Folha de São Paulo, 26 de abril de 2007
Serra fixa mínimo de R$ 410 em
SP
Medida contempla empregados do setor privado
sem piso definido em lei federal, convenção ou acordo
coletivo | Valor é 8% maior do que o mínimo adotado pelo
governo federal, de R$ 380; Estados podem instituir pisos regionais
desde 2000
DA REPORTAGEM LOCAL
O governador de São Paulo,
José Serra, enviou ontem à Assembléia Legislativa
projeto de lei que fixa em R$ 410 o piso salarial do Estado. Pelo projeto
- que cria o piso regional - serão instituídos três
patamares salariais em São Paulo segundo as diferentes categorias
profissionais: R$ 410, R$ 450 e R$ 490. Amparada no cruzamento dos dados
do IBGE e do Ministério do Trabalho, a avaliação
do governo é que a medida beneficiará, com um aumento de
8%, um milhão de trabalhadores que hoje recebem o salário-mínimo
adotado pelo governo federal (R$ 380 mensais). São contemplados
os empregados da iniciativa privada que não tenham piso salarial
definido em lei federal, convenção ou acordo coletivo de
trabalho.
"Como disse o [secretário
de Emprego e Trabalho, Guilherme] Afif, esse piso é o dissídio
dos que não estão organizados", discursou Serra, afirmando
que foram fixados com cuidado para evitar informalidade. Pelo texto,
o mínimo de R$ 410 é aplicado, por exemplo, a trabalhadores
domésticos, serventes, trabalhadores agropecuários, contínuos,
trabalhadores de serviço de limpeza e conservação,
motoboys e auxiliares de escritórios.
O de R$ 450 vale, por exemplo,
para tintureiros, barbeiros, manicure, cabeleireiro, dedetizadores, garçons,
barmen e cobradores. O de R$ 490 atinge de administradores agropecuários
a trabalhadores de serviço de higiene e saúde. O piso passa
a vigorar no mês seguinte à aprovação na Alesp.
A exemplo do salário-mínimo, a fiscalização
de seu cumprimento deve ser feita pelo Ministério do Trabalho.
Segundo a assessoria da Delegacia
Regional do Trabalho, as multas aplicáveis às empresas
variam segundo a gravidade das irregularidades e o número de empregados.
Desde 2000, os Estados estão autorizados a instituir o piso regional.
Para evitar impacto na conta das prefeituras, estão excluídos
os funcionários municipais. Em São Paulo, o piso salarial
dos funcionários estaduais é de R$ 510. Hoje, três
Estados adotam o piso próprio, divididos em seis diferentes categorias.
No Rio, o menor é de R$ 404,02 e o maior de R$ 486,13. No Rio
Grande do Sul, o piso vai de R$ 405,95 a R$ 441,86. No Paraná,
de R$ 427,00 a R$ 437,80.
No discurso, Serra apontou
a medida como uma demonstração de que seu governo é popular "Estamos
fazendo uma administração aqui em São Paulo voltada
para os interesses populares. Estamos à frente de um governo
popular". Na saída, Afif admitiu risco de aumento da informalidade.
Mas lembrou a possibilidade de aperfeiçoamento da lei, que é corrigida
anualmente.