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Agência Câmara, 23 de dezembro de 2006
Comissão aprova projeto que protege
dirigente sindical
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público aprovou na quarta-feira (20) o Projeto de Lei 5710/01,
do deputado Fernando Ferro (PT-PE), que determina o pagamento de indenização
ao trabalhador que for demitido sob alegação de justa causa,
após ter sido eleito para cargo de dirigente sindical. O projeto
acrescenta parágrafo ao artigo 543 da Consolidação
da Leis do Trabalho (CLT). Tanto o relator original, deputado Arnaldo
Faria de Sá (PTB-SP), como a relatora substituta, deputada Laura
Carneiro (PFL-RJ), apresentaram parecer pela aprovação.
Pagamento em dobro
De acordo com o projeto, o empregador que demitir por justa causa empregados
eleitos para cargos de direção sindical deverá pagar
indenização correspondente ao dobro da remuneração
devida, durante todo o período de afastamento, até a reintegração,
ou até o final do período da estabilidade provisória.
"A garantia de emprego ou estabilidade provisória do dirigente
sindical é prevista na Constituição", lembra
Arnaldo Faria de Sá, acrescentando que algumas empresas, para
escapar da obrigação de reconhecer esse direito, alegam
alguma falta grave, com o intuito de coibir as atividades sindicais,
através da rescisão do contrato do empregado sindicalista. "Este
tipo de postura anti-sindical deve ser combatida", resume Arnaldo
Faria de Sá, justificando seu voto favorável ao projeto.
Segundo o autor, Fernando Ferro, o projeto busca assegurar a estabilidade
de até um ano após o fim do mandato sindical, pois, devido à indenização
mais elevada, "a empresa terá de considerar o custo de
atitudes discriminatórias".
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado
pela Comissão de Constituição e Justiça e
de Cidadania.
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Diário Vermelho, 25 de dezembro de
2006
Legislatura bate recorde de trocas
de partido no Congresso
A atual legislatura da Câmara, iniciada em 2003, chega
ao fim como a campeã de parlamentares infiéis. Nestes
quatro anos, trocaram de partido 195 dos 513 deputados - 38% do total.
Esses parlamentares fizeram 345 mudanças partidárias,
segundo levantamento da Secretaria-Geral da Câmara. Na legislatura
anterior (1999-2003), 174 fizeram 281 trocas de legenda.
Na legislatura que termina em fevereiro, houve mais mudanças
no ano seguinte à primeira eleição do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e no ano anterior a sua disputa pela
reeleição. Em 2003, houve 151 trocas, envolvendo 117
deputados. Em 2005, foram 156 mudanças feitas por 94 parlamentares
- uma troca de partido a cada 2,4 dias, em média. Há casos
de deputados que fizeram até sete mudanças de sigla nesta
legislatura. Alguns ficaram apenas um ou dois dias em uma legenda.
A fidelidade partidária, instrumento legal que pune o parlamentar
infiel com a perda de mandato, já está prevista na Lei
dos Partidos Políticos - mas é ignorada. Tornou-se um
dos principais pontos da reforma política. A própria
reforma, apontada como prioridade do Congresso a cada nova legislatura,
não avança.
Os escândalos de corrupção no Congresso provocaram
mudanças pontuais nas regras de campanha, para tentar evitar
o caixa 2, mas não diminuíram as campanhas milionárias.
No troca-troca da 52ª Legislatura, 47 parlamentares dos oposicionistas
PSDB e PFL passaram para partidos governistas. Só em 2003, primeiro
ano da legislatura, 34 transitaram da oposição para a
situação.
Perto da posse
Outro fenômeno da infidelidade partidária retratado nos
números da secretaria-geral da Câmara é a grande
quantidade de mudanças de legenda nos dias que antecedem a posse.
Garantida a eleição, muitos parlamentares trocam de partido
antes mesmo de iniciarem os mandatos. Foi o que aconteceu com 44 deputados
reeleitos e novatos em janeiro de 2003. Outros seis parlamentares trocaram
de partido no dia da posse.
Para o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio
Mello, a Lei dos Partidos Políticos já é clara
o suficiente ao prever a perda "de função ou cargo
que exerça, na respectiva Casa Legislativa, em virtude da proporção
partidária, o parlamentar que deixar o partido sob cuja legenda
tenha sido eleito", como diz o artigo 26. "Acredito que essa
questão está reclamando um pronunciamento do Supremo
Tribunal Federal", diz o ministro, também integrante do
STF.
Para que haja uma decisão do Supremo sobre punição
a parlamentares infiéis, é preciso que seja feita uma
consulta ao tribunal, como aconteceu com a cláusula de barreira. "Para
mim, está claro que, a rigor, o parlamentar não pode
mudar de partido. Uma coisa é surgir uma incompatibilidade.
Outra é a cooptação, sempre condenável",
diz o presidente do TSE. Fonte: O Estado de
S.Paulo
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Diário Vermelho, 24 de dezembro de 2006
Brasil deve passar EUA e liderar produção
mundial de soja
O Brasil caminha para se tornar um dos maiores provedores de alimentos
do mundo, com destaque na produção de grãos e carne.
Segundo o estudo "Projeções do Agronegócio
- Mundial e Brasil", divulgado na última semana pelo Ministério
da Agricultura, em dez anos o país deve ultrapassar os Estados
Unidos na produção de soja, além de consolidar a
liderança internacional na exportação de carnes.
De acordo com o relatório, o Brasil assumirá a maior
fatia do mercado mundial de soja. Até 2017, o país será responsável
por 34% da produção e praticamente metade das exportações
- 46,5%, contra os 27% de produção e 25% de exportações
observados atualmente. A participação dos Estados Unidos,
que hoje ocupam o primeiro lugar na produção (36%) e
nas vendas do grão para o exterior (25,7%), deverá se
reduzir para 30% e 24,5%, respectivamente.
Conforme o estudo, a produção de soja em todo o mundo
alcançará 277 milhões de toneladas na safra 2016/2017.
Isso representa volume 27% maior que o da última safra. No entanto,
o relatório observa que o cultivo do grão se tornará mais
concentrado, com Brasil, Estados Unidos e Argentina representando 85%
do mercado produtor.
Em relação à carne, os prognósticos também
são otimistas, com a produção saltando de 21,7
milhões de toneladas em 2006 para 31,4 milhões em 2017.
O crescimento será impulsionado pelo frango, cujo volume de
produção subirá de 8,9 milhões para 14,6
milhões de toneladas no período, tomando o primeiro lugar
da carne bovina.
Mudanças de hábito
Segundo o relatório, elaborado pela Assessoria de Gestão
Estratégica do Ministério da Agricultura, a mudança
deve ocorrer, entre outros motivos, por causa de mudanças de
hábito de consumo do brasileiro constatadas na última
Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), feita pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "A pesquisa
constatou que, em 30 anos, o brasileiro diversificou a alimentação
e reduziu o consumo de gêneros tradicionais", destaca o
documento.
Quanto ao mercado externo de carne, o estudo prevê que o Brasil
se firme, nos próximos anos, na posição de liderança
nas exportações de carne bovina e de frango. Ainda conforme
o relatório, em 2017 o Brasil ocupará o terceiro lugar
nas exportações de carnes suínas, que serão
encabeçadas pelo Canadá e pela União Européia.
Em 2004, o país se tornou o maior vendedor internacional de
frango. De janeiro a novembro, segundo a Associação Brasileira
de Indústrias Exportadoras de Carne (Abief), o Brasil superou
a Austrália na exportação de carne bovina e deve
encerrar o ano com faturamento de US$ 4 bilhões, recorde para
o setor. Agência Brasil
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Diário Vermelho, 23 de dezembro de 2006
Cinco países latinos crescem mais
de 7% em 2006
Enquanto outros países da América Latina cresceu em média
entre 4% e 6%, Argentina, Cuba, Peru, Uruguai e Venezuela cresceram este
ano acima dos 7%. Cada país teve razões conjunturais distintas
para impulsionar o corescimento de suas economias.
As economias de Argentina, Cuba, Peru, Uruguai e Venezuela cresceram
este ano acima dos 7%, segundo o informe "Visão e Perspectivas
da Economia Internacional e Regional", da Associação
Latino-americana de Integração (Aladi). O estudo, publicado
na edição deste sábado do jornal uruguaio El Observador,
indicou que o Produto Interno Bruto (PIB) dos outros países
crescerá em média entre 4% e 6%.
O organismo reconheceu que o cenário internacional impulsionou
a região, mas advertiu que em 2007 o impacto externo será "menos
favorável que o atual". De todo modo, estimou que as economias
dos países da região continuarão melhorando e
prevê que o conjunto dos sócios da Aladi terá um
crescimento de 4,3%.
Destacou ainda que as exportações globais dos países
da área terminarão 2006 em 630 bilhões de dólares,
o que representa 5,2% do comércio mundial. Fonte:
Agência Estado
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Diário Vermelho, 23 de dezembro de
2006
Com mínimo de R$ 380, ganho
real chega a 30% em quatro anos
A partir de 1º de abril passa a vigorar o novo salário mínimo
de R$ 380. O valor, acordado entre o governo federal e as centrais sindicais,
representa um reajuste de 8,57%, sendo 5,3% de aumento real. O acordo
prevê também uma Política de Valorização
do Salário Mínimo até 2023 com revisões quadrianuais
e antecipação da data-base progressiva até janeiro
no ano de 2010.
Com o novo valor, o ganho real do trabalhador que recebe o mínimo
deve atingir 32,7% na comparação de abril de 2007 com
abril de 2002. Já o aumento nominal do salário mínimo
terá variação positiva de 90%. Ou seja, o mínimo
passou de R$ 200 para R$ 380 (a partir de abril de 2007). Em comparação
com o dólar, o valor que vai vigorar em 2007 será o equivalente
a US$ 176,7 (considerando o câmbio de R$ 2,15). Já em
janeiro de 2003 o mínimo correspondia a 56 dólares.
Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE)
de 2005, dos 87,1 milhões de trabalhadores ocupados, 26,53 milhões
(30,5% do total) recebiam até um salário mínimo.
Na região Nordeste, esse percentual sobe para 48,5%.
Dados da PNAD mostram também que há 152,7 milhões
de pessoas no País em idade ativa. Desse total, 25% (ou 38,2
milhões) têm rendimento de até um salário
mínimo. Somente no Nordeste, o índice é de 38,8%.
O grupo de trabalhadores, em geral, que recebe até um salário
mínimo são os do setor informal, mulheres e os que realizam
serviços domésticos e estão mais concentrados
nas regiões Norte e Nordeste.
Segundo informações do Ministério da Previdência
Social, em outubro de 2006, havia 15,9 milhões de beneficiários
que recebiam exatamente um salário mínimo.
Política de Valorização
Pela Política de Valorização do Salário
Mínimo haverá reajustes progressivos a partir de 2008,
nos quais serão considerados o índice de inflação
mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). As novas regras
prevêem ainda a antecipação gradual da data-base
até que chegue a janeiro, em 2010.
A Política de Valorização será encaminhada
ao Congresso Nacional por meio de projeto de lei e determina ainda
que em 2011, serão negociados novos critérios de correções
do mínimo, com a sua inclusão no Plano Plurianual 2012/2015.
Ainda está longe do ideal
Mas se a recuperação do poder de compra do salário
mínimo é um fato a ser comemorado, não se pode
esquecer que o valor ideal deste salário ainda está muito
longe de ser alcançado.
Segundo levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário
mínimo do trabalhador brasileiro deveria ser de R$ 1.613,08
para suprir suas necessidades básicas e da família.
A constatação foi feita por meio da utilização
da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de novembro, realizada
pela instituição em 16 capitais do Brasil. Com base no
maior valor apurado para a cesta, de R$ 192,01, em Porto Alegre, e
levando em consideração o preceito constitucional que
estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para
garantir as despesas familiares com alimentação, moradia,
saúde, transportes, educação, vestuário,
higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo
deveria ser 4,61 vezes maior que o piso vigente, de R$ 350.
Em outubro, o total necessário ficava em R$ 1.510,00 (4,31
vezes) e, em novembro de 2005, correspondia a R$ 1.551,41, o equivalente
a 5,17 vezes o mínimo daquele período, de R$ 300.
De acordo com o Dieese, depois de sete meses em que a jornada média
necessária para que o trabalhador que ganha salário mínimo
conseguisse adquirir a cesta básica permaneceu abaixo de 100
horas por mês, em novembro o tempo de trabalho necessário
chegou a 100 horas e 29 minutos, como conseqüência das fortes
altas de preços ocorridas no período. Em outubro, para
comprar a cesta básica, o trabalhador que ganha salário
mínimo precisava cumprir uma jornada de 96 horas e 15 minutos
na média das 16 capitais. Em novembro de 2005, o tempo de trabalho
necessário chegava a 115 horas e 3 minutos. Quanto ao comprometimento
do salário mínimo líquido (após o desconto
da parcela referente à Previdência Social), o Dieese destacou
que, apesar da alta, o porcentual necessário para a compra dos
gêneros essenciais, na média das 16 capitais, ainda é inferior
a metade do valor líquido, pois a compra da cesta básica
exigiu, em novembro, 49,46% do rendimento líquido. No mês
anterior, eram necessários 47,37% e, em novembro do ano passado,
eram comprometidos, em média, 56,63%.
Da redação,
com agências
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Folha de São Paulo, 23 de dezembro de 2006
Congresso eleva gastos no Orçamento
2007
Projeto aprovado ontem mantém
trajetória de expansão de despesas com pessoal,
custeio e programas sociais no próximo ano
Governo terá pouca margem para reduzir gasto
corrente; oposição chama Orçamento de "peça
de ficção", mas não dificulta sua aprovação
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Congresso Nacional aprovou ontem o Orçamento de 2007. Na
prática, ele adia para 2008 os planos do governo de segurar
a escalada de suas despesas permanentes para ampliar os investimentos
em infra-estrutura.
O anúncio do pacote para estimular o crescimento foi adiado para
o início do ano que vem, mas os parlamentares preferiram não
esperar pelos planos do Executivo. Por isso, e pior para o pacote, as únicas
certezas do Orçamento são a expansão dos gastos
com pessoal, custeio e programas sociais -e, conseqüentemente, da
carga tributária. O Orçamento prevê gastos de R$
462 bilhões e arrecadação de R$ 616 bilhões
em 2007. A receita líquida, já descontados repasses a Estados
e municípios, é de R$ 512 bilhões.
A previsão para 2006 é de R$ 412 bilhões de gastos
e R$ 550 bilhões de arrecadação.
Essas despesas, chamadas de correntes no jargão tecnocrático,
chegam a 19,2% do PIB no texto, com um crescimento de 0,3 ponto percentual
devido ao recém-anunciado reajuste do salário mínimo
para R$ 380. Como a margem para cortes desse tipo de gasto é pequena,
tornou-se virtualmente impossível evitar um aumento em relação
aos cerca de 18% do PIB estimados para 2006.
No ano passado, os ministérios da Fazenda e do Planejamento tentaram
criar um teto de 17% do PIB para as despesas correntes, mas a regra foi
atropelada pelos reajustes do salário mínimo e do funcionalismo.
Nesse cenário, a prometida ampliação dos investimentos
públicos no próximo ano está praticamente condicionada
ao afrouxamento da política fiscal -previsto, aliás, tanto
no projeto original da equipe econômica quanto na lei aprovada
pelo Congresso.
Em ambos, a meta federal de superávit primário (economia
destinada ao abatimento da dívida pública) cai dos tradicionais
2,45% para 2,25% do PIB. A diferença é que o Legislativo
elevou a previsão de investimentos de R$ 16 bilhões (0,7%
do PIB) para R$ 27 bilhões (1,2%), mas, para isso, teve de recorrer
a uma incerta previsão de arrecadação maior.
Mesmo que se confirme a receita calculada pelo Congresso, a elevação
de investimentos promovida na lei orçamentária não
serve aos propósitos do governo. Na grande maioria dos casos,
são obras e compras de equipamentos de pouca importância
econômica, destinadas basicamente a atender as bases eleitorais
de parlamentares.
Tais despesas serão alvos certos do bloqueio de gastos que o Executivo
tradicionalmente promove no início do ano. Nos meses seguintes,
a liberação do dinheiro será usada como moeda nas
negociações com o Congresso. Medidas em percentuais do
PIB, as despesas correntes tendem a ser ainda maiores que o previsto
no Orçamento -é que, nos cálculos, foi usada uma
estimativa de crescimento de 4,75%, muito acima dos 3,5% esperados pelo
mercado.
O otimismo da projeção oficial levou o líder do
PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), a acusar o Orçamento de "peça
de ficção". A oposição, porém,
não criou nenhuma dificuldade para a aprovação do
texto.
Como havia acordo entre todos os líderes partidários, a
votação foi simbólica, ou seja, sem contagem nominal
de votos. Também não foi questionado o quórum, embora
claramente não estivesse presente a maioria dos deputados e senadores
-o número contabilizado foi de sessão que não havia
sido formalmente encerrada.
A boa vontade geral contrastou com as dificuldades enfrentadas pelo Orçamento
de 2006, só aprovado em abril deste ano. Passadas as tensões
das disputas eleitorais, também contribuiu para a pontualidade
do Legislativo a pressão dos parlamentares não reeleitos,
que queriam garantir a inclusão de suas obras na lei orçamentária.
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Folha de São Paulo, 23 de dezembro de 2006
Relação dívida/PIB
deve ficar em 50,2%
Projeção do Banco Central é para
o final de 2006; no início do governo Lula, dívida
pública equivalia a 55,5% do PIB | Segundo o Banco
Central, relação deve chegar a 49,3% no final
de 2007, ajudada por expectativa de nova redução
da taxa de juros
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Mesmo com os elevados juros no Brasil, a relação entre
dívida pública e PIB deve apresentar queda pelo terceiro
ano seguido em 2006. No mês passado, o endividamento total de
União, Estados, municípios e estatais havia chegado a
R$ 1,047 trilhão, o equivalente a 49,3% do PIB -o nível
mais baixo desde janeiro de 2001.
A relação entre dívida e PIB é um dos indicadores
da capacidade de um governo em honrar seus compromissos. Em tese, países
em que essa proporção é muito alta têm mais
dificuldade em arrecadar dinheiro suficiente para pagar suas obrigações
em dia. Quando se analisa o comportamento da dívida nos quatro
anos de governo Lula, observa-se que a deterioração das
contas públicas observado no final de 2002 acabou se revertendo
um pouco. Em dezembro daquele ano, a dívida líquida do
setor público estava em 55,5% do PIB. Segundo o Banco Central,
deve fechar 2006 em 50,2%.
Na ocasião, as contas públicas ainda sofriam com os efeitos
da crise enfrentada pelo país nos meses que antecederam as eleições.
Quase 40% do endividamento do governo era corrigido pelo câmbio,
e a disparada do dólar provocou um forte aumento na dívida.
A alta dos juros promovida pelo BC entre o final de 2002 e o início
de 2003 ajudou a piorar ainda mais a situação fiscal. O
chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, diz que a
expectativa é que a recente redução da taxa Selic
colabore para uma redução gradual da relação
entre dívida e PIB de agora em diante.
O aumento esperado entre novembro e dezembro se explica pelo fato de,
no final do ano, o governo registrar déficit nas suas contas,
devido, principalmente, ao pagamento do 13º salário aos servidores
públicos e aos pensionistas do INSS. Lopes diz que, até o
final de 2007, a relação dívida/PIB deve chegar
a 49,3%, também por conta da expectativa de queda da taxa Selic. "Os
números já mostram o efeito da descompressão da
política monetária sobre a dívida pública."
Esse efeito só não é maior por causa da maior emissão,
feita pelo Tesouro Nacional, de títulos públicos prefixados.
Esses papéis respondiam por 1,5% da dívida pública
em dezembro de 2002, mas, em novembro, já havia subido para 36,9%.
Isso significa que, mesmo que a taxa Selic caia, os juros pagos pelos
títulos prefixados não mudam. É preciso esperar
que eles vençam para serem trocados por taxas mais baixas.
Esse assunto chegou a ser tratado por um estudo publicado nesta semana
pelo BC, em que se reconhece o efeito negativo que, no curto prazo, a
emissão de títulos prefixados tem sobre a dívida
pública. Por outro lado, o documento ressalta que o lançamento
desses papéis ajuda a reduzir a volatilidade do endividamento
-ou seja, as contas do governo passam a ser menos afetadas no caso de
uma subida repentina da Selic.
" Além disso, a própria mudança no perfil estrutural
da dívida contribui para a redução das taxas de juros cobradas
sobre os títulos públicos", avalia o documento. Ou seja, as
maiores emissões de papéis prefixados ajudariam a aumentar a credibilidade
do governo no mercado, que, em troca, passaria a cobrar juros mais baixos.
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Folha de São Paulo, 24 de dezembro de 2006
Desde 2001, crescimento favorece
pobres
Rendimento de famílias de
classes mais baixas aumentou mesmo durante períodos
de estagnação, diz estudo da FGV e da ONU |
Movimento teve como impulso a alta dos gastos sociais, mas,
a partir de 2004, emprego também favoreceu baixa renda
MARCELO BILLI
DA REPORTAGEM LOCAL
O crescimento econômico brasileiro continua anêmico, mas
há uma parcela da população para a qual a renda
cresceu a taxas muito superiores às da economia. Ao contrário
dos anos 70 e até 80, quando o Brasil crescia ou se estagnava
concentrando riqueza, os anos 2000 inauguraram um período de
crescimento "pró-pobres". Entre 2001 e 2004, a renda
dos mais pobres cresceu a um ritmo muito superior ao da renda per capita,
tendência que se repete em 2005 e, provavelmente, neste ano.
O economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV,
calculou, junto com os economistas Nanak Kakwani e Hyun H. Son, das Nações
Unidas, as taxas de crescimento que refletem a evolução
da renda dos mais pobres. Os números mostram que, apesar do desempenho
decepcionante da economia, a população de baixa renda obteve,
em período de relativa estagnação, o que Neri chama
de "experimento de crescimento chinês".
Entre 2001 e 2004, mostra o estudo, a taxa de crescimento da renda per
capita "pró-pobre", ou seja, aquela que reflete os ganhos
da população de baixa renda, foi, em média, de 3,1%
ao ano. No mesmo período, a renda per capita caiu a um ritmo de
1,35% ao ano. A contradição entre o desempenho ruim do
ponto de vista econômico e o bom desempenho do ponto de vista social é explicada
pelo fato de, mesmo em período em que a economia patinou, o governo
ter destinado mais recursos aos programas de combate à pobreza
-que, na prática, aumentam a renda dos mais pobres.
Os números podem ser olhados de outra maneira também: eles
refletem a queda na desigualdade de renda brasileira, já que os
pobres conseguiram, ainda que timidamente, reduzir o abismo que os separa
dos mais ricos. Neri ainda faz as contas para os anos de 2005 e 2006.
Ele avalia que a melhora de distribuição de renda ocorreu,
mas em velocidade menor do que a de, por exemplo, 2004. Em 2005, lembra
ele, a renda dos mais pobres cresceu 8,5%, contra 6% da renda média.
"Ano espetacular"
Já é um ganho. Mas um ganho que empalidece quando a comparação é com
2004. Naquele ano, em que a economia cresceu 4,9%, a taxa de crescimento
da renda per capita para os mais pobres, estimada por Neri, foi de nada
menos do que 14,1%, enquanto a renda per capita média cresceu
3,6%. "2004 é o grande ano da queda da desigualdade no Brasil,
um ano espetacular", diz o economista.
A pesquisa mostra o quanto o gasto social tem sido importante para a
redução da desigualdade e a melhoria das condições
de vida dos mais pobres, mas sugere também que nada melhor do
que o crescimento econômico para ajudá-los. Em 2004, uma
conjunção de fatores "pró-pobres" contribuiu
para a redução da desigualdade. O aumento dos gastos sociais,
presente em todo o período, ajudou, mas em 2004 a estrela foi
mesmo o mercado de trabalho: o aumento do emprego e da renda beneficiou
proporcionalmente os mais pobres. "O desempenho é muito puxado
pela renda do trabalho. O que é muito importante, porque é algo
que não acontecia."
Aliás, o ano de 2004, quando a recuperação do mercado
de trabalho beneficiou muito os pobres, foi inédito não
apenas pelo fato de o Brasil ter crescido mais que a média dos últimos
anos, mas também por ter crescido e desconcentrado riqueza. Ficou
famosa no Brasil a tese de que "o bolo precisa crescer para ser
dividido", frase de Delfim Netto, que, de alguma maneira, tentava
justificar o fato de, nos anos 70, com forte crescimento, o Brasil ter
passado também por processo de forte concentração
de riqueza.
Crescimento, dizem os economistas, leva à concentração,
a não ser que o Estado aja de maneira a torná-lo mais justo.
Ainda há dúvidas se esse é o caso do Brasil e sobre
o que ocorrerá quando e se o país voltar à rota
do crescimento. Mas os resultados de 2004 parecem sugerir que não é impossível,
no caso da economia brasileira, conseguir crescer e, ao mesmo tempo,
repartir melhor a riqueza, mostra o estudo.
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Folha de São Paulo, 25 de dezembro de 2006
Palocci, Genoino e Alckmin darão
cursos em 2007
MICHELE OLIVEIRA
DA REDAÇÃO
"Por que a economia brasileira não cresce a índices
mais elevados?" Se a pergunta que inicia a sinopse de um
dos cursos do ano que vem da Casa do Saber for a dúvida
do leitor, ele poderá tentar tirá-la diretamente
com um dos principais envolvidos no tema, o ex-ministro Antonio
Palocci. Petista que esteve no comando da economia do país
entre 2003 e 2006, período em que o Brasil registrou baixas
taxas de crescimento, ele foi chamado pela instituição
para falar do assunto em fevereiro.
E quem seria o professor mais indicado para discutir o sistema político-eleitoral
brasileiro e a "quase" impossibilidade de "formar uma
maioria parlamentar suficiente para dar sustentação sólida" ao
governo? Para a Casa do Saber, é o deputado federal eleito José Genoino,
ex-presidente do PT envolvido com o caso do mensalão, que foi
a distribuição de dinheiro para parlamentares da base aliada
do governo Lula.
A lista de cursos do ano que vem ainda inclui três palestras do
ex-governador Geraldo Alckmin -presidenciável derrotado na última
eleição- sobre a disputa recente com o eleito Luiz Inácio
Lula da Silva e sobre sua experiência administrativa. Parece contraditório
chamar esses três políticos para falar de temas em que,
digamos, não se saíram tão bem assim? Para Mario
Vitor Santos, diretor-executivo da Casa do Saber, não é. "Pessoas
que tenham tido experiência direta com algumas situações
têm certamente algo a transmitir", diz Santos.
Esse será o desafio de Palocci, que tentará explicar por
que o "o Brasil vem crescendo modestamente", como consta da
programação do curso. Em 2005, quando ele chefiava a Fazenda,
o PIB cresceu 2,3%, taxa somente superior à do Haiti em toda a
América Latina. Já Genoino, denunciado pelo procurador-geral
da República como um dos comandantes de uma "organização
criminosa", como está no inquérito do mensalão,
vai abordar um "problema sério" do sistema político-eleitoral.
Diz a programação: "O vitorioso [o presidente] vê-se
obrigado a procurar essa maioria [parlamentar] com outros partidos, o
que muitas vezes implica negociações fisiológicas
no Congresso". Se ele vai mencionar o mensalão ou não,
o diretor da Casa do Saber não pode responder. "A nós
interessa a experiência que eles tiveram. Não estamos fazendo
nenhum julgamento", afirma. Santos diz que os temas foram elaborados
juntamente com os palestrantes.
Alckmin, por sua vez, vai contar dos "principais temas que cercaram
seu governo e a campanha para presidente". O ex-governador promete
revelar bastidores da eleição em que saiu derrotado depois
de levar a disputa para o segundo turno. Os cursos acontecem entre fevereiro
e março e custam a partir de R$ 100. Mais informações
no site www.casadosaber.com.br
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Folha de São Paulo, 25 de dezembro de 2006
Brasil avança posições
em "IDH ambiental'
Índice criado por pesquisadores
do BNDES une ranking da ONU ao de sustentabilidade; país
passa de 54º para 39º
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Se fossem consideradas as dimensões ambiental e do desenvolvimento
sustentável na elaboração do IDH (Índice
de Desenvolvimento Humano) da ONU, o Brasil galgaria algumas
posições no ranking: passaria da 54ª para
a 39ª colocação. É o que releva estudo
inédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social) obtido pela Folha.
Elaborado pelos pesquisadores Ana Raquel Martins, Fernando Toledo Ferraz
e Marcio Macedo da Costa, o trabalho incorporou ao tradicional IDH do
Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento),
pesquisado desde 1990, os resultados do ISA (Índice de Sustentabilidade
Ambiental), desenvolvido por professores das universidades norte-americanas
de Columbia e Yale.
A partir dessa fusão, o índice criado pelos pesquisadores
do BNDES passou a considerar as variáveis já contempladas
pelo IDH (renda, educação e longevidade) e as do ISA, como
a questão ambiental e de sustentabilidade. Foram atribuídos
os mesmos pesos às quatros dimensões.
O bom desempenho do Brasil no ISA -11ª posição- explica
o resultado relativamente melhor no índice dos pesquisadores brasileiros.
As posições, porém, não são as mesmas
dos rankings originais. É que, para realizar o estudo, foi necessário
harmonizar o grupo de países, excluindo os que não faziam
parte das duas listas.
Assim como no IDH, os países escandinavos estão no topo
do ranking das nações com melhor índice "híbrido" de
desenvolvimento humano. A primeira posição ficou com a
Noruega, seguida por Finlândia, Suécia e Islândia.
No novo ranking, a posição dos EUA passou da 8ª no
IDH original para a 15ª na versão elaborada pelos brasileiros.
" De modo geral, quando a questão da sustentabilidade é incluída,
economias maiores, que demandam energia e recursos naturais, são um pouco
penalizadas", disse Costa. De acordo com ele, os bons resultados do Brasil
na redução da poluição, na defesa dos interesses
globais e na disponibilidade de água fizeram o país obter uma boa
colocação no ISA e, logo, na nova pesquisa.
Para Costa, o exercício de incluir o ISA como mais uma dimensão
do IDH teve como meta complementar o índice do Pnud, que mensura
indiretamente a questão do desenvolvimento sustentável
ao pesquisar longevidade e renda. Com isso, países como Brasil,
Argentina, Uruguai, Bolívia, Costa Rica e Eslovênia sobem
no ranking. Já nações ricas, como EUA, Japão
e Reino Unido, perdem posições.
" A existência de grande biodiversidade e de grandes áreas
florestais é uma vantagem desses países, além do fato de
o ar e a água ainda não estarem tão comprometidos. Os dados
mostram que esses países têm uma perspectiva no futuro, advinda
dessas vantagens ambientais", afirma Costa. No caso brasileiro, o avanço
do IDH nos últimos anos se deve mais à melhora dos indicadores
de educação e esperança de vida do que em razão do
crescimento da renda.
No topo da lista
No topo do ranking do índice híbrido, estão países
que, além do reconhecido mérito em questões de bem-estar
e qualidade de vida, possuem políticas focadas na eficiência
do sistema produtivo, tecnologias limpas e produção orientada
para o menor impacto ambiental. Além disso, países como
os do norte da Europa, Suíça, Canadá, Nova Zelândia
e Austrália têm grande participação do setor
de serviços na economia e políticas de preservação
do ambiente.
No ranking do IDH, que nasceu da tese de mestrado da técnica do
BNDES Ana Raquel Martins, a China caiu de posição por causa
dos problemas ambientais que eclodiram com a atual fase de expansão
econômica. O país passa da 71ª posição
no IDH original para a 76ª no novo índice.
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Folha de São Paulo, 26 de dezembro
de 2006
Empresas elevam investimento em 2007
Enquete do Ciesp em novembro com 590 indústrias
de SP mostra que 31% pretendem investir mais, ante 6% há um
ano | Perspectiva positiva reflete sinalização do presidente
Lula de que serão tomadas medidas para elevar taxas de crescimento
do país
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
O discurso pós-segundo turno do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva de que o governo vai trabalhar mais para o crescimento
do Brasil elevou as perspectivas de investimentos dos empresários
para 2007. Consulta feita pelo Ciesp (Centro das Indústrias
do Estado de São Paulo) em novembro com 590 empresas paulistas
mostra que 31% delas pretendem elevar os investimentos no ano que
vem. Há um ano, esse percentual era de apenas 6%.
Para 47% das empresas, os investimentos serão mantidos em 2007,
e, para 10%, diminuídos. No levantamento feito em novembro do
ano passado, esses percentuais eram de 39% e 36%, respectivamente. A
perspectiva de investir mais, segundo economistas e representantes de
associações de indústrias, é reflexo, principalmente,
de declarações pós-eleições do presidente
Lula de que o país deve crescer 5% em 2007 -hoje o governo já trabalha
com um percentual mais próximo de 4%- e que haverá medidas
para estimular o consumo e os investimentos.
" Os empresários vivem de sonho e de crédito. E tudo indica
que o governo optou pelo crescimento em 2007. Se isso vai se concretizar ou não,
vamos saber mais para a frente, mas a indicação do presidente Lula
trouxe esperança de expansão do país", diz Claudio
Vaz, presidente do Ciesp.
Os investimentos previstos para 2007 têm como foco o mercado interno.
Aumentar e defender participação no mercado doméstico
aparecem como as principais prioridades de investimentos no ano que vem,
seguidas de melhora na qualidade das mercadorias, lançamentos
e expansão de presença no mercado internacional.
Os empresários pretendem investir mais em 2007 porque prevêem
aumento do consumo doméstico, redução da taxa básica
de juros da economia, a Selic, inflação sob controle, desvalorização,
ainda que tímida, do real e manutenção da oferta
de crédito ao consumidor.
Aquecido
O levantamento do Ciesp constatou que o aquecimento do mercado doméstico
foi apontado por 32% das empresas consultadas como a principal oportunidade
para 2007. Há um ano, só 10% das empresas viam o consumo
interno como oportunidade para 2006. " Houve mobilização
para o crescimento a partir das declarações do presidente
Lula. Isso está refletido na consulta feita às empresas.
Mas, se analisarmos os dados da economia tal como eles estão hoje,
e não como podem vir a ser, não há evidências,
mantidos os atuais parâmetros, de que a atividade econômica
vá se alterar no ano que vem", afirma Edgard Pereira, economista-chefe
do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).
No levantamento feito pelo Ciesp, as empresas citam também os
riscos que devem enfrentar em 2007. Falta de demanda, principalmente
de produtos que mais concorrem com os importados, disputa com produtos
chineses e manutenção da taxa de câmbio no patamar
atual aparecem como os principais entraves ao crescimento da economia
brasileira.
" E factível o país crescer até 5%, como gostaria o
presidente Lula. Em 2004, o país cresceu 4,9%. Mas crescer a essa taxa
de forma permanente é que é muito difícil. Isso só é possível
com uma taxa superior de investimentos", diz Pereira. Essa taxa sobre o
PIB (Produto Interno Bruto) é de 20%. Na sua avaliação,
precisaria subir para 25%.
A expectativa dos empresários é que o governo aumente os
investimentos em infra-estrutura, como em estradas, e que isso puxe também
investimentos no setor privado. "O empresário está otimista
porque há consenso de que é preciso destravar a economia
e que algo será feito para solucionar o problema da falta de crescimento
do país", diz Newton Melo, presidente da Abimaq, associação
que reúne os fabricantes de máquinas.
Se a economia continuar como está, na avaliação
de Melo, o faturamento real da indústria de máquinas deve
crescer 0,7%, e o emprego, cair 1% no setor em 2007 sobre 2006. Isso
se o dólar ficar entre R$ 2,15 e R$ 2,25, a Selic, em 12% no final
de 2007, e não houver alteração na carga tributária
brasileira. Uma das principais preocupações dos empresários
para o ano que vem é enfrentar a concorrência com as mercadorias
importadas, especialmente da China. A indústria de embalagens,
considerada termômetro da atividade econômica, identifica
substituição de produtos nacionais por estrangeiros em
vários setores da indústria.
" O consumo está descolado da produção. Nós
do setor de embalagens temos observado que os produtos vêm de fora já embalados
nos setores de brinquedos, têxtil, eletroeletrônico e de alimentos.
Se a taxa de câmbio se mantiver do jeito que está, a demanda será cada
vez mais suprida com produção de fora do país", diz
Paulo Peres, presidente da ABPO, que reúne os fabricantes de papelão
para embalagens. "E o pior é que as exportações também
perdem fôlego. Isto é, há menos venda no país e lá fora."
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