ 24.500.
O presidente da Câmara também disse que está propondo
um outro decreto legislativo extinguindo os 14° e 15° salários
dos deputados, fazendo com que o benefício seja pago somente de
quatro em quatro anos para os deputados eleitos ou no fim da legislatura.
Aldo ainda falou do projeto que deve ser votado na próxima quarta-feira
(20) que termina com 1.143 cargos de Natureza Especial (CNE), como forma
de adequar o aumento dos parlamentares ao Orçamento do próximo
ano. (Lúcio Lambranho)
Líder do PT vai sugerir revisão
em aumento de 91%
O líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), disse hoje
(18) que vai sugerir uma nova reunião das Mesas Diretoras da Câmara
e do Senado com os líderes partidários para reavaliar a
decisão que eleva em 91% o vencimento dos parlamentares a partir
de 2007.
Fontana disse que os petistas estão unidos contra o aumento – que
equiparou o subsídio dos parlamentares ao salário dos ministros
do STF, hoje em R$ 24,5 mil – embora os petistas Arlindo Chinaglia
(SP) e Ideli Salvatti (SC) não tenham se posicionado contrariamente à medida
na reunião que definiu o novo valor.
“ Temos que reavaliar posições a qualquer momento. Nós
apoiaremos todas as iniciativas que procurem revisar. A posição
do Chinaglia é pessoal. A bancada do PT tem posição contrária”,
disse.
Ideli divulgou nota oficial nesta segunda-feira para se explicar sobre
a abstenção. A senadora disse que defendeu a recuperação
das perdas inflacionárias sobre o salário, mas como a maioria
da bancada do PT no Senado foi favorável à equiparação
ao teto do funcionalismo, apoiou a decisão das mesas da Câmara
e do Senado.
“ Voto vencido, meu dever como líder foi informar a posição
majoritária da bancada na reunião conjunta do Senado e da Câmara.
Por considerar que a discussão sobre o reajuste não está esgotada
e que o Congresso deve levar em consideração o debate aberto na
sociedade, defendo que a definição final aconteça com votação
em plenário”, afirmou.
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Valor Online, 19 de dezembro de 2006
Absurdo não é só o
salário de deputados
O Brasil é um país esquisito, para dizer o mínimo.
O presidente da República, eleito com 58,3 milhões de votos,
que comanda o país, ganha R$ 8,6 mil reais por mês de salário.
O ministro da Fazenda, que tem sobre os ombros a responsabilidade da
economia, recebe o mesmo. Mas um deputado Federal eleito com apenas 8
mil votos, por exemplo, para ocupar uma das 513 cadeiras da Câmara,
ganhará R$ 24,5 mil a partir de 1º de fevereiro, fora benefícios.
O presidente ganha pouco ou os deputados ganham muito?
Esse tipo de discussão dominou acaloradas conversas de bar no
fim de semana, depois que a Câmara e o Senado decidiram equiparar
os salários de deputados e senadores aos dos ministros do Supremo
Tribunal Federal, o que vai significar um aumento de mais de 90% nos
vencimentos dos parlamentares.
É vã essa discussão. É impossível dizer quanto
vale o trabalho de um presidente da República, deputado ou senador. Não
há um mercado de trabalho para essas categorias de profissionais, que
não podem ser recrutados por headhunters. Mas, até as esculturas
da Praça dos Três Poderes sabem que o trabalho do presidente vale
mais que o de deputados e senadores, o que não significa menosprezo ao
Legislativo - apenas respeito à tradição presidencialista
brasileira.
De qualquer forma, pode-se ter uma idéia do valor real dessas
remunerações comparando-as com a dos principais executivos
brasileiros [ver tabela abaixo]. Os presidentes das maiores empresas
que operam no Brasil, aquelas que pagam melhor seus funcionários,
ganham em média R$ 101 mil por mês, segundo pesquisa do
Hay Group. Esse valor refere-se ao salário-base e não inclui
a remuneração variável recebida por esses executivos
a título de benefícios e incentivos, que pode até dobrar
seu ganho anual. A remuneração total dos presidentes de
empresas é de R$ 177 mil por mês. Essa é a média,
o que significa que muitos ganham mais.
Deveria o presidente da República ganhar mais que o presidente
da Vale do Rio Doce, da Volkswagen ou de outra multinacional? Talvez.
Mas, como já foi dito, não existe mercado para a categoria
de presidente da República, nem é muito apropriado comparar
o salário de Lula com os de outros chefes de Estado. Pode-se dizer,
apenas, que o presidente ganha quase 30% menos que o executivo de mais
baixa patente nas grandes empresas brasileiras, que é o gerente
de tesouraria, cujo salário médio é R$ 12 mil mensais.
Os próprios deputados, antes do aumento autoconcedido, rivalizavam
com esses gerentes em matéria de remuneração básica.
Depois do reajuste, estarão na faixa salarial de um diretor de
informática das grandes empresas. O absurdo dessa história,
portanto, não é propriamente o valor dos salários
de deputados e senadores. O absurdo é que eles sejam encarregados
de fixar os próprios vencimentos, por meio dos integrantes das
Mesas Diretoras, ou seja, das lideranças. É como se os
funcionários de uma grande empresa, como Vale ou a Volks, pudessem
decidir, por meio de seus líderes, quanto vão ganhar e,
mais do que isso, como serão indexados seus reajustes no futuro.
É interessante observar como alguns parlamentares, que berraram para as
câmeras em nome da ética nas últimas CPIs, tentam agora justificar
o ato de legislar em causa própria. A partir de agora, dizem, não
haverá mais isso, porque os reajustes acompanharão o aumento do
teto salarial do funcionalismo, fixado pelo Supremo Tribunal Federal. Não é bem
assim, porque esse teto, uma vez modificado pelo STF, passa pelo Congresso para
ser aprovado.
Também é uma "cascata" bem manjada no meio corporativo
a desculpa de que serão reduzidos "outros gastos" para
compensar o aumento da folha salarial. Sempre que a direção
de uma grande empresa pede cortes na folha de pagamento, a corporação
se mobiliza e oferece opções variadas para poupar cabeças. "Cortaremos
viagens, táxis, gastos com papel e luz, cafezinho etc". Mas,
qualquer um que já viveu crises financeiras em grandes empresas
sabe que esses cortes não dão resultado, ou porque não
se efetivam na prática ou porque as despesas são pouco
significativas e voltam a crescer nos exercícios seguintes.
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, diz em sua defesa, que a Casa
tem margem para arcar com o reajuste de 92%, porque realizou uma contenção
de gastos de R$ 130 milhões no Orçamento de 2006. Aplausos
para a Câmara, mas esse valor deveria ser usado para reduzir o
déficit nominal do governo e não embolsado pelos parlamentares.
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Valor Online, 19 de dezembro de 2006
O contribuinte e a criação
da super receita
O projeto de lei da Super Receita - fusão da Receitas Federal
e Previdenciária - foi aprovado pelo Senado, será votado
na Câmara dos Deputados e seguirá para sanção
presidencial. A sociedade brasileira preocupa-se com a criação
de uma superestrutura que aumentará gastos e concentrará poder
em níveis desaconselháveis nos regimes republicanos e democráticos. É por
tal razão que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem se posicionado
contrariamente à sua criação.
De importante novidade foi a inserção, no projeto de lei
da Super Receita, por iniciativa dos senadores Tasso Jereissati e Arthur
Virgílio, de uma série de emendas a favor do contribuinte,
por nós apresentadas em audiência pública no Senado
Federal, em nome da OAB paulista. As emendas foram, em boa parte, incorporadas
pelo relator, senador Rodolpho Tourinho, na versão final do projeto
que será agora votado na Câmara dos Deputados.
Atualmente, o que se refere à arrecadação é urgente
e rapidamente implementado pelo governo. Tudo aquilo que aliviaria um
pouco o peso massacrante da máquina pública é prontamente
citado nos discursos presidenciais mas nunca realizado na prática.
Por isso é que as emendas da OAB-SP e as demais que foram aprovadas
em prol de direitos e garantias mínimas do contribuinte deverão
prevalecer.
As emendas já aprovadas marcam um novo tempo nas relações
fisco-contribuinte e concorrem para uma importante diminuição
da complexidade burocrática que afoga o cidadão e trava
a administração pública. São propostas simples,
diretas e voltadas ao desarmamento burocrático do Estado, a fomentar
o crescimento e a proteger cidadãos de menor capacidade econômica.
Trata-se, por exemplo, de estabelecer prazo máximo para a Super
Receita decidir pleitos e defesas do contribuinte; a proibição
de inscrever débitos (muitas vezes já pagos) na dívida
ativa sem que tenha sido garantido o direito de defesa; a necessidade
de serem consolidadas obrigações burocráticas quando
um novo ato normativo for baixado; a vedação à repetição
de controles fiscais; a exigência de anterioridade mínima
de 90 dias para a eficácia de novas obrigações burocráticas;
a adoção, no processo tributário, das regras da
Lei nº 9.784, de 1999, mais adequadas do que aquelas produzidas
pelo regime militar, em que o Estado é sempre mais forte e o cidadão
um mero administrado. Ademais, foram também incorporadas modificações
no âmbito do Conselho de Contribuintes, a fim de se aumentar a
celeridade das decisões e tornar mais eqüitativo o tratamento
entre o contribuinte e o poder público.
As emendas já aprovadas marcam um novo tempo nas relações
entre o fisco e o contribuinte
Outra importante iniciativa aprovada no Senado Federal refere-se à Emenda
nº 94, subscrita por 62 senadores. A proposta ratifica que, no exercício
das atribuições da autoridade fiscal de que trata o projeto
de lei da Super-Receita, a desconsideração da pessoa, ato
e negócio jurídico com vistas a reconhecer relação
de trabalho, com ou sem vínculo empregatício, está condicionada à prévia
decisão judicial. É importante ressaltar que a proposta
não interfere no papel do auditor fiscal do trabalho e do Ministério
Público do Trabalho, já que o projeto da Super-Receita
trata das atribuições do auditor fiscal da Receita Federal
do Brasil.
A emenda, de iniciativa de quase 80% do Senado Federal, privilegia, assim,
a segurança jurídica e o empreendedorismo, especialmente
em tempos de emprego escasso, competição globalizada e
crescimento econômico muito aquém da média mundial
e praticamente o pior da América Latina. Ao confiar matéria
de tal importância aos tribunais pátrios, o plenário
do Senado prestigia um dos fundamentos basilares do Estado democrático
de direito, que se funda no império da lei e na aplicação
independente da Justiça. Para qualquer um que sensatamente analise
a questão, é evidente que não se pode deixar apenas
ao alvedrio pessoal de um agente fiscal, por melhor intencionado que
esteja, decidir pela arbitrária desconsideração,
para fins de imposição tributária, de uma pessoa
jurídica legitima e legalmente constituída para a prestação
de serviços.
É , sem dúvida, expectativa das mais diversas entidades representativas
da sociedade brasileira - OAB-SP, Confederação Nacional do Comércio
(CNC), Confederação Nacional da Indústria (CNI) Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Sindicato das Empresas
de Serviços Contábeis de São Paulo (Sescon-SP), Fecomercio,
Associação Comercial de São Paulo (ACSP), entre tantas outras
- que a Câmara dos Deputados aprove, sem exceção, as medidas
que inauguram uma nova era nas relações fisco-contribuinte. Esperam,
também, que o presidente Lula sancione tais mínimos porém
importantes avanços em prol da segurança jurídica e da redução
da burocracia que tanto inferniza o cidadão e congela a máquina
pública. Tudo pelo bem dos contribuintes honestos e do crescimento econômico
do Brasil, transformando em fato aquilo que tão facilmente se sustenta,
em teoria, nos discursos presidenciais a favor da cidadania e da República.
Antonio Carlos Rodrigues do Amaral é presidente
da Comissão de Comércio Exterior e Relações
Internacionais da seccional paulista da Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB-SP), conselheiro dos conselhos jurídicos
da Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp) e da Fecomercio de São Paulo
e professor de direito constitucional e tributário da
Universidade Mackenzie. Este artigo reflete as opiniões
do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal
não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado
pelas informações acima ou por prejuízos
de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações
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Folha de São Paulo, 19 de dezembro
de 2006
Em defesa dos direitos trabalhistas
JOSÉ MARIA DE ALMEIDA
Não há "rombo" da Previdência, e sim "roubo" de
recursos, que são desviados pelo governo para pagar a dívida
pública
CADA VEZ mais estarrecidos, os trabalhadores assistem aos ataques
feitos por meio da mídia à Previdência Social, à aposentadoria
e aos seus direitos trabalhistas. Seriam esses os grandes responsáveis
pelas mazelas do país, pelo baixo crescimento econômico
e pelo alto índice de desemprego. Dizem que é preciso
mudar a Previdência, estabelecer idade mínima para a aposentadoria;
desvincular o reajuste do piso previdenciário do salário
mínimo e diminuir o valor dos benefícios pagos aos aposentados
etc.
Tentam justificar essas e outras barbaridades com o argumento do "rombo" nas
contas da Previdência, que comprometeria recursos que seriam investidos
para o país crescer. Mas isso não corresponde aos fatos.
O famoso "rombo" da Previdência não passa de uma
ficção, fruto da má-fé de autoridades. A
Constituição de 1988 acolheu o princípio da seguridade
social (englobando a Previdência, a saúde e a assistência
social) como direito social do povo brasileiro. E foi definido em lei
um conjunto de contribuições (Cofins, CSLL, CPMF etc.),
além daquela que já era recolhida sobre a folha de salários,
para financiá-la.
Considerando-se esse critério, a seguridade social (incluída
aí a Previdência) é superavitária. Os dados
recolhidos pela Anfip (Associação Nacional dos Auditores
Fiscais da Previdência) nos próprios órgãos
governamentais mostram que, em 2005, o superávit foi de mais de
56 bilhões de reais. Não há "rombo" da
Previdência, e sim "roubo" de recursos da Previdência,
que são desviados pelo governo para pagar a dívida pública.
O Orçamento para 2007, enviado pelo governo ao Congresso, prevê a
destinação de R$ 165 bilhões para pagamento de juros
(o governo brasileiro paga os juros mais altos do mundo) e mais R$ 77
bilhões para amortização da dívida pública.
Esses recursos vão para os bancos e as grandes empresas, os grandes
detentores dos títulos da dívida. Não por acaso,
essas instituições têm anunciado recordes seguidos
de lucratividade. É aí que estão os recursos que
o país deveria investir para gerar emprego, construir moradias
populares, hospitais, escolas, fazer a reforma agrária... e crescer.
Por outro lado, atacam as leis trabalhistas e a organização
sindical para permitir a flexibilização ou mesmo eliminação
de direitos trabalhistas. Demonizam o FGTS e a multa de 40% a ser paga
sobre o seu saldo ao trabalhador demitido, querem "limpar" a
CLT e o artigo 7º da Constituição, atingindo férias,
13º, licença maternidade etc. Com a maior "cara-de-pau",
dizem que isso permitiria gerar mais empregos e renda ao trabalhador.
Tampouco tem fundamento. Todas as experiências de flexibilização
de direitos tiveram efeito contrário: geraram aumento do desemprego
e empobrecimento da maioria da população. Na Espanha (décadas
de 1980 e 1990), o desemprego saltou de 10% (antes da flexibilização)
para 22%; na Argentina, o desemprego, que estava em 6% no final da década
de 1980, chegou a 20% com o processo de flexibilização
iniciado em 1991; no Chile, o desemprego cresceu e chegou a 20% depois
da reforma de 1978/1979; na Colômbia, foi de 5% ou 6%, em 1985,
para 20% depois de aprovada a reforma trabalhista.
Com o mesmo sentido, já tramitam no Congresso a reforma tributária,
que concentra renda, e a reforma universitária, que privatiza
o ensino superior e coloca em mãos do capital privado o controle
da produção científica e tecnológica que
hoje é feita nas universidades públicas. Estamos ante um
mar de hipocrisia, no qual banqueiros e grandes empresários falam
em fazer o país crescer, quando, na verdade, só querem
o crescimento de seus lucros. E um dos governos mais subservientes da
história, que, apesar de sua origem -e, às vezes, utilizando-se
dela-, se presta ao serviço sujo de ajudar os "de cima" a
massacrar ainda mais os "de baixo".
Os trabalhadores e aposentados não aceitarão essas reformas.
Não aceitaremos mais sacrifícios além dos que já nos
impuseram. Queremos mais, e não menos direitos. E lutaremos por
isso. Está em curso a constituição de uma frente
nacional de organizações dos trabalhadores -envolvendo
a Conlutas, as confederações de trabalhadores e de aposentados,
os movimentos sociais e outros segmentos- para lutar contra essas reformas
e para defender nossos direitos. Vamos escrever um outro final para essa
história.
JOSÉ MARIA DE ALMEIDA , o Zé Maria, 49, metalúrgico, é presidente
nacional do PSTU, membro da coordenação nacional da Conlutas
(Coordenação Nacional de Lutas) e diretor da Federação
Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais.
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Folha de São Paulo, 19 de dezembro
de 2006
Apesar da pressão, Aldo
e Renan mantêm aumento
Presidentes do Senado e da Câmara
só recuarão se protestos aumentarem | Aldo diz
que é obrigado a aplicar a decisão tomada por
líderes dos partidos de elevar vencimentos em 91% para
a próxima legislatura
LETÍCIA SANDER, FERNANDA KRAKOVICS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Respaldados pela maioria dos líderes partidários, os
presidentes da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e do Senado,
Renan Calheiros (PMDB-AL), permaneciam ontem dispostos a manter o aumento
de salários dos congressistas em 91%. Os dois só recuarão
se as pressões aumentarem nos próximos dias. Nesse caso,
sinalizaram que poderão submeter a decisão do reajuste
aos plenários das duas Casas. A opção pela equiparação
com os vencimentos dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal),
que recebem R$ 24,5 mil mensais, foi tomada na quinta-feira passada,
em reunião de líderes partidários e integrantes
das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado.
Eles entendem que um ato administrativo é o suficiente para regulamentar
a decisão, pois há um decreto legislativo, de 2002, prevendo
a equiparação. O ato não havia sido publicado até ontem
no "Diário do Congresso" por questões burocráticas.
Aldo e Renan se beneficiam da demora, enquanto avaliam os próximos
passos. Dos dois, Aldo é o mais firme na defesa da publicação
do ato. "A fixação do subsídio foi decidida
em reunião dos líderes com a Mesa. E eles decidiram no
sentido de aplicar o subsídio de acordo com o STF. Cabe ao presidente
aplicar a decisão do colégio de líderes", afirmou.
Quatro dias depois do anúncio do aumento, Aldo apresentou ontem
um cronograma de cortes, sob a justificativa de que a economia possibilitará a
elevação salarial sem custos extras. Numa tentativa de
conter as reações negativas, ele também anunciou
a intenção de reduzir, no futuro, alguns dos benefícios
dos parlamentares. Entre cortes anunciados estão verbas reservadas
para obras. Como não são despesas fixas, o pagamento do
salário maior exigirá economia em outros lugares nos próximos
anos.
Uma das medidas seria o fim dos 14º e 15º salários.
Outra, a aplicação do teto ao funcionalismo. Muitos parlamentares
e servidores recebem além dos R$ 24,5 mil, por acumularem gratificações
e aposentadoria. Essas propostas têm de ser aprovadas no plenário.
Os presidentes
Aldo foi procurado pela minoria na Casa contrária ao reajuste.
Reafirmou que não poderia desfazer a decisão do colégio
de líderes, e que se a Casa quiser, submete o reajuste ao plenário.
Questionado se após os escândalos como o do mensalão
os parlamentares mereceriam tal reajuste, Aldo se esquivou, dizendo que
o aumento valerá para a próxima legislatura. Ele é pré-candidato à reeleição.
Já o presidente do Senado passou o dia em Alagoas e não
se manifestou sobre o assunto. A interlocutores, disse que ouvirá os
líderes partidários e que, se a reação contrária
for forte, levaria a questão ao plenário. Senadores fizeram
discursos contrários aos R$ 24,5 mil. A bancada do PDT (três
senadores), pretende entregar carta a Renan defendendo um reajuste para
R$ 16,5 mil. Os senadores pedetistas não foram à reunião
que decidiu pelo aumento, mas dois deputados do partido votaram a favor
dos R$ 24,5 mil.
Os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR), Alberto Silva (PMDB-PI), Cristovam
Buarque (PDT-DF), Jefferson Péres (PDT-AM), Heloísa Helena
(PSOL-AL), Osmar Dias (PDT-PR), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Ideli Salvatti
(PT-SC) também se disseram contra o aumento. "As manifestações
num país democrático, desde que presididas pela legalidade,
são legítimas e não há por que contestá-las",
disse Aldo.
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Folha de São Paulo, 19 de dezembro
de 2006
Sindicalistas e internautas reagem à medida
DA REPORTAGEM LOCAL
O aumento de 91% aprovado pelos parlamentares a seus próprios
salários alimenta uma onda de irritação e protestos:
de mobilizações das centrais sindicais e entidades civis,
ainda pequenas, a iniciativas e manifestos na internet. Ontem, a Força
Sindical, presidida pelo deputado federal eleito Paulo Pereira da Silva
(PDT), o Paulinho, fez uma passeata mirrada e barulhenta pelo centro
de São Paulo. Havia cerca de 50 pessoas, acompanhando um carro
de som. O deputado eleito justificou o pequeno público: "É difícil
mobilizar no final de ano. Até os sindicatos estão de férias.
Foi por isso que os parlamentares escolheram este momento".
O protesto chamou a atenção da aposentada Osvaldina Cesar,
59, que fazia compras de Natal: "Vim aqui ver se havia algum abaixo-assinado
para eu participar, tinha ouvido algo no rádio sobre isso. Liguei
até para minha cunhada vir. Alguma coisa a gente tem que fazer.
Esse aumento é uma afronta", diz ela, que votou na legenda
do Partido Verde para deputado. Paulinho disse que hoje, em Brasília,
proporá aos presidentes da Câmara, Aldo Rebelo, e do Senado,
Renan Calheiros, que o percentual de reajuste dos salários caia
de 91% para 23,33%. O índice reporia a perda da inflação,
segundo o INPC [Índice Nacional de Preços ao Consumidor],
desde o último aumento, em fevereiro de 2003. Pela proposta, o
salário chegaria a R$ 15.662.
" Falei com o Aldo e propus a reunião. Vou sugerir que se use o INPC,
que foi o mesmo índice que corrigiu o salário da maior parte dos
trabalhadores . É uma saída para essa enrascada em que o Congresso
se meteu", disse o sindicalista, que promete doar o que receber a mais por
conta do aumento a entidades de ajuda aos pobres e "favelas". Paulinho
convidou a CUT (Central Única dos Trabalhadores) para a reunião,
já que ele e o presidente da central, Artur Henrique, estarão em
Brasília -as centrais sindicais negociam hoje à noite, na capital,
que o mínimo suba mais que os R$ 25 aprovados no relatório setorial
no Orçamento (passaria de R$ 350 para R$ 375).
Henrique, afirmou, porém, que não é papel da central
oferecer uma solução para o reajuste dos congressistas,
mas usar a indignação para pressionar por um salário
mínimo maior: "Devemos protestar nas ruas. As pessoas querem
demonstrar que estão irritadas". A CUT colhe assinaturas
contra o aumento e hoje promoverá ato na Praça do Patriarca,
em São Paulo, e em frente ao Congresso, em Brasília.
Na internet, há também reação. O fórum-blog "Jornal
de Debates", editado pelo jornalista Paulo Markun, havia recebido
de sexta até ontem 300 artigos sobre o tema e promove consulta
com juristas para escolher que caminho formal tomar contra o aumento.
A principal delas é propor uma lei de iniciativa popular. Outro
internauta criou um blog sobre o assunto e convoca protesto no vão
do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na sexta. "O aumento
foi a cereja do bolo dessa legislatura e indignação está pipocando
em vários lugares da internet, que tem se mostrado um ótimo
canal para isso", diz Markun. (FLÁVIA
MARREIRO)
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Folha
de São Paulo, 19 de dezembro de 2006
TRABALHO
Siderúrgica quer visto para
600 chineses
DA SUCURSAL DO RIO
A siderúrgica alemã ThyssenKrupp, controladora da CSA (Companhia
Siderúrgica do Atlântico), trará 600 empregados chineses
para trabalhar na instalação da coqueria da usina, que iniciará operação
em 2009 na área do porto de Itaguaí (RJ). A empresa contratou
a chinesa Citic para montar a coqueria num "pacote pronto", que
inclui contratação de mão-de-obra. De acordo com a
companhia alemã, os empregados possuem alto nível de qualificação.
Boa parte deles é de engenheiros. O Ministério do Trabalho
informou que a Thyssen deu entrada no pedido de visto para os 600 chineses,
mas não obteve ainda as liberações. O ministério
vai avaliar se não há brasileiros aptos para as funções.
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Folha
de São Paulo, 19 de dezembro de 2006
Cresce a qualificação
da força de trabalho do país
31% dos empregados fizeram curso profissionalizante,
contra 21% em 2002 | Dados são de pesquisa mensal do IBGE;
escolas criam novos cursos para aproveitar demanda maior por
formação tecnológica
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
A força de trabalho das maiores metrópoles do
país amplia seu nível de qualificação
numa velocidade acelerada, e 31,2% da população
ocupada em outubro deste ano possuía algum curso profissionalizante
ou de especialização. Em outubro de 2002, o percentual
era de 21,1%. No mesmo mês de 2005, estava em 27,1%.
Os dados constam de levantamento do IBGE com base na Pesquisa
Mensal de Emprego, feito a pedido da Folha. Consideram todos
os tipos de curso de qualificação profissional,
desde os regulares, como os universitários, até os
de línguas e os profissionalizantes.
Ou seja, estão na estatística pessoas que tenham concluído
desde um mestrado até aquelas que fizeram apenas um curso de telemarketing
ou manicure. Nos outros contingentes do mercado de trabalho, também é expressivo
o avanço da qualificação. Entre as pessoas desempregadas,
o percentual dos que possuíam alguma qualificação
saltou de 16,3% em outubro de 2002 para 33% no mesmo mês deste
ano. Considerando todas as pessoas em idade para trabalhar (com mais
de 10 anos, segundo a metodologia da pesquisa), o nível de qualificação
cresceu de 15,1% para 23,1%.
Em níveis diferentes, o fenômeno do crescimento da qualificação
da força de trabalho se repete em todas as regiões metropolitanas
pesquisadas e atinge tanto brancos como pretos e pardos, segundo o IBGE.
Entre a população branca, o percentual de pessoas com curso
de qualificação saltou de 21,3% do total de pessoas ocupadas
em outubro de 2004 para 34% no mesmo mês de 2006. Em outubro de
2005, era de 30,3%.
Já entre a população preta e parda, também
houve avanço, embora ainda persista uma distância considerável
em relação aos brancos. O total de pessoas com qualificação
subiu de 18,1% em outubro de 2002 para 27,2% em igual mês deste
ano. Em números absolutos, 6,442 milhões de pessoas ocupadas
nas seis maiores regiões metropolitanas do país tinham
algum tipo de qualificação. Eram 3,857 milhões em
outubro de 2002.
Medo do desemprego
Para Palmiro Ramos Filippini Jr., diretor-executivo da S.O.S Computadores,
o fantasma do desemprego e a dificuldade dos jovens em conseguirem o
primeiro emprego estimularam essa onda de qualificação
no mercado de trabalho constatada pelo IBGE. Sua empresa, que nasceu
como um curso de informática, aproveitou tal onda e hoje já oferece
cursos como secretária administrativa, gestor de projetos, programação
de computador e telemarketing.
Recentemente, a SOS fez uma pesquisa com seus 70 mil alunos em 130 unidades
e traçou seu perfil: são especialmente jovens das classes
C e D -42% e 18% do total, respectivamente. Na faixa de até 25
anos, estavam 76% dos alunos. A maior parte estudou em colégio
público, e 49% estavam desempregados. Mais da metade (55%) cursava
também uma escola regular -ensino médio ou fundamental.
Para Durval Antunes Filho, diretor-geral da UniCoc, mesmo nos cursos
universitários nota-se a demanda crescente por formação
profissional. Tanto é que a universidade resolveu lançar
neste ano seu programa de formação à distância.
A instituição, diz, detectou também uma grande demanda
por formação tecnológica e passou a oferecer cursos
de duração menor (três anos). "Um dos mais procurados é o
de pedagogia, atendendo a professores que precisam desse título
para assumirem outros cargos", disse. O preço é outro
atrativo. No ensino à distância, a UniCoc oferece cursos
universitários a partir de R$ 176 por mês.
Regiões
Talvez por conta do fato de a taxa de desemprego ser em São Paulo
mais alta do que a média, a região metropolitana surge
como a líder nesse processo de aumento da qualificação
da mão-de-obra. Em São Paulo, o percentual de pessoas empregadas
que tinham algum curso de qualificação subiu de 15,6% em
outubro de 2002 para 34,5% no mesmo mês de 2006. Em outubro de
2005, estava em 30,5%. Belo Horizonte, porém, tinha proporcionalmente
um contingente maior de pessoas com algum tipo de qualificação
profissional -39,3% em outubro deste ano ante 23,4% em outubro de 2002.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
19/12/2006
Parcela “quebra de caixa” tem
natureza salarial
A parcela paga aos bancários sob a denominação “quebra
de caixa” é de natureza salarial, o que garante sua integração
ao salário do trabalhador para todos os efeitos legais. Esse
entendimento, consolidado na Súmula nº 247 do Tribunal
Superior do Trabalho, foi manifestado pelo ministro Horácio
Senna Pires (relator) na decisão unânime em que a Sexta
Turma do TST deferiu, parcialmente, recurso de revista a um bancário
carioca.
O deferimento do recurso altera julgamento anterior do Tribunal Regional
do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro), que havia negado
a integração da “quebra de caixa” ao salário
de um ex-empregado do Banco Itaú S/A. “Comprovou-se pela
prova pericial que o adicional aixa possuía natureza indenizatória
e não salarial, pois instituído com o objetivo de ressarcir
eventuais perdas verificadas na tesouraria”, registrou o acórdão
regional.
O relator da questão no TST ressaltou que, ao contrário
do afirmado pela decisão do TRT-RJ, o laudo pericial confirmou
o direito do trabalhador à integração da parcela. “Tem-se
que não há elemento fático relevante a ser considerado,
uma vez que o perito concluiu apenas que a parcela era paga para ressarcir
eventuais perdas sofridas pela tesouraria, o que vem a ser precisamente
a finalidade desse pagamento aos bancários”, explicou
Horácio Pires.
A Sexta Turma do TST não reconheceu, contudo, o direito do
bancário aos valores correspondentes ao vale-transporte, benefício
não concedido pelo empregador. A defesa do trabalhador argumentou
que o fornecimento do vale-transporte seria uma obrigação
patronal, inscrita na Lei nº 7.418 de 1985 e Decreto nº 95.247
de 1987. Também sustentou que a manifestação do
empregado só seria necessária para eximir a empresa da
obrigação.
O argumento foi rebatido, contudo, pelo relator do recurso que, nesse
ponto, votou pela manutenção do acórdão
regional. Horácio Pires ressaltou que a jurisprudência
do TST, firmada na Orientação Jurisprudencial nº 215
da Seção Especializada em Dissídios Individuais – 1,
aponta como encargo do empregado “o ônus de provar a satisfação
dos requisitos para a obtenção do vale-transporte”.
(RR 702699/2000.2)
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