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Agência Senado, 20 de dezembro de 2006
Pauta da CAS inclui projeto que regulamenta
o desconto da contribuição assistencial

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) reúne-se nesta quarta-feira
(20), a partir das 9h30, para analisar uma pauta de dez itens, entre
os quais projeto de lei (PLS 248/06) de autoria do senador Paulo Paim
(PT-RS) que acrescenta capítulo à Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) para dispor sobre a chamada contribuição
assistencial, que se destina basicamente ao financiamento de negociações
coletivas de trabalho. O desconto, de acordo com o projeto, não
poderá ultrapassar 1% da remuneração bruta anual
do trabalhador.
No entender de Paulo Paim, o projeto, a ser votado pela CAS em decisão
terminativa, atende a uma antiga reivindicação do conjunto
do movimento sindical brasileiro, que pede a aprovação
de norma legal para o desconto da contribuição que já existe
na prática. Com isso, notou o senador, estaria se colocando
um ponto final no permanente conflito entre trabalhadores, patrões,
Ministério do Trabalho e Ministério Público, já que
estes últimos têm, de forma recorrente, questionado a
legalidade da cobrança do imposto.
Na mesma reunião, a CAS deve votar, também em decisão
terminativa, projeto (PLS 334/03) de autoria do senador Teotonio Vilela
Filho (PSDB-AL) que isenta do recolhimento das contribuições
para a Seguridade Social as empresas que adotarem turno extra de trabalho.
O projeto - que acrescenta artigo à lei 8.212/91, que trata
da organização da Seguridade Social no que se refere à contribuição
das empresas - dá um prazo de três anos para que a experiência
do novo turno de trabalho seja melhor avaliada.
O relator, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), é favorável à aprovação
do projeto que, se aprovado pela CAS, segue - a exemplo do projeto
que regulamenta a cobrança da contribuição assistencial
- para análise da Câmara dos Deputados, exceto se houver
recurso para que seja apreciado pelo Plenário do Senado.
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Agência Diap, 20 de dezembro de 2006
Licença Maternidade
Mãe que perde a criança
no parto não tem direito à licença maternidade
A gestante que perde o bebê na hora do parto não
tem direito à licença maternidade. Nesse sentido decidiu
a Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao apreciar recurso
relatado pelo ministro Barros Levenhagen. O ministro adotou, por
analogia, a regra do artigo 395 da CLT, que garante à gestante
que sofreu aborto não criminoso repouso remunerado de duas
semanas.
A empregada foi contratada pelas empresas Bayer em outubro de 2000
e demitida em outubro de 2001. Alegou que foi dispensada quando estava
com três meses de gravidez, um dia antes do seu casamento, o
que lhe causou danos psicológicos. Em 2002, ao fim da gravidez,
a criança nasceu sem vida.
A trabalhadora ingressou com ação trabalhista na 10ª Vara
do Trabalho de Goiás com pedido de indenização
por dano moral e o correspondente aos salários vencidos e vincendos,
além dos 120 dias de licença-maternidade.
Pediu também um mês de estabilidade provisória
e as verbas rescisórias. Afirmou ainda que a empresa cometeu
fraude ao contratá-la por período determinado, prorrogando
o contrato de trabalho por duas vezes, em vez de proceder à contratação
legal, por tempo indeterminado.
Ação
A sentença foi parcialmente favorável à empregada.
O contrato por prazo determinado foi considerado nulo, transformando-se
em contrato por prazo indeterminado, sendo reconhecida a estabilidade
provisória da empregada.
A Vara do Trabalho decidiu que a trabalhadora teria direito ao período
compreendido entre o início da gravidez e o fim da estabilidade
da gestante. Segundo o juiz, o nascimento de uma criança morta é considerado
um parto, portanto a empregada faria jus às verbas rescisórias
do período. Não foi concedida a indenização
por danos morais.
Ambas as partes recorreram ao Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região
(Goiás). A empresa insistiu na tese de que a contratação
se deu por prazo determinado, e a empregada reiterou o pedido de danos
morais. O Regional negou provimento aos dois recursos e a Bayer recorreu
ao TST.
O ministro Barros Levenhagen reformou a decisão do TRT/GO,
sob o argumento de que a vedação legal à rescisão
dos contratos de trabalho de empregada gestante "há de
perdurar pelos cinco meses após o parto, desde que, naturalmente,
a criança tenha nascido com vida. A proteção ali
assegurada à gestante tem em vista a sua tranqüilidade,
para dispensar adequado tratamento aos primeiros meses de vida do nascituro",
concluiu.
O ministro ressaltou ainda que o nascimento do feto sem vida não
assegura à gestante o direito a todo o período da garantia
de emprego prevista no artigo 10, inciso II, alínea "b" do
ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias).
Com informação do TST.
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Diário Vermelho, 20 de dezembro de
2006
Mídia tomou partido nas eleições,
avaliam jornalistas e deputados
“ A mídia não foi
isenta nestas eleições". A sentença
do coordenador de jornalismo do SBT, Luiz Gonzaga Mineiro,
ecoou durante o seminário organizado pela Comissão
de Ciência e Tecnologia, Comunicação e
Informática da Câmara Federal.
Jonas Valente* – Carta Maior
A atuação dos meios de comunicação nas eleições
de 2006 ainda está dando o que falar. Não se apagou a chama
acesa por reportagens - em veículos como a revista Carta Capital
e nesta Carta Maior (leia matéria) que revelaram tramas, orientações
de bastidores e condutas das direções de alguns dos mais
poderosos veículos do País para amplificar os efeitos da
chamada “crise do dossiê”, que acabou sendo determinante
para levar o pleito presidencial para o segundo turno. O tema ganhou
relevo novamente com a realização do Seminário “Mídia
nas Eleições de 2006”, organizado pela Comissão
de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática
(CCTCI) da Câmara dos Deputados, na última quarta-feira
(13).
O proponente do evento, deputado Fernando Ferro (PT-PE), justificou
a importância de manter a reflexão sobre a cobertura da
grande mídia no País com dados do Observatório
Brasileiro de Mídia (leia ). De acordo com a pesquisa citada
por Ferro consolidada em 20/9, o tratamento dado pelos jornais Folha
de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo , Lula, o candidato, foi
retratado de forma negativa em 65,7% das matérias, contra 21,4%
oportunidades em que o tratamento foi positivo. No caso do candidato
tucano Geraldo Alckmin, a situação apareceu invertdida:
a abordagem positiva atingiu 50% das notícias; as citações
negativas não passaram de 16,7%. Quando o objeto da matéria
foi o presidente Lula, o percentual de matérias negativas diminuiu
(33,3%), mas ainda superou de longe o de textos com tratamento positivo
(13,3%).
Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias
da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), a diferença
de tratamento não se restringiu à disputa presidencial.
O próprio Greenhalgh não conseguiu se reeleger para o
Parlamento. Sofrera por ter atuado como advogado no caso do assassinato
do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, do PT, envolto pelas
especulações acerca de querelas políticas por
trás do crime. “Embora tenha sido confirmado antes das
eleições que foi um crime comum, nenhum jornal deu isso.
Agora se a conclusão da Justiça fosse de que tinha havido
motivação política, no outro dia era um escândalo
em todas as páginas de jornal”, reclamou.
Na avaliação de Ricardo Pedreira, da Associação
Nacional de Jornais (ANJ), os jornais brasileiros “tentaram trabalhar
pela melhor cobertura possível nas eleições”.
Para ele, é “natural” e sempre haverá críticas à cobertura
da mídia em qualquer situação. No entanto, um
próprio representante da chamada grande mídia, o coordenador
de jornalismo do SBT, Luiz Gonzaga Mineiro, foi surpreendentemente
franco: “A mídia não foi isenta nestas eleições.
Tanto é que após a eleição os veículos
abandonaram as denúncias, mostrando que era uma campanha”.
Também o jornalista Paulo Henrique Amorim, que apresenta programa
na TV Record e mantém o sítio Conversa Afiada (no portal
IG), foi taxativo e caracterizou os principais meios como veículos
de oposição ao governo Lula. Segundo ele, uma pesquisa
da Universidade de Harvard que identificou uma tendência que
vai de encontro à pluralidade e ao contraditório entre
os meios de comunicação tradicionais. Para se aproximar
ainda mais do seu público-alvo, especialmente diante do quadro
que não é exclusividade brasileira de queda nas vendas
e na circulação, muitos veículos buscam ser cada
vez mais "fiéis" às opiniões de seus
leitores para "manter a clientela".
Outro motivo apontado por Amorim para este comportamento foi a falta
de qualidade dos veículos de comunicação brasileiros. “Vivemos
crise da qualidade da imprensa brasileira. A qualidade é péssima,
sem falar da promiscuidade de não saber onde começa opinião
e onde termina informação”, disse. Na avaliação
dele, um exemplo deste processo é a ascensão da figura
do “colunismo”, que transforma análise em opinião
sempre dentro de acordo com o que as “orientações
superiores” de cada empresa de comunicação permitem.
Como exemplo, citou a colunista Miriam Leitão, que em seus comentários
sobre economia no matinal Bom Dia Brasil, da TV Globo, expressa um
ponto de vista muito claro. “Mas não é a minha
visão e por que eu não posso expressá-la também?”,
questionou.
Na opinião do experiente jornalista da Record, já exitem
avenidas abertas (com perspectivas de se alargarem cada vez mais) para
a quebra desse monopólio da palavra no ambiente das novas tecnologias.
Amorim pontuou diversos casos em que informações divulgadas
pela internet e por telefones celulares tiveram grande impacto em momentos
cruciais de diferentes países. Amorim lembrou que já existem
47 milhões de internautas no Brasil e fez um apelo aos parlamentares
para que não sejam aprovados projetos de lei obsoletos que reduzem
o cenário da mídia a uma contenda apenas entre grandes
redes de TV e, por conseguinte, tentam conter a expressão da
pluralidade e da diversidade nesses novos meios.
Concentração
A razão apontada para a ausência de espaço para opiniões
diferentes é a conhecida concentração de propriedade
na mídia brasileira, sobretudo em Rádio e TV. Sobre o tema,
o deputado Fernando Ferro apresentou dados do estudo “Os Donos
da Mídia”, realizado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas
em Comunicação (Epcom) que mostram a concentração
da espinha dorsal do sistema de mídia do país (rádio,
TV e jornais). Sozinhas, Globo, SBT, Bandeirantes, Record, CNT e Rede
TV possuem 138 grupos afiliados e controlam 668 veículos, entre
TVs, rádios, editoras, gravadoras, agências de notícias
e provedores de Internet.
O vice-presidente de relações institucionais da Rede
Globo, Evandro Guimarães, saiu da saia justa da constatação
de oligopólio elogiando a situação da TV brasileira
por seu caráter livre, aberto e gratuito e jogando para o capital
internacional o foco de perigo de concentração. Segundo
Guimarães, a principal ameaça hoje é a entrada
dos grupos transnacionais de telecomunicações na produção
de conteúdo, especialmente na TV aberta. José Guilherme
Castro, da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias
(Abraço), criticou duramente o argumento do dirigente da Globo
argumentando que a dimensão aberta e gratuita é garantia
da Constituição, e não mérito das emissoras.
Para Castro, o discurso da ameaça do capital internacional é uma
falácia dos grupos empresariais brasileiros, pois a Globo não
teve nenhuma restrição, no caso da TV por satélite,
em se unir com a News Corporation, um dos maiores conglomerados da área
no mundo, para fundir a Sky e a DirectTV numa nova operadora que vai
concentrar 98% do mercado desta modalidade de televisão. Na
avaliação de Romário Schettino, presidente do
Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, para furar este “bloqueio” é preciso
investir em mídias estatais, públicas e comunitárias
que garantam alternativas de informação para a população.
A complexidade ficou mais patente no encerramento do seminário
quando veio à baila a difícil barreira de ampliar esta
reflexão, já que a própria mídia não
se dispõe a fazê-la. “A mídia não
discute a mídia. Quando é que a Globo vai fazer um debate
sobre TV Digital, por exemplo?”, questionou José Guilherme
Castro ao representante da emissora. O deputado Luiz Eduardo Greenhalgh
endossou a dúvida lembrando que qualquer tipo de reflexão é sempre
encarado como “censura” aos meios de comunicação.
Ao final, o Ferro mostrou o tabu e bateu à porta. “Tem
gente da imprensa que veio reclamar da realização deste
seminário. Mas a Câmara não vai ficar refém
da mídia e felizmente este debate está instalado no País”,
declarou. Fonte: Agência Carta Maior
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Diário Vermelho, 20 de dezembro de
2006
Caged: emprego cresceu quase 6% em
11 meses
Acumulado do ano, 5,93%, é maior do
que o de 2005. Meta mensal de criação de 100 mil novos
empregos formais é mantida em 2006. Segundo o Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho,
foram criados 1,54 milhão de postos de trabalho em 11 meses.
O país gerou 32.579 empregos formais em novembro, número
superior ao verificado no mesmo mês do ano passado (13.831 postos),
de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged). Os números foram divulgados hoje pelo ministro do Trabalho
e Emprego (MTE), Luiz Marinho. Com os dados consolidados de novembro,
os últimos 12 meses registram geração de 1.259.460
empregos com carteira assinada (4,78%), no período. Entre janeiro
de 2003 e novembro de 2006, foram criados 4.968.869 postos celetistas.
" Nós estamos trabalhando para o crescimento do mercado de trabalho
brasileiro, acrescentando a cada mês a meta de 100 mil empregos com vínculo
formal. Temos um acumulado este ano acima do acumulado do ano passado e geramos,
nos últimos doze meses, 70 mil postos a mais do que em 2005", comentou
o ministro.
Marinho acrescentou que a expectativa para o mês de dezembro é a
de que se repita o desempenho do mesmo mês do ano passado. Historicamente,
o último mês do ano é de ajuste, por já incluir
as demissões no período posterior às férias.
Ele acrescentou que 2006 deve fechar muito próximo ao resultado
de 2005, em torno de 1,25 milhão de empregos celetistas.
O ministro preferiu não fazer projeções para os
próximos anos, mas afirmou que o crescimento do PIB, se confirmado
no patamar de 5%, repercutirá positivamente no mercado brasileiro. "Creio
que, em 2007, nós teremos todas as condições de
ter um crescimento maior do que tivemos em 2006", avalia.
Ele acredita que o aumento seja mais significativo no segundo semestre
do próximo ano e que os setores da Construção Civil,
Saneamento, Infra-estrutura e a Indústria de Transformação
impulsionem esse acréscimo. "O setor público deve
ser indutor de investimento, contribuindo assim para que o setor privado
também invista".
Salários - O ministro
Luiz Marinho ressaltou que a melhoria no mercado de trabalho
não ocorre somente com relação ao número
de novos empregos ou na redução da taxa de desemprego.
Há, sobretudo, incremento da massa salarial, garante." Em
2005, tivemos um crescimento da massa salarial da ordem de
8,1%, resultado do crescimento de 5,83% do número de
empregos no ano de 2005, e também do rendimento médio
2,1% dos salários do país, o que atingiu todas
as faixas. O mercado de trabalho no país vem crescendo
e dando sustentabilidade para a retomada do crescimento da
economia", explicou.
Esse crescimento do emprego formal, entre 1999 e 2005, ocorreu, principalmente,
na faixa de até três salários mínimos (39,1%),
de acordo com os dados da Relação Anual de Informações
Sociais (Rais). "É natural que assim seja, já que
quando há aumento de produção, uma fábrica
contrata pessoas para operar as máquinas, e não novos
gerentes", comenta.
A faixa de três a cinco salários mínimos teve
aumento de 25,8%; de cinco a dez mínimos, de 18,4%; de dez a
20 salários, 16%; de 20 a 33, 12,5%; e a de mais de 33 salários,
aumentou 22,7%.
Empregos - O Caged de novembro demonstra
que, no acumulado do ano, de janeiro a novembro, houve crescimento
de 5,93%, com a criação de 1.546.179 postos de trabalho
no país, em comparação com igual período
do ano passado (1.540.700 postos). Em 2006, houve uma retomada no crescimento
da Agricultura, da Indústria da Transformação,
da Construção Civil, principalmente por meio dos incentivos
do governo em moradia e obras públicas.
Na comparação do acumulado de janeiro a novembro deste
ano, com o verificado em 2005, a Agricultura registrou aumento de 104.397
postos em 2006, superando o resultado no mesmo período do ano
passado: 89.807 empregos.
O mesmo ocorreu na Indústria de Transformação
que, em 2006, gerou 365.615 postos e, no ano passado, 280.820, o que
representa aumento significativo de 30%. Na Construção
Civil houve acréscimo de 121.642 postos em 2006 - o maior saldo
do período da série histórica do Caged, contra
115.391 do ano anterior.
Já os setores Comércio e de Serviços, os de
maior crescimento em novembro deste ano, apresentaram uma expansão
mais modesta no acumulado do ano em relação ao mesmo
período de 2005. O Comércio contribuiu com 319.425 novos
empregos, e 588.561 postos foram criados pelo setor de Serviços,
em 2006.
Regiões - O número de
empregos cresceu nas regiões Sul, com 34.317 novos postos (0,67%),
Nordeste, 17.155 postos (0,42%) e Norte, 2.097 postos (0,19%). As regiões
Sudeste e Centro-Oeste apontaram decréscimo de -9.644 (-0,06%)
empregos e -11.346 (-0.58%).
Os estados que mais se destacaram foram: Rio de Janeiro (19.727 postos
ou 0,74%); Rio Grande do Sul (17.322 postos ou 0,92%) e Santa Catarina
(14.015 ou 1,03%). Por outro lado, por causa da entressafra no Centro-Sul
do país, os estados de São Paulo (-24.004 postos ou -0,26%);
Minas Gerais (-7.637 postos ou -0,25%); Mato Grosso (-5.939 ou -1,55%)
e Goiás (-3.845 ou -0,53%) registraram declínio no número
de trabalhadores celetistas.
Em novembro, também fruto da sazonalidade positiva do final
do ano, o conjunto das áreas metropolitanas apresentou crescimento
de 0,61%, equivalente à geração de 69.267 empregos.
Os destaques positivos ocorreram na grande São Paulo (25.578
postos ou 0,54%) e na Região Metropolitana do Rio de Janeiro
(14.780 postos ou 0,73%).
Em contrapartida, as cidades localizadas no interior suprimiram 49.702
postos de trabalho (-0,48%), comportamento justificado devido aos efeitos
da sazonalidade negativa do ciclo agrícola nesses espaços
geográficos.
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Nova Central, 20 de dezembro de 2006
Governo e centrais sindicais concordam
com salário mínimo de R$ 380
Os ministros Luiz Marinho (Trabalho) e Nelson Machado (Previdência)
fecharam há pouco com as centrais sindicais um acordo para reajustar
o salário mínimo de R$ 350 para R$ 380, um aumento de 8,6%,
e corrigir a tabela do Imposto de Renda em 4,6%.
De acordo com Marinho, as propostas serão encaminhadas ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira para que ele dê a "palavra
final". Depois desse aval, as propostas serão incorporadas
ao Orçamento da União para 2007. O recesso dos parlamentares
só pode começar após a aprovação
do Orçamento.
No início da madrugada desta quarta-feira foi encerrada a terceira
reunião entre o governo e centrais sindicais. Outro ponto negociado
foi um projeto para a valorização do salário mínimo
até 2010.
No início das negociações, as centrais sindicais
reivindicavam o reajuste do mínimo para R$ 420, um aumento de
20%, e a correção da tabela em 7,7%. O relator do Orçamento
trabalhava com R$ 375 (7,1%) e reajuste da tabela de 3%.
Já o ministro Guido Mantega (Fazenda), disse que o valor correto
seria R$ 367 (4,86%), valor que levaria em conta a inflação
corrigida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor)
mais a variação do PIB (Produto Interno Bruto) per capita.
No entanto, em anos anteriores, o governo já havia dado reajustes
maiores que o previsto na regra.
Nas contas do Executivo, a cada R$ 1 de reajuste no mínimo,
o governo tem um gasto entre R$ 190 milhões e R$ 200 milhões
ao ano. Hoje, mais de 15 milhões de beneficiários da
Previdência recebem o mínimo. Além disso, ele serve
também como referência para outros gastos do governo,
como salário desemprego e Loas (Lei Orgânica de Assistência
Social).
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Congresso em Foco, 20 de dezembro de 2006
Deputados paulistas são vaiados
durante diplomação
A cerimônia de diplomação dos deputados
federais de São Paulo, hoje (13), foi marcada pela manifestação
popular. O ex-prefeito da capital paulista Paulo Maluf (PP) e os
ex-ministros petistas Antonio Palocci e Ricardo Berzoini foram os
mais vaiados pela platéia presente na Assembléia Legislativa
do estado.
Até quem não apareceu na diplomação recebeu
vaias, como no caso do ex-presidente do PT José Genoino e de
Valdemar Costa Neto (PL), que renunciou o cargo na última legislatura
para evitar a cassação. Outro parlamentar ausente que
passa por situação delicada foi o presidente da Câmara,
Aldo Rebelo (PCdoB), um dos principais defensores do reajuste de 91%
dos salários dos parlamentares.
Mesmo sob as manifestações, os deputados mantiveram
a compostura e o sorriso ao serem diplomados. Ao contrário dos
colegas desprestigiados, o deputado eleito e cantor de forró Frank
Aguiar (PTB), o “cãozinho dos teclados”, recebeu
o diploma ao som de latidos.
Clodovil Hernandez (PTC) dividiu a platéia, que segundo a assessoria
da Assembléia era de 280 pessoas. Um grupo de pessoas o aplaudiu,
enquanto outro o vaiou. Antes da cerimônia, Clodovil ainda assinou
um documento contra o aumento dos salários dos parlamentares. "Tudo
que me mandarem, eu faço. Em curral alheio, boi é vaca.
Não sou contra, nem a favor, eu não sou nada. Vou aprender
durante esse ano. Tanto que meu salário eu já doei",
disse.
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STF, 20 de dezembro de 2006
Sindicato recorre ao STF contra decisão
do TCU que determinou corte de adicional nos salários de funcionários
da Eletronorte
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas
nas Atividades de Meio Ambiente e nos Entes de Fiscalização
e Regulação dos Serviços de Energia Elétrica,
Saneamento, Gás e Meio Ambiente no Distrito Federal (STIU/DF),
ajuizou o Mandado de Segurança coletivo (MS) 26297, com pedido
de liminar, no Supremo Tribunal Federal (STF). O sindicato pretende
suspender os efeitos da decisão do Tribunal de Contas da União
(TCU) que determinou a Centrais Elétricas do Norte do Brasil
S.A (Eletronorte), a cessar o pagamento do adicional referente ao
Decreto-Lei 1971/82 aos funcionários admitidos após
28 de dezembro de 1983.
O sindicato declara que o TCU praticou ato arbitrário que feriu
o direito líquido e certo dos funcionários. Alega que órgão
deixou de observar os princípios do devido processo legal, da
ampla defesa, do contraditório, da segurança jurídica,
da coisa julgada, da legalidade e boa fé. A decisão,
segundo o STIU/DF, atingiu os salários sem, no entanto, dar
a oportunidade ao direito de defesa e contraditório.
A defesa do sindicato explica que o adicional ocorreu em razão
do acordo coletivo de trabalho celebrado entre o sindicato dos empregados
e a Eletronorte em 29 de outubro de 1986, e termo aditivo assinado
em 1987, quando os empregados tiveram incorporados aos seus salários,
a partir de março de 1987 o valor correspondente ao adicional
do Decreto-Lei 1971/82. O acordo beneficiaria os empregados admitidos
após novembro de 1982.
O STIU/DF questiona a decisão, considerando arbitrária
a exclusão das parcelas que vêm sendo pagas há quase
vinte anos. Segundo a defesa do sindicato, os aposentados também
sofrerão com a medida determinada pelo TCU, pois suas pensões
complementares também tiveram como base a tabela salarial questionada.
O ministro Joaquim Barbosa é o relator do MS.
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Folha de São Paulo, 20 de dezembro
de 2006
STF barra reajuste de 91%; Congresso
já ensaia recuo
Supremo obriga parlamentares a rever
aumento autoconcedido em reunião fechada
Depois de resistir por quase uma semana à pressão da
opinião pública -por meio de protestos na internet e
manifestações de rua e após a agressão
a um deputado-, o Congresso foi obrigado pela Justiça a sustar
o reajuste de 91% que havia se autoconcedido e a votar em plenário
qualquer tentativa de elevação do salário de deputados
e senadores, o que deve ocorrer hoje. Constrangidos a mostrar a cara,
já que a decisão de ganhar R$ 24,5 mil mensais -quase
o dobro dos R$ 12.847 que recebem hoje- havia sido tomada numa reunião
administrativa com apoio de 26 dos 29 presentes, os parlamentares agora
avaliam qual reajuste estão dispostos a bancar.
Tudo ocorreu devido à sessão de ontem do Supremo Tribunal
Federal, que concedeu uma liminar suspendendo o aumento. 00O Supremo
considerou que reajustes desse tipo só podem ser aprovados em
votação aberta, no plenário, e não por simples
atos administrativos das Mesas das duas Casas. Com isso, os presidentes
Aldo Rebelo (Câmara) e Renan Calheiros (Senado) correram para consultar
os líderes sobre qual percentual de reajuste deverá ser
colocado a voto na sessão de hoje.
Ontem começaram a ser discutidas as opções: a equiparação
ao teto do Judiciário (R$ 24,5 mil mensais) ou a reposição
da inflação desde o último reajuste (R$ 16,5 mil),
agora a solução mais provável. O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva se limitou a dizer que o debate é bom
para o país, mas os ministros Márcio Thomaz Bastos e Tarso
Genro elogiaram a decisão do Supremo.
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Folha
de São Paulo, 20 de dezembro de 2006
Votação marcada para
hoje deve definir salário
LETÍCIA SANDER, FERNANDA KRAKOVICS
ADRIANO CEOLIN, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Desautorizados pelo Supremo Tribunal Federal, os presidentes
da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e do Senado, Renan
Calheiros (PMDB-AL), devem submeter hoje ao crivo dos plenários
das duas Casas a decisão sobre o reajuste no salário
dos parlamentares. Preocupados com a exposição
pública de uma votação aberta, deputados
e senadores reavaliavam ontem a proposta inicial de equiparar
reajustar os contracheques em 91%, elevando os atuais salários
de R$ 12.847 ao teto dos ministros do STF, de R$ 24,5 mil mensais.
A tendência verificada no final da tarde de ontem era de apenas
repor as perdas com a inflação no período, o que
elevaria o salário para R$ 16,5 mil. " Eu acho que o teto é moralizante,
põe um limite", afirmou Renan, sinalizando que persiste na
defesa da equiparação. "Se esse é o caminho
determinado pelo STF, que as propostas existentes sejam então
submetidas ao plenário", disse Aldo.
Uma definição mais concreta do valor, entretanto, só deve
sair após uma reunião de líderes e integrantes das
Mesas Diretoras das duas Casas, marcada para as 11h de hoje. A cúpula
do Congresso havia decidido na semana passada, por um ato administrativo,
elevar os salários para R$ 24,5 mil. Mas o STF sepultou a possibilidade
de fazer isso por meio de um "atalho", sem votação.
Ao serem obrigados a levar a decisão a plenário, Aldo e
Renan perderam o apoio de líderes que antes eram a favor dos R$
24,5 mil. Apesar de ser um recuo, a decisão do Supremo livrou
os presidentes de assumirem sozinhos o desgaste. Embora pela lei os parlamentares
não precisem definir seus salários até o final do
ano, a intenção é essa, para não sofrer um
novo desgaste no futuro.
Quórum baixo
Mas há uma preocupação com o baixo quórum
no Congresso, às vésperas do Natal. Aldo e Renan começaram
a mobilizar os parlamentares para que estejam em Brasília hoje.
O projeto de decreto legislativo que estabelecerá a remuneração
precisa ser aprovado por maioria simples, na Câmara e no Senado.
Para isso, é necessário um quórum mínimo
de 257 dos 513 deputados e 41 dos 81 senadores.
No Senado, PT e do PDT fecharam questão ontem a favor dos R$ 16,5
mil. Tucanos e pefelistas também defendiam reservadamente essa
saída. " Acho que não tem clima para fixar nesse valor
[R$ 24,5 mil]", disse o senador José Sarney (PMDB-AP), que
se reuniu ontem com Renan e Aldo.
Na Câmara, onde a proposta de equiparação sempre
teve mais apoio, partidos que até ontem defendiam convictos a
elevação para R$ 24,5 mil ficaram em cima do muro, como
o PP e o PR. Já PT, PSOL, PPS e PV se posicionaram formalmente
contra a equiparação. " Na quinta-feira passada, o
argumento de 26 pessoas [dos 29 presentes em reunião da Mesa]
era de que o reajuste era justo, legal e oportuno. E nós fomos
taxados de hipócritas, demagogos e oportunistas. Vai ser muito
pedagógica a mutação de uma reunião a portas
fechadas para uma discussão aberta", disse o deputado Chico
Alencar (PSOL-RJ).
Indefinição
O deputado Ciro Nogueira (PP-PI) resumia ontem o clima de indefinição: "Até ontem,
95% dos deputados ligavam para respaldar a decisão dos R$ 24,5
mil. Mas, na hora de meter a cara, não sei o que vai dar".
A idéia predominante é colocar em plenário um projeto
de decreto fixando o salário em R$ 16,5 mil. Caso haja clima,
o baixo clero -grupo de deputados sem grande expressão política,
mas maioria na Casa- poderá apresentar uma emenda elevando o valor
para R$ 24,5 mil.
A bancada do PT no Senado pretende apresentar uma proposta de emenda
constitucional fixando os R$ 16,5 mil como teto do funcionalismo público,
o que, na prática, reduziria os salários dos ministros
do STF. O tucano Eduardo Gomes (TO) tem uma proposta de aumento escalonado
que elevasse o salário dos parlamentares a R$ 24,5 mil em quatro
anos. Neste período, os vencimentos dos ministros deveriam ficar
congelados. Também se discute a possibilidade de incluir no debate
o corte de verbas extras.
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Folha
de São Paulo, 20 de dezembro de 2006
STF exige que Congresso vote o
aumento
Por unanimidade, Supremo suspende ato administrativo
das Mesas da Câmara e do Senado que deu o aumento de 91%
| Tribunal decide que decreto de 2002 que serviu de base para decisão
já perdeu sua eficácia; Legislativo terá de
votar aumento no plenário
SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O STF (Supremo Tribunal Federal) sepultou ontem a possibilidade
de os parlamentares obterem o aumento salarial de 91% por meio
de uma decisão das Mesas Diretoras que não seja
votada pelos plenários da Câmara e do Senado. Os
ministros declararam, por unanimidade, que deputados e senadores
precisam aprovar um decreto legislativo específico para
elevar o próprio salário. O STF concedeu uma liminar
que impede que o Congresso utilize um antigo decreto, de 2002,
para validar o aumento. Isso obrigou os presidentes da Câmara,
Aldo Rebelo (PC do B-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),
a correrem contra o tempo para tentar aprovar ainda hoje o decreto,
já que o Congresso entra em recesso a partir de sábado.
Duas liminares
O plenário do STF julgou dois pedidos de liminar contra a elevação
salarial. Um foi feito pelo PPS em uma ação direta de inconstitucionalidade,
e o outro foi um mandado de segurança apresentado pelos deputados
federais Carlos Sampaio (PSDB-SP), Fernando Gabeira (PV-RJ) e Raul Jungmann
(PPS-PE). A liminar foi concedida no mandado. Na semana passada, as Mesas
da Câmara e do Senado decidiram, com o aval dos líderes
dos partidos, editar um ato administrativo conjunto aumentando o salário
dos congressistas dos R$ 12.847 atuais para R$ 24.500 -a atual remuneração
dos ministros do STF. O novo valor vigoraria a partir de 1º de fevereiro,
quando começa a nova legislatura.
Para driblar a exigência da Constituição de aprovação
do aumento em plenário, os líderes afirmaram que o ato
administrativo nada mais era do que uma regulamentação
de um decreto legislativo de 2002 (nº 444), esse sim, votado em
plenário, que permitia a equiparação do salário
dos congressistas ao dos ministros do STF. O decreto nunca chegou a ser
aplicado em sua totalidade. Diante da reação negativa da
sociedade civil ao aumento, o STF recebeu as duas ações
anteontem e decidiu julgá-las ontem, o último dia de atividade
antes do recesso do tribunal.
Julgamento
Na ação de inconstitucionalidade, o PPS contestou o decreto
legislativo de 2002. Os ministros disseram que não poderiam julgar
a ação, e decidiram arquivá-la, porque entenderam
que o decreto não tem nenhum efeito jurídico desde 2003.
Isso porque uma mudança na Constituição naquele
ano teria tornado-o inócuo. É como se ele nem existisse
mais. "Esse decreto não tem a menor eficácia no contexto
constitucional", disse o ministro Marco Aurélio.
Mesmo assim, todos os ministros foram unânimes em afirmar que havia
a necessidade de um decreto legislativo específico -ou seja, votação
em plenário- para aprovação de um aumento dos salários
dos parlamentares. "Cabe ao Congresso, por decreto legislativo,
fixar esses subsídios dos deputados e dos senadores, e essa é a
fórmula básica", disse o ministro Gilmar Mendes. Em
seguida, no julgamento do pedido de liminar do mandado de segurança,
os ministros sacramentaram esse entendimento e proibiram a edição
de ato das Mesas com base no decreto legislativo de 2002.
Para os ministros, o aumento precisa ser votado nas duas Casas, porque
essa forma de tramitação permite a participação
da sociedade e a verificação de eventual inexistência
de previsão orçamentária. Eles disseram que essa
exigência está prevista em vários artigos da Constituição
federal.
Lei para o aumento
O relator do mandado de segurança, ministro Ricardo Lewandowski,
lembrou que todo aumento salarial de servidor ou agente público
depende de lei. O decreto legislativo equivaleria a uma lei do Congresso: "O
constituinte pretendeu evitar que alguma categoria apresentasse o cheque
direto na boca do caixa do erário, sem que fosse submetido ao
crivo dos representantes do povo".
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Folha de São Paulo, 20 de dezembro
de 2006
MEIO AMBIENTE:
PF PRENDE SUSPEITOS DE CORTE DE MADEIRA
A Polícia Federal prendeu nove pessoas ontem por exploração
e comercialização ilegal de madeira da Estação
Experimental de São Simão, propriedade do Estado na região
de Ribeirão Preto (SP) ocupada há dez anos por famílias
de sem-terra.
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Folha
de São Paulo, 20 de dezembro de 2006
Diplomação no Paraná termina
em pancadaria
DIMITRI DO VALLE
COLABORAÇÃO PARA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA
A repercussão do aumento de 91% dos parlamentares causou
ontem, em Curitiba, troca de agressões entre manifestantes
e políticos do Paraná. O tumulto ocorreu antes
da cerimônia de diplomação dos eleitos. Houve
protesto contra os aumentos aprovados no Congresso e na Assembléia
Legislativa do Estado. Os políticos eleitos foram surpreendidos
quando chegavam ao teatro Guaíra, no centro de Curitiba.
Mais de 50 policiais militares foram acionados para isolar o
teatro e impedir que a cerimônia fosse invadida pelos manifestantes.
Entoando palavras de ordem, como "Cambada de ladrão, com
nosso dinheiro não", "Mensaleiros" e "Sanguessugas",
pelo menos cem pessoas -entre elas muitos estudantes- fizeram um "corredor
polonês" na porta do teatro, abordando carros que transportavam
eleitos.
Alguns deles, como os deputados estaduais Antônio Anibelli (PMDB)
e Fábio Camargo (PFL) e o federal Marcelo Almeida (PMDB), foram
agredidos: "Isso é falta de educação de pessoas
que não respeitam meus nove mandatos", disse Anibelli. O
deputado federal eleito Reinhold Stephanes (PMDB) agrediu um manifestante
depois de ter sido agredido: "Nunca agredi ninguém. Revidei
porque não aceito agressão física". Stephanes
foi ministro da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso
(1995-2002). Um grupo de manifestantes tentou invadir o Guaíra,
forçando a porta principal, de vidro, mas ele foi contidos por
seguranças e policiais militares armados.
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Folha
de São Paulo, 20 de dezembro de 2006
ELIO GASPARI
Lula 1.2 poderá importar
trabalhadores
A contratação de mão-de-obra
chinesa renasce durante o mandarinato de dois ex-líderes
sindicais metalúrgicos
LUÍS MARINHO, ex-presidente da CUT e atual comissário
do Trabalho de Nosso Guia, recebeu um pedido da siderúrgica
ThyssenKrupp para a contratação de 600 trabalhadores
chineses. Viriam para as obras de construção de
uma usina no distrito industrial de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.
O investimento global da empresa na região vai a US$ 3,4
bilhões, sobre os quais a Viúva aspergirá as
habituais isenções de impostos.
Os operários chineses são parte de um contrato de US$ 425
milhões firmado com o grupo estatal Citic, de Pequim. Ele inclui
a venda de equipamentos e de mão-de-obra. Inicialmente queriam embarcar
para o Rio 4.000 trabalhadores, mas baixou-se para 600, a maioria dos quais,
segundo a Thyssen, seriam engenheiros. Pode ter havido um acordo verbal,
mas ainda não saiu a licença de importação.
A construção de uma usina como a da Thyssen jamais precisará de
mais de 150 engenheiros fazendo serviço de engenheiro. O comissário
Marinho trabalhou na Volkswagen e sabe que em nenhuma fase da história
da fábrica houve em São Bernardo mais de 300 engenheiros
europeus. São 300 os engenheiros que trabalham no quartel-general
do Google.
Duzentos anos depois da primeira de uma série de propostas fracassadas
para a importação de mão-de-obra chinesa, ela renasce
no mandarinato de dois ex-líderes sindicais metalúrgicos.
A mais festejada tentativa de substituição de escravos negros
por assalariados chins deu-se em 1883, quando passou pelo Rio a figura
de Tong King Sing, poderoso mandarim da corte Qing. Usava um rabicho e
fazia-se acompanhar por um secretário negro, americano. Foi admirado
nos melhores salões e fazendas do Vale do Paraíba.
Se os trabalhadores da Citic fossem todos engenheiros, a discussão
seria bonita. A China tem duas vezes mais engenheiros que os Estados Unidos
e eles trabalham por pouco mais de mil dólares mensais (metade do
Bolsa-Ditadura de Nosso Guia). Custam certamente menos que os brasileiros
e não há engenheiros dirigindo táxis em Shangai. Deve-se
admitir que, se trabalhadores desempregados pela indústria de calçados
do Sul do Brasil podem trabalhar na China, é razoável que
a mão-de-obra qualificada da Citic venha ganhar dinheiro em Pindorama.
Essa é a globalização do século 21 e, se os
chineses sabem aproveitá-la, parabéns.
Como não parece provável que a Thyssen esteja a importar
exclusivamente engenheiros, há um estranho cheiro de Tong King Sing
no pedaço. No século 19 os mandarins (e o Mikado japonês)
vendiam seus miseráveis por quatro patacas. No 21, o stalinismo
de mercado chinês exporta mão-de-obra barata em benefício
de um projeto estratégico nacional. Não lhe passa pela cabeça
fazer isso em países verdadeiramente capitalistas, como a Alemanha,
berço da Thyssen e da Krupp.
Seria fácil dizer que os trabalhadores chineses não devem
entrar no Brasil. Foi com parolagens desse tipo que Lula e Marinho chegaram
a Brasília. Faria bem a todo mundo se os chineses colocassem o pleito
numa discussão séria, sem essa de engenheiros. Os empregos
que o investimento da Thyssen criará no Rio justificam a concessão
das isenções tributárias e trabalhistas que ela reivindica?
Pode ser que sim, e nesse caso a patuléia ficará mais bem
informada, convivendo com o baixo custo da mão-de-obra chinesa sempre
que isso interessar a uma siderúrgica alemã. Esse pode ser
o projeto estratégico do comissariado.
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Folha
de São Paulo, 20 de dezembro de 2006
Proposta prevê que trabalhador
poderá usar até 10% do FGTS em novo fundo
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A proposta encaminhada pela área técnica dos ministérios
da Fazenda e do Trabalho ao presidente Luiz Inácio Lula
da Silva prevê que os trabalhadores poderão investir
até 10% do saldo da conta do FGTS (Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço) no novo fundo de infra-estrutura que
será criado. Mas, apesar da autorização
para esse investimento estar prevista no pacote visando estimular
a economia que será anunciado amanhã, a aplicação
efetiva do dinheiro do trabalhador só ocorrerá no
futuro.
Primeiro, o novo fundo passará por uma fase de teste. A idéia é confirmar
que se trata realmente de um investimento rentável e atrativo
antes de envolver os recursos dos trabalhadores. A palavra final será do
presidente. Inicialmente, o ministro Luiz Marinho (Trabalho) defendia
que fosse autorizado aplicar até 20% do total depositado na conta
do FGTS. A equipe econômica, conforme antecipou a Folha, defendia
10%.
R$ 5 bi para deslanchar
A avaliação dos técnicos do governo é que
os R$ 5 bilhões iniciais, que sairão do patrimônio
líquido do FGTS, são suficientes para deslanchar o novo
fundo de investimento. Como as obras levam tempo para dar retorno, os
técnicos sugeriram certa "prudência". Segundo
fontes ouvidas pela Folha, argumentou-se durante as últimas reuniões
que, se o fundo de investimento não precisa do dinheiro do trabalhador
num primeiro momento, era mais recomendável contar com os recursos
apenas no futuro.
Até lá, acredita-se, o fundo terá se confirmado
como uma aplicação rentável e será preciso
mais dinheiro para dar continuidade às operações.
Além disso, não se quer correr o risco do desgaste de envolver
o dinheiro do trabalhador -que deveria servir como uma espécie
de "poupança" para a aposentadoria- numa aplicação
ruim.
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Gazeta
do Povo, 20 de dezembro de 2006
TRABALHO-Poucos assalariados do país
ganham tanto quanto os congressistas
Ganho real de senadores e deputados
seria de 68,6%

Saiba quanto ganham os trabalhadores com
carteira assinada
Curitiba – Quase todas as negociações coletivas de
trabalho realizadas no primeiro semestre deste ano conseguiram reajuste
acima ou igual à inflação, mas em menos de 1% desse
total a recuperação foi 5% maior que o Índice Nacional
de Preços ao Consumidor (INPC), parâmetro de inflação
geralmente usado para calcular as perdas salariais. O número é semelhante
aos acordos realizados desde 2002, último ano em que os parlamentares
do Congresso receberam reajuste. De lá para cá, o INPC ficou
acumulado em 22,10%. Dessa forma, o reajuste de 90,7% que os congressistas
desejam agora representa um aumento real de 68,6%, coisa que poucos trabalhadores
conseguiram no período. Além disso, não são
muitos os assalariados brasileiros que ganham por mês os R$ 24,5
mil pretendidos pelos congressistas.
Acordos coletivos
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese), de janeiro a junho de 2006,
apenas 2 dos 271 acordos coletivos de reajuste salarial conseguiram
ganhos acima de 5% da inflação. Ainda não existem
dados disponíveis relativos às negociações
do segundo semestre. Em 2005, das 640 convenções analisadas,
apenas 1 conseguiu reajuste de 5% ou mais acima do que a inflação,
número idêntico ao resultado de 2004, de um universo de
658 convenções. Em 2003, também apenas uma categoria,
das 149 avaliadas, conquistou ganhos maiores do que 5% acima da inflação
medida em um ano, desde o último reajuste. Se fosse considerado
o acumulado de 22,10% do INPC, o salário dos parlamentares deveria
ser aumentado para R$ 15.686,55.
No balanço das negociações do primeiro semestre
deste ano, que foi o melhor resultado para os trabalhadores em 10 anos
de pesquisa do Dieese, 82% dos assalariados asseguraram reajustes superiores
ao INPC, 14% garantiram um ganho igual à inflação
e somente 4% fizeram acordo com porcentuais insuficientes para recuperar
as perdas acumuladas desde a data-base anterior. A maior parte dos
reajustes, ou 35,4% do total, ficou entre 0,01% e 1% (veja infográfico).
Para o segundo semestre, cujos resultados devem ser fechados no ano
que vem, a expectativa é de reajustes ainda melhores. “Ainda
há muitas negociações em andamento, mas o resultado
deve ser melhor”, diz Sandro Silva, economista do Dieese-PR.
Minoria
Ainda segundo dados do Dieese, relativos a 2005, menos de 0,04% dos
assalariados do Brasil recebem em média R$ 18.465,00 por mês.
Aliás, são poucos os que recebem um salário maior
do que R$ 10 mil. O número não chega a 30 mil do total
de 33,238 milhões de trabalhadores com carteira assinada, enquanto
uma ampla maioria de 13,822 milhões está na faixa dos
que ganham entre R$ 500 e R$ 1.000 de remuneração. Na
base da pirâmide, são quase 5 milhões os brasileiros
que recebem menos de R$ 500. Entre os que têm um salário
maior do que R$ 10 mil, estão magistrados, membros do Ministério
Público, diretores de pesquisa e desenvolvimento, diretores
de operações de serviços em instituição
de intermediação, diretores de comercialização
e marketing e auditores fiscais da Previdência Social. Já entre
os que ganham menos do que R$ 500, figuram garimpeiros, empregados
domésticos, agricultores, carvoeiros, operários, entre
outras dezenas de ocupações. Marco
Sanchotene
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Gazeta
do Povo, 20 de dezembro de 2006
DESEMPENHO-PIB avança só 0,5%,
mas a taxa de investimento é a segunda maior da série
histórica
Terceiro trimestre confirma fraco
crescimento da economia
Rio de Janeiro – O Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas
produzidas por um país) brasileiro totalizou R$ 542,1 bilhões
no terceiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre janeiro e setembro,
o PIB alcançou R$ 1,529 trilhão. Em porcentual, a economia
brasileira registrou expansão de apenas 0,5% no terceiro trimestre
e confirmou um ano de fraco desempenho econômico. No segundo trimestre,
o PIB tinha somado R$ 508,7 bilhões. No terceiro trimestre de 2005,
alcançou R$ 497,3 bilhões. No mês passado, o IBGE publicou
a variação do PIB no terceiro trimestre, de 0,5% ante o segundo
trimestre, e de 3,2% sobre igual trimestre de 2005. No ano até setembro,
o PIB evoluiu 2,5%.
Entre julho e setembro, o consumo das famílias significou
R$ 290,5 bilhões, segundo o IBGE. Os investimentos
representaram R$ 112,4 bilhões e o consumo do governo
somou R$ 105,5 bilhões. Os impostos foram responsáveis
por R$ 56,8 bilhões. Na análise por setores,
a indústria contribuiu com o equivalente a R$ 200,5
bilhões. Já a agropecuária e os serviços
somaram R$ 34,4 bilhões e R$ 275,2 bilhões,
respectivamente.
A taxa de investimento correspondeu a 20,8% do PIB no terceiro trimestre.
Trata-se da segunda maior taxa da série histórica, iniciada
em 1995. A maior foi registrada no terceiro trimestre de 2004 (20,9%).
No mesmo período do ano passado, havia sido de 20,4% do produto
(as comparações são feitas entre terceiros trimestres).
A taxa de investimentos subiu com o efeito do câmbio
que facilita as importações de máquinas
e equipamentos e a taxa de juros em declínio. Segundo
Claudia Dionisio, da Coordenação de Contas
Nacionais, contribuíram também para a expansão
dos investimentos no período o crescimento das operações
de crédito a pessoa jurídica e o crescimento
da construção civil. “São inúmeros
fatores que fazem com que a taxa de investimento esteja acelerando
mais’’, disse. A taxa de poupança também
alcançou o segundo maior patamar da série.
Ela correspondeu a 25,2% do PIB e foi inferior ao terceiro
trimestre de 2004 (25,4%).
Já a taxa de poupança chegou a 25,2% do PIB,
também a segunda maior da série histórica,
menor apenas que o terceiro trimestre de 2004 (25,4%). Em
relação ao terceiro trimestre do ano passado,
houve uma alta de 0,9 ponto porcentual. A capacidade de financiamento
da economia brasileira somou R$ 16,2 bilhões, o que
significa um aumento de R$ 2,8 bilhões em relação
ao terceiro trimestre de 2005. No ano, ela está em
R$ 22,8 bilhões, ainda inferior a R$ 26,5 bilhões
do mesmo período de 2005.
O PIB é a soma dos bens e serviços produzidos
por um país. É formado pela indústria,
agropecuária e serviços. Ele mostra o comportamento
de uma economia. O PIB também pode ser analisado a
partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se
apropriou do que foi produzido. Nesse caso, o PIB é dividido
pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo,
pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas
e pelas exportações.
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Gazeta
do Povo, 20 de dezembro de 2006
ABAIXO DO ESPERADO
Indústria prevê crescimento
de 3,4% em 2007
Brasília – O crescimento da economia em 2007 ficará bem
abaixo do desejado pelo presidente Lula, que é de 5%, ao menos na
previsão divulgada ontem pela Confederação Nacional
da Indústria (CNI). A entidade prevê um aumento do PIB de
3,4% no ano que vem. Para este ano, a projeção foi revisada
de 3,7% para 2,7%.Para a CNI, a taxa de investimento, de cerca de 20%, é baixa
para o país atingir um crescimento maior. Além disso, impedem
o crescimento a valorização do real frente ao dólar
e a expansão do gasto público.
Entrave
“O maior entrave ao crescimento acelerado, contudo,
encontra-se na forte e contínua expansão do gasto
público. Em 2006, o aumento vai ser o dobro do PIB,
sem que o investimento público tenha aumentado’’,
avalia a entidade no documento “Economia Brasileira – Desempenho
e Perspectivas’’.
O ano que vem será marcado pelo crescimento acelerado.
A ausência de transformações estruturais,
que garantiriam o aumento do investimento e maior produtividade,
tornará mais difícil o crescimento expressivo
no curto prazo. A CNI prevê que a indústria terá um
crescimento de 4,2% no próximo ano. A agropecuária
vem em seguida, com 4%. Já o setor de serviços
terá um incremento de 2,4%.
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Gazeta
do Povo, 20 de dezembro de 2006
CRÉDITO
Caixa deve liberar R$ 14 bi para
habitação
A Caixa Econômica Federal vai liberar R$ 14 bilhões para crédito
habitacional em 2007. A previsão é do vice-presidente de
Finanças da Caixa, Fernando Nogueira. Segundo ele, a taxa de juros
em queda, o aumento da massa salarial e do emprego e a inflação
sob controle propiciam um ambiente favorável para o financiamento
para habitação. “A demanda é crescente”,
disse. Neste ano, o financiamento da Caixa para a habitação
somou R$ 14 bilhões. Em 2005, havia sido de R$ 9 bilhões
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/12/2006
TST reconhece incorporação
definitiva de vantagem coletiva
Os pactos firmados entre empregados e empregadores, por meio de acordos
e convenções coletivas de trabalho, devem ser prestigiados
sob pena de violação do texto constitucional. Sob esse
entendimento, manifestado pelo ministro João Batista Brito Pereira
(relator), a Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho deferiu, em sua última
sessão deste ano, embargos em recurso de revista a um ex-empregado
da Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S/A (Enersul). A
decisão reconheceu a validade de acerto que previu, expressamente,
a incorporação definitiva ao contrato de trabalho de
indenização por tempo de serviço em caso de dispensa
sem justa causa.
O julgamento representa importante precedente, onde se reconhece que “a
flexibilização no Direito do Trabalho, fundada na autonomia
coletiva privada, permite a obtenção de benefícios
para empregados e empregadores com concessões mútuas”,
conforme as palavras de Brito Pereira. Também foi mencionada,
pelo relator, que a previsão literal da incorporação
do benefício não permitiria outra interpretação
ao caso.
O vice-presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, frisou,
durante a análise do recurso, que “já é tempo
de pensar no tema de forma mais aberta”. Ao votar com o relator,
disse não ver “nenhuma razão” para, em determinadas
circunstâncias, não dar ultratividade às normas
coletivas quando as partes desejarem. “Há um efeito prático,
tranquilizador, a fim de melhorar as relações de trabalho
nesse País”, sustentou ao admitir vigência superior
ao limite legal de duração (dois anos) dos ajustes coletivos.
Após ter sido dispensado sem justa causa pela Enersul, em novembro
de 1999, o eletricitário ingressou com ação na
primeira instância trabalhista sul-matogrossense. Reivindicou
o pagamento de indenização prevista em acordo coletivo
firmado entre a empresa e o sindicato profissional em 1990. Segundo
a cláusula quarta do acordo, a incorporação do
benefício se deu de forma definitiva aos contratos dos empregados
da empresa.
A cláusula previa que, “nos casos de demissão,
imotivada ou sem justa causa, a Enersul pagará ao empregado
demitido, a título de indenização, em uma única
parcela, no ato da rescisão, uma maior remuneração
percebida pelo empregado nos 12 últimos meses anteriores à rescisão
do contrato de trabalho, por cada ano de serviço do empregado
na empresa, sendo o presente benefício em caráter definitivo,
incorporando-se aos contratos individuais de trabalho dos empregados
como direito adquirido, sem prejuízo aos demais direitos previstos
na legislação vigente”.
O direito do trabalhador foi reconhecido pela primeira instância
mas, em seguida, cancelado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região
(Mato Grosso do Sul). Em busca do restabelecimento da decisão
inicial, o eletricitário ingressou com recurso de revista no
TRT, onde a causa foi distribuída à Primeira Turma, que
decidiu manter a decisão com base na Súmula nº 277
do TST. “As condições de trabalho alcançadas
por força de sentença normativa vigoram no prazo assinado,
não integrando, de forma definitiva, os contratos”, prevê a
jurisprudência.
A maioria dos integrantes da SDI-1, contudo, afastou a incidência
da Súmula. “Não obstante à época
da dispensa não mais vigorar a cláusula coletiva que
previa o pagamento da indenização por tempo de serviço,
esse benefício era assegurado, uma vez que se incorporou ao
contrato de trabalho conforme os termos da norma que o instituiu”,
explicou Brito Pereira ao restabelecer a sentença. (ERR 776678/2001.3)
|
Acidente suspende contrato
de trabalho por prazo determinado
A ocorrência de acidente durante a vigência do contrato
de trabalho por prazo determinado suspende a vigência do contrato,
e a contagem do prazo se reinicia com o término da licença
médica. Esta foi a decisão da Segunda Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, que acompanhou, por unanimidade, o voto do ministro
José Luciano de Castilho Pereira.
A ação foi ajuizada por um cozinheiro, contratado no
dia 6 de dezembro de 1995 pelo Hospital São Lucas da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). O contrato
foi firmado por tempo determinado, devendo vigorar até 19 de
janeiro de 1996, prazo este prorrogável até 4 de março
do mesmo ano.
No dia 9 de janeiro, o empregado escorregou no piso molhado da cozinha,
bateu a cabeça e machucou o pé. Em decorrência
do acidente de trabalho, ficou afastado do emprego, pelo INSS, até o
dia 26 de agosto de 1996, quando obteve alta médica e retornou
ao trabalho. Dois dias depois foi informado de sua demissão,
com data retroativa a 4 de março, época prevista para
o encerramento do contrato temporário.
Em novembro de 1996 o cozinheiro ajuizou a reclamação
trabalhista, pleiteando a declaração de nulidade da dispensa
por encontrar-se em período de estabilidade acidentária.
Requereu a imediata reintegração ao emprego, com salários
vencidos e vincendos pelo período de um ano a contar da data
do término do benefício previdenciário. A empresa,
em contestação, alegou que a dispensa se deu nos moldes
da lei, ao proceder a rescisão contratual com a data em que
expirava o contrato de experiência.
A sentença foi desfavorável ao empregado. Apesar de
constatado o acidente durante a vigência do contrato de trabalho,
a juíza entendeu que a estabilidade provisória é incompatível
com a contratatação por prazo determinado.
O cozinheiro, insatisfeito, recorreu ao Tribunal Regional da 4ª Região
(Rio Grande do Sul), que modificou a sentença. Segundo o acórdão,
o acidente de trabalho sofrido pelo empregado não provocou qualquer
modificação na natureza do contrato de experiência.
O TRT/RS, no entanto, considerou que o acidente suspendeu o contrato
de trabalho em vigor, recomeçando quando da alta hospitalar.
A empresa foi condenada a pagar os salários e demais vantagens
correspondentes aos 54 dias que faltavam para o término do contrato.
O hospital recorreu ao TST. Argumentou que a condenação
ultrapassou os limites do pedido, na medida em que reconheceu a suspensão
do contrato de trabalho, que não foi pleiteada pelo empregado.
O recurso não foi conhecido porque a parte não conseguiu
demonstrar ofensa à lei ou divergência de julgados.
Segundo o relator do processo, ministro José Luciano de Castilho
Pereira, quem pede mais, pede menos. “O Autor pediu a descaracterização
de seu contrato a termo, sua reintegração e estabilidade
provisória. Foi-lhe concedido apenas, e pela metade, os dias
que faltavam para o término do seu contrato. Não há,
pois, qualquer reparo a ser feito na condenação”.
(RR-10085/2002-900-04-00.6)
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