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Agência Diap, 28 de dezembro de 2006
Meio ambiente aprova novos parâmetros
para produção de cal
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
aprovou, na quarta-feira (20), o Projeto de Lei 7374/06, do Senado, que
estabelece procedimentos básicos e parâmetros mínimos
para a produção de cal. O objetivo principal da proposta é reduzir
a emissão de componentes tóxicos, principalmente dioxinas
e furanos. O relator da matéria, deputado Hamilton Casara (PSDB-RO),
explica que essas substâncias podem causar câncer.
De acordo com o projeto de lei, a construção ou ampliação
e o funcionamento de estabelecimentos destinados à extração
de rocha calcária e à produção de cal passam
a depender de licenciamento prévio dos órgãos
ambientais. A calcinação da rocha calcária para
produção de cal virgem deverá ser feita em fornos
industriais que possibilitem o controle e o registro da queima de combustíveis.
O relator acredita, no entanto, que haverá dificuldades para
se cumprir essa exigência. "Há centenas de pequenos
produtores de cal espalhados pelo Brasil e esse equipamento tem custo
muito alto", explicou Casara.
Combustíveis
A proposta especifica que os tipos de combustíveis a serem utilizados
na produção de cal são óleos, carvão
mineral ou vegetal, coque de petróleo e gás natural. A
modalidade escolhida deverá ter origem certificada. Conforme explica
Hamilton Casara, essa medida é fundamental. Ele lembrou que em
1997 ocorreram casos de contaminação por dioxinas no leite
de vaca na Alemanha. "As investigações concluíram
que sua origem estava na ração importada do Brasil",
disse. Segundo o deputado, constatou-se que o elemento contaminante era
a cal utilizada na secagem da ração. A cal, por sua vez,
havia sido contaminada pelos combustíveis utilizados em sua produção,
como pneus, lixo plástico e combustíveis alternativos que
continham cloro.
Em decorrência desse fato, que teria acarretado prejuízos
da ordem de 100 milhões de dólares (R$ 2,1 bilhões)
ao Brasil, o governo estabeleceu parâmetros técnicos para
utilização de cal na produção de ração
animal. "Mas tais limites não se aplicam a diversas outras
indústrias, como a alimentícia, a farmacêutica
e a da construção civil, além do setor sucroalcooleiro",
acrescenta Hamilton Casara.
Monitoramento
O projeto exige ainda que as empresas produtoras de cal criem planos
de monitoramento de emissões atmosféricas. Para isso, deve-se
fazer a coleta diária de amostras da cal produzida e preparo de
amostras compostas a serem analisadas a cada três meses. O limite
máximo de dioxinas e furanos não poderá ultrapassar
500 picogramas por quilo.
O projeto também prevê preferência a linhas oficiais
de crédito para empresas que empregarem tecnologias que protejam
o meio ambiente e a saúde do trabalhador.
Tramitação
Em regime de prioridade, o projeto tramita em caráter conclusivo.
Será examinado ainda pelas comissões de Minas e Energia;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Nova Central, 28 de dezembro de 2006
Taxa de juros bancários diminuem
em ritmo inferior ao da Taxa Selic
A taxa média de juros cobrada mensalmente dos consumidores nas
operações de empréstimo e na utilização
do cheque especial diminuíram em 2006, mas em ritmo bem inferior à Selic,
a taxa de referência da economia.
Levantamento feito pela Fundação Procon-SP mostra que
o juro mensal médio dos empréstimos recuou apenas 0,03
ponto percentual entre 2005 e 2006, passando de 5,39% para 5,36% ao
mês. No caso das taxas aplicadas ao uso do cheque especial, a
queda foi de 0,05 ponto percentual, de 8,25% para 8,20% ao mês.
No mesmo período, a taxa Selic recuou de 18% para 13,25% ao
ano --uma queda de 4,75 pontos percentuais.
Mensalizada, a Selic passou de 1,39%, em janeiro, para 1,04% em dezembro
--baixa de 0,34 ponto percentual.
O Procon afirma que o nível de inadimplência foi o principal
argumento das instituições financeiras para não
diminuir substancialmente suas taxas.
"Especialmente no varejo, o nível de endividamento do
consumidor deu um salto no primeiro trimestre, em razão do crédito
farto e das despesas típicas de Natal e início do ano",
informou.
Para o Procon, apesar de os juros terem recuado neste ano, a palavra
de ordem ainda é cautela.
"Ao longo de todo este ano, procurou-se alertar o consumidor
para a necessidade de planejar seu orçamento com critério,
recorrendo ao crédito somente em casos de real necessidade,
comparando custo-benefício e, finalmente, evitar a inadimplência.
O alerta deverá se manter para o próximo ano."
O levantamento do Procon envolveu dez instituições financeiras:
HSBC, Banespa, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal,
Itaú, Santander, Nossa Caixa, Banco Real e Unibanco.
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Nova Central, 28 de dezembro de 2006
Bancos de todo o País não
abrirão na sexta-feira (29)
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que
os bancos de todo o País não abrirão na próxima
sexta-feira, dia 29, último dia útil de 2006.
A entidade informa que as contas de consumo (água, luz, telefone,
gás e TV a cabo, por exemplo) poderão ser pagas normalmente
até o dia 2 de janeiro, sem incidência de multa.
A Febraban explicou ainda que os tributos - tanto federais, estaduais
como municipais - já estão com a data ajustada pelo calendário
de feriados.
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Diário Vermelho, 28
de dezembro de 2006
Após conversa com Lula,
PT já admite possibilidade de apoiar Aldo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com a comissão
política do PT e voltou a pedir que os petistas trabalhem com
os outros partidos da base governista para que os aliados tenham um só candidato à presidência
da Câmara. O líder do partido na Câmara, Henrique
Fontana, reconhece a possibilidade de apoiar Aldo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a pedir que o
PT trabalhe com os outros partidos da base governista para que os aliados
tenham um só candidato à presidência da Câmara.
O partido, que lançou o líder do governo deputado Arlindo
Chinaglia (SP), acredita ser possível chegar a um acordo até a
segunda semana de janeiro.
“O presidente pediu que os líderes e os presidentes dos
partidos realizem esse debate. Nós precisamos pensar em um método
de avaliação interna para se ter um só candidato”,
afirmou o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS),
após o encontro de Lula com a comissão política
do partido.
Fontana voltou a afirmar que não há intransigência
em relação ao nome de Chinaglia e reconheceu novamente
a possibilidade de o candidato ser o atual presidente da Câmara,
Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
Para o petista, a corrida pelo terceiro cargo da república
está desvinculado da reforma ministerial a ser elaborada pelo
presidente a partir do final de janeiro. Durante o encontro, o PT reafirmou
ao presidente que não aceita perder espaço estratégico
na próxima administração.
“Queremos um papel estratégico igual ou maior no próximo
governo, mas essa conta não é aritmética”,
disse Fontana. O PT possui o comando de 16 ministérios, dos
quais apenas a Previdência entrou na lista de reivindicação
de alguma das outras nove legendas aliadas do presidente.
O PT admitiria perder alguns ministérios para aliados desde
que mantenha o controle do programa Bolsa Família, atualmente
coordenado pelo Ministério de Desenvolvimento Social, dite os
rumos da Educação, continue no comando do núcleo
de governo dentro do Palácio do Planalto, e seja soberano na
equipe econômica. Além disso, o partido deseja retomar
o controle da pasta de Cidades, que está com o PP.
A comissão política do PT é formada pelo presidente
interino Marco Aurélio Garcia, os vice-presidentes Maria do
Rosário e Jilmar Tatto, o tesoureiro Paulo Ferreira, o secretário-geral-adjunto,
Joaquim Soriano, além dos secretários de relações
exteriores, Valter Pomar, de movimentos populares, Renato Simões
e de cultura, Glauber Piva.
Compareceram à reunião além de Fontana os ministros
Tarso Genro (Relações Institucionais) e Luiz Dulci (Secretaria
Geral).
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Diário Vermelho, 28 de dezembro de
2006
Emprego industrial mantém
tendência de migrar para o interior
O modelo de crescimento econômico brasileiro seguiu a receita de
primeiro fazer crescer o bolo para depois dividir. Deixando de lado as
inúmeras conseqüências danosas, interessa aqui falar
de apenas uma delas: a concentração do emprego industrial
nas grandes áreas urbanas, principalmente nas capitais.
Tempos atrás, restava ao jovem que investia numa formação
superior ou num curso técnico colocar o canudo embaixo braço
e bater perna atrás de uma boa colocação em cidades
como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife ou Belo Horizonte.
A crise econômica dos anos 80 começou a mudar o cenário.
Em busca de custos menores, muitas empresas fizeram as malas de olho
nas cidades do interior. Uma nova onda veio fortalecer essa tendência
nos anos 90, com a germinação do que viria a ser a explosão
do agronegócio.
Resultado: o emprego industrial consolidou neste século XXI
a tendência de migrar para o Interior do país, conforme
o estudo Geração do Emprego Industrial nas Capitais e
no Interior, divulgado em 2006 pelo Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial (SENAI).
Nos últimos cinco anos, a indústria só ficou
atrás da agropecuária no ranking da criação
de postos de trabalho longe das capitais. A cada grupo de quatro empregos
abertos pelo setor no período, apenas um surgiu nas capitais.
Do total de 1,057 milhão de vagas criadas pela indústria,
75,99% foram oferecidas em municípios distantes das principais
regiões metropolitanas. No comércio, essa proporção
foi de 57,8% e, nos serviços, de 44,2%.
Entre os principais pólos de emprego industrial se destacaram
Campinas, São José dos Campos, Franca, Joinville, Blumenau,
Caxias do Sul e Divinópolis. O estudo mostra que o deslocamento
do emprego industrial para o interior se intensificou a partir de 2000.
Do estoque de 6,06 milhões de postos de trabalho existentes
no setor em 1999, 55,98% estavam fora das capitais.
"Os principais fatores que influenciam o crescimento do emprego
industrial no interior são as vantagens fiscais oferecidas pelos
municípios para instalação de novas empresas e
o baixo custo da mão-de-obra", disse em entrevista à Agência
da Confederação Nacional da Indústria (CNI) o
coordenador do estudo, João Luiz Saboia, que é diretor
do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ).
Baseada em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)
e da Relação Anual de Informações Sócias
(Rais), do Ministério do Trabalho, a pesquisa revela que atividades
tradicionais, como as de minerais não-metálicos, madeira
e mobiliário, têxtil e vestuário, calçados,
alimentos e bebidas foram as que mais criaram empregos no interior.
Mais de 80% das vagas abertas nesses segmentos nos últimos
cinco anos surgiram em empresas localizadas fora dos grandes centros.
Mas mesmo em setores modernos, como o de material de transporte, a
geração de emprego nas capitais não chegou a 40%
do total, informa a pesquisa.
Ainda que o caminho para o interior atraia, ele ainda está limitado às
regiões mais ricas do país e às áreas de
influência das capitais. O estudo informa que 11 capitais se
destacam entre as 50 microrregiões responsáveis pela
criação de 60% dos empregos industriais desde 2000. Dessas
microrregiões, 39 estão localizadas no Sul e no Sudeste.
Na outra ponta, as 50 microrregiões que mais eliminaram empregos
industriais estão concentradas em regiões menos desenvolvidas
do país. Dessas, 22 ficam no Nordeste, sete no Centro-Oeste
e três no Norte. Apenas 18 estão localizadas no Sul ou
no Sudeste. "A criação de empregos continua concentrada
nas áreas mais desenvolvidas do Sul e do Sudeste, com destaque
para o estado de São Paulo", explicou Saboia.
De acordo com a pesquisa, a microrregião que mais criou empregos
industriais no país foi Porto Alegre. Com uma indústria
diversificada, a capital gaúcha abriu 48.496 empregos industriais
entre 2000 e 2004, principalmente nos segmentos de metalurgia, mecânica,
calçados, borracha, fumo e couros.
Em seguida, vem São Paulo, com a criação de 35.801
postos de trabalho industriais. Campinas aparece como a terceira microrregião
que mais ofereceu empregos. Nos últimos cinco anos, a indústria
dessa região contratou 35.633 trabalhadores, especialmente nos
setores de metalurgia, material de transporte, química, produtos
farmacêuticos, têxtil e vestuário.
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Folha de São Paulo, 28 de dezembro
de 2006
Lula diz que veta mínimo acima
de R$ 380
Presidente afirma que vetou com "o
maior prazer" reajuste de 16,6% para aposentados e que
pode fazê-lo de novo
Em evento no Planalto, Lula pede o apoio de líderes
sindicais para aprovar as reformas trabalhista, da Previdência
e outras
PEDRO DIAS LEITE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que vai
vetar qualquer tentativa de aumentar o salário mínimo
além dos R$ 380 já definidos pelo seu governo para o
próximo ano, como já fez, "com o maior prazer",
ao vetar reajuste aos aposentados maior que o defendido pelo governo.
" A gente não está livre de pegar alguém que queira
chegar ao mês de maio e fazer uma apresentação [de um valor
maior]. Mas não se preocupem que eu veto. Se alguém tentar extrapolar
o limite do que foi acordado, não tenham dúvida que eu veto, como
vetei, antes das eleições, a demagogia daquele aumento que quiseram
dar", disse ele, no Planalto.
No início de julho, quando a campanha eleitoral já tinha
sido deflagrada, Lula teve de vetar um reajuste de 16,67% para os aposentados
que ganham mais de um salário mínimo -hoje de R$ 350. O
presidente defendia um aumento 16,67% para quem ganhasse até um
mínimo e de 5% para quem recebesse mais que isso.
Na época, Lula ficou acuado por ter de tomar uma medida impopular às
vésperas da eleição e classificou o aumento maior,
proposto pelo Congresso, de "politiqueiro" e "irresponsável".
Ontem, afirmou que vetou "com o maior prazer".
Ao exaltar o que considera feitos de seu governo, o presidente acabou
por admitir que no passado seus discursos não tinham ligação
com a realidade política. "Na verdade, o salário mínimo
era uma peça de ficção para discurso nosso no dia
1º de Maio. Isso valia para o Marinho [Luiz, atual ministro do Trabalho],
quando era presidente da CUT, para mim, quando eu era presidente sindical
no ABC, e para todos vocês. A gente fazia um discurso no 1º de
Maio, até porque a maioria das nossas categorias não representa
o trabalhador de salário mínimo", disse Lula, numa
sala repleta de sindicalistas.
Depois de uma apresentação de Marinho, sobre os ganhos
reais do salário mínimo em seu governo, Lula proferiu várias
frases de efeito - "R$ 30 é pouco para quem tem muito, mas é muito
para quem tem pouco"- e chegou a se emocionar em alguns momentos. "Por
falta de uma moedinha de 50 centavos, eu andava a pé 12 quilômetros",
contou, sobre quando ainda estudava para ser metalúrgico.
" Eu pegava o ônibus no ponto, e a minha mulher pegava em um ponto
antes de mim -minha mulher não, minha noiva, depois virou minha mulher-
e eu tinha que sair a pé. E toda hora que vinha um ônibus eu corria
para o meio do campo para que a minha noiva não visse que eu estava andando
a pé com a minha marmitinha, por causa de uma moedinha", disse, com
os olhos marejados.
Reformas
Na cerimônia, para assinar acordo com sindicalistas para o reajuste
do salário mínimo, o presidente fez uma defesa das "reformas",
inclusive da Previdência, de modo indireto. "Nós vamos
ter de discutir reformas. [...] Vamos discutir, depois de um diagnóstico
muito correto, quais são as soluções que cada um
de nós quer deixar para os nossos filhos no mundo do trabalho,
da Previdência Social, e em tantas outras áreas."
Lula pediu ajuda dos sindicalistas para vencer resistências às
reformas. "Para desburocratizar o país, às vezes a
gente mexe com a estrutura corporativa, o que vai precisar da compreensão
de vocês, porque senão, no mundo, a história nos
ensina que é mais fácil ficar como está do que tentar
fazer qualquer mudança", disse.
" E, afinal de contas, para que vocês entraram no sindicato? Para
que eu virei presidente da República? Para virar a mesmice? A mesmice
não precisava de nós", afirmou Lula.
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Folha de São Paulo, 28 de dezembro
de 2006
Governo define que aposentadoria
acima do mínimo vai ser reajustada pelo INPC
DO "AGORA"
A partir de 2007, os aposentados que ganham mais do que o salário
mínimo terão os benefícios reajustados pelo INPC
(Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Até agora,
não havia um índice fixo para a correção
dos benefícios. De janeiro a novembro deste ano o INPC acumulou
alta de 2,18%. Entretanto, como as aposentadorias foram corrigidas
em abril (pagamento feito em maio), a taxa que deverá ser usada
para o reajuste em 2007 será a acumulada entre abril deste ano
e março de 2007.
Pela previsão do consultor Newton Conde, o INPC deve acumular
2,92% no período. O INPC é medido pelo IBGE entre famílias
que ganham de um a seis salários mínimos (de R$ 350 a R$
2.100, hoje). A reposição da inflação é o
mínimo que o governo deve conceder aos aposentados que ganham
mais do que o mínimo. Um reajuste maior que os supostos 2,92%
dependerá de negociações com representantes da categoria.
João Batista Inocentini, presidente do Sindicato Nacional dos
Aposentados e Pensionistas da Força Sindical, prevê que
as conversas com o governo comecem em fevereiro. "Não quer
dizer que [o aumento] vai ser só o INPC", diz.
O sindicalista elogiou a decisão do governo. "Hoje temos
um índice definido. Antes, usava-se sempre aquele que fosse o
mais baixo", afirma.
Junto com o mínimo
A definição do INPC como índice oficial para o reajuste
do dos aposentados é parte da lei nº 11.430, que altera a
legislação da Previdência. A modificação
foi publicada ontem no "Diário Oficial" da União.
O texto define, também, que o reajuste vai ser concedido junto
com o do salário mínimo.
Se o governo cumprir aquilo que acordou com as centrais em relação
ao salário mínimo, o reajuste de 2008 será aplicado
sobre o benefício de março (pagamento feito em abril).
Em 2009, o aumento é aplicado em fevereiro (pagamento em março)
e, de 2010 em diante, a correção sai em janeiro (pagamento
feito em fevereiro).
Data de pagamento
Segundo o INSS de São Paulo, o trabalhador pode deixar claro,
quando pedir o benefício, em que data quer que seu pagamento seja
iniciado. Por meio de sua assessoria de imprensa, o órgão
informou que, se a pessoa não fizer o pedido, o benefício
será concedido na data da requisição, e não
a partir de quando ele completou as exigências para a concessão.
Quem já teve a aposentadoria concedida, porém, não
vai conseguir mudar a data de início do seu benefício no
próprio INSS. Nesse caso, só mesmo uma ação
judicial.
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Gazeta do Povo, 28 de dezembro de 2006
REAJUSTE | Novo salário mínimo
de R$ 380 proporcionará arrecadação extra de
R$ 2,1 bilhões em tributos
R$ 8,5 bi a mais na economia em
2007
Brasília – O governo calcula que o reajuste do salário
mínimo de R$ 350 para R$ 380 injetará R$ 8,5 bilhões
na economia brasileira em 2007. Parte desse dinheiro – cerca de
R$ 2,1 bilhões –, segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho,
entrará nos cofres do governo na forma de arrecadação
de tributos. Em abril, quando o novo salário passará a
vigorar, o trabalhador terá um ganho real (acima da inflação)
de renda de 5,3% no ano que vem e de 32% entre 2003 e 2007. No próximo
ano, o mínimo alcançará o maior valor real mensal
desde novembro de 1982 e com o dinheiro poderá comprar 2,4 cestas
básicas. Em 2003 comprava apenas 1,3 cesta básica.
O acordo assinado ontem pelo governo com as centrais sindicais será encaminhado
ao Congresso na forma de um projeto de lei. A proposta prevê uma
política para o reajuste do salário mínimo até 2023.
De 2008 a 2011, o reajuste será calculado com base na inflação
e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) verificado dois anos antes.
O reajuste de 2008, por exemplo, será feito com base no PIB
de 2006. A partir de 2010, quando termina o segundo mandato do presidente
Lula, a política será revista a cada 4 anos, em 2011,
2015 e 2019.
Também foi incluída nas regras do acordo uma antecipação
gradual da data base de reajuste. A cada ano a data será antecipada
em um mês. Com a nova regra, o reajuste passará a ser concedido
em janeiro já em 2010. A mudança era uma antiga reivindicação
das centrais sindicais. Para agradar a classe média e contrariando
a avaliação técnica da Receita, o governo resolveu
indexar a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) entre
2007 e 2010. Nesse período, a tabela será corrigida em
4,5% anualmente.
Segundo o ministro do Trabalho, a acordo garante em 2007 o maior poder
de compra em 28 anos para o trabalhador que ganha um salário
mínimo – cerca de 40 milhões de brasileiros (16,4
milhões são beneficiários da Previdência). “Os
números não deixam dúvida da opção
desse governo de ter uma política permanente de valorização
do salário mínimo”, disse Marinho. Ele pediu a
colaboração do Congresso Nacional para que o projeto
de lei seja aprovado e não se transforme “meramente numa
vontade política desse ou daquele governo, mas numa política
pública do Estado”.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
28/12/2006
TST confirma mudança de turno de
trabalho favorável a empregado
A alteração do regime de turnos ininterruptos de revezamento
para o sistema de turno fixo é uma das prerrogativas do empregador.
Com esse esclarecimento do ministro Lelio Bentes Corrêa (relator),
a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou agravo de instrumento
em recurso de revista a um grupo de ex-empregados da Ford Motor Company
Brasil Ltda., que pretendia obter diferenças salariais em decorrência
da mudança no sistema de produção da montadora,
ocorrida de forma unilateral.
A defesa dos metalúrgicos recorreu contra decisão do
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo) sob a alegação, dentre outras, de violação
ao artigo 468 da CLT, que proíbe as alterações
unilaterais nos contratos de trabalho prejudiciais aos empregados. “Não
incide a vedação prevista no artigo 468 da CLT, porque
se trata de alteração benéfica aos empregados”,
explicou Lelio Bentes ao votar pela manutenção do acórdão
regional.
As informações dos autos revelaram que, desde a promulgação
da Constituição de 1988, até dezembro de 1995,
a Ford adotou o sistema de turnos ininterruptos. Nos primeiros seis
meses de 1996, contudo, a montadora mudou para a escala de seis dias
de trabalho por dois de descanso, em turnos fixos. A mudança
resultou, segundo os metalúrgicos, num saldo médio de
1096,23 horas de trabalho que deveriam ser indenizadas pela empresa.
No TRT-SP, essa possibilidade foi afastada, até porque, no
período em que vigoraram os turnos fixos, não havia cláusula
de norma coletiva em vigor prevendo os turnos ininterruptos. “Não
se pode falar, portanto, em prorrogação automática
de tais cláusulas, ou de aderência definitiva ao contrato
de trabalho”, registrou a decisão regional. “A empresa
atuou dentro do campo da legalidade”, acrescentou o TRT.
O relator do agravo no TST também ressaltou que a alteração
dos turnos ocorreu após expirada a vigência do acordo coletivo
que previa o revezamento. Rejeitou, ainda, a alegação de
violação à CLT, porque a mudança foi benéfica
aos trabalhadores. “Frise-se que a Constituição Federal
estabeleceu jornada reduzida para aqueles que trabalham em turnos de
revezamento, exatamente por ser prejudicial à saúde dos
trabalhadores, em face do desgaste resultante das mudanças contínuas
de turnos”, concluiu Lelio Bentes. (AIRR 92955/2003-900-02-00.9)
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